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*Educ' arte - Prof.ª Séulima*

8

jun
2011

Ensinar bem é...saber explicar

Pesquisas feitas com alunos mostram que saber explicar é a mais importante qualidade de um professor - porque quem faz isso bem torna suas aulas mais interessantes. Essa habilidade não nasce com a gente, mas pode ser desenvolvida e aperfeiçoada.

Fazer associações

Explicar, segundo os dicionários, é dar compreensão a outra pessoa. "Crianças e adolescentes dependem da intermediação de adultos para aprender", diz a pesquisadora e consultora Elvira Souza Lima. "Não há ensino sem explicações." A capacidade de cada aluno de entendê-las relaciona-se com os mesmos mecanismos de quase todo aprendizado, ou seja, a utilização da experiência pessoal ou da associação com informações que ele já tem. Por isso cabe ao educador ajudar os estudantes a vasculhar o próprio conhecimento. "O maior desafio é expressar-se de acordo com os processos de pensamento da turma, em especial se forem crianças", afirma Elvira. Ao planejar uma explicação, é fundamental prever que conceitos serão expostos à turma e como isso será feito, para obter o máximo de clareza e atingir os objetivos ( Leia o quadro abaixo).

Você mesmo pode aferir a eficácia de cada método. Elvira Souza Lima indica dois caminhos para isso. O primeiro é a análise do próprio desempenho mediante o registro das aulas, em vídeo ou áudio. O segundo é conversar com os estudantes e escutar o que eles têm a dizer, para ver o que entenderam. Assim você avalia melhor a sintonia que se estabelece entre professor e alunos.

Cinco abordagens

As explicações podem seguir cinco tipos de abordagem.

Definição de conceitos. Eles podem ser concretos ou abstratos e familiares (presentes no dia-a-dia) ou técnicos (restritos a especialistas). Os abstratos e técnicos demandam mais explicação, porque estão além da experiência sensorial e imediata.

Semelhanças e diferenças. É hora de dar um passo maior Com essa abordagem, você compara, distingue e/ou classifica as informações em grupos. Para tratar de catolicismo e protestantismo, por exemplo, um quadro comparativo é um bom material de apoio. Causa e efeito. Essa abordagem mostra como um fenômeno leva a outro numa seqüência lógica. É o melhor jeito de explicar acontecimentos como a eclosão de uma guerra ou o surgimento de um movimento artístico. Diagramas facilitam a compreensão. Finalidade. Mostrar "para que serve" um trabalho evoca a experiência dos alunos e os ajuda muito a entender. Um bom exemplo é falar de princípios de saúde e mostrar como eles se aplicam à prática de esportes. Processos. Quando lança mão dessa abordagem, você revela como as coisas funcionam. A ênfase é na seqüência de itens. Por isso, essa é melhor maneira de descrever um lance de um jogo de tênis ou uma coreografia.

O QUE E COMO EXPLICAR

Recursos para explicações                       

Divisão em tópicos              

Analogias                 

Esquemas gráficos            

Exemplos e antiexemplos               

Conexões com a experiência do aluno                 

Humor                     

Tipos de abordagem                     

Definição de conceitos                  

Similaridades e diferenças              

Causa e efeito                   

Finalidade                

Processos                

Tipos de conceitos               

Concreto x Abstrato            

Familiar x Técnico               

Para avaliar explicações                

Análise de gravações das aulas;   

Entrevistas com os alunos

DUAS DICAS

Uma recomendação: o humor é um bom aliado para tornar as explicações mais acessíveis e interessantes. Conhecer os comentários que vão divertir a turma só depende de você.

Um alerta: abrir espaço para debates durante a apresentação só serve para atrasar o processo e desviar o assunto. Uma vez encerrado um tópico ou um tema, porém, a discussão é bem-vinda.

Fonte Revista Escola ( Março 2003 )

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2

jun
2011

Ensino/aprendizagem

Então, precisamos ensinar de acordo com o propósito de Deus e compreender que histórias, assuntos, conteúdos não mudam a vida de ninguém.
A aplicação (alicerçada na Palavra e adequada ao público) é importante porque é através dela que o professor poderá mudar vidas, tornando-as cada vez mais semelhante com Cristo.

CAPÍTULO 6 - O método e os maximizadores da Aplicação
Para que possamos fazer boas aplicações é necessário termos um compromisso com Deus de maneira que tenhamos uma vida em santificação e que expressemos confiança e convicção naquilo que ensinamos. Precisamos ter um coração que depende de Deus para fazermos boas aplicações. Ao ensinarmos precisamos persuadir nossos alunos visando transformá-los de maneira profunda e duradoura através da Palavra de Deus.
Não podemos nos esquecer que apesar de um texto ter uma só interpretação ele tem diversas aplicações, precisamos tirar tempo para atingirmos as necessidades dos nossos alunos.
Na página 143 Wilkinson aborda o valor das histórias no ensino e nas aplicações e por isso ele usa tanto este método em seu livro.

A LEI DA RETENÇÃO
CAPÍTULO 7 - A mentalidade, o Modelo e as Máximas da Retenção
Mais uma vez o autor deixa claro que a responsabilidade de ensinar o aluno é toda do professor, uma vez que este livro foi escrito para professores e comunicadores (p. 162).
A lei da retenção trata do aspecto de como e o que o aluno deverá reter. Para que qualquer aluno retenha o que foi ensinado é mister que ele em primeiro lugar tenha compreendido, sendo assim, a compreensão sempre deve preceder a memorização.
Para que o aluno também retenha mais do assunto, ele tem que ver o assunto como algo relevante para sua vida, algo que tenha significado prático.
O aluno também deve saber claramente o que é mais importante do conteúdo que esta lhe sendo passado (conhecer o mínimo). É impossível que ele guarde tudo em sua cabeça, e é tarefa do professor facilitar a aprendizagem e mostrar como o aluno pode usar as informações que foram passadas.
A lei da retenção visa que o aluno domine o mínimo.

CAPÍTULO 8 - O método e os maximizadores da Retenção
Esta lei depende muito do esforço do professor, bem como da criatividade. Um bom professor não se contenta em simplesmente palestrar, ele quer ensinar de maneira genuína. Para isso ele deverá usar diferentes métodos que possam levar o aluno aprender. Seja contando histórias, usando figuras, tabelas de resumos, ou qualquer outro método que possa facilitar o conteúdo para que o aluno guarde o mínimo para que possa ser dito que aprendeu a lição.


A LEI DA NECESSIDADE
CAPÍTULO 9 - A mentalidade, o Modelo e as Máximas da Necessidade
Aqui Bruce lembra bem de um princípio universal citado em quase todos os livros que tratam da tarefa de ensinar: a atenção dos alunos é o primeiro pré-requisito para o processo da aprendizagem. Ele usa o exemplo de Jesus com a mulher samaritana para ilustrar e dar base a esta idéia.
O aluno que sente a necessidade de aprender é o aluno que irá aprender, sendo assim, o professor deve motivar, criar interesse, ganhar a atenção do aluno antes de começar a ensinar.

CAPÍTULO 10 - O método e os maximizadores da Necessidade
O professor que realmente quer ensinar seus alunos não será aquele professor que não se importa com a pessoa do aluno. É muito importante que o professor saiba se envolver com seus alunos sentimentalmente, só assim ele descobrirá as necessidades para depois supri-las.
O que podemos ver nessa lei é que o ensino deve ser vivo, dinâmico e relevante. O professor deve ensinar sem ter medo de manifestar emoções. Ele deve amar de todo coração o processo do ensino e principalmente seus alunos.

A LEI DA PREPARAÇÃO
CAPÍTULO 11 - A mentalidade, o Modelo e as Máximas da Preparação
O título desta lei pode enganar muita gente. Eu mesmo quando olhei para o nome dado a este capítulo, pensei que seria semelhante ao assunto de outros livros sobre o ensino e assim abordaria a necessidade do professor se preparar antes das aulas. Todavia, não é isto que o autor faz aqui. A idéia dessa lei é preparar o aluno para o ministério.
Ao tratar Ef 4.11-12 Wilkinson escreve uma frase que pelo jeito o impactou bastante, e posso admitir que não tinha notado o versículo dessa maneira: "O Senhor nos enxerga como um dom, um presente para aqueles a quem ministramos." (p. 259). Gostei muito.
Quando o professor está ensinando visando preparar o aluno para o ministério, para o serviço cristão, ele estará cumprindo com o propósito de Deus de edificar a sua igreja.

CAPÍTULO 12 - O método e os maximizadores Preparação
Os passos de instruir, exemplificar, envolver, aperfeiçoar e inspirar são ótimos para qualquer situação de ensino. Seja na instrução familiar (pais para os filhos), no discipulado ou mesmo em uma sala de aula.
Como professores precisamos treinar nossos alunos para que sejam competentes em suas tarefas. Por isso, é um desafio aprendermos a avaliar nossos alunos pelo o que eles estão fazendo, pela competência, pelo maneira que estão exercendo seus ministério e não simplesmente através de provas ou testes escritos.

A LEI DO AVIVAMENTO
CAPÍTULO 13 - A mentalidade, o Modelo e as Máximas do Avivamento
O professor bíblico é semelhante ao professor secular em alguns sentidos, mas as principais diferenças estão no fato que o que é ensinado é a Bíblia, e por isso a ação do Espírito Santo é importante tanto na vida do professor como na vida do aluno.
O professor deve lembrar que ele é chamado por Deus para desafiar vidas para um compromisso e consagração a Cristo. Concordo com o autor quando ele diz que não fomos chamados para distrair o público ouvinte, mas para desafia-los.
O evento da conversa de Natã com Davi (2 Sm 12) é muito bem tratado e esboçado no quadro Modelo do Avivamento, aliás, como todos os outros modelos dos capítulos anteriores. O princípio fica bem claro: devemos avivar os corações de nossos alunos.

CAPÍTULO 14 - O método e os maximizadores do Avivamento
Neste capítulo, Bruce Wilkinson sugere cinco passos para uma confrontação pessoal. São bem práticos e ao mesmo tempo nos ensina que não podemos fugir de nossa responsabilidade de levar pessoas a um avivamento espiritual.
Apesar de serem passos bem pessoais o professor deve visar também o avivamento na vida de seus alunos enquanto está ensinando, e entre tantas máximas, não podemos deixar de citar que é necessário que o professor esteja com sua vida compromissada e consagrada ao Senhor para ser usado como um instrumento no ministério de avivamento.

CONCLUSÃO
Quero concluir apenas dizendo que este foi o melhor livro que já li sobre o ensino. Bruce é um professor por excelência e me desafiou em melhorar muito mais a minha atividade como professor, pai e pastor.

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2

jun
2011

As 7 leis do aprendizado

O MÉTODO E OS MAXIMIZADORES DA APRENDIZAGEM

 

Eu já havia tentado de tudo, e o carro não pegava. Às vezes, quando eu menos esperava, parecia que o motor ia pegar, mais ficava rateando e estalando, e depois morria. Acabei desistindo. Aos trancos e barrancos, fui até o posto de gasolina onde habitualmente abastecia e onde se achava o mecânico de minha confiança, que havia anos cuidava dos meus automóveis.

Depois de olhá-lo alguns momentos, ele disse que não conseguia achar o defeito, e iria fazer um teste na "máquina de diagnose". Eu jamais havia visto ou ouvido falar de uma "máquina de diagnose"; então perguntei se poderia matar a curiosidade.

Ele abriu o capo, soltou alguns cabos elétricos do motor, e ligou-os ao seu computador. Quando ele ligou a tal "má1uina de diagnose", algumas luzinhas piscaram, e num segundo ele riu, e disse:

"Bem, a razão porque eu não conseguia detectar o defeito é que um destes fios está curto, o que acaba gerando um problema de quando em quando. Mas não dá pra ver a olho nu."

Ele substituiu a fiação, e segui meu caminho, com o motor funcionando perfeitamente, como sempre. Contudo eu fiquei pensando, maravilhado, naquela fantástica "máquina de diagnose". Aí me ocorreu a pergunta: Não seria maravilhoso se houvesse uma "máquina de diagnose de ensino"? Se as aulas não estivessem dando certo, bastaria pegar alguns alunos, "liga-los" à máquina, e na mesma hora saberíamos quais os problemas da classe.

Por vezes ficamos com a impressão de que o processo de ensino-aprendizagem é um mistério insondável. De vez em quando, as aulas correm tão bem quanto uma prova das 500 milhas de Indianápolis. De repente, uma outra aula parece se tornar tão arrastada, que nem sequer temos certeza de que o carro terá condições de sair do boxe! Se você já ficou se perguntando o que saiu errado, anime-se. Agora existe uma "máquina de diagnose de ensino". Ao final deste capítulo, você estará apto a identificar, em poucos minutos, o que está gerando o problema, e saberá como poderá resolve-lo.

Em contraste com a complexidade dos sistemas operantes do motor de um automóvel, porém, o processo ensino-aprendizagem é composto de apenas cinco sistemas básicos dos quais dependem seu sucesso ou fracasso.Assim sendo, descobrir a causa de um problema em sala de aula é bem mais simples do que num automóvel. Com um pouco de treinamento, você poderá se tornar perito não apenas em descobrir por que certo componente não anda funcionando bem, mas também em corrigi-lo.

Vamos, então, desembrulhar a misteriosa "máquina de diagnose de ensino" e ver se você consegue faze-la funcionar sozinho (não há necessidade de pilhas).

 

O MÉTODO DA APRENDIZAGEM

 

Pensemos por um instante no que precisa estar presente numa sala de aula cristã, para que haja uma experiência de ensino-aprendizagem. Abaixo encontram-se alistados cinco elementos que estão presentes em toda sala de aula, classe ou escola dominical, templo, e em grupos de estudo bíblico nos lares.

 

1.                  Os alunos - indivíduos que devem aprender a matéria.

2.                  O assunto - o conteúdo (ou a arte) a ser aprendido.

3.                  O estilo - a maneira ou método através do qual o conteúdo é ensinado.

4.                  O orador - o instrutor ou professor que leva ao aprendizado.

5.                  O Espírito - a presença ou influencia do Espírito Santo.

 

Esses são, em ultima análise, os geradores de aprendizagem. A forma como você lida com esses cinco elementos básicos determinará seu sucesso ou fracasso na sala de aula. Se suas aulas estão indo bem - isto é, se você está levando os alunos a aprenderem - é porque esses cinco se encontram em harmonia. Se as aulas não estão saindo como deviam, um ou mais desses elementos estão em más condições, e precisam de ajustes.

Cada um deles acha-se relacionado com uma parte especifica no processo de ensino-aprendizagem, e, quando não está operando corretamente, acontece algo previsível. Quando um automóvel se recusa a pegar, o motor não vira e os faróis não acendem, qual parece ser o defeito? É isso aí: há um problema elétrico. E você provavelmente pode resolvê-lo, fazendo uma chupeta com outra bateria.

Este conceito é de tremenda importância: os problemas do sistema de ensino, via de regra, parecem ser os mesmos e ter as mesmas soluções.

Quanto mais você compreende esse princípio, maior número de problemas conseguirá identificar e resolver. O ensino não é uma arte complicada e difícil que pode ser dominada apenas por superdotados. Ao contrario, o ensino consiste de uma série de artes a serem aprendidas, que estão à disposição de qualquer um que queira adquiri-las. À medida que formos estudado as 7 Leis, você irá conhecer princípios revolucionários que são imediatamente aplicáveis na sua própria sala de aula. Assim quando a classe não estiver motivada, ou estiver indisciplinada ou mesmo não estiver aprendendo, você saberá o que fazer para solucionar o problema. Quanto mais você ensinar, maior o número de soluções que terá escondidas na manga. E quanto mais soluções conseguir usar com eficácia, tanto mais freqüentemente seus alunos começarão a chamá-lo de mestre. E, quando isso ocorrer, meu sonho-objetivo para este livro será realizado!

 

O método da aprendizagem: três relacionamentos principais

 

Há três relacionamentos básicos que influem diretamente sobre a maioria das situações de sala de aula. Eles dizem respeito à maneira por que você, como professor, se relaciona com a matéria, com os alunos, e com seu estilo. Posteriormente, trataremos de sua preparação para seu relacionamento com o Espírito Santo e consigo mesmo como professor.

As pessoas se surpreendem ao perceber que consigo detectar, após alguns instantes de observação da sua aula, o motivo pelo qual essas aulas não estão indo bem, prescrevendo-lhes então o que é preciso fazer para corrigir a situação. Você está prestes a aprender algumas das percepções que tornam isso possível.

 

O "Método da Aprendizagem" mostra como esses três relacionamentos entre matéria, aluno e estilo geralmente operam em conexão com varias outras coisas especificas, que veremos nos próximos capítulos. Na "Lei de Retenção", por exemplo, você aprenderá a "ensinar velozmente" a matéria. Na "Lei da Necessidade", aprenderá o poderoso método (de cinco pontos) que Jesus Cristo usava para motivar seus ouvintes, e que você também pode aplicar toda vez que ensinar. A "Lei da Expectativa" o prepara para fazer os alunos desabrocharem rumo ao potencial Maximo de cada um. Todas as leis, portanto, operam sobre esses três relacionamentos básicos, capacitando-o a se tornar um hábil indutor de ensino para seus alunos.

O assunto representa "o quê" está sendo ensinado, o aluno é "quem" está sendo ensinado, e o estilo, "como" está sendo ensinado. O ensino, portanto, é como ensinar o quê a quem! O orador precisa desenvolver o assunto, que é a "mensagem" dele, discipular seu aluno como um "mentor", e proferir seu assunto como o "método" apropriado.

Todos lidamos com esses relacionamentos de forma diferenciada, mas cada um de nós somos eficazes com o aspecto "conteúdo" do ensino (norteados pela matéria), enquanto outros, que não brilham tanto com a matéria, influencia grandemente o "caráter" dos componentes de sala de aula (norteados pelos alunos). Outros professores saem-se melhor no ministrar a aula em si mesma, de forma que o "clima" seja interessante, motivador, cativante (norteados pelo estilo).

Pare um momento e procure identificar qual desses três relacionamentos você maneja com maior eficácia. Leia as descrições a seguir e coloque o número 1 ao lado do relacionamento que, em sua própria opinião, melhor descreve seu modo de ser; o número 2 para o próximo, e o número 3 para o último:

 

Norteado pela matéria: "Vibro com o assunto. Geralmente, meu conteúdo preparado é duas a três vezes maior que o necessário e, com freqüência, ao final da aula, tenho de correr para terminar tudo que preparei. Gosto muito de explicar as coisas e desejo que minha classe tenha uma compreensão perfeita e minuciosa do assunto. Gosto muito de listas de assuntos, e tenho grande necessidade de conhecer bem os fatos. Por isso gosto de fazer pesquisas em livros e comentários. Por vezes, preciso me disciplinar para não tornas o assunto complexo demais para o aluno médio de minhas turmas."

 

Norteado pelos alunos: "Eu curto meus alunos. Sinto que eles são mais meus amigos que alunos. Interesso-me muito por cada um, individualmente, e gosto muito de estar com eles, dentro e fora da sala de aula. Tenho muito prazer em falar-lhes de minha própria vida e entes queridos, e vejo-os como uma extensão de minha família. Às vezes tenho de cuidar para que as conversas e discussões em sala não se desviem do assunto por muito tempo, mas tenho um grande desejo de prestar a eles o máximo de ajuda possível."

 

Norteado pelo estilo: "Tenho fascínio por aquilo que ocorre durante o processo de ensino e aprendizagem. Gosto demais de ver a eletricidade de uma classe que está viva, onde os alunos não perdem uma palavra. Gosto de usar minha criatividade na sala de aula e, com freqüência, me encontro inventando coisas novas para que a aula seja emocionante e tocante. Os alunos gostam de minha aula porque jamais é maçante. Às vezes me deixo levar um pouco por minha própria criatividade, de forma a manter o assunto vivo e interessante, mas is alunos parecem gostar de minha espontaneidade e variedade. Adoro lecionar e não vejo a hora de a aula começar. Quanto maior a classe, mais eu gosto."

Já deu pra descobrir seu relacionamento predominante? Se não, pergunte a um amigo, porque talvez esteja claro para todos, menos você.

Normalmente identificamos que tipo de professor uma pessoa é por aquilo que ela faz durante o cafezinho, nos seminários dos Ministérios Caminhada Bíblica.

Quem é norteado pelo assunto, vai direto à mesa de livros à venda, e começa a separar uma série de recursos que sempre procuramos ter disponíveis. Nos casos mais agudos, as pessoas chegam a apanhar novas bíblias só para cheirar o couro!

Quem é norteado pelos alunos, a princípio nem sai do lugar no intervalo. Prefere ficar conversando e perguntando acerca de sua esposa, filhos, seu trabalho, sua casa, sua cor predileta, seu dia da semana preferido, etc. Ao final da semana, os mais intensamente norteados pelos alunos pedem seu nome e endereço, e principiam uma boa amizade com você, que provavelmente durará toda a vida.

Aquele que se norteia pelo estilo, no momento em que o intervalo é anunciado, salta da cadeira, batendo palmas e se dirigem aos comes e bebes, falando animadamente acerca de como o professor fez coisas que ele também faz, inclusive aquele auxilio visual de quatro cores. (O norteado por assunto nem terá notado que havia quatro cores, e o norteado pelos alunos preferiria que houvesse mais desenhos de gente e de cachorrinhos.) Nos casos mais gritantes, a pessoa tomará notas em sua caderneta com capa de couro e zíper, dizendo como teria ensinado o assunto, e anotando freses de efeito e as piadas que poderão ser úteis na dinâmica aula que dará na semana seguinte.

Percebe como funciona? Cada um de nós se inclina mais intensamente para um de nossos pontos fortes. Vamos analisar melhor esses relacionamentos básicos para alargar a sua perspectiva.

 

Relacionamento 1: O orador e o assunto

 

Quando o assunto é seu ponto forte, seus alunos poderão chamá-lo de erudito, "cabeça", "crânio". Você tem prazer em pensar no assunto, e se aproxima mais do mundo das idéias e dos pensamentos do que de seus alunos (e certamente mais do que de todos aqueles métodos criativos que para você parecem pura perda de tempo). Você gosta das fontes originais, e sempre ficou "grilado" por não dominar o grego e o hebraico, o latim e o alemão, para poder "ir mais fundo".

Seus alunos o enxergam como uma pessoa muito inteligente, que sabe muito sobre vários assuntos. Gostam de ouvir suas respostas às dúvidas que têm, porque você sempre se faz entender - e isso mais freqüentemente no período de perguntas e respostas do que durante a aula propriamente dita. Seus alunos, provavelmente, pensam que você espera muito deles e que ensina muita coisa desnecessária, mas você parece considerar tudo importante. Ninguém jamais acha que não está aprendendo sua matéria, mas alguns têm que se "desdobrar" para poder acompanhar sua aula.

Na faculdade teológica, tive um professor que era um erudito clássico. Na segunda aula do semestre, um aluno levantou a mão e pediu mais informações acerca de algo que parecia um detalhe sem importância. Alguns de meus colegas trocaram aquele olhar de descontentamento ao ouvirem a pergunta, e nenhum de nós sequer suspeitava que o professor responderia com mais do que uma frase.

Até hoje, passados vários anos, ainda estou admirado com a resposta do professor. Ele acenou com a cabeça, como se a pergunta fosse tremendamente perspicaz, olhou para um canto do teto, envolveu o polegar com os demais dedos e colocou a mão na testa. Em seguida, começou a citar livros onde se poderia encontrar uma resposta e continuou:

"Volume 2, pagina 246, no canto esquerdo da coluna da direita, mais ou menos umas 7 ou 8 linhas do inicio do parágrafo."

Aí fechou os olhos e citou de cor cerca de três ou quatro parágrafos sobre o assunto.

A principio pensei tratar-se de uma piada pratica, por isso, no primeiro intervalo, corri para a biblioteca, procurei o volume 2 e fui à pagina mencionada. Fiquei abismado de ver que ele citara o texto palavra por palavra!

Exceto em suas ocasionais incursões nos recessos mais íntimos da teologia, quando ele começava a citar as fontes originais em alemão, todos nós logo nos vimos apreciando profundamente esse professor, e ele nos fez alcançar novas fronteiras do saber. Foi uma das experiências de aprendizagem mais memoráveis da minha vida.

Mas tais pontos fortes costumam ter suas contraposições. Esse mesmo erudito nos contou que certa vez foi a Houston fazer uma conferencia num final de semana. Depois tomou o avião de volta para Dallas, esperando que sua esposa o apanhasse no aeroporto. Após uma hora de espera, telefonou para casa, para saber se ela o esquecera.

-                     Onde é que você está? perguntou ela.

-                     No aeroporto de Dallas, é claro, respondeu ele. E onde é que você está?

-                     Eu estou em casa, replicou ela, esperando você.

Aí houve aquele silencio prolongado, que anunciava que havia alguma coisa errada.

-                     Querido, você se esqueceu? Você foi para Houston de carro!

Quem é mais fraco no relacionamento com o assunto, provavelmente se sente meio inseguro acerca do conteúdo e depende muito das anotações. Quando um aluno levanta a mão com uma pergunta, você morre por dentro e responde que falará com ele no intervalo, pois tem certeza que não sabe a resposta. Mas não quer que ninguém saiba que você não sabe. Aí você ora intensamente, pedindo que aquele aluno esqueça a pergunta, até na hora do intervalo. Provavelmente, também acha mais fácil seguir um esboço de outra pessoa, pois ele parece bem melhor que o seu, e mesmo assim, jamais se sente seguro de ter um bom conteúdo.

 

Relacionamento 2: O orador e o aluno

 

Quando seu relacionamento com os alunos é o seu ponto forte, eles talvez lhe rotulem de amigo, incentivador, ou alguém que está sempre "em sintonia" com eles. Relacionar-se com seus alunos é fácil. Você, provavelmente, os acha muito mais interessantes que o conteúdo de seu ensino ou a ministração do mesmo. Afinal, eles são a razão pela qual você ensina. Você gosta muito de falar-lhes de sua vida, suas lutas e vitórias, e a classe parece mais com uma grande e feliz família. Você talvez tenha mais propensão de almoçar com um aluno do que com um colega professor. Você quer aproximar-se dos alunos, e não fugir deles!

Seus alunos o vêem como alguém pratico e de personalidade agradável. Percebem que você se interessa por eles e que é bastante transparente, Eles talvez o procurem ao enfrentar problemas. Muitos acham que é o único professor que os compreende e pode, portanto, ajudá-los.

Quando jovem, tive um professor assim. Parecia que passávamos mais tempo discutindo a historia de nossa vida e família do que o conteúdo da matéria. Nós, alunos, costumávamos apostar quanto tempo conseguiríamos evitar que ele entrasse no assunto da aula. Às vezes conseguíamos mantê-lo contando casos de seu passado a aula inteira. Quando ele percebeu que o semestre estava no fim, e ele havia coberto apenas pequena parte do programa, passou a ditar ininterruptamente num ritmo frenético durante as últimas aulas, só para ter matéria para as provas finais. Mas nós não nos importávamos. Todos o achávamos incrível. Quase todos teríamos feito qualquer coisa por ele.

Quem não se deixa envolver por esse relacionamento com os alunos, não se sente muito à vontade quando rodeado por eles. Prefere entrar na sala no instante de iniciar a aula, e sempre parece ter um bom motivo para sair logo que o sinal toca. Você, provavelmente, não se sente bem contando casos pessoais. Seus alunos certamente o chamam de senhor, ou senhora, ou doutor, ou professor; jamais ousariam chamá-lo apenas pelo nome. Você está convicto de que manter certa distancia é salutar para um ensino eficaz.Se não tiver cuidado, alguns poderão considerá-lo distante, frio ou "metido a intelectual", embora você não creia que, pelo menos aqueles que o acabam conhecendo melhor, o julguem assim. Os alunos podem achar suas aulas muito teóricas e pouco praticas. Eles sentem que você está mais preocupado com o conteúdo do que com eles. Ficam meio bronqueados ao perceber que você ainda não aprendeu o nome deles, embora o ano já esteja quase terminando.

 

Relacionamento 3: O orador e o estilo

 

Quando o estilo é seu ponto forte, seus alunos podem rotulá-lo de comunicador, de tremendo orador ou de extremamente motivador. Você gosta de comunicação e vibra ao ver os alunos reagirem positivamente àquilo que você lhes está ministrando. Você adora estar sempre aprimorando seu curso reiteradamente, de forma que ele contenha boas ilustrações e bons recursos visuais. Seu esboço é equilibrado e até mesmo aliterado. Para você não basta o conteúdo fazer sentido; precisa ter boa apresentação e soar bem. E o mesmo tempo que você gasta para preparar o conteúdo, gasta pensando em como irá apresentá-lo. Você, normalmente, é a "espontaneidade" em pessoa, e aprecia os desafios do presente momento, e de como aproveitá-lo ao máximo. Quando você dá uma aula, dá tudo de si; e quando ela termina, se sente exaurido.

Seus alunos o consideram um grande professor, e a maioria gosta de suas aulas. Eles chegam cheios de expectativas e o tempo parece voar. Eles apreciam sua intensidade e capacidade de manter a aula interessante e motivadora. Eles gostam de como você faz uso da variedade e criatividade. Muitos deles sentem que sua aula é o ponto alto do dia, porque sempre saem dela motivados e recarregados.

Talvez você tenha tido uma professora que era o "estilo" em pessoa. Além de ensinar com estilo, tinha estilo também para se vestir. Quando ela entrava na sala, dava até pra sentir um friozinho na barriga, tal a expectativa. Na aula dela, as paredes ficavam repletas de pôsteres, figuras e dos melhores trabalhos. Ela parecia fazer com que os conceitos mais complexos fossem simples de entender. Diferentemente da maioria dos professores, ela detestava a aula expositiva. No maravilhoso clima de aprendizagem que ela criava havia dramatização, trabalho em grupo, debates espontâneos, sessões de enfoque específico, oradores convidados, filmes especiais - tudo.

Por outro lado, se seu relacionamento com estilo é o seu ponto mais fraco, quem sabe seu apelido seja "discurso", e a idéia de usar um retroprojetor seja tão estranha quanto você teria sido ao apóstolo Paulo. Você prefere ficar atrás da mesa e se sente meio nu quando tem que sair de trás dela. Quanto a dramatizações, isso é para Hollywood, coisa de cinema. Trabalho em grupo? Isso é para quem crê que a melhor forma de descobrir a verdade é compartilhar a ignorância. Aliás, o "Sermão do Monte" foi uma palestra, não foi?

Se essa área é o seu ponto fraco, os alunos provavelmente achas suas aulas maçantes, onde tudo é muito previsível. Para eles, você parece estar mais interessado no assunto em si do que em comunicá-lo. Se a aula é à tarde e faz calor, os alunos talvez sintam os olhos querendo fechar-se e a cabeça pesada demais, porque simplesmente não há nada muito interessante para prender a atenção deles.

 

Como identificar o problema de sua classe

 

Os problemas da sala de aula são sempre revelados nas atitudes e ações dos alunos. Se a classe está "estilhaçada", são os alunos que haverão e dizê-lo.

Abaixo estão alistadas varias reclamações típicas de alunos de 2º grau, acerca dos professores e das aulas a que assistem. Verifique se é capaz de apontar o problema subjacente - se é o assunto, ou o aluno, ou o estilo - antes de ler a resposta. Depois de identificar o problema, fornecerei algumas soluções possíveis. No caso dos dois primeiros, darei soluções mais extensas. Veja se você consegue pensar numa solução para o restante das questões.

 

1.                  "Não agüento meu professor. Acho que ele nem sabe o meu nome. Além do mais, não está nem aí se eu estou vivo ou morto. Não vou mais à aula dele!"

Problema: Relacionamento. Os alunos sentem que o professor não se interessa por eles.

Solução: Demonstrar de forma concreta, por meio de exemplos pessoais e de uma declaração pública, que vice se interessa sinceramente por eles.

·                    Memorize imediatamente o nome de todos os seus alunos e mencione o nome deles ao se dirigir a cada um.

·                    Comece as próximas aulas contando um caso pessoal, demonstrando que é uma pessoa de carne e osso, com sentimentos de vitória e fracasso. Na próxima semana, passe mais tempo falando de suas falhas do que de seus sucessos.

·                    No momento adequado, conte para eles as razoes que o levaram a querer ser professor, e fale do que você gostaria que acontecesse na vida deles, através de suas aulas.

·                    Elogie os alunos com regularidade através de comentários verbais nas aulas, e por escrito nos trabalhos deles. Dirija-lhes palavras de apreço, individualmente e como classe, dizendo-lhes como se sente privilegiado de tê-los como alunos.

·                    Conceda especial atenção aos que estão sentados mais ao fundo da sala, porque, provavelmente, são eles que estão se sentindo mais isolados e desligados.

·                    Dê-lhes um questionário para responderem anonimamente com perguntar do tipo "Eu gostaria que meu professor parasse de...", "eu me sinto mais desanimado com essa matéria porque...", "se eu ensinasse essa matéria, a partir de amanhã, a primeira coisa que faria seria...". Implemente pelo menos três mudanças imediata e abertamente.

 

2.                  "Falar, falar e falar! É só isso que meu professor sabe fazer."

Problema: Estilo. O único método usado pelo professor para ministrar o conteúdo é o expositivo, o que se torna monótono e cansativo para os alunos.

Solução: Variar constantemente a forma de dar o conteúdo. Depois de algum tempo, até a melhor picanha ou quindim mais saboroso enjoa.

·         Mantenha um registro do tempo de aula expositiva. Quanto mais jovens os alunos, menor a tolerância por esse método.

·         Varie a ministração, utilizando-se de um dos três principais métodos de variação: o que você faz em sala de aula, o que os alunos fazem, e o que você e eles fazem juntos.

·         Diminua o conteúdo em pelo menos 25% por umas duas semanas, de forma a dar mais tempo para o uso de métodos alternativos.

·         Inicie a aula de forma bem criativa, e, mais importante ainda, nos últimos cinco minutos utilize uma abordagem diferente e criativa. As pessoas tendem a se lembrar mais do inicio e do término, do que de qualquer outra parte. Pesquise um livro de métodos de ensino à cata de novas idéias.

·         Crie expectativas, anunciando um orador convidado ou um filma para a próxima semana. Ajude a classe a perceber que você está se esforçando por servi-los mais eficazmente através desses métodos.

Agora tente analisar os próximos problemas. Que soluções você acha que funcionariam?

 

3.                  "A cabeça da minha professore deve estar nas nuvens. Acontece que ninguém entende o que ela diz, pelo menos até a metade da aula."

Problema: Assunto. A professora está apresentando matérias muito complexas, ou muita matéria para os alunos e a situação em questão.

Solução: Pare de dar a matéria e comece a ensinar os alunos. Simplifique a matéria e verifique se eles estão entendendo antes de passar adiante. (Veja a "Lei da Retenção".)

 

4.                  "Ficamos o tempo todo completado sentenças. Ele não deixa a gente perguntar nada. Temos de escrever nossas perguntas em cartões, que ele responde na aula seguinte. Que chatice! Eu preferiria estar lendo um livro-texto - pelo menos ele tem gravuras."

Problema: Estilo. O professor crê que o único método eficaz de ensinar é completar sentenças.

Solução: Pare de frustrar os alunos e de fazer uso de um método que eles consideram um insulto à sua inteligência, e, portanto, desnecessário. Comece a utilizar novos métodos de ensino.

 

5.                  "A aula é um atentado à minha inteligência. Só falamos de besteiras que já aprendemos dois anos atrás. Nunca aprendemos nada novo."

Problema: Assunto. O professor está revendo material que a maioria da classe já aprendeu e está dando pouca matéria nova. Ele está fora de sintonia com o nível de competência doa alunos quanto ao assunto.

Solução: Reorganize as próximas três aulas de forma a minimizar a revisão da matéria e maximizar o novo aprendizado. Destaque com entusiasmo os novos conteúdos que você vai ministrar, e como eles serão importantes para os alunos. Dobre o volume de informação que você vem lhes prestando.

 

6.                  "Eu nem acredito que nossa professora quer que leiamos esses livros. Estamos no 2º ano do 2º grau, e meu pai me disse que leu esses livros na faculdade. Tenho que ficar procurando um monte de palavras no dicionário."

Problema: Assunto. A professora está enganada quanto à capacidade dos alunos ou talvez esteja tentando forçá-los a ir um pouco além dela, de modo inadequado.

Solução: Informe imediatamente uma mudança nas leituras pedidas e dê-lhes três níveis de leitura básica: livros básicos, livros desafiadores e livros avançados. Através de motivações, incentive-os a examinarem as três categorias de livros e a selecionarem os que se acham ligeiramente acima da capacidade deles. Como princípio, jamais ensine a classe toda ao nível dos 10% superiores. Ministre dentro da media da maioria, oferecendo desafios adicionais àqueles que excedem os demais.

 

7.                  "Nossa classe é um verdadeiro 'auê' - completamente fora de controle. O pessoal atira coisas pra todo lado, responda à professora, vive tirando um 'barato' com ela, e ela só faz gritar com a gente o tempo todo. E quando a coisa aperta pro lado dela, se desmonta e chora."

Problema: Aluno. A professora perdeu sua autoridade e liderança, e os alunos é que estão "mandando".

Solução: Restabeleça as regras do comportamento aceito em sala de aula e, através de uma cuidadosa negociação, apresente uma lista de prêmios e punições escolhidas em comum acordo. Datilografe esse acordo e afixe-o num lugar em que todos possam vê-lo. Ao mesmo tempo, aplique constantemente tanto os prêmios como as punições.

 

OS MAXIMOZADORES DA APRENDIZAGEM

 

O propósito dos maximizadores em cada uma das sete leis visa aparelhá-lo mais vigorosamente com o método que acabamos de abordar. Isso se dá através da apresentação de sete dicas adicionais acerca de como obter o Maximo do método adotado. Essas sugestões haverão de capacitá-lo a se tornar mais hábil, à medida que se comprometa a tratar com seriedade sua vocação de "levar os alunos a aprenderem".

 

Maximizador 1: Ame os alunos coerente e incondicionalmente.

 

Jesus forneceu o mais importante maximizador ao declarar: "... Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mt 22.37-40.)

Dos quarenta e nove maximizadores apresentados neste livro, este primeiro é, disparado, o vencedor. Amar profunda e continuamente seus alunos haverá de maximizar a marca que você imprimira na vida deles mais do que todos os outros quarenta e oito juntos.

Aliás, de acordo com o texto de 1 Coríntios 13, se não amarmos profundamente nossos alunos, tudo o mais que fizermos resultara em muito pouco. E como é raro estarmos numa sala de aula onde os esforços e o carinho do professor são voltados, em primeiro lugar, para os alunos! Aparentemente, na maioria das escolas e igrejas, "amar os alunos" saiu de moda. A admoestação bíblica para amarmos foi, de alguma forma, tão diluída, que poucos de nós conseguimos compreender a verdadeira profundidade de nosso chamado. Achamos que nossa vocação é meramente preparar a aula, ensinar com entusiasmo, e, quem sabe, telefonar para os alunos numa emergência ou fazer uma festinha com eles uma vez por ano.

Além disso, deixamos também que nossa definição de amor se tornasse destituída de emoção. Conceitos como intenso, ardente, zeloso, ou fervoroso não parecem ter mais lugar na sala de aula. Será que você deveria entusiasmar-se? Saber que podemos ata praticar ações incrivelmente positivas para com os outros sem, no entanto, amá-los dá muito a pensar, não é mesmo? Em 1 Coríntios 13, por exemplo, encontramos menção de duas ações que estão além da imaginação da maioria de nós - der todos os nossos bens para os pobres e entregar nosso corpo para ser morto - e lá diz que é possível praticá-las sem amor. E sem amor, elas não têm sentido.

O amor, é claro, pede ação, pois nos versos 4 a 7 ele é definido em termos de atos: "O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não e orgulha..." (NVI.) Mas será que no amor há lugar para ardor, devoção? Na primeira carta de Pedro 4.8, temos uma resposta especifica: "Sobretudo (sobre todo o restante deste livro), amem-se intensamente uns aos outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados." (NVI - grifo do autor.)

"Amar intensamente" é possuir sentimentos intensos e sérios. Portanto nós precisamos nos esforçar para nos tornarmos intensa e emocionalmente envolvidos com nossos alunos, para amá-los intensamente.

Por mais surpreendente que possa parecer, creio que todos os professores "amam" sem exceção. Quando observamos o comportamento deles, logo percebemos o que é que eles amam. Nossa conduta revele os valores e o apego que temos. Os três grandes "amores" de um professor parecem, consistentemente, estar em uma das seguintes categorias:

1.       O amor pelo conteúdo. São os professores que ficam tão entusiasmados e motivados com a matéria, que perdem a classe de vista. A maior parte do tempo de ensino é voltada para a matéria. Ficam tão enamorados daquilo que estão dizendo, que jamais têm tempo ou forcas para focalizar a atenção naqueles a quem estão ministrando.

2.       O amor pela comunicação. São os professores que ficam tão "ligados" e motivados pela simples idéia de falarem a um auditório, que perdem de vista os próprios ouvintes! A adrenalina sobe quando se dirigem ao palco. Eles são movidos pela reação da platéia. As pausas propositais, os crescendos, o humor cuidadosamente inserido, as frases de efeito, o fechamento forte, os gestos calculados, tudo se harmoniza para crias o desempenho. Os aplausos. A aclamação. É o amor pelo evento em lugar do amor pelo aluno.

3.       O amor pelo estilo de vida de professor. São professores que ensinam simplesmente para poderem estar livres durante as férias, principalmente as mais longas, e fazerem o que bem entendem. Eles não visualizam o ensino como chamado, mas sim como uma fonte de recursos. Vêem os alunos apenas como algo que devem tolerar.

O que Jesus fez devido ao seu intenso interesse de comunicar-se com esta sua classe, que chamamos de mundo? Ele deixou a glória dos céus para se sacrificar pelo bem de sua "classe". Ensinou a verdade com todo coração, com toda a alma, e com todo o entendimento - e, em última análise, com sua vida. Cristo morreu para nos ensinar a verdade! É assim o amor ardente que Cristo tem por seus alunos.

Quando tudo estiver encerrado, o maior elogio que poderíamos receber como professores poderia bem ser: "Observe como ele amou seus alunos!"

 

Maximizador 2: Comunique o conteúdo, tendo em mente as necessidades e os interesses dos alunos.

 

Quem já ouviu Charles Swidoll pregar, provavelmente já disse para si mesmo:

"É exatamente como me sinto!", ou

"Era o que precisava ouvir."

Ele parece possuir uma aptidão sobrenatural de pregar exatamente aquilo que precisamos ouvir no momento.

E como é que ele consegue isso? Ele é um mestre na arte de comunicar o conteúdo, tendo em mente as necessidades e os interesses dos ouvintes. É como se ele tivesse uma mão em nosso pulso e outra na Bíblia. Ele se disciplina para não modificar a verdade, preferindo vesti-la com a roupagem cultural contemporânea. E ele acerta no alvo porque mira no alvo.

Infelizmente, muitos estão com as duas mãos na Bíblia e nenhuma no pulso. Nossas lições são bíblicas, é certo, mas tão irrelevantes quanto uma capa de chuva no deserto do Kuweit. Ao fim de nossa aula, os alunos podem estar com o caderno abarrotados de anotações, mas com o coração vazio. Somente conversaram acerca do que se via nas baixelas de prata, mas não comeram nada que havia nelas.

Dê sempre um conteúdo adequado à classe. Faca com que ele vá direto ao alvo cada vez que você ensinar. E como esse é um conceito muito importante para o ensino, haveremos de investir dois capítulos inteiros (A Lei da Necessidade), procurando ajudá-lo a se tornar "sensível às pessoas" quando você ensina.

 

Maximizador 3: Altere seu estilo com regularidade, de acordo com cada situação.

 

Certa noite, após ter falado numa notável conferencia bíblica nas montanhas da Carolina do Norte, acabei tendo que dar aconselhamentos pessoais, em que tive de adotar duas posturas inteiramente diferentes.

Em um canto, derreado sobre uma cadeira, estava um jovem com ar desalentado, esperando que todos se fossem. Ele parecia profundamente angustiado. Seu tom de voz refletia quebrantamento e remorso; por isso, imediatamente, tive de mudar a linguagem corporal e o tom de voz, ou seja, de quem dera uma aula no palco para quem dava um aconselhamento individual. Puxei uma cadeira próxima, abaixei o tom de voz, inclinei-me na direção dele e ouvi-o atentamente.

 Era co-pastor de uma igreja, e estava tendo um serio conflito com o pastor titular. E a coisa estava tão seria, que ele já havia se decidido a abandonar o ministério pastoral. Depois de algumas perguntas estratégicas, indaguei dele até que ponto, realmente, queria ver o problema resolvido, e se estava disposto a fazer qualquer coisa para obter a solução. A resposta dele articulou-se bem com sua linguagem corporal. Sim, disse ele em lagrimas, estava disposto. Com bastante compaixão, apresentei a solução básica para o problema dele e desafiei-o a obedecer ao Senhor em tudo, incondicionalmente. Assim que nos levantamos, apertamos as mãos, e ele se pôs a telefonar para o pastor titular para acertar as coisas e recomprometer-se a seguir a liderança dele, sem espírito de rebelião. Meu estilo? Calmo, pessoal, tranqüilo, intimo, confortador.

Quando encerramos nossa conversa, com o canto do olho vi que Darlene, minha esposa, estava de pé, junto a um casal, no fundo do auditório. A mulher estava com as duas mãos na cintura, e o marido com braços cruzados. Não dava para captar claramente o que estavam dizendo, mas o tom de voz certamente refletia beligerância e indignação.

Minha esposa ficou aliviada quando me aproximei, colocando-me no meio daquela situação infeliz. Em poucos segundos, aquele homem de cerca de 1,95m de altura e 110 quilos estava literalmente gritando com a esposa, soltando comentários ferinos, aparentemente infindáveis e sem misericórdia. Comecei a conversar com ele no mesmo tom que conversara com o jovem pastor, no mesmo estilo, mas fui logo atropelado por aquele trator de esteira. Levantei o tom de voz para conseguir toda a atenção dele, mas ele já estava muitos decibéis a minha frente. Falei ainda mais alto, e ele passou a gritar para encobrir minha voz.

Conclui que meu estilo simplesmente não estava dando resultado algum. Ele fora eficaz para com o jovem pastor, mas se eu quisesse ir ao encontro das necessidades daquele casal, não me restava alternativa senão "esquentar o papo". E muito.

Pisquei para Darlene para alertá-la de que iria começar a representar, e fui fundo rumo àquele homem. Logo ficou bem claro que já havia um bom tempo que ele não ouvia ninguém. Em meio a uma oração de desespero, comecei a intensificar meu recado. Mas ainda me sentia um fracote sob aquele ataque. Finalmente, em meio a uma explosão de emoções com uma intensidade que eu não sentira desde que briguei com Johnny Red na 8ª serie, subi a serra e coloquei o dedo indicador no peito dele. Cada vez que ele me interrompia, eu cortava a frase dele no meio. Por fim, ele começou a me ouvir. Pela linguagem corporal, ele passou a comunicar que havia se tornado um receptor, não era mais um atacante; estava aberto à repreensão e ao conselho.

Depois de o casal ter ido embora, uma hora mais tarde, eu e Darlene nos encaminhamos de braços dados para o chalé. Percebi que ela estava silenciosa e parecia contrariada. Perguntei o que havia de errado, e ela respondeu:

-                     Nunca em minha vida vi você agindo assim, e espero que você nunca aja desse jeito comigo!

Fiquei espantado!

-                     Você não me viu piscar?

Tinha visto, mas não entendera o significado. Ela, literalmente, havia pensado que eu perdera o controle. Assegurei-lhe que estivera absolutamente no controle da situação e que havia escolhido aquele método, um tanto incomum e arriscado, para tentar dobrar aquele homem endurecido. Agi propositadamente de forma tão severa porque a outra postura não estava dando resultado.

Acha que me senti bem fazendo aquilo? É claro que não! Suei frio, e até tremi. Mas porque agi daquela forma? Porque meu "aluno" estava sofrendo de um caso agudo de "beligerantite", e senti que, se não conseguisse êxito, um deles poderia resolver pedir o divorcio naquela mesma noite.

O que

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2

jun
2011

Como Ser Melhor Professor

Dicas do Profº Dr. Alberto Matos adquiridas no exercício de magistério por quase três décadas

Dr. Alberto Matos

Após conviver com milhares de pessoas por quase três décadas em sala de aula, senti o desejo de colocar no papel princípios que tenho utilizado para com as pessoas especiais que tenho conhecido em cada curso que tenho ministrado. Durante este período, cada estudante tem me inspirado a ser uma melhor pessoa e um melhor professor. Tenho aprendido muito com eles. A minha grande gratificação não é o aspecto monetário que a função de professor tem concedido- me, mas a satisfação de ver aonde os estudantes que passaram em nossas mãos e pelas mãos de outros colegas , puderam chegar. Esta é a minha sincera e grande satisfação, ver o sucesso destes ex-estudantes.

Para que outros estudantes possam alcançar o mesmo ou outro mais amplo sucesso, compartilho alguns princípios que tenho vivenciado em sala de aula com outros profissionais que estão em processo de formação.

Esteja convicto de sua vocação

Você pode ser um excelente profissional naquilo que faz e no conteúdo que domina, mas isto não é tudo para ser professor. Ser professor é saber ensinar. Saber ensinar é fazer as pessoas aprenderem. Isto somente se consegue tendo convicção de sua vocação como educador e tendo o alvo correto diante de si.

Tenha um norte magnético estabelecido em sua vida

Saiba de onde você está vindo, para onde vai e como vai. Seja uma pessoa orientada. Somente uma pessoa orientada pode orientar a outras pessoas. Tenha posições claras e definidas. Passe segurança para as pessoas. Na maioria dos casos as pessoas são inseguras e desnorteadas por vários fatores. Contribua positivamente. Clareie o rumo de vida das pessoas.

Passe o seu melhor para os seus estudantes

As pessoas vivem de restos. Geralmente, elas não têm acesso ao "melhor bocado". Então nunca ponha uma mesa da qual você não quer participar do conteúdo da mesma. Coloque o melhor de você, o melhor conteúdo, a melhor didática, a melhor ajuda, o melhor aprendizado. Ao terminar a aula, vá para casa tranqüilo e cheio da certeza de que deu o seu melhor. Aquelas pessoas precisam sair com o senso de que foram alimentadas com a "melhor porção".

Seja um deles

Seja um deles. Não se coloque acima deles. Não se coloque abaixo deles.  Coloque-se a serviço deles. Ande com eles, coma com eles, viva com eles. Conheça-os! Entre no mundo deles! A partir da realidade deles, conduza-os a um mundo melhor! Para tanto, precisará amá-los! Sem amor nada seremos! Sem amor não chegaremos a lugar algum! Sem amor não impactaremos a vida de ninguém! Sem amor não somos úteis a ninguém! Seja um deles para conduzi-los a serem melhor do que já são!

Eleja cada estudante para ser único e especial

Não massifique aos estudantes numa classe. Cada pessoa é única. Cada pessoa  tem um valor único. Cada pessoa é diferente da outra. Portanto, saiba explorar a riqueza de cada um com o propósito de adquirir ferramentas para burilar cada pedra preciosa. Se preciso for transforme pedras brutas em pedras preciosas.

Cative aos seus estudantes

Cativar é estabelecer uma aliança de vida. É estabelecer caminhos de empatia. Caminhos de vida em comum. É estabelecer pontes que permitam a acessibilidade um do outro. É saber que através daquela acessibilidade eu posso ir a um lugar seguro em confiança mútua. É saber que aquela relação há de fazer-me bem e que vou poder proporcionar um bem estar ao outro. Professores que marcam são pessoas que cativam as demais. São pessoas que se sentem bem por estarem na presença de quem as cativou.

Seja sincero com os seus estudantes

Use sempre de transparência com cada estudante. O que você sabe, sabe. O que não sabe, não sabe. Mas, não enrole. Não subtraia as pessoas com o que é vil e danoso. Fale a verdade, viva a verdade e transmita a verdade. Assim fazendo, você influenciará aos seus estudantes a viverem na verdade, com a verdade e pela verdade.

Seja um guia

Vá e chegue primeiro. Não para ser o maior ou o melhor. Mas, pelo fato de que ninguém pode levar outras pessoas a chegarem a algum lugar, sem que antes elas mesmas tenham chegado. Quer conduzir a alguém a chegar a algum lugar? Então, vá à frente e chegue ao lugar pretendido. Analise a sua viagem. Estabeleça o que não deveria ter feito e o que poderia ter feito. Elabore uma rota segura e compartilhe para que outros possam ir além de você!

Seja um exemplo

A vida é um maestro por excelência sem palavra alguma. Não precisa o professor preocupar-se com a eloqüência para ser ouvido por seus estudantes. A força do exemplo é o maior impacto do ensino autêntico para qualquer pessoa.  O professor deixa marcas tão profundas com o seu exemplo de vida que os alunos, às vezes, nem lembram tanto dos conteúdos compartilhados em classe, porém nunca esquecem as lições de vida ensinadas pelo professor.

Invista em seus estudantes para toda a vida

Olhe para cada estudante como se eles fossem conviver com você por toda a vida. Não olhe para eles como pessoas anônimas e com rápida passagem por sua vida. Olhe para eles como pessoas que assimilarão os seus ensinamentos para o resto da vida.  Então aproveite cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia e cada oportunidade para investir neles. Invista neles pelo valor que eles têm como seres humanos e não pelo valor que você recebe para dar aulas a eles.

Conclusão

Não registro aqui uma receita única para que cada pessoa seja um melhor professor, mas compartilho aquilo que tenho vivido e constatado que tem dado certo. Compartilho estes princípios, não porque eu penso ter a fórmula certa em relação ao fato de "ser professor". Há outros colegas, outros princípios...Entretanto, aqui deixo a minha contribuição , na certeza plena de que outros possam ir além!

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