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*Ciências da Natureza*

14

mai
2013

Bactéria fecal de marido salva mulher de infecção fatal

Em 2008, uma paciente foi admitida em um hospital do Estado de Minnesota apresentando um quadro grave de diarreia. O médico que a atendeu, Alexander Khoruts, tratou a infecção com um coquetel de antibióticos, após ter identificado que o agente causador da doença era a bactéria Clostridium difficile. Mas nada funcionou. A paciente perdeu 27 quilos em oito meses.

A única solução aparente seria um transplante de intestino, algo complicado, já que não havia doadores disponíveis no curto prazo e a paciente poderia morrer rapidamente. Khorus então decidiu fazer algo aparentemente inusitado para leigos: obteve uma amostra de fezes do marido da paciente, misturou com uma solução salina e aplicou a mistura no intestino dela. A infecção por Clostridium difficile desapareceu em um dia e não voltou mais.

O resultado foi descrito mês passado por Khoruts, que trabalha na Universidade de Minnesota, no periódico "Journal of Clinical Gastroenterology". O procedimento que ele aplicou, conhecido como "terapia bacteriana" ou "transplante fecal", já foi realizado algumas vezes nas últimas décadas. Khoruts já realizou 15 transplantes, 13 dos quais curaram os pacientes.

Antes do transplante, uma amostra das bactérias presentes na paciente foi analisada. "As bactérias normais simplesmente não estavam lá", disse Khorus ao "New York Times". "O intestino foi colonizado por todo tipo de coisa." Duas semanas após o transplante, a flora intestinal foi novamente analisada. Desta vez, os micróbios do marido haviam tomado conta.

MICROBIOMAS

Cientistas estão tentando desvendar o papel desses "microbiomas" de micro-organismos vivendo dentro do corpo humano. Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA estão atualmente financiando um projeto de US$ 150 milhões que visa mapear geneticamente o genoma desses micro-organismos, obtidos em 18 partes diferentes do corpo humano de 300 voluntários.

Uma das tarefas dos micróbios é quebrar moléculas complexas de plantas. Micróbios no nariz produzem antibióticos que podem matar patógenos inalados. Para coexistir com o microbioma, o sistema imune precisa tolerar esses organismos; aparentemente, os próprios micróbios guiam o sistema imune para não atacá-los

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6

mai
2013

Menos pelos, menos parasitas, mais parceiros?

Pesquisadora brasileira contesta nova hipótese inglesa para evolução do Homo sapiens

(fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/arqueologia-e-paleontologia/menos-pelos-menos-parasitas-mais-parceiros)

 

Ao longo da evolução, o Homo sapiens perdeu pêlos para melhor regular sua temperatura em climas quentes. Isso é o que diz a Teoria de Wheeler, a tese mais aceita para explicar o advento dos 'macacos pelados' que somos. Ela não é a única, porém: dois britânicos sugerem que a perda de pêlos foi uma defesa natural contra moscas, piolhos, carrapatos e outros parasitas.

Os contestadores são Mark Pagel e Walter Bodmer, das Universidades de Reading e Oxford, respectivamente. Em estudo publicado em 8 de junho na revista Royal Society Biology Letters , eles alegam que a Teoria de Wheeler não explicaria a perda de pêlos em regiões mais frias. Eles refutam também a hipótese segundo a qual os hominídeos viveram em ambientes aquáticos há cerca de 8 milhões de anos e perderam os pêlos devido à sua ineficácia na manutenção da temperatura dentro d'água.

Os ingleses acreditam que a mudança teria ocorrido para evitar a presença de parasitas na pele que, revestida de pêlos, teria temperatura e umidade propícias para sua proliferação. Os cientistas afirmam que modificações culturais teriam precedido as biológicas: "Quando os homens foram capazes de construir abrigo, fazer fogo e roupas, eles começaram a perder seus pêlos". Esse fator teria sido inclusive um critério de seleção de parceiros ao longo da evolução: indivíduos com menos pêlos poderiam em tese gerar descendentes mais aptos para sobreviver.

Mas como explicar a conservação de pêlos no rosto, na cabeça e na região pubiana? A resposta estaria ligada à seleção sexual: nos dois primeiros casos, os cabelos representariam vantagens naturais na proteção contra o Sol; já os pêlos pubianos seriam responsáveis pela transmissão de feromônios sexuais -- substâncias químicas que atrairiam machos e fêmeas da mesma espécie.

No entanto, não há consenso entre os cientistas quanto à hipótese inglesa. "O estudo não traz cálculos ou dados realmente novos", aponta Lia Amaral, física da Universidade de São Paulo que já publicou trabalhos sobre termorregulação humana. "Trata-se de mais uma argumentação que ressuscita a idéia dos parasitas, considerada e descartada por Darwin, que alegou que outros animais nas mesmas condições não perderam pêlos."

Lia publicou em 1996 um estudo que propõe modificar a Teoria de Wheeler. A física argumenta que ela não seria válida para hominídeos se considerado apenas o ambiente externo, pois os pêlos são uma proteção para animais de sangue quente no frio e no calor. "Basta observar os primatas de savana, todos muito peludos, e habitantes dos desertos, que sempre andam cobertos para minimizar a absorção de calor." Problemas com a pele nua (cortes e queimaduras) foram também citados por Lia como provas de que as vantagens em relação a parasitas seriam menores do que as desvantagens implicadas na perda de pêlos.

A brasileira atribui o fenômeno à necessidade do homem de expelir calor interno em atividades físicas acentuadas. A mudança teria surgido junto com o bipedalismo, antes da entrada dos hominídeos nas savanas. "Lutas territoriais dentro da espécie teriam sido um primeiro passo para a perda dos pêlos", sugere. Os ancestrais dos homens teriam então adotado a postura ereta para melhor segurar seus filhotes, que não podiam mais se agarrar ao pêlo da mãe quando transportados, o que levava à morte de muitos.

É difícil encontrar evidências que permitam dizer por que surgiram certos traços evolutivos. "Se fossem conhecidos os genes responsáveis pela nudez, a análise do DNA de ossos fósseis poderia datar a perda dos pêlos na evolução", explica Lia. Conhecer quando ela ocorreu ajudaria a apontar a hipótese mais coerente e evitaria especulações.

 

A partir da leitura do texto, identifique:

1. Identifique diferentes teorias apresentadas por cientistas para responder à pergunta: por que o homo sapiens, ao longo da evolução da espécie, desenvolveu a característica de possuir menos pêlos ao longo do corpo do que os hominídeos dos quais é descendente?

2. Identifique os argumentos a favor e contrários a cada uma dessas teorias.

3. Apresente a explicação que seu grupo considera como sendo a mais consistente e explique as razões da escolha.

4. Compare as explicações apresentadas pelo artigo com as explicações dadas pelos grupos na aula anterior. Existe alguma diferença entre o tipo de explicações dadas? Qual ou quais são elas?

5. Por que os cientistas, apesar de estarem de acordo com a Teoria da Evolução e do mecanismo de seleção natural, têm ainda explicações diferentes sobre o problema? Como procedem para convencer uns aos outros e estabelecer um conhecimento consensual sobre temas como este?

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