Portal da Educao Adventista

*Ciências da Natureza*

30

set
2012

Olimpíada de Ciências

Para uma sociedade mais justa

A Carta da Terra é uma declaração internacional de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global mais justa. Ela começou a ser formulada durante a ECO-92, como uma iniciativa da ONU, mas se desenvolveu e foi finalizada em 2000 como uma iniciativa global da sociedade civil. Constitui um marco para guiar a transição para um futuro sustentável.

Veja a seguir alguns trechos:

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança.

Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum.

Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz.

 

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida.

A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, água pura e ar limpo.

 

A SITUACAO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades são arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento.

O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

 

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida.

Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente.

O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.

 

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos.

O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente.

Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, por meio dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

 

Os seres humanos causaram alterações sem precedentes nos ecossistemas nas últimas décadas para atender a crescente demanda por alimentos, água, fibras, energia, etc. Essas alterações ajudaram a melhorar a vida de bilhões de pessoas, mas ao mesmo tempo enfraqueceram a capacidade da natureza de repor o que foi modificado. Foi o que demonstrou a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, feita pela ONU. O estudo avaliou serviços básicos, como qualidade de água e extinção de espécies, como, por exemplo, de peixes, que estão sendo superexplorados.

 

Pesquisa realizada pelo ISER (Instituto de Estudos da Religião) mostra que o brasileiro vê as mudanças climáticas como uma das questões atuais mais importantes e estratégicas da atualidade, havendo demonstrações de interesse em "fazer a sua parte" para contribuir de alguma forma. Sociedade civil, cientistas, empresários, ONGs, mídia e governo consideram "alta" a relevância do tema. Outra pesquisa da empresa de consultoria Market Analysis mostra que os brasileiros, embora alarmados pelas mudanças climáticas no mundo, sentem dificuldade de abrir mão do padrão de consumo.

 

O tempo faz a sua parte

Grande parte das mudanças exigidas para enfrentar o aquecimento global cabe à esfera governamental e empresarial. Mas cabe também aos cidadãos cobrar políticas públicas e práticas gerenciais compatíveis com uma visão diferente do mundo na qual vigorem hábitos saudáveis e serviços adequados para uma vida sustentável.

A mudança deve ocorrer até mesmo do ponto de vista pessoal. Reduzir a quantidade de lixo que produzimos por dia é um bom começo, assim como escolher produtos com menos embalagens e preparar a quantidade necessária de comida, evitando desperdícios. Pequenos ajustes na casa, com baixo custo, também reduzem o consumo de água e de energia. Questões prosaicas como apagar as lâmpadas em ambientes vazios, fechar a torneira ao escovar os dentes, optar por transporte público, plantar árvores, são importantes.

Esse movimento é peça fundamental nas ações exigidas para mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. A explicação é simples: mesmo que a humanidade chegasse a um ponto ideal de produção e de eficiência, e conseguisse obter energia de fontes limpas, no curto prazo e na tecnologia atual, os recursos existentes no planeta não seriam capazes de suprir as necessidades de consumo nos padrões vigentes para a maioria de seus habitantes. O desafio, portanto, é ainda mais amplo. Significa cultivar hábitos que levem em conta o impacto provocado na natureza pela compra, uso e descarte dos bens e serviços e repensar quais são de fato necessários para uma vida confortável.

 

Propostas para um mundo menos quente

Chegamos ao fim dessa avaliação sobre o mundo pós-crise climática. As previsões, como você viu, podem ser assustadoras. Mas também podem significar uma mudança de perspectiva e trazer os ingredientes de uma sociedade melhor e mais justa. A decisão de caminhar nesse sentido envolve custos econômicos, políticos e uma visão de mundo que torne realidade os objetivos do desenvolvimento sustentável e os cuidados com o planeta. O relatório final do IPCC, aprovado por cerca de 2 mil cientistas representando 120 países, vai nessa direção. Ele conclui que o mundo tem tecnologia e dinheiro para limitar o aquecimento global, mas deve agir a tempo de evitar as suas consequências.

Segundo os especialistas, os próximos 20 a 30 anos serão decisivos nesse sentido. Entre 2015 e 2050, as emissões de CO2 precisam ser reduzidas entre 50% e 85% em relação aos níveis registrados em 2000 para que seus efeitos não sejam trágicos. O custo será elevado, disseram, porém não impossível desde que haja intenção de mudar.

Declarações de princípios, como a Carta da Terra, que você viu nas páginas anteriores, podem contribuir para isso. O relatório sugere que cada um de nós pode se tornar parte da solução - em nossas decisões sobre os produtos que compramos, a eletricidade que utilizamos, o nosso estilo de vida. Dessa forma, enfatiza que é possível fazer opções que reduzam a quase zero as emissões individuais de carbono e mudem os atuais padrões de consumo. Como dizem, as escolhas dependem de nós.

comentários[1]

30

set
2012

Olimpíada de Ciências

Mundo sustentável

Que tipo de sociedade almejamos e como ela pode influenciar o equilíbrio ambiental do planeta? Essa pergunta começou a frequentar os debates políticos desde a década de 70, quando se tornou evidente a dificuldade de conciliar a produção e o ritmo de exploração dos recursos do planeta ao crescimento da população e ao aumento de consumo nos países mais ricos.

Naquela época em que os efeitos do aumento da temperatura da Terra provocado pela ação do homem ainda eram vagos, já se pensava em grandes estratégias e investimentos

para transformar o modo de vida do planeta. Nascia então o conceito de "desenvolvimento sustentável", elaborado no relatório Nosso Futuro Comum, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, em 1987.

Como já foi visto, esse conceito foi muito lembrado na ECO-92. Ele defende que o atendimento das necessidades no presente não pode comprometer as condições de vida das gerações futuras. E que, para ser sustentável, a atividade econômica deve ser capaz de explorar os recursos do planeta apenas no ritmo que a natureza consiga renová-los.

Por essa razão, questiona-se o modelo de desenvolvimento assentado em economias movidas majoritariamente por energias não-renováveis, e sobre o consumo além do necessário para uma vida confortável.

Além de ser economicamente viável, o mundo que se pretende deixar para as próximas gerações deve ser ambientalmente sustentável e socialmente justo. Isso significa o fim da diferença entre os que têm demais e os que têm de menos.

 

A preocupação com o meio ambiente não é tão recente como se imagina. Em 1972, foi realizada a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente Humano, promovida pela ONU em Estocolmo. Foi um marco importante para as discussões posteriores sobre desenvolvimento e meio ambiente que deu origem ao relatório Nosso Futuro Comum. A participação brasileira na conferência foi pequena, porque os problemas ambientais ainda não eram muito tratados pela sociedade e o governo militar buscava o progresso a qualquer custo. Foi o ano da inauguração da Rodovia Transamazônica, que procurava integrar o norte brasileiro ao resto do País e deu origem a extensos desmatamentos e a um modelo de ocupação que reflete até hoje graves danos ambientais.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíada de Ciências

As promessas para o futuro

Especialistas insistem que não há uma única fonte de energia capaz de substituir o petróleo e que diversas alternativas devem ser avaliadas. Entre as energias renováveis destaca-se a cana-de-açúcar. Em 2008, produtos derivados dessa matéria-prima representaram 16,4% da oferta de energia do Brasil. A cana torna-se assim a segunda fonte de energia do País e a primeira renovável.

A energia da cana-de-açúcar é composta por um terço de caldo, um terço de bagaço (resíduo fibroso do processamento da planta) e um terço de palha (folhas e pontas). Atualmente, os açúcares presentes no caldo são utilizados para produzir açúcar e etanol (o álcool combustível encontrado em todos os postos do País). Hoje, o volume consumido de etanol já supera o de gasolina pura e ainda há excedentes exportáveis da ordem de 15% da produção.

O etanol brasileiro traz grandes benefícios para o clima já que reduz as emissões de gases do efeito estufa em mais de 90% comparado com a gasolina. Outra opção utilizada no setor de transporte é o biodiesel, que engloba tanto o uso da soja quanto de plantas das quais se extrai o óleo vegetal, como a mamona e o pinhão manso. Além disso, a maior parte do bagaço da cana é queimada para gerar vapor e bioeletricidade. Cerca de 3% da capacidade instalada para geração de energia elétrica no Brasil vem do bagaço. A expansão da colheita mecanizada, que elimina a queima do canavial, traz ganhos expressivos de eficiência e possibilita o aproveitamento da palha para gerar bioeletricidade.

Espera-se que, em 2015, a participação dessa energia alcance 15% da capacidade instalada nacional, valor superior ao da hidrelétrica de Itaipu. Além da biomassa de cana, pode-se utilizar materiais orgânicos contidos no lixo doméstico ou resíduos industriais (biogás) para gerar eletricidade. Florestas plantadas também são uma opção de energia renovável, sendo usadas na produção de carvão vegetal.

Fora as tecnologias existentes, pesquisadores desenvolvem soluções para o futuro. Avanços, ainda experimentais, possibilitam a produção do etanol de segunda geração que transforma a celulose da palha e do bagaço de cana em combustível. Adicionalmente, as pesquisas trabalham na produção de hidrocarbonetos (diesel e gasolina) a partir da cana-de-açúcar, chamado de biocombustível de terceira geração.

 

Há várias sugestões surpreendentes para diminuir as emissões de CO2. Uma delas prevê a captura do gás carbônico que seria despejado pelas chaminés de usinas termelétricas, siderúrgicas e refinarias para debaixo da terra.

A ideia é armazená-lo em camadas de carvão, poços de petróleo ou mesmo aquíferos salinos (formações geológicas que guardam água salgada). A tecnologia (chamada CCS, ou Captura e Armazenamento de Carbono, na sigla em inglês) já existe, sendo utilizada pelas empresas petrolíferas em poços antigos para retirar o petróleo residual.

Mas, pelas dificuldades técnicas e alto custo, especialistas acreditam que seu uso será restrito.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

A energia nuclear volta a ser considerada uma alternativa importante na matriz energética, apesar de ainda existir o temor relativo à segurança, ao que fazer com os resíduos radiativos (lixo nuclear) e ao uso indevido do material. O argumento a favor dessas usinas é que elas não emitem gases do efeito estufa porque não utilizam combustíveis fósseis e geram muito mais energia do que fontes alternativas mais seguras. O Brasil está retomando o programa nuclear com a construção de uma terceira usina, além das duas já existentes, na região de Angra dos Reis (RJ).

 

O desafio das fontes de energias renováveis

 

No mundo em geral, as principais fontes de emissão de gases do efeito estufa são a geração de energia, incluindo transporte. Daí o investimento, principalmente por parte dos países industrializados, na geração de energia renovável, na melhoria da eficiência energética e na redução do consumo de eletricidade. O Brasil tem a matriz energética mais limpa do mundo - cerca de 46% da energia utilizada pelos brasileiros vem de fontes renováveis como biomassa (cana-de-açúcar, carvão vegetal etc.) e hidrelétricas, sendo a média mundial de 12,7%.

Essa é uma vantagem, mas não podemos contar apenas com ela para o futuro. Tanto que, como já foi visto, à medida que o País cresce e a população aumenta, o consumo de

combustíveis fósseis também aumenta. Já há muitos críticos que apontam o uso crescente de termelétricas a carvão e óleo combustível pelo País como um erro. Há também aqueles que desaprovam a construção de novas hidrelétricas.

Apesar de constituírem uma fonte de energia limpa e renovável, elas causam problemas ao inundar grandes áreas. Mas o Brasil tem também mudanças favoráveis, entre elas: em 2008, pela primeira vez, a cana-de-açúcar ocupou a segunda posição como fonte de produção de combustíveis e eletricidade em nossa matriz, depois do petróleo e derivados. A geração de energia eólica e solar no Brasil continua a ser muito pequena - menos de 0,1% no caso dos sistemas fotovoltaicos (solar) e 0,5% em 16 usinas eólicas no litoral nordestino e no Rio Grande do Sul. Mas, se houver incentivo, o clima e a presença de ventos em todo o litoral poderiam levar ao crescimento dessas fontes alternativas.

O País ainda dispõe da energia gerada em pequenas hidrelétricas e termelétricas de biomassa agrícola (de bagaço de cana à palha de arroz e resíduos de madeira) e de usinas a partir do lixo urbano. Mas o maior potencial de crescimento são os biocombustíveis. Para os cientistas do IPCC essas fontes "podem desempenhar um papel importante no tratamento das emissões de gases do efeito estufa no setor de transporte, dependendo de sua via de produção". Não foram avaliadas as matérias-primas mais adequadas, mas as atenções mundiais voltaram-se para o Brasil, o país com maior potencial para produzir combustíveis a partir da biomassa.

 

O Brasil é pioneiro no uso do etanol como combustível para veículos. A indústria ganhou impulso nos anos 70 com o início do Proálcool, programa federal de estímulo a sua produção e uso.

O programa enfrentou inúmeras dificuldades ao longo dos anos, especialmente no fim da década de 1980, quando caíram os preços do petróleo. O uso do etanol como combustível floresceu novamente quando o preço tornou-se mais competitivo em relação à gasolina.

Contribuíram também a crescente preocupação ambiental e a introdução dos veículos flex fuel, em 2003, movidos a etanol, gasolina ou qualquer mistura dos dois.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Um plano para enfrentar as mudanças

O Brasil se comprometeu a adotar uma política nacional e medidas correspondentes para enfrentar os novos tempos quando assinou a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima em 1992. Demorou, mas uma proposta de projeto de lei que institui essa política foi encaminhada ao Congresso em 2008 e está em processo de discussão.

Seu foco é a criação de estratégias públicas e privadas que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e o incentivo ao desenvolvimento de energias renováveis. Não menos importante é a adoção de medidas para se adaptar às consequências inevitáveis do aquecimento global.

Tragédias como as secas na Amazônia em 2005 e no sul do Brasil em 2004-2006, e o furacão Catarina em 2004, mostraram que o investimento em adaptação - ajustes nas condições de agricultura, de assistência à saúde, de moradia e de infraestrutura - é tão necessário e emergencial quanto as iniciativas para a redução de gases do efeito estufa e que ações de adaptação e mitigação precisam ser implementadas conjuntamente.

Os custos dessas medidas, considerando as características da economia brasileira, não seriam tão altos como em outros países. É o que concluiu um estudo realizado pela empresa de consultoria McKinsey do Brasil. Ele indica que, no horizonte até 2030, somos um dos cinco países com maior potencial para reduzir emissões de carbono. Para isso, calcula que seria necessário gastar algo como 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto nos países que precisariam substituir quase toda a sua infraestrutura energética, isso custaria 1% do PIB.

As emissões atuais brasileiras chegam a 2,1 bilhões de toneladas de CO2 por ano e devem chegar a 2,8 bilhões de toneladas em 2030. Mas o estudo diz que seria possível reduzir esse valor para 1,9 bilhão de toneladas de CO2 por ano para 2030.

Pela ordem de potencial de diminuição, em primeiro lugar vem, evidentemente, a preservação da Floresta Amazônica, depois a melhoria no uso do solo e da pecuária, eficiência e tecnologia de transportes e tratamento de lixo. O relatório enfatiza que todas as medidas propostas poderiam ser realizadas sem comprometer o desenvolvimento econômico do País. Ao contrário, representariam um diferencial positivo para a economia.

 

O que pode ser feito em cada setor

O relatório da empresa de consultoria explica que, em 2030, os setores de uso da terra (agropecuária e florestas nativas e plantadas) serão responsáveis por quase 70% das emissões de CO2 no Brasil. Os números impressionam: só o desflorestamento representa hoje 55% das emissões brasileiras e será responsável por 43% em 2030, partindo-se da premissa de que o volume desmatado se mantenha na média dos últimos dez anos. É justamente aí, portanto, que se concentram as oportunidades de abatimento da nossa dívida para com o planeta. E onde, do ponto de vista econômico, seria mais fácil agir, pois os atuais níveis de destruição da floresta não trazem nenhum benefício.

Outros setores, como energia, incluindo aí o transporte, que em outros países representam uma carga pesada, no Brasil são responsáveis por apenas 8% das emissões. Essa é a mesma porcentagem do setor industrial como um todo (cimento, siderurgia, produtos químicos, petróleo e gás, além de outras indústrias), que apresentam altas taxas de emissões nos países industrializados.

Em relação ao tratamento de resíduos, o Brasil está em desvantagem, com uma baixa utilização dos sistemas de tratamento de gases oriundos de aterros sanitários e reciclagem de resíduos sólidos. As iniciativas de abatimento no setor representam pouco em relação ao potencial de redução do País, mas são importantes não apenas pela redução dos gases do efeito estufa, mas pelos seus benefícios ambientais.

Parte das emissões brasileiras seria abatida com boas práticas na agropecuária. Significa investir em mecanismos mais eficientes de plantio. No caso do gado, implica na melhoria na gestão dos pastos, possibilitando aumento da criação bovina, e a eficiência da fermentação digestiva, com medicamentos que selecionam as bactérias desejáveis e controlam as indesejáveis para reduzir as emissões de metano.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

As oportunidades brasileiras

O País é um dos poucos que gera a maior parte de sua eletricidade a partir de energias renováveis. Mas precisa impedir que o avanço do desmatamento na Amazônia comprometa o esforço de diminuir emissões

Nos últimos anos, nos debates sobre como reduzir as emissões de carbono, uma sigla tem sido muito repetida: REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação). Resumindo, é um meio de manter as florestas em pé. A idéia é fazer com que um país ou empresa compense suas emissões comprando créditos REDD de quem tem florestas preservadas, como o Brasil.

A emissão de gases do efeito estufa está aumentando no Brasil. De 1990 a 2005, a população cresceu 27% e o consumo de combustíveis fósseis 67%. Ainda assim, a quantidade de emissões por fontes energéticas é relativamente baixa se comparada àquela emitida por outros países industrializados.

Isso ocorre porque o Brasil tem a vantagem de possuir uma participação elevada de energia renovável na matriz energética, obtida a partir de biomassa e de hidrelétricas, tanto para geração de eletricidade como no transporte.

Como signatário do Protocolo de Quioto, o Brasil divulgou seu inventário de emissões em 2004, embora ainda com os dados relativos ao período 1990/1994. Naquele período, as emissões aumentaram de 976 milhões de toneladas para 1,03 bilhão. Cerca de 75% correspondiam ao conjunto de "mudanças no uso do solo e desmatamento". Está aí, portanto, o maior problema do País. Se não fosse o desmatamento, o Brasil estaria bem atrás na lista dos que mais contribuem para o aquecimento global - 18º lugar. Essa constatação coloca o País numa situação curiosa. Se continuar investindo em tecnologia e fontes de energia de menor impacto ambiental e menos emissões de CO2, pode dar um exemplo mundial que se refletirá numa economia mais competitiva internacionalmente. Essa vantagem, no entanto, cai por terra diante das cifras do desmatamento, principalmente da Amazônia. Ainda mais se for considerado que boa parte dessas emissões se deve à tradição, herdada dos tempos coloniais, de expandir a fronteira agrícola pelo seu imenso território sem a preocupação com o uso adequado da terra.

 

O desmatamento da Amazônia

O desmatamento já consumiu 17% da Amazônia - 700 mil km2, área equivalente a Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo somados. Mesmo assim, o Brasil ainda possui a maior extensão contínua de floresta tropical do mundo (5,5 milhões de km2) - a floresta do Congo, segunda colocada, fica bem atrás com 1,7 milhão de km2.

Essa imensa cobertura verde também possui uma das maiores biodiversidades do mundo, boa parte ainda não estudada pelos cientistas. Por isso, além de contribuir para o

aumento do aquecimento global, a perda da floresta afeta a humanidade de outras maneiras.

A diversidade genética de plantas e animais é a base de atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e, mais recentemente, da indústria de biotecnologia. É fonte de proteínas, remédios, cosméticos, roupas e alimentos, bem como essencial para a criação de grãos mais produtivos e resistentes a pragas e outras doenças.

Se, no passado, a importância dessa riqueza era praticamente ignorada, hoje parece haver o reconhecimento por parte do governo e da população de que é necessário encontrar uma forma de extrair os recursos da floresta sem devastá-la. Mesmo assim, as dificuldades são inúmeras. O processo de desflorestamento da Amazônia se acelerou a partir da segunda metade do século 20 com a expansão da fronteira agrícola, a construção de estradas e a instalação de polos de desenvolvimento regionais baseados na noção do progresso a qualquer custo. Hoje, a ocupação predatória e desorganizada se expande ao longo dos rios e estradas e pode ser reconhecida claramente nos mapas de monitoramento por satélite, sobretudo no interior de Rondônia e norte de Mato Grosso, além do leste do Pará e norte do Maranhão que juntos formam o Arco do Desmatamento.

Existem iniciativas que visam a diminuição do desmatamento, como, por exemplo, a criação de áreas protegidas que, de um modo geral, tendem a ser respeitadas. No entanto, os especialistas alertam que é necessário fazer mais: potencializado pelo aquecimento global, o avanço do desmatamento pode influenciar criticamente o regime de chuvas no continente.

Em setembro de 2005, a Amazônia passou pela pior seca em mais de 40 anos. Moradores ribeirinhos não tinham o que comer, pois o mar de água doce que antes os abastecia de peixes ficou seco como um deserto. Pela primeira vez, a população local precisou cavar poços para beber. A falta de chuva se originou no aquecimento anormal das águas do Atlântico naquele ano. O calor maior fez acumular mais vapor d'água na atmosfera e provocou uma mudança na dinâmica dos ventos que sopram do Caribe para a América do Sul e trazem umidade para a floresta.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

É difícil falar em números exatos com relação às emissões de CO2 e outros gases do efeito estufa. Cada país, cada órgão responsável por levantar os dados apresenta números diferentes. Existe porém um consenso de que os maiores emissores, quando se trata de queima de combustíveis fósseis, são Estados Unidos, União Europeia, China, Rússia, Japão e Índia.

Embora reúnam 15% da população do planeta, as nações industrializadas respondem por 45% das emissões, detêm 80% dos rendimentos globais e consomem 70% da energia. Entre 1990 e 2002, os Estados Unidos - em vez de diminuir suas emissões - aumentaram em 15% o lançamento de gases na atmosfera, ultrapassando 5,7 bilhões de toneladas por ano. Para efeito de comparação, todos os países membros da União Europeia emitiram, juntos, cerca de 3,4 bilhões em 2002.

A China, com economia em ascensão, ultrapassou recentemente os norte-americanos em emissões absolutas. Há situações curiosas: após 1990, com a derrocada dos regimes comunistas, houve uma queda brusca na produção industrial desses países que resultou em diminuição nas emissões da Rússia, Hungria e Polônia. Nos últimos anos, com a volta do crescimento econômico, as emissões voltaram a subir. E hoje, a Rússia está na lista dos países que mais emitem.

E o Brasil? Em algumas listas, o país figura em 5º lugar, em outras, chega à 4ª posição no ranking. Mas, diferentemente dos outros países, é reconhecido que o problema brasileiro reside menos na queima de combustíveis fósseis e mais no desmatamento e queimadas que alteram a cobertura vegetal do solo - caso também da Indonésia, outra no ranking dos que mais emitem.

 

Um mercado internacional

Diante da preocupação mundial com o impacto na economia de medidas de redução de emissões de gases do efeito estufa, o Protocolo de Quioto adotou um sistema parecido com o que já existia em funcionamento nos Estados Unidos, chamado "cap-andtrade" (expressão que significa limitar e comercializar). Por esse sistema, as forças do mercado promovem a redução das emissões nos lugares onde elas tenham um custo menor. Chamado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), ele parte do princípio de que a atmosfera é a mesma para todos, portanto, a redução das emissões pode ocorrer em qualquer parte do mundo. Indústrias e termelétricas instaladas na Europa ou no Japão, por exemplo, podem investir em empreendimentos de tecnologia limpa em países que não têm de cumprir metas nacionais e que adotem, em vez disso, metas por projetos. Assim, essas empresas adquirem "créditos" abatidos de sua cota de emissões.

Os projetos devem oferecer benefícios reais para a mitigação - palavra que significa limitação ou diminuição - do aquecimento global. Os mais comuns visam o aproveitamento de energia renovável ou a substituição de combustíveis fósseis por outros que contribuem menos para as emissões de CO2.

Uma outra possibilidade passou a ser debatida nas negociações pós-Quioto. Ela parte da constatação de que quase 10% das emissões de CO2 na atmosfera são provenientes do desflorestamento e da degradação florestal. Assim, manter as florestas, que por si só já são gigantescos "depósitos de carbono", pode ser uma solução rápida e de baixo custo no combate ao aquecimento global, em comparação a outras que requerem mudanças na economia ou investimento em reposição da vegetação.

A proposta então é o estabelecimento de mecanismos de incentivos financeiros, dirigidos aos países que comprovarem a redução do desmatamento em seus territórios. Ela abre a possibilidade de beneficiar as comunidades tradicionais que desenvolvem atividades extrativas de baixo impacto na floresta.

 

O primeiro projeto aprovado pelo Protocolo de Quioto, em 2005, com base no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), está implantado em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Originado de um lixão, o aterro sanitário construído pela Central de Tratamento de Resíduos (CTR) transforma o metano do lixo em biogás e este em energia elétrica. Os créditos de carbono obtidos pela empresa são vendidos à Holanda.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Propostas para salvar o planeta

Cerca de 22 mil pessoas de mais de 9 mil organizações não-governamentais, e 116 chefes de Estado e representantes de governos estiveram presentes na ECO-92 e no paralelo Fórum Global, no Rio de Janeiro.

Foi uma das maiores conferências mundiais já ocorridas e um marco em termos de meio ambiente. As delegações dos 172 países presentes consagraram então o conceito de desenvolvimento sustentável - que "atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as próprias necessidades".

 A preocupação com o meio ambiente percorreu um longo caminho até chegar aos nossos dias. A questão do aquecimento global começou a ser tratada oficialmente na ECO-92, no Rio de Janeiro, e há alguns meses na Rio 20.

Quando se discutem as medidas que devem ser adotadas para reduzir o aquecimento global, começam as dificuldades. As conferências organizadas pela ONU são o principal fórum internacional de discussão sobre os problemas ambientais que afetam o planeta. Nesses encontros busca-se estabelecer o consenso entre as nações, ainda que seus interesses sejam muitas vezes distintos, até se chegar a um acordo (ou não).

Foi assim com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, aberta à assinatura na ECO-92, no Rio de Janeiro, o ponto de partida para discutir a questão.

Os países que ratificaram a convenção - embora nem sempre concordassem sobre ações e metas específicas - decidiram levar o tema em consideração em assuntos como agricultura, energia, recursos naturais etc. E aceitaram desenvolver programas nacionais que visassem a utilização de combustíveis que emitissem menos CO2. A Convenção, assinada e ratificada por essencialmente todos os países, consagrou o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada. Quer dizer, estabeleceu que todos os países são responsáveis pela adoção de medidas para limitar as mudanças do clima e promover adaptações, embora essa responsabilidade varie. A Convenção também incentivou a realização de pesquisas científicas sobre o tema e determinou que cada país desenvolvesse um "inventário" de gases do efeito estufa resultantes de todas as suas atividades. Foi o início do processo de regulamentação que demorou anos e levou, em 1997, à assinatura, em Quioto, no Japão, do primeiro compromisso global com prazos e metas de redução de emissões.

 

O primeiro acordo entre países

O conceito de "responsabilidade comum, mas diferenciada", como foi estabelecido na Convenção, foi levado ao Protocolo de Quioto. Ele não especifica o critério de diferenciação, mas, na época, o governo do Brasil propôs que fosse proporcional à contribuição de cada país para a mudança do clima. Assim, em Quioto, ficou estabelecido que, entre 2008 e 2012, os países já industrializados (que fazem parte de uma lista denominada Anexo 1) deveriam reduzir suas emissões nacionais em 5,2% em relação aos níveis de 1990, com metas expressas em termos da soma ponderada de todas as suas emissões. Os países ainda em desenvolvimento, que não fazem parte da lista, como Brasil, Índia e China, comprometeram-se em estabelecer programas nacionais de redução, mas desobrigaram-se de metas quantitativas.

O modelo do Protocolo de Quioto gerou diferentes reações. Os países europeus que vinham apostando em usinas nucleares e uma matriz energética mais limpa desde a crise de petróleo da década de 1970, tomaram a dianteira. Já os Estados Unidos, cuja economia é ancorada no petróleo e um setor energético movido a carvão, não aceitou um compromisso. Sendo a maior economia mundial e o maior emissor de gases do efeito estufa, a sua recusa contribuiu para esvaziar os esforços dos outros países. No entanto, com o passar dos anos, e à medida que mais informações comprovavam as mudanças climáticas e a pressão internacional se acentuava, a posição dos Estados Unidos sofreu modificações. Contribuiu para isso a divulgação do filme Uma Verdade Inconveniente, do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, vencedor do Oscar de documentário em 2006, baseado no livro do mesmo nome. No filme, Gore afirma que o aquecimento global é "um problema ético, moral, de sobrevivência da humanidade".

Enquanto isso, aos poucos a indústria de energias renováveis começou a emergir como um componente importante do novo cenário econômico. Governos e empresas passaram a trabalhar para reduzir o uso e fomentar alternativas ao petróleo e ao carvão. Ao mesmo tempo, começou a ficar claro que as emissões de gases do efeito estufa de alguns países em desenvolvimento alcançavam níveis preocupantes. China e Índia, que apresentaram altas taxas de crescimento na última década, têm o carvão como base de sua matriz energética. No caso do Brasil e outros países dotados de floresta tropical, a taxa de emissões é proveniente de desmatamentos. Se essas nações não representavam um problema no passado, hoje já não se pode dizer o mesmo.

Talvez o tratado internacional mais bem sucedido em relação ao clima tenha sido o Protocolo de Montreal, assinado em 1989, que restringe o uso dos CFCs (clorofluorcarbonos). Pelo tratado, os 191 países signatários eliminariam mais de 95% das substâncias utilizadas pela indústria que demonstraram estar reagindo com o ozônio (O3) na parte superior da atmosfera. Na época, havia dúvidas quanto a possibilidade de alcançar esse objetivo.

Seria possível convencer a todos - governos, indústria e comunidade - da seriedade do problema? Não só isso ocorreu como serve de exemplo para os tratados internacionais que visam a diminuir os gases do efeito estufa.

Os Estados Unidos preferiram não assinar o Protocolo de Quioto, optando por combater o aquecimento global com ações voluntárias por parte das indústrias e com novas soluções tecnológicas. Essa também foi a posição da Austrália, a outra única nação desenvolvida a ficar de fora do pacto.

Em 2007, porém, após uma troca de governo, os australianos reviram sua posição. O Protocolo de Quioto expira em 2012. No final de 2007, em Bali, na Indonésia, os países participantes concordaram em iniciar negociações para um acordo substituto, que deverá entrar em vigor em 2013. O novo tratado deve ser negociado no final de 2009 em Copenhague. Na ocasião, espera-se a manifestação do novo governo norte-americano.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Reviravoltas no cultivo de alimentos

O aquecimento global pode mudar padrões de produção de alimentos. A área de cultivo vai diminuir, principalmente nas latitudes médias e baixas, como as zonas tropicais e subtropicais do planeta, e haverá carência de grãos. As mudanças devem afetar grandes produtores, como Austrália, Argentina, Brasil e regiões temperadas da Europa.

Mas os efeitos serão mais graves na África e na Ásia. É nesses continentes que vive grande parte das pessoas que se dedicam à agricultura de subsistência. Para piorar, a população é uma das mais pobres e com maior crescimento demográfico do mundo.

Um estudo realizado por pesquisadores da Unicamp e da Embrapa avalia o impacto do aquecimento global sobre a agricultura nacional. Eles calculam que o aumento da temperatura pode provocar uma diminuição das áreas aptas para o cultivo de grãos e maior pressão sobre a "fronteira agrícola" entre o cerrado e a Amazônia. As regiões mais afetadas serão o Sul, o Sudeste e o Nordeste.

Com exceção da cana-de-açúcar e da mandioca, as outras culturas avaliadas (algodão, arroz, feijão, girassol, milho e soja) podem sofrer queda de produção e migração para locais onde hoje não são cultivadas.

A área correspondente ao agreste nordestino, cerrado e semiárido será severamente afetada. No Sudeste, o aquecimento vai prejudicar principalmente o café. O Sul deverá se tornar propício ao plantio de mandioca, café e cana-de-açúcar, mas não mais de soja. O Centro-Oeste deve ficar mais dependente de irrigação no período seco.

Os pesquisadores argumentam, porém, que isso só deverá ocorrer se nada for feito em termos de manejo e proteção do solo, práticas agrícolas mais eficientes e investimento em novas variedades de sementes. Além, é claro, de ações voltadas para a redução das queimadas e do desmatamento da Amazônia.

Se por um lado os países da zona tropical tendem a perder grandes áreas de cultivo, nações cujo território está localizado pelo menos em parte em zonas temperadas, como Rússia, Canadá e Estados Unidos, podem ganhar novas fronteiras agrícolas.

Aumentar o período de temperatura mais elevada cria condições para o melhor desenvolvimento de plantas como trigo, milho e soja, que constituem a alimentação básica do planeta.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Paraísos tropicais com a maior parte de seus territórios a menos de 1 metro acima do nível do mar, as nações-ilhas estão ameaçadas. Os governos de Tuvalu e Vanuatu negociam com os vizinhos Austrália e Nova Zelândia a transferência de sua população. A ilha de Carteret, na Papua-Nova Guiné, começa a ser evacuada porque a água do mar está invadindo os locais de cultivo e prejudicando o seu modo de subsistência. Seus moradores são os primeiros "refugiados do clima".

Os ursos polares que antes reinavam no Ártico entraram para a lista de animais em risco de extinção. Os anos de curtas temporadas de caça no gelo obrigaram esses animais a ir cada vez mais longe em busca de focas e outras presas para não morrer de fome. Mas embora os ursos tenham se tornado o símbolo mais evidente dos prejuízos das mudanças do clima para a biodiversidade do planeta, eles não são os únicos. Estima-se que entre 20% e 30% das espécies correm risco de extinção.

Variação de temperatura, chuva e outras condições ambientais; alterações na disponibilidade de alimentos: tudo isso altera os processos que antes existiam na natureza. Tome-se o exemplo das tartarugas marinhas. A ascensão do nível do mar vai reduzir os locais de reprodução e as praias onde elas descansam após nadar enormes distâncias em mar aberto. Além disso, o sexo desses animais é fortemente influenciado pela temperatura ambiente. O aumento do calor fará que com que a maioria dos filhotes que nascem sejam fêmeas. Parece exagero? Os cientistas constataram que isso já está ocorrendo em alguns lugares, como na Flórida (EUA).

Uma espécie de ave também ameaçada é o albatroz, já bastante prejudicado pela captura de peixes pelas embarcações industriais. Seus habitats para acasalamento estão desaparecendo, enquanto tormentas, furacões e demais exageros climáticos estão destruindo ninhos e ninhadas. Da mesma forma, algumas espécies de sapos da América Central estão sumindo. Por quê? O culpado é um fungo que se desenvolve na pele e eventualmente mata esses anfíbios, e que proliferam com mais facilidade nas condições atuais do clima nas zonas tropicais.

Em toda parte notam-se fenômenos desse tipo. Espécies de clima mais quente deslocam-se em direção aos polos e para zonas montanhosas. Peixes de águas tropicais dirigem-se para mares antes frios e peixes de água fria, como os salmões e o bacalhau, agora têm o hábitat cada vez mais reduzido. Baleias e golfinhos que buscam seu alimento nas águas geladas da Antártida também estão ameaçados.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíada de Ciências

Até o início do século 21, os céticos (aqueles que duvidavam das mudanças climáticas), muitas vezes financiados por empresas ligadas aos combustíveis fósseis, exerciam grande influência sobre governantes e público em geral. O mais conhecido foi o dinamarquês Bjorn Lomborg, autor de O Ambientalista Cético.

Ele ainda está ativo e fundou o chamado Consenso de Copenhagen, grupo que propõe dar prioridade a outras questões econômicas acima do combate às mudanças climáticas.

 

O aviso das plataformas de gelo

Como estavam cobertas de gelo há séculos, as profundezas do oceano abaixo da plataforma Larsen na Península Antártica eram desconhecidas. Ninguém sabia que espécies de animais marinhos se abrigavam ali. Como ela também se desmanchou por causa do aquecimento global, foi possível descobrir a região. Há várias espécies de corais, polvos, esponjas, lulas, anêmonas e estrelas-do-mar que se pensava existir apenas em clima quente.

 

Você deve se lembrar das notícias, divulgadas em abril de 2009, sobre o rompimento de uma imensa plataforma de gelo no oeste da Antártida. "Do dia para a noite, a região de Wilkins explodiu em centenas de icebergs", lembra o glaciologista David Vaughan, do Serviço Antártico da Grã-Bretanha. Foi o capítulo mais recente de um fenômeno freqüente na Península Antártica, uma ponta do continente que se estende em direção da América do Sul. Ali, nos últimos 50 anos, a temperatura aumentou 2,5º C, acima da média de aumento de 0,7º C no século 20.

A Antártida e o Ártico são o termômetro das atuais alterações do clima - as mudanças que estão ocorrendo por lá são mais rápidas e intensas do que as sentidas em outras partes do globo. Mas há diferenças. A Antártida é mais fria porque abriga um continente, enquanto o Ártico é apenas uma calota de mar congelado - quase como um gigantesco iceberg. Ali, o relativo calor do oceano é transferido por meio do gelo, impedindo que as temperaturas alcancem os extremos verificados no outro lado do planeta.

Tanto o derretimento da calota de gelo do Ártico como o desprendimento dos icebergs na Antártida não aumentam o nível dos oceanos diretamente, como se imagina. Mas quando esses bancos de gelo flutuantes são presos ao continente e, no caso do hemisfério norte, à Groenlândia, eles servem de barreira para o escoamento das geleiras continentais que, sem esta proteção, podem derreter mais depressa.

 

O que o mar tem a ver com o clima

O aquecimento global interfere nos oceanos de várias maneiras. Uma delas é a expansão

térmica da massa líquida e o conseqüente aumento do volume. O resultado é a inundação de áreas mais baixas dos continentes com água salgada, contaminando os deltas dos rios e a agricultura. Cerca de 10% da população mundial vive em áreas que podem ser afetadas. São cidades como Tóquio (Japão), Mumbai (Índia), Xangai (China) e Dacca (Bangladesh) - além de Recife e Rio de Janeiro no Brasil.

O segundo motivo é o degelo polar. A corrente do Atlântico Norte, por exemplo, é um grande fluxo de água quente que leva calor ao noroeste da Europa. Esse fluxo é impulsionado por uma mistura de água gelada vinda do Ártico, com a quente vinda do sul. Como o movimento está se desacelerando, países que antes se beneficiavam com os efeitos no clima, como Escandinávia e a Inglaterra, são prejudicados.

Os cientistas estudam também o efeito de um fenômeno muito conhecido dos brasileiros combinado com o aquecimento global. Trata-se do El Niño, que afeta a temperatura das águas do Pacífico. Quando o El Niño ocorre, as massas de ar quente e úmido acompanham a água mais quente, provocando chuvas excepcionais na costa oeste da América do Sul e seca na Indonésia e Austrália. No Brasil, ocorre seca no Norte e Nordeste e chuva no Sul. Fenômenos assim, de período curto, podem ser potencializados pelo aumento da temperatura.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

As ameaças para o planeta

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) ganhou o reconhecimento internacional e o Prêmio Nobel da Paz de 2007, juntamente com o ex vice-presidente norte americano Al Gore.

Na ocasião, a comissão do Nobel considerou que o painel de cientistas merecia o prêmio por "construir e divulgar um maior conhecimento sobre as mudanças climáticas causadas pelo homem". Só para lembrar, entre os cientistas do IPCC, estão 61 brasileiros.

Quais as consequências do aquecimento global para o planeta?

Depende de quanto será o aumento da temperatura. Os cientistas do IPCC montaram vários cenários dos eventos extremos que podem ocorrer

 

A questão hoje já não é mais se o aquecimento global representa um problema em potencial. Procura-se saber apenas quais os seus efeitos e como poderão ser detectados. Os modelos de previsões de algo tão complicado como o clima ainda não são precisos o suficiente para fornecer respostas claras a esse respeito. Sabe-se porém que algumas perturbações são inevitáveis e acontecerão nos próximos 30 anos. Dessas, não vamos escapar. Mesmo que as emissões de CO2 e outros gases do efeito estufa se mantivessem as mesmas de 2000, a temperatura, ainda assim, iria subir 0,01º C por década. Até o fim deste século, a temperatura deve subir entre 1,8º C e 4º C, dependendo das medidas adotadas para limitar a emissão de gases do efeito estufa. Esse aumento intensifica eventos extremos, como furacões, inundações e secas. E já se faz sentir nas zonas mais frias do planeta, como os polos e as geleiras das montanhas.

Além disso, calcula-se que a expansão das águas dos oceanos pelo aumento de temperatura e o derretimento das geleiras podem resultar na elevação do nível do mar entre 18 e 58 cm até 2100. O derretimento do gelo no topo de cordilheiras como o Himalaia e os Andes deve prejudicar o abastecimento de água de mais de 1 bilhão de pessoas que vivem em áreas intensamente povoadas e cultivadas. Por outro lado, as alterações no regime de chuvas podem tornar áreas hoje bastante áridas ainda mais secas.

Seria necessário reduzir as emissões mundiais em cerca de 60% em comparação com as emissões de 1990 para evitar isso - o que já não é mais possível. Mas se forem tomadas providências agora, ainda será possível limitar o aumento de temperatura em 2º C. Se formos esperar, o aumento será de 3º C ou mais. A escolha é nossa.

 

As previsões dos especialistas

A intensidade de algumas das situações deverá depender do controle maior ou menor das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera. Um ponto importante ressaltado pelos cientistas do IPCC é que o aquecimento global não deve afetar o mundo todo nem os vários países de maneira semelhante.

Embora os efeitos sejam sentidos por todos, os mais pobres e vulneráveis terão menor capacidade de se adaptar aos novos tempos. O mais preocupante é que os dados mais recentes sugerem que o impacto será mais grave do que previam os cientistas em 2007 e, provavelmente, ocorrerá antes que o previsto.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

O papel dos combustíveis fósseis

Antes da Revolução Industrial, as atividades de produção e prestação de serviços baseavam-se no trabalho dos homens, complementado pela tração animal, pela utilização direta da força da água e do vento e pela queima da lenha e do carvão vegetal. A partir do século 19, a lenha foi substituída pelo carvão mineral e, mais tarde, pelo petróleo. Essas duas fontes de energia, assim como o gás natural, são combustíveis fósseis formados pela decomposição de matéria orgânica, por meio de um processo de milhões de anos.

No caso do carvão, trata-se da decomposição e da transformação de plantas mortas, cobertas por depósitos de terra e submetidas a altas pressões. Algas e outros seres microscópicos aquáticos foram soterrados e acabaram se transformando em petróleo. Nesse processo, a decomposição dos organismos também liberou o gás natural. Relativamente abundantes e ricos em energia calórica, petróleo, carvão e gás foram essenciais para o desenvolvimento de nossa sociedade tecnológica. Mas, como fontes não renováveis (materiais não recompostos na natureza na mesma velocidade em que são consumidos), a tendência é se esgotar. Não bastasse isso, o seu uso polui o ambiente e contribui para o aquecimento global. Sem contar que o oxigênio usado na queima desses combustíveis também vem da atmosfera.

Não se espera que os combustíveis fósseis sejam substituídos por uma fonte única de energia, como se imagina. A proposta de uma "revolução energética global" implica no uso de várias alternativas e na redução do consumo.

 

A importância das florestas

Em condições normais, ou seja, de equilíbrio, o carbono é transferido da atmosfera para a biosfera (florestas, outros tipos de biomas, animais, carbono do solo) pela fotossíntese e devolvido pela decomposição de matéria orgânica em quantidades iguais. Porém o excesso de CO2 na atmosfera, resultante de uma parte das atividades humanas, altera esse "toma lá dá cá" e provoca um aumento da absorção de carbono pela biosfera.

Hoje, as florestas em especial, mas também outros biomas, absorvem cerca de 8% do dióxido de carbono emitidos anualmente. Isso significa que o aumento desse gás na atmosfera está deixando as florestas do mundo mais "obesas". Estima-se que sua vegetação esteja retirando 2,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera por ano, a maior parte dos quais no Brasil, que é o proprietário da maior delas - a Floresta Amazônica.

 

O impacto pelo uso da terra

Além disso, estudos realizados por cientistas brasileiros na Floresta Amazônica mostraram que o conjunto de suas árvores contém cerca de 300 bilhões de toneladas de CO2 - o equivalente a cerca de dez anos de emissões globais de dióxido de carbono resultante de todas as atividades humanas. Quando ocorrem mudanças no uso do solo, ou seja, florestas são derrubadas e queimadas - dando lugar a pastagens, agricultura ou outra forma do uso da terra com menor quantidade de carbono por hectare do que a floresta original -, a diferença é liberada para a atmosfera.

Mas não é apenas o carbono guardado nas plantas que volta à atmosfera. O mesmo pode ocorrer com aquele que existe no solo. Dessa forma, as práticas agrícolas tanto podem representar mais uma fonte de emissões do gás como um sumidouro. Para manter o cultivo, sem avançar sobre áreas preservadas, é preciso desenvolver técnicas sustentáveis e recuperar solos degradados. Uma opção é o plantio direto na palha, que consiste em não revolver a terra, mantendo a matéria orgânica e evitando a erosão. Outro problema é o metano emitido em áreas alagadas de cultivo de arroz (pela digestão anaeróbica de bactérias). Estudam-se melhores práticas de gerenciamento de água e o uso de diferentes espécies da planta.

 O metano (CH4), produzido pelo sistema digestivo dos ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos), é mais potente como gás do efeito estufa que o CO2. Para reduzir o problema, os especialistas desenvolvem medicamentos que modificam a fermentação digestiva desses animais. Esperam assim controlar a multiplicação das bactérias que participam desse processo, responsável pela transformação do hidrogênio em gás metano.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Enchentes em Santa Catarina; estiagem prolongada em Minas Gerais e no norte do Rio de Janeiro: o verão de 2008 caracterizou-se por eventos extremos que os cientistas suspeitam ser resultado do aquecimento global. Mais calor significa mais evaporação.

O vapor d'água implica em mais efeito estufa, pois, da mesma forma que o CO2, ele também retém o calor. Ainda não há dados para comprovar a suspeita, pois elas exigem um período longo de tempo de análise. No caso dos furacões que ocorrem no Atlântico Norte, sabe-se que sua intensidade vem aumentando ao longo dos últimos 30 anos.

 Não só nos períodos glaciais ocorreram mudanças climáticas. Nos últimos mil anos - um período relativamente recente para a idade do planeta -, o clima sofreu variações significativas por causas naturais, portanto, não relacionadas à ação do homem. Um desses momentos, entre 1250 e 1650, foi chamado de Pequena Idade do Gelo. A queda prolongada na temperatura deveu-se a alterações na atividade solar. Os invernos rigorosos foram registrados, entre outros, pelo pintor Pieter Brueghel (1525-1569), um dos mais célebres paisagistas holandeses.

 Na estratosfera (camada de gases da atmosfera entre 10 km e 45 km de altura), parte do oxigênio é transformado em ozônio. Esse gás funciona como um filtro protetor, ao reter a maior parte da radiação ultravioleta do sol (causadora, entre outras coisas, de câncer de pele). Os CFCs (clorofluorcarbonos), utilizados pela indústria em sprays, protetores de circuito elétricos de alta voltagem e compressores de refrigeração de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, destroem a camada de ozônio. Por isso, estão sendo substituídos. Além disso, esses gases contribuem para o efeito estufa, bem como alguns de seus substitutos.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

A mudança do clima devido à ação do homem não se compara com aquela que presumivelmente causou o desaparecimento dos dinossauros. Acredita-se que o tremendo impacto de um asteróide ocorrido há 65 milhões de anos moveu o eixo do planeta, além de levantar uma imensa nuvem de poeira que impediu a passagem da luz na atmosfera. A partir daí, ocorreram catástrofes sucessivas. Primeiro, a Terra começou a esfriar (em vez de esquentar, como agora). Diminuiu a quantidade de luz solar e a fotossíntese das plantas. Os grandes animais herbívoros acabaram morrendo, assim como seus predadores.

 

A engrenagem do clima na terra

Em pleno inverno, de repente, há dias bem quentes e o sol brilha sem parar na sua cidade. É um sinal do aquecimento global? Em princípio, não. Trata-se apenas de uma variação do tempo, ou seja, uma diferença que ocorre em um curto período e num espaço restrito. Para se definir o clima de uma região deve ser observada a média das condições de tempo ao longo de muitos anos.

Duas propriedades essenciais governam a atmosfera: a pressão do ar, ditada pela gravidade; e a temperatura, ditada pela radiação solar e terrestre, além da umidade. As correntes de ar resultantes de mudanças na temperatura e pressão funcionam como uma espécie de motor que redistribui o calor do Equador e dos trópicos para os polos. A Terra absorve muito mais energia solar na região tropical, pois o sol incide diretamente sobre essa região o ano todo. Em contraste, nos polos Norte e Sul, os raios de sol chegam de forma oblíqua. Cada um dos polos recebe luz solar apenas a metade do ano, ficando a outra metade na escuridão. Um acréscimo de 2,7º C na temperatura média global significa um aumento de 0,5º C ou 1º C nas zonas próximas ao Equador, porém mais de 6º C no Polo Norte, assim como um aumento acentuado na periferia da Antártida. Entre muitas outras consequências para o planeta, altera-se a dinâmica dos ventos e das correntes oceânicas, com enorme impacto para o clima dos continentes.

 

Carbono é bom, mas sem exagero

É importante ficar claro: o carbono é um elemento essencial na composição de todos os organismos vivos. Ele está presente na atmosfera, nos oceanos, nos solos, nas rochas sedimentares e estocado nos combustíveis fósseis. As plantas absorvem o carbono da atmosfera na forma de CO2 por meio da fotossíntese. Por outro lado, tanto plantas como animais liberam carbono como CO2 quando morrem e sua matéria orgânica se decompõe. É um processo de leva-e-traz que tem sido responsável pelo equilíbrio da temperatura na Terra nos últimos 100 mil anos.

A estufa ao redor do planeta impede que o calor escape para o espaço e os movimentos dos oceanos e da atmosfera fazem com que ele seja distribuído de uma forma mais ou menos uniforme, apesar das diferenças entre o dia e a noite e as zonas equatoriais e os polos. Na Lua, onde não existe atmosfera, e, portanto, não há gás carbônico para reter o calor, a temperatura chega a 100º  C durante o dia e baixa para 150º  C negativos à noite.

Cientistas mediram a proporção de CO2 em bolhas de ar guardadas há milênios sob o gelo na Antártida e na Groenlândia. Descobriram que até dois séculos atrás essa proporção nunca passou de 290 partes por milhão (ppm). Mas a liberação de carbono, via queima de combustíveis fósseis e mudanças no uso da terra, alterou esse fluxo natural. Em 2005, a proporção de CO2 no ar havia chegado a 379 ppm - um aumento de quase 30% em relação ao que foi registrado antes e a mais alta dos últimos 800 mil anos.

comentários[0]

30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Reviravoltas no clima ocorrem por vários motivos - e a ação do homem é apenas um deles. Na história da Terra houve muitas outras. Veja por exemplo os desenhos A Era do Gelo 1 e 2. No primeiro, a história se passa em um cenário de gelo e neve permanentes. No segundo, aparecem lagos, rios e vegetação. As mudanças ocorreram há milhões de anos e foram provocadas por alterações mínimas na órbita do planeta e na sua inclinação em relação ao Sol. Segundo o filme, naquela época, o ser humano ainda nem existia.

 

Veja quais são as causas e as diferenças em relação às mudanças que ocorreram no passado. Descubra por que as ações do homem alteram o equilíbrio de gases que compõem a atmosfera

Há alguns anos, muitas pessoas se perguntavam como uma ameaça aparentemente distante e incerta como o aquecimento global poderia preocupar a humanidade. Afinal, não é novidade que a Terra já passou por períodos frios - as eras glaciais (veja A Era do Gelo) - e mais amenos, os chamados intervalos interglaciais, alterações que ocorrem de forma tão lenta que se tornam imperceptíveis ao longo de uma geração. Mas hoje se acumulam evidências na paisagem dos continentes de que o clima está mesmo mudando. O derretimento de gelo no Ártico é uma prova de que isso ocorre numa velocidade maior do que se esperava.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), um comitê de milhares de especialistas reunidos pela Organização das Nações Unidas (ONU ), divulgou em 2007 um relatório contendo provas de que a temperatura média do planeta subiu 0,76o C no século passado, o que é muito em termos planetários. E mais: se esse processo não for contido, as conseqüências podem ser dramáticas para as próximas gerações.

De várias formas, há iniciativas para diminuir os efeitos do aquecimento global. Como? Por meio de medidas que reformulem o modelo de crescimento econômico atual, associando-o à busca do consumo consciente e sem comprometer demais o meio ambiente.

 

O que é o aquecimento global?

Quando os cientistas falam em mudança do clima e em aquecimento global, estão se referindo a um aumento, além do normal, da capacidade da atmosfera de reter calor. Esta camada de gases que envolve a Terra é constituída principalmente de nitrogênio (N2) e oxigênio (O2), que não retêm calor. Outros gases estão presentes em pequenas quantidades, incluindo os do "efeito estufa". Recebem esse nome porque funcionam como o revestimento de vidro de uma estufa, que permite a entrada do calor do Sol e conserva o interior quentinho mesmo quando a temperatura do lado de fora está fria.

O efeito estufa é um fenômeno natural: a radiação do Sol atravessa a atmosfera e chega à superfície do planeta, mas "o vidro" evita que ela escape novamente sob a forma de calor. Por causa disso, a temperatura na Terra oscila em torno de 15o C, ideal para a existência da água líquida e dos seres vivos. Sem o efeito estufa natural, a temperatura seria de 18o C negativos!

O problema é que as atividades humanas estão aumentando a intensidade do efeito estufa natural como se fossem colocados vidros mais grossos na estufa atmosférica. Os gases responsáveis pelo aquecimento excessivo, como o dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2), são produzidos pela queima de combustíveis fósseis. O metano (CH4) é gerado, sobretudo, pela decomposição da matéria orgânica em aterros sanitários e plantações alagadas (principalmente de arroz). O óxido nitroso (N2O) advém do processo digestivo do gado. Ao alterar o uso da terra, por meio do desmatamento e de algumas atividades agrícolas, o homem também lança no ar, por apodrecimento ou queima, o CO2 que estava acumulado nas plantas e no solo.

comentários[0]

23

set
2012

Olimpíadas de Ciências

A bioeletricidade é uma das fontes mais econômicas e limpas que existem

 Os vegetais são usinas naturais fantásticas. São capazes de produzir seu próprio alimento, a glicose, por meio de reações químicas entre o dióxido de carbono e a água, a partir da luz solar. Além disso, por absorverem do ar o dióxido de carbono, as plantas fazem uma faxina na atmosfera, removendo esse gás, que é o principal responsável pelo aumento do efeito estufa.

O Brasil tem grande tradição no uso da biomassa para a produção de açúcar e etanol. Mas pode aumentar muito a produção de bioeletricidade, uma fonte totalmente renovável e limpa.

Hoje, as usinas produtoras de açúcar e etanol já processam uma parte da palha e do bagaço da cana para gerar eletricidade: 80% da bioeletricidade gerada aqui vem desses resíduos. A maior parte dessa energia é destinada para consumo da própria usina, na produção de açúcar e etanol. E o excedente é vendido para o sistema elétrico nacional - ou seja, lançado na rede que abastece a sociedade em geral.

Em 2011, a energia vendida pelas usinas de açúcar e etanol para grandes consumidores (como indústrias) e empresas distribuidoras de energia elétrica foi equivalente a abastecer 5 milhões de residências. Mas há palha e bagaço suficiente para colocar a bioeletricidade como a segunda maior fonte geradora do país, atrás só da hidroeletricidade.

Mesmo sem explorar todo esse potencial, a bioeletricidade gerada em 2011 economizou

5% da águas dos reservatórios das hidrelétricas, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Por causa da sazonalidade da safra de cana no Brasil, que coincide com a seca da maior parte dos rios, a bioeletricidade da cana se torna uma grande vantagem pois complementa a oferta das hidrelétricas na época de sua menor produção.

As fontes de biomassa se diferenciam de acordo com suas características ou origens.

Considera-se biomassa primária aquela obtida de produtos originados diretamente da natureza, como a lenha e a cana-de-açúcar. Já a biomassa secundária é um produto resultante de algum processo de conversão dos combustíveis energéticos primários.

E podem ter origens diversas, sendo divididas em três tipos de fontes: vegetais não lenhosos, vegetais lenhosos e resíduos orgânicos.

Esse aproveitamento pode ser obtido tanto por queima direta quanto por meio de processos termoquímicos ou biológicos.

A geração de eletricidade pelas hidrelétricas depende do volume de água dos rios. Isso significa que nos meses de estiagem, se a seca for muito intensa, será preciso recorrer às termelétricas movidas a combustível fóssil.

A bioeletricidade gerada da cana-de-açúcar pode compensar esse desequilíbrio, pois o período de safra da cana coincide exatamente com os meses de menos chuva nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. São nessas regiões que se concentram a maior parte das usinas de álcool e açúcar e a maior demanda por eletricidade.

 

Muito ainda para crescer

Atualmente, das cerca de 400 usinas sucroenergéticas, apenas 40% exportam eletricidade para a rede elétrica. As estimativas mostram que essa oferta pode crescer, atingindo o volume de energia gerado por três hidrelétricas do porte de Belo Monte.

Fonte: www.energiamaislimpa.com.br

comentários[0]

23

set
2012

Olimpíadas de Ciências 2012

Como se produz eletricidade

 A eletricidade é uma fonte de energia secundária - ou seja, é sempre produzida pela transformação de algum outro tipo de energia. Afora a energia solar, que gera eletricidade diretamente da energia luminosa, as principais fontes geradoras de eletricidade impulsionam as pás giratórias das turbinas, que acionam geradores elétricos formados de ímãs e fios de metal. Para essa impulsão, é necessária uma força.

Hoje se usam três fontes principais para isso: a força das águas em movimento nas hidrelétricas, a força do vapor d'água nas termelétricas e a força dos ventos nas eólicas.

No caso das termelétricas, o vapor d'água é conseguido pelo aquecimento da água a partir da queima de um combustível, que pode ser o carvão, o gás natural, a biomassa ou pelo calor fornecido pela divisão de átomos.

As propriedades do eletromagnetismo se encarregam de transformar o movimento das turbinas em eletricidade.

 

Hidrelétricas

As hidrelétricas dependem das águas de um rio para gerar eletricidade. Os rios são represados, formando imensos reservatórios. Espremida em uma única saída estreita - a tubulação da barragem -, a água cai por dezenas de metros, em alta velocidade e, assim, faz girar grandes turbinas. Um eixo transfere esse movimento das turbinas para um gerador, que gera a energia elétrica.

As hidrelétricas fornecem mais de 70% da energia elétrica no Brasil. Com 180 grandes usinas em operação, o país é o terceiro maior produtor de hidreletricidade do mundo, atrás apenas do Canadá e da China. O Brasil optou, inicialmente, por esse tipo de fonte por causa, principalmente, do grande número de rios caudalosos, com desnível necessário para criar a queda nas barragens.

Além disso, muitos desses rios ficam próximos dos grandes centros urbanos, o que facilita e barateia os custos de transmissão da energia. Mas as hidrelétricas apresentam, também, desvantagens. Em tempos de seca, a geração pode ficar comprometida e a população, sofrer com o racionamento de energia.

 

Termelétricas de biomassa

Essas usinas queimam matéria-prima vegetal. Entre as mais usadas no Brasil estão o bagaço e a palha de cana-de-açúcar. O calor gerado pela queima transforma água em vapor, que move um gerador. Tradicionalmente, a biomassa inclui a lenha, mas cresce o uso de resíduos do agronegócio e indústria de papel e celulose (resíduos de madeira, estrume, lixívia e casca de arroz) e até do lixo doméstico. É a chamada biomassa moderna.

A biomassa atende, hoje, cerca de 10% das necessidades mundiais de eletricidade. Mas estima-se que essa proporção pode chegar a 30% com programas de plantio de culturas especialmente voltadas a essa finalidade.

O Brasil usa intensivamente a cana-de-açúcar para produzir açúcar e etanol e seus resíduos vegetais - o bagaço e a palha - são a fonte de eletricidade em termelétricas. Por enquanto essas fontes respondem por 4,7% do total de energia ofertada no país. Mas há um potencial muito grande de crescimento, pois, para cada tonelada de cana usada nas usinas, sobram 250 quilos de bagaço e outros 200 quilos de palha.

Esse material é biomassa preciosa, que pode ser integralmente usada na geração de energia térmica e elétrica para a própria usina sucroenergética, com a venda do excedente para a rede nacional. Só o bagaço e a palha que sobram das usinas de açúcar e etanol têm potencial para geral 15 mil megawatts médios - o equivalente a mais de três hidrelétricas de Belo Monte.

 

Termelétricas de combustível fóssil

São usinas que geram eletricidade a partir da queima de gás natural, carvão mineral ou óleo diesel, derivado do petróleo. O calor gerado na queima aquece a água em uma caldeira, produzindo o vapor d'água que move uma turbina geradora de eletricidade.

As termelétricas por carvão mineral foram as primeiras usinas a gerar eletricidade em grande escala na Europa, logo depois da Revolução Industrial. E até hoje essa é a fonte mais usada no mundo. Uma das razões para isso é que o carvão é o combustível fóssil mais abundante e mais barato do planeta. Estima-se que as reservas possam abastecer o mundo por pelo menos mais um século e meio.

O diesel, fácil de transportar por caminhão, em pequenas quantidades, é mais usado em usinas menores. O gás natural é o menos poluente de todos esses combustíveis, mas exige altos investimentos para ser transportado por gasodutos.

No Brasil, esse tipo de termelétrica é tradicionalmente usada para suprir a necessidade de eletricidade de locais remotos, distantes das redes de distribuição. Hoje, as termelétricas de combustíveis fósseis fornecem quase 9% da energia elétrica gerada no país. Existem várias delas reservadas para serem acionadas quando as usinas hidrelétricas não conseguem suprir a demanda, em tempos de seca.

 

Usinas nucleares

As usinas nucleares trabalham com elementos químicos radioativos como urânio e plutônio. Numa usina, o núcleo dos átomos de um desses elementos é quebrado num processo chamado de fissão nuclear. As forças que mantêm os núcleos inteiros são tão intensas que, ao serem quebradas, liberam uma imensa quantidade de energia - a energia atômica, que pode ser transformada em outras formas de energia.

O principal combustível usado nas usinas nucleares é o urânio 235 (cujos átomos têm 235 nêutrons no núcleo), relativamente mais fácil de ser quebrado.

Esse urânio é obtido por enriquecimento, sendo "peneirado" dos outros átomos de urânio, que têm mais nêutrons e, assim, são mais difíceis de quebrar. A energia liberada da fissão do urânio enriquecido aquece a água numa caldeira e produz vapor, que gira as pás de uma turbina, que, por sua vez, moverá um gerador.

As usinas termonucleares são largamente usadas nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Em alguns países, como França, 75% de toda eletricidade tem como fonte a energia nuclear. A primeira usina nuclear brasileira, Angra 1, foi construída nos anos 1970.

Hoje, o país domina a tecnologia de enriquecimento do urânio e tem outra usina em funcionamento, Angra 2. A unidade 3, que se encontra em construção desde 2010, deve começar a operar em 2015.

Os átomos são uma fonte especialmente perigosa, pois, em caso de acidente, a radioatividade se espalha com facilidade pelo ambiente e pode afetar seriamente todos os seres vivos, inclusive o homem. O acidente na usina japonesa de Fukushima, após o terremoto e o tsunami de 2011, levou as autoridades europeias a reavaliarem o uso dessa fonte.

 

Usinas Eólicas

Na mitologia grega, Éolo é o deus dos ventos. Daí o nome energia eólica, aquela que vem da força dos ventos, captada por grandes cataventos, que, por sua vez, giram as pás de turbinas geradoras de eletricidade. Existem hoje mais de 30 mil turbinas eólicas em operação no mundo todo. Para 2020, estima-se que elas gerem 12% do total da energia produzida no planeta. Mas, instaladas tanto em terra quanto em mar, as usinas (ou fazendas) eólicas têm potencial para crescer muito mais: os ventos podem gerar até quatro vezes o volume de energia consumido mundialmente.

No Brasil, o Nordeste é a região que apresenta o maior potencial para esse tipo de empreendimento em função do mapeamento dos ventos. E tem a vantagem de ter maior fluxo no período que coincide com o de seca dos rios. O primeiro aerogerador de grande porte do Brasil foi instalado no arquipélago de Fernando de Noronha, em 1992. O país ainda engatinha no aproveitamento dos ventos. Hoje, do total de 73 empreendimentos eólicos, a maioria ainda tem pequena capacidade de geração.

 

Usinas solares

A energia solar se transforma em energia elétrica por meio das células fotovoltaicas - como aqueles de algumas calculadoras, que se ligam quando expostas à luz do sol. É um sistema bom para a geração de energia em países em que o sol brilha a maior parte dos dias do ano, como o Brasil, porém seu custo ainda é muito mais alto que o das outras. Ainda assim, o país tem em funcionamento oito usinas fotovoltaicas.

Em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Japão e Alemanha, a energia solar complementa a eletricidade oferecida a uma comunidade ou a uma residência pela rede convencional. No Brasil, a maior parte das aplicações se dá em comunidades afastadas dos grandes centros, sem acesso à rede elétrica convencional.

 

Fonte: www.energiamaislimpa.com.br

comentários[1]

23

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Energia: precisamos dela, sempre

O mundo consome cada vez mais energia. E isso não está relacionado apenas ao crescimento da população. O consumo de energia sobe no mundo inteiro. Por um lado, esse aumento acompanha, é claro, o crescimento da população mundial. Quanto mais gente para se alimentar, se vestir, se educar e se divertir, maior a necessidade de energia para oferecer todos esses produtos e serviços. Mas isso não basta para explicar a sede cada vez maior da humanidade por petróleo e eletricidade.

A elevação do consumo acompanha, também, o desenvolvimento tecnológico e o enriquecimento da população. Quanto mais rica e sofisticada é uma sociedade, mais alto é seu padrão de consumo de produtos e serviços e, portanto, maior sua necessidade de energia. É fácil entender essa lógica: uma nação pobre dedica toda sua energia à produção de itens básicos de sobrevivência, como alimentos. Já um país desenvolvido, no qual a fome não é problema, mantém indústrias de alta tecnologia que produzem máquinas, computadores, veículos - além de uma quantidade muito maior de alimentos - para uma população que tem como pagar por esse conforto e bem-estar. Esses consumidores, por sua vez, também aumentam o consumo de energia elétrica quando ligam seus eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos portáteis.

 

Independência e diversificação energética

A energia é hoje mais do que um item necessário à sobrevivência de cada cidadão. É um fator de grande importância na economia global. Sem eletricidade para mover as fábricas ou combustível para transportar as mercadorias por mar, ar e solo, a economia para. Se os países não exportam, as indústrias não vendem e os funcionários não têm trabalho. Por isso, cada vez que os noticiários anunciam uma alta no preço do barril de petróleo, o preço da farinha de trigo - e, portanto, do pão - também se eleva. Para depender menos das oscilações internacionais dos preços da energia, um país precisa buscar sua independência energética - ou seja, ter a capacidade de suprir suas necessidades energéticas dentro de seu território.

Também é importante diversificar suas fontes de energia, para não depender de poucas, que podem ter alguma restrição e criar uma crise no fornecimento.

Para conhecer o perfil de utilização da energia, usa-se a matriz energética - e a matriz brasileira, nesse sentido, difere da mundial. Os economistas usam também matrizes secundárias para estudar o desempenho de um país em um determinado tipo de energia de fontes secundárias. É o caso da matriz de energia elétrica. Comparando as matrizes energéticas mundial e nacional, é possível identificar os rumos que um país está tomando na sua política pública de energia.

Tanto no mundo quanto no Brasil, a maior parte da energia vem de fontes não renováveis - petróleo, gás natural, carvão mineral e energia nuclear. No entanto, o peso das energias renováveis é muito maior na matriz brasileira do que na mundial: energia hidrelétrica, biomassa, carvão vegetal e outras fontes renováveis respondem por 46,7% do total ofertado no país (energias hidrelétrica, biomassa, carvão vegetal e outras fontes renováveis). No mundo, as fontes renováveis fornecem pouco mais de 13% do total de energia.

 

Cada país escolhe sua matriz

A escolha que um país faz por esta ou aquela fonte depende do potencial natural existente no território nacional. Também são considerados os custos de produção, transmissão e distribuição, além das implicações ambientais para se avaliar o grau desejado de renovação da matriz energética.

Para um país não é importante apenas alcançar a independência energética. Lembrando dos desafios de um desenvolvimento sustentável, é fundamental chegar a essa independência com uma matriz energética limpa e diversificada.

Matriz limpa é aquela em que a maior parte da energia é produzida por fontes que não geram resíduos poluentes e emitem menos carbono que as fontes tradicionais, como os derivados do petróleo. Matriz diversificada é aquela que conta com várias fontes, que se complementam.

É papel dos governos se preocupar com o impacto ambiental da geração de energia e com o desenvolvimento social. Um bom planejamento energético diminui os custos de geração e os investimentos necessários para expandir a oferta de energia. A inclusão de fontes renováveis e limpas reduz as agressões ao meio ambiente e promove o bem estar da população.

Fonte: www.energiamaislimpa.com.br

comentários[0]

23

set
2012

Olimpíada de Ciências

O motor do mundo

Tudo depende de energia. Desde as formas de vida mais simples até a complexa sociedade humana do século 21. Do brilho das estrelas ao crescimento das plantas, do movimento das marés à produção de alimentos, do abalo causado por um terremoto ao funcionamento das máquinas de uma metalúrgica - nada existiria sem energia. Ainda assim, não podemos tocá-la, criá-la ou destruí-la. Só podemos transformar e aproveitar a energia.

Para a física, energia é a capacidade de um corpo, ou de um sistema de corpos, produzir trabalho, ou seja, gerar uma força. Em linguagem simples, podemos dizer que energia é o que produz movimento - seja no mundo microscópico, nas partículas dos átomos e moléculas vibrando sobre uma chama, seja no universo macroscópico, com o movimento de automóveis, aviões e trens construídos pelo homem.

Todo tipo de material tem algum potencial para armazenar energia. A madeira, se for incendiada, libera energia na forma de calor e luz. A atmosfera em movimento gera energia na forma de vento. Um átomo, quando se divide, libera energia na forma de calor.

Água e ar em movimento, luz do sol e a queima de vegetais são alguns exemplos de fontes de energia. O ser humano é a única espécie do planeta capaz de manipular essas fontes, com fins específicos e muito diversificados: iluminar a noite, aquecer os lares, produzir, transportar e conservar os alimentos, acionar as máquinas nas indústrias, trafegar e transportar mercadorias por terra, ar e água, e manter a comunicação com o vizinho ou com alguém do outro lado do mundo.

Nos últimos 60 anos, utilizando principalmente os combustíveis fósseis, a população mundial saltou dos 2,5 bilhões para os 7 bilhões de habitantes. O desafio está no futuro. Estima-se que o planeta gere e consuma, atualmente, mais de 12 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo a cada ano, retiradas de diferentes fontes. O problema é que as fontes de energia fóssil, como o petróleo, carvão e gás natural, não são renováveis, portanto sua disponibilidade ficará cada dia menor. Além disso, a ciência já comprovou que a queima de combustíveis fósseis lança na atmosfera grandes quantidades de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo agravamento do efeito estufa. Quanto maior o efeito estufa, maior será o aquecimento global e mais dramáticas serão as mudanças climáticas nas próximas décadas.

Assim, surge a grande pergunta: como garantir a geração da energia necessária para o bem-estar e a saúde de uma população mundial crescente, sem comprometer o meio ambiente? É consenso que a melhor resposta virá por meio do desenvolvimento sustentável.

 A maior parte da energia produzida pelo mundo vem de fontes não renováveis, que levam milhões de anos para se formar e, portanto, não podem ser repostas em um prazo curto. São chamadas de combustíveis fósseis e representam cerca de 80% de toda a energia gerada no planeta hoje.

Por outro lado, ainda é pequena a parcela de energia gerada por fontes renováveis, aquelas que são facilmente repostas, como a hidráulica, que depende das águas dos rios, a eólica, que precisa dos ventos; a solar, à qual basta a luz do sol, e a da biomassa moderna, que depende do plantio, colheita e processamento do material vegetal.

Fica claro que o homem terá de buscar as soluções principalmente nas fontes de energia renováveis.

 Observação: combustíveis fósseis

Ao longo do tempo, o ser humano desenvolveu novas fontes para gerar energia, a partir da evolução da tecnologia de cada época. Até o século 19, a maior parte da energia vinha da queima de lenha.

O avanço da industrialização levaria ao aumento no consumo de energia gerada por combustíveis fósseis, começando pelo carvão mineral e depois com o petróleo e o gás natural.

Hoje, o planeta faz uso de uma ampla diversidade de fontes, mas os combustíveis fósseis ainda fornecem a maior parte da energia - perto de 80% do total consumido pela humanidade.

Fonte: www.energiamaislimpa.com.br

comentários[1]

Você está aqui

Twitter

Assinar RSS

mais buscadas

2004-2011 Educação Adventista Todos os direitos reservados.