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*Educ' arte - Prof.ª Séulima*

25

out
2011

Estresse transmitido por gerações

 
Pais passam seus genes para filhos, que são iguais aos recebidos dos avós. Esse é o senso comum, mas, com o passar do tempo, o determinismo genético tem sido menos aplicado na medicina. Por outro lado, hábitos adquiridos e alterações causadas pelo ambiente são cada vez mais detectados. Comer muito fast food, fumar e levar uma vida estressante pode deixar marcas que serão carregadas por gerações. O organismo se adapta ao meio e isso é transmitido geneticamente para os descendentes. E não é só em questões físicas, mas também em predisposições genéticas para doenças, como o diabetes e o câncer, e suscetibilidade ao estresse. A epigenética, como é conhecido esse fenômeno, foi um dos temas do 7º Congresso Brasileiro Cérebro, Comportamento e Emoções, [de] 15 a 18 de junho, em Gramado, RS. "O DNA de uma pessoa é sempre o mesmo, mas ele possui marcadores que levam à diferenciação celular, por exemplo, o que indica que uma célula vira pele e outra, neurônio. E o ambiente também influência a expressão genômica", explica o psiquiatra Marcelo Allevato. Os tais marcadores indicam ainda características comportamentais e cognitivas.

Segundo ele, doenças metabólicas, como diabetes, podem ser influenciadas pelos hábitos alimentares dos pais. Quem come muito açúcar e gordura pode ter alterações genéticas que vão determinar se seus filhos terão mais vulnerabilidade a esses ingredientes e doenças correlatas. Filhos de mães que já fumaram alguma vez na vida têm risco aumentado de câncer no pulmão e obesidade, também por mudanças na genética da mãe que são passadas para o filho.

Quando somos jovens o DNA tem mais plasticidade e por isso é mais suscetível a essas alterações, com o passar dos anos, certos trechos são inativados e outros são expressos de acordo com o ambiente.

"A Holanda é um dos países com maior estatura média da população. No pós-segunda-guerra, o país enfrentou falta de comida, e a população ficou mais baixa. Mesmo após algumas gerações bem alimentadas, a alta estatura demorou a voltar na maioria dos holandeses. Esse é um sinal de como o ambiente influenciou nas características genéticas", conta Allevato.

O médico faz uma pergunta que cabe a todos nós: "Até que ponto vale a pena viver uma vida estressante e arcar depois com sequelas como diabetes, depressão, ansiedade e transtornos do sono?" Para ele, mesmo que por um pequeno período de tempo, o estresse pode acarretar danos para o resto da vida.

Uma pesquisa feita com mulheres grávidas durante os atentados do 11 de setembro no World Trade Center indicou que o estresse passado por elas passou para os bebês. Os níveis de cortisol (hormônio do estresse) eram baixos tanto nas mulheres que apresentavam transtorno de estresse pós-traumático quanto em seus filhos com menos de um ano.

"Percebemos que há uma mudança biológica, não sei se podemos atribuí-las à genética, mas com certeza algo foi programado diferente", explica Rachel Yehuda, líder da pesquisa da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York (EUA).

Outro estudo, em Atlanta, analisou filhos de moradores de um bairro rico e de um pobre da cidade, e constatou que filhos do primeiro grupo apresentavam maior vulnerabilidade ao estresse e depressão.

(UOL Ciência e Saúde)

Nota: Isso coloca responsabilidade ainda maior sobre os ombros daqueles que pretendem ser pais. O estilo de vida que adotamos, além de trazer impactos positivos ou negativos sobre nós mesmos, vai afetar a vida dos nossos descendentes. Viver de acordo com a vontade de Deus é, também, lima prova de amor ao próximo - ao próximo filho, neto...[DB]

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30

ago
2011

Erotização, precoce e pública

Durante três minutos, um menino de cerca de dois anos dança só de fraldas em cima de uma mesa. Feliz, rebola e faz movimentos ritmados imitando o ato sexual. Ao som da banda baiana Kuduro, exibe uma coreografia altamente erotizada à qual provavelmente assistiu repetidas vezes, até aprender. Os que presenciam a cena, orgulhosos, registram cada movimento com seus telefones celulares e filmadoras. Poderia ser apenas mais um vídeo caseiro de mau gosto postado no mundo-cão da internet. Mas a situação tem um agravante. Um blog - dedicado a divulgar fatos bizarros, é claro - hospedado no site de um dos mais respeitados jornais do país não só recomenda o vídeo como também disponibiliza o link para quem quiser assistir. E diz: "É a prova viva que brasileiro nasceu dançando...Vale a pena conferir!"

Neste caso, de quem é a responsabilidade sobre a exposição indevida do menino? Da família que, no auge da euforia, não percebe os riscos da brincadeira? Se nem avalia uma possível queda, poderia estimar o potencial explosivo do vídeo nas mãos dos milhares dos pedófilos sempre de plantão na rede? Das autoras do blog? Podem ser culpadas por divulgar a dança inusitada? Do jornal que abriga o blog? Da sociedade que se diverte? Ou do Estado que se omite?

A questão da responsabilidade pelo conteúdo na internet é nebulosa, mas o Estatuto da Criança e o Adolescente é claro: "É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente." A fama do menino termina em 15 minutos. Já a erotização precoce e pública deixa marcas profundas.

(Lilia Diniz, Observatório da Imprensa)

Nota: Depois que li essa matéria da Lilia, me lembrei de que histórias em quadrinhos ilustradas por desenhistas da Marvel serão distribuídas em escolas públicas que fazem parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). São textos e imagens (como a que abre esta postagem e no detalhe abaixo) com conteúdo erótico que mais incentivam a iniciação sexual precoce do que ajudam a prevenir as DST. Será que esse é o melhor caminho?


Assim como o Estado e a mídia têm sua parcela de responsabilidade, mais ainda os pais, que são os responsáveis diretos pelos filhos. As imagens abaixo são de desenhos animados "infantis", como Dragon Ball Z e Ranma 1/2, o que mais tem conotação erótica. Você sabe o que seus filhos andam assistindo?[MB]

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30

ago
2011

O mundo do lado de fora da janela

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles, podia sentar-se na cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha que ficar sempre deitado de costas.

Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto, todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela. O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela.

A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem. Enquanto o homem descrevia tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os olhos e imaginava a pitoresca cena.

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que passava. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a relatava através de palavras bastante descritivas.

Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo. Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.

Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela... que dava, afinal, para uma parede de tijolos!

O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto, lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. "Talvez ele quisesse apenas dar-lhe coragem..."

Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.

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30

ago
2011

Confissão de um pai

Escuta, filhinho: Digo-te estas coisas enquanto estás dormindo, com um braço embaixo do rosto e os cabelos caídos em tua fronte úmida. Deslizei sozinho para o teu quarto. Alguns momentos atrás, ao ler o jornal, invadiu-me uma tórrida onda de remorsos. Sentindo-me culpado, vim para junto da tua cama!

Estava pensando no seguinte, filhinho: Havia me zangado contigo. Repreendi-te enquanto estas te preparando para ir à escola, porque havias enxugado mal o rosto. Repreendi-te porque não tinhas lustrado os sapatos. Gritei, quando percebi que havias deixado algumas das coisas sobre o assoalho.

Durante o café encontrei outras faltas. Derramaste coisas na mesa. Engoliste a comida sem mastigá-la. Apoiaste os cotovelos na mesa e puseste muita manteiga no pão. E quando saías para brincar e eu ia tomar o ônibus, levantaste a tua mãozinha e gritaste: "Até logo, paizinho!"  E eu franzi a testa e respondi: "Fica quieto, menino!"

De tardinha, comecei novamente. Enquanto me aproximava de casa, eu ia te espiando e vi que estavas ajoelhado, jogando bolinhas. Havia buracos nas tuas meias. Humilhei-te diante dos teus companheiros fazendo-te marchar para casa. As meias são caras - e se tivesses que comprá-las, por certo terias mais cuidado com elas! Imagina, filhinho, que um pai possa pensar dessa maneira!

Mais tarde, lembras? Enquanto eu estava lendo, te acercaste devagarinho, timidamente e com uma expressão dolorida nos olhos. Quando impaciente pela interrupção, levantei os olhos do jornal, paraste hesitante na porta. "Que queres?", perguntei impaciente.

Não disseste nada, mas correste para junto de mim, e lançando os bracinhos ao redor do meu pescoço, me beijaste várias vezes; e o teu abraço se tornava cada vez mais apertado, refletindo o afeito que Deus fazia florescer no teu coração e que não murchava nem com a negligência. E logo, subiste, correndo, as escadas.

Bem, filhinho, pouco tempo depois o jornal me caiu das mãos e um terrível medo se apoderou de mim. O que faz de mim o hábito? O hábito de queixar-me, de procurar faltas, e repreender - assim te recompensava por ser um rapazinho. Não é que não te amava; simplesmente exigia e esperava mais de ti. Com a medida de minha própria idade eu te media.

E há tantas coisas boas e retas no teu caráter! Teu coraçãozinho é tão grande como o impulso espontâneo que tiveste ao correr ao meu encontro para beijar-me. Nada mais me importa, filhinho. Vim para junto de tua cama, e aqui me ajoelho, cheio de vergonha.

É uma penitência fraca; eu sei que não compreenderias estas coisas se eu as dissesse estando tu acordado. Mas de amanhã em diante serei um verdadeiro pai para ti! Serei um companheiro que sofrerá e rirá contigo. Repetirei como se fosse um rito: És apenas uma criança, apenas uma criança!

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30

ago
2011

Papai não é mais aquele

Paizinho, você não é mais aquele. E estou feliz da vida por causa disso. Outro dia, a vovó me disse que, graças a Deus, já não existem mais pais como os de antigamente. O pai dela, avô da mamãe e meu bisavô, era um sujeito muito durão, que não brincava nem conversava com os filhos pequenos. Só dava bronca. Mandava as crianças saírem da sala quando chegavam visitas... Do tipo "machão". Não ajudava a mulher em casa nem deixava que ela trabalhasse fora. Era o manda-chuva. Só deixava as filhas casarem depois dos vinte anos. E era ele quem escolhia os futuros genros! Parecia o dono da verdade. Ninguém podia ir contra as idéias dele.

Que bom que as coisas mudaram e os pais de agora são diferentes! Mas o que me deixa mais contente, pai, é ver que você também mudou. Desde que se ligou em Deus e começou a ler a Bíblia e ir à igreja, está cada vez mais legal.

Você mudou bastante. Parou de fumar. Não bebe mais. De certo é por isso que anda mais bem disposto. Canta debaixo do chuveiro. Volta bem-humorado do trabalho... Parece que, finalmente, descobriu seu segredo da felicidade, não é?

Nem parece o mesmo de uns anos atrás. Brigava tanto com a mamãe. E eu não gostava nada daquilo. Dava raiva, quando você saía bravo e a deixava chorando. Várias vezes eu disse para ela que achava melhor vocês se separarem. Agora mudei de idéia.

As coisas andam tão diferentes aqui em casa que, às vezes, até penso que estou sonhando. Você conversa com mamãe sem discutir. Valoriza o que ela faz. Pede desculpas quando vê que estava errado. Não reclama se a mamãe ainda não aprontou o almoço quando você chega. Não fica dizendo para ela ser mais econômica. Vai ao supermercado. Faz a feira. Ajuda a mamãe nos fins-de-semana... Isso é que é marido! Quando eu casar, quero um desse jeito.

Falando sério, pai: fico tão feliz quando você leva a gente para passear. Adora ouvi-lo contando histórias da Bíblia! E quando você troca idéias comigo, mostra interesse pelos meus problemas, pergunta como vão as coisas na escola, fico super contente.

Você tem sido mais tolerante comigo. Mais compreensivo. Amoroso. E isso está modificando minha maneira de pensar sobre Deus, o "Papai" do Céu.

Sabe, ainda não sei muita coisa sobre Jesus, mas acho que, se Ele tivesse casado, teria sido um pai assim. Igual a você, paizão.

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