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*Educ' arte - Prof.ª Séulima*

8

jun
2011

Desabafo

Vivo em um lugar fechado e de pouca iluminação. Este ambiente permite-me passar os dias a recordar bons e maus momentos da infância e adolescência. Infância? Eu diria que pouco sei sobre essa fase. Os meus pais se separaram e vivi com meus avós. Brincava com colegas de rua e, às vezes, aprontávamos a nossas.

Meu avô era durão e, às vezes, valia-se de um chinelo ou vara para aplicar-me um corretivo. Confesso que eu não era fácil. Apesar dos conselhos de familiares e amigos, persistia no erro. "Deixa que cuido da minha vida", dizia eu, acreditando ser o "dono do meu próprio nariz".

À medida que ia crescendo, ficava mais desorientado. Encontrei uma turma de pessoas iguais a mim, que me facilitava os prazeres da vida: cigarro, bebida e mulher. Um dia me ofereceram um cigarro diferente, que também tornou a minha vida diferente.

Eu sempre sentia falta de fumar este cigarro. Não contente com as "viagens" que o cigarro me permitia, injetei e cheirei. Inicialmente, foi uma maravilha. Eu viajava sem sair do lugar. Perdia o controle sobre mim e não havia alguém que me contivesse.

Mas aos poucos, o mundo foi se acabando para mim; não tinha dinheiro, amigos nem sonhos. Todos foram embora. Só me restava desrespeitar a tudo e a todos: roubei e matei para sustentar as minhas fantasias passageiras. Acabei aqui. Hoje sou tudo e ninguém.

Apesar do sofrimento, desperto-me para o pouco de memória. Entre as poucas cenas de que me lembro, está aquela da sala de aula repleta de alunos. Engraçado: aquele professor a quem todos detestávamos, porque insistia em dizer que a Educação era importante, hoje não me sai da memória. Lembro-me de que era um homem turrão e chato. Às vezes, ele mandava alguns para fora de sala. Mas uma coisa deve ser dita: eu e os demais éramos muito agitados. Costumávamos perturbar o professor e a sala , para praticar uma vingança contra alguém invisível, responsável por nossa miséria e sofrimento, de quem não sabíamos o nome. Hoje sei que esse inimigo imaginário não é a escola e o professor. Tarde demais.

Atualmente, sei diferenciar as coisas: aqueles bonzinhos, que pareciam meus amigos, no baile, partida e outras farras, não existem mais. Deram no pé. O professor e outros da escola, os ranzinzas de sempre, é que eram os verdadeiros amigos. Brigavam, chateavam-se, pelo nosso bem.

Lembro-me de professores muito bravos, mas que, por dentro, ficavam felizes quando demonstrávamos interesse em aprender. Embora eles não manifestassem, sorriam por dentro, quando aprendíamos alguma coisa. Esses professores foram embora e nunca mais eu os vi.

Pena que os redescobri tarde, em um passado aonde não posso voltar e refazer minha trajetória. Daqui para frente...

Anônimo

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8

jun
2011

Depende de você

QUEBRA-CABEÇA

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas.

Certo dia, seu filho de sete anos, que era muito inteligente mas também muito inquieto, invadiu o seu local de trabalho decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista nervoso pela interrupção, tentou fazer com que o filho fosse brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível removê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção. De repente deparou-se com uma revista onde havia um grande mapa do mundo, e teve uma idéia: com auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em muitos pedaços pequenos e junto com um rolo de fita adesiva, o entregou ao filho dizendo:

- Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo recortado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho! Faça tudo sozinho.

Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa.

Algumas horas, depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:

- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!

No princípio o pai não deu acredito nas palavras do filho. Seria impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho mal feito e incompleto. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível ? Como o menino havia sido capaz?

- Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu fazer isto?

- Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado da página havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi ai que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a montar a figura do homem, que eu sabia como era. Quando acabei, virei a folha e vi que o mundo tinha ficado certinho também.

Moral da historia:

Para consertar o mundo "basta" antes consertarmos o ser humano.

Autoria desconhecida.

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