Portal da Educao Adventista

*Ciências da Natureza*

26

mai
2011

Olimpíada de Ciências da Natureza

Vem aí!!!

 

 

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24

mai
2011

Água e vida... em Marte?

Roberta Jansen escreve para "O Globo":

A mais ambiciosa missão jamais realizada em solo marciano já contabiliza a geração de mais de 200 mil imagens, um total de 30 gigabaites de informação e uma certeza agora incontestável: houve água em abundância no passado de Marte e pode ter havido formas microbiológicas de vida.

O balanço dos quatro anos da missão dos robôs Spirit e Opportunity no planeta vermelho é bastante positivo.

A missão, lançada em janeiro de 2004, tinha como objetivo principal buscar evidências geológicas e climáticas da presença de água no planeta. Até então, havia uma discussão incessante sobre o tema, com diversos estudos contraditórios publicados.

Buscar comprovação da presença de água era apontado como o ponto de partida para estudar a existência de formas de vida.

Presença de água no subsolo ainda é mistério, a missão foi muito bem sucedida ao atestar, por meio da composição química das rochas encontradas e analisadas pelos robôs, que houve muita água em estado líquido no passado do planeta.

%u2014 Marte teve vários tipos de água: sistemas hidrotermais, gêisers, oceanos.

%u2014 Tivemos água aparecendo com uma diversidade muito interessante, como acontece na Terra.

Uma outra certeza obtida com os dados enviados pelos robôs é que, hoje, não há água em estado líquido na superfície do planeta. Há fortes indícios de que existe gelo nos pólos e a missão Phoenix está a caminho com o objetivo de testar essa hipótese.

Missões anteriores já atestavam a presença, em Marte, de outros nutrientes que sustentam a vida, como nitrogênio, fósforo, carbono e energia, tanto a do Sol quanto a proveniente de processos térmicos. O que faltava na equação era a água.

Mas que ninguém espere por homenzinhos esverdeados. O consenso hoje na comunidade científica é que, se houve vida no planeta vermelho, ela ocorreu na forma microbiológica, como vírus e bactérias. Uma informação chave nessa equação da qual os especialistas ainda não dispõem é saber por quanto tempo houve água em Marte. Esse dado é crucial para que se possa inferir que tipo de vida teria tido tempo de existir.

A primeira missão a pousar em Marte foi a Viking, em 1976. Na época, foram obtidas análises de rochas e gases. Mas como não havia a possibilidade de deslocamento pelo solo, a nave ficou restrita ao seu local de pouso. Mais de dez anos depois, em 1997, a Pathfinder avançou em relação à primeira missão, percorrendo 104 metros.

Quase nada se comparado aos 12 quilômetros já percorridos pelo Opportunity e os 7,5 avançados pelo Spirit.

Além disso, os robôs estão em áreas opostas do planeta, separados por 4 mil quilômetros de distância, o que dá uma diversidade maior aos dados enviados. Ao todo, os robozinhos já trabalharam o equivalente a 1.400 dias marcianos (o dia em Marte é um pouco mais longo que o da Terra, com 24 horas e 40 minutos) e devem trabalhar ainda por um tempo indefinido.

Inicialmente programada para durar apenas três meses, a missão se estenderá enquanto houver verbas e os robôs se mantiverem em funcionamento.
(O Globo, 24/1)

1- Por que a existência de água líquida é fundamental para os seres vivos?

2- A energia do sol é também fundamental para a existência da vida na Terra. Explique o porquê, nomeando o processo que utiliza essa energia e que tipos de organismos são capazes de realizá-lo.

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23

mai
2011

Inscrições do ENEM

olá pessoal,

estão abertas as inscrições para o ENEM, somente pela internet: http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricao/

 

Novidade:

A UNICAMP irá aceitar a nota do ENEM neste ano.

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22

mai
2011

Educação de verdade já!

Verdade pura... em todo o Brasil!!!

Participem da campanha #DezPorCentoDoPIBjá!!! por uma educação de verdade neste país.

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20

mai
2011

Evolução, e agora?

(por Isabel Rebelo Roque)

(...) costumamos ler que, segundo Lamarck, os ancestrais das girafas possuiriam pescoço curto. A necessidade de alcançar as folhas das árvores, principalmente em épocas de escassez de alimento, quando só restavam as folhas mais altas, teria provocado o constante exercício de esticar o pescoço. A característica "pescoço alongado" seria, então, transmitida à descendência. O resultado, após milhares de anos de uso intensivo do pescoço e transmissão da característica à prole, teria sido o que vemos hoje: que as girafas possuem pescoço longo e musculoso.

Em geral, nos livros, é apresentado o contraponto darwiniano a essa explicação: espécimes diferentes nasceriam com comprimentos de pescoço ligeiramente diferentes (variabilidade). Os indivíduos "privilegiados" nesse quesito apresentariam vantagem sobre os demais na hora de alcançar as folhas mais altas. Em épocas de escassez, essa diferença seria decisiva para definir quem sobreviveria e quem não (seleção natural). Os sobreviventes, com a característica "pescoço mais longo" ("de nascença"), conseguiriam transmiti-la à prole.

Belo e didático exemplo, não? Sim. Seria perfeito, não fossem alguns senões. O primeiro deles é que Lamarck jamais deu a esse exemplo o destaque que ele tem recebido há quase duzentos anos.

Tentando achar o fio da meada

O estranho caminho seguido pelo exemplo da elongação do pescoço da girafa -- de um mero parágrafo escrito por Lamarck, até sua transformação em "carro-chefe" da teoria lamarckista -- é examinado em detalhe em um ensaio assinado pelo paleontologista e divulgador científico Stephen Jay Gould, morto recentemente. O ensaio, intitulado "The tallest tale" (uma alusão à expressão "tall tale", história cujos detalhes são difíceis de engolir), foi publicado originalmente na Natural History Magazine, em 1996.

Em seu texto, permeado do humor sarcástico que o caracteriza, Gould tenta retomar o fio da meada. Observa que, na Philosophie zoologique, Lamarck ocupa-se das girafas somente em um parágrafo, dentro de um capítulo em que figuram muitos outros exemplos a que ele possivelmente atribuiu maior importância.

Quanto a Darwin, em sua primeira edição da Origem das espécies (1859) nem faz qualquer referência ao pescoço da girafa, mas sim, em outro contexto, à sua cauda!

Gould especula que o exemplo do pescoço da girafa teria assumido importância na literatura científica graças a St George Mivart, que, em 1871, publicou uma crítica ao darwinismo: The genesis of species, usou esse exemplo em sua argumentação (...)

Na verdade, a importância do tamanho e da robustez do pescoço da girafa não se resume a alcançar ou não as folhas mais altas. Entre os machos, por exemplo, o pescoço é uma importante "arma" usada para garantir a dominação e também a preferência das fêmeas, por meio de verdadeiros duelos nos quais às vezes o perdedor acaba perdendo também a vida.

As girafas têm ainda no comprimento do pescoço uma verdadeira "torre de observação", com a qual podem manter controle sobre a aproximação de predadores, por exemplo. Por si só, esses dois usos do pescoço já constituem, segundo os cientistas, fatores bastante relevantes para a importância de seu comprimento. (...)

 Mais lenha na fogueira

No mesmo ano em que Gould publicou seu artigo (1996), os zoólogos Robert Simmons e Lue Scheepers publicaram, na American Naturalist, o artigo "Winning by a neck: sexual selection in the evolution of giraffe" ("Vencendo por um pescoço: seleção sexual na evolução da girafa"). Nele, a dupla põe mais lenha na fogueira ao afirmar que, durante a estação seca, as girafas alimentam-se dos arbustos, e que é na estação de chuvas que elas se voltam para o alto das acácias, situação em que nenhuma competição é esperada.

Outro aspecto observado por Simmons e Scheepers é que as fêmeas passam metade de seu tempo alimentando-se com o pescoço em posição horizontal (comportamento tão típico que é útil para identificar o sexo do animal à distância). Além disso tudo, ambos os sexos alimentam-se mais frequentemente com o pescoço curvado para baixo. Tudo isso, segundo eles, sugere que o tamanho do pescoço não teria evoluído especificamente em decorrência da busca de alimento em locais mais elevados.

(...)

O caso das "ex-mariposas": desmontando outro exemplo clássico

Em agosto foi lançado nos Estados Unidos o livro Of moths and men, escrito pela jornalista Judith Hooper e já lançado na Inglaterra há alguns meses. Sobre ele, o editor de ciência Nicholas Wade escreveu a resenha "Staple of evolutionary teaching may not be textbook case", na edição de 18 de junho de 2002 do jornal The New York Times.

A publicação do livro de Hooper lança luz sobre um assunto que vinha se mantendo restrito a um determinado círculo: o dos que defendem as idéias criacionistas ou intervencionistas - mais modernamente, os teóricos do "design inteligente".

Nas aulas de ciências e biologia, aprendemos que, por meio de um processo denominado "melanismo industrial", populações de mariposas do gênero Biston, encontradas na região de Manchester, na Inglaterra, sofreram alteração em seu padrão de cor.

Isso teria acontecido mais ou menos assim: antes da Revolução Industrial, os troncos das árvores das florestas habitadas pelas mariposas Biston possuíam grande quantidade de liquens (associação entre algas e fungos), que lhes conferiam cor esbranquiçada. O padrão de cor predominante nas populações dessas mariposas, na época, era claro, e elas facilmente se camuflariam, isto é, se confundiriam com a cor dos liquens, ao repousar sobre os troncos. A camuflagem é um importante recurso de sobrevivência em certas espécies: confundindo-se com o ambiente, o risco de ser visto pelo predador diminui.

Com o advento das indústrias, a partir de 1850, o ar, carregado de fuligem e outros poluentes, provocou a morte dos liquens e o escurecimento dos troncos. Como resultado, teria havido uma inversão na vantagem exibida pela cor clara das mariposas: ao repousar sobre troncos escurecidos, elas passariam a ser facilmente visíveis para o predador (nesse caso, determinados pássaros). Com isso, a variedade melânica, isto é, de cor escura, existente em menor número naquelas populações, teria passado a predominar graças à capacidade de passar despercebida ao predador, de se camuflar nos troncos escurecidos.

A partir de 1950, com a criação de leis de controle ambiental à emissão de poluentes, esse padrão novamente se inverteu: troncos com novas populações de liquens, portanto mais claros, passaram a esconder melhor exemplares de mariposas com o padrão de cor clara.

A esse exemplo de melanismo industrial, os livros didáticos costumam acrescentar a descrição de uma série de experimentos realizados pelo biólogo Bernard Kettlewell, da Universidade de Oxford, na década de 1950. Muitas vezes, os livros apresentam fotos com o registro dos experimentos - ou então fotos produzidas com o fim de reproduzir esse registro. Tais fotos mostram exemplares claros e escuros de mariposas Biston repousando sobre troncos de árvores.

O que não se relata nos livros é que, em seus experimentos, Kettlewell coletou exemplares de mariposas com os dois padrões de cor e os liberou em ambientes controlados que apresentavam troncos também com diferentes colorações. Ao recapturar os exemplares sobreviventes, ele teria constatado o que já se esperava: o índice de sobrevivência era diretamente relacionado ao padrão de cor dos troncos.

 

Algo de podre

Tudo estaria perfeito, não fossem, como no caso das girafas, alguns senões. O primeiro deles foi a descoberta de que os experimentos de Kettlewell não transcorreram exatamente daquele modo: houve um certo "empurrãozinho", pois as mariposas não estariam vivas, mas teriam sido coladas aos troncos das árvores. O segundo é que o comportamento das mariposas Biston na natureza não se encaixa tão perfeitamente no modelo descrito. O terceiro é que a relação predomínio de uma cor/grau de poluição ambiental não se manteve como o esperado.

O livro de Hooper não é o primeiro a "devassar" o caso Kettlewell. Há quatro anos foi publicado o livro Melanism: evolution in action, de Michael Majerus, que tratava desse assunto, entre outros. Quem assinou uma resenha sobre ele, intitulada "Not black and white" e publicada na Nature, foi Jerry Coyne, do Departamento de Ecologia e Evolução da Universidade de Chicago. Nela, Coyne compara a decepção diante da verdade sobre os experimentos de Kettlewell ao que sentiu quando criança ao saber que Papai Noel não existia...

Coyne comenta que o livro de Majerus é o primeiro a reunir os pontos criticáveis nos experimentos de Kettlewell. O mais grave deles é que as mariposas Biston, em condições naturais, provavelmente não repousam sobre troncos de árvores - em mais de quarenta anos de estudos sobre seus hábitos, somente duas delas foram vistas fazendo isso. O local de preferência continua um mistério, mas acredita-se que seria o alto das copas das árvores.

Só isso, afirma Coyne, bastaria para invalidar os experimentos de Kettlewell, uma vez que as mariposas, colocadas sobre os troncos, tornar-se-iam altamente visíveis a seus predadores, numa condição artificial que forçaria sua predação. Além disso, Kettlewell expôs suas mariposas durante o dia, quando elas geralmente escolhem locais de repouso à noite.

Mas há ainda um fator para comprometer toda a história: na verdade, o novo aumento na ocorrência da variedade clara aconteceu bem antes da recolonização dos troncos pelos liquens, condição que pretensamente favoreceria a camuflagem da variedade no ambiente. E mais: um crescimento e decréscimo da população da forma melânica, isto é, escura, também se deu paralelamente em áreas industriais dos Estados Unidos, onde, entretanto, não houve alteração na incidência de liquens -- o que relativiza bastante o papel destes últimos na história toda.

(...)

Descartar ou não o exemplo?

(...) Em contraste com Jerry Coyne, para quem os detalhes contraditórios de tudo o que envolve a história das mariposas Biston inviabilizam sua utilização pedagógica, Rudge pondera que ela constitui um excelente veículo para introduzir os estudantes no conceito de seleção natural. Ele complementa que expor aos estudantes as discrepâncias envolvidas no assunto poderá ser uma excelente forma de sensibilizá-los para a natureza da ciência como processo.

(fonte: http://www.lainsignia.org/2002/septiembre/cyt_001.htm)

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19

mai
2011

Sou musgo sim!!!

Olha o musgo aí!!!

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18

mai
2011

Inscrições para o ENEM 2011

O Inep divulgou as datas de inscrição para o exame deste ano: de 23 de maio, a partir de 10h até dia 10 de junho, às 23h59. As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet.

As inscrições vão custar R$ 35. E, assim como nas outras edições, haverá isenção do pagamento da tarifa para alunos que terminam o ensino médio em rede pública.

As provas deste ano serão nos dias 22 e 23 de outubro.

Algumas regras seguem as mesmas no Enem 2011: estão proibidos o uso de lápis e borracha na prova e os inscritos não poderão portar relógio e celular.

Novidade para o Enem 2012

Também foi divulgado o final de semana em que será realizada a primeira prova do Enem em 2012 - dias 28 e 29 de abril. Segundo o instituto haverá pelo menos duas edições do Enem em 2012.

Depois dos problemas das últimas edições, a presidente do Inep disse acreditar que haverá mais segurança nesta edição como resultado da parceria do instituto com a empresa Módulo para atuar na gestão de risco e com o Inmetro para certificar os trabalhos de impressão da gráfica, que será a mesma.

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17

mai
2011

Cansei de poluição

Acessem o Blog Cansei de Poluição:

http://canseidepoluicao.wordpress.com/

tem muita coisa boa.

 

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16

mai
2011

Lições do passado

Esta carta foi enviada em 1854 ao presidente dos Estados Unidos. Na ocasião, o presidente queria comprar as terras de uma tribo indígena. A carta alerta para problemas atuais, seus ensinamentos são válidos até hoje.

A carta do chefe indígena

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem -todos pertencem à mesma família.

Por isso, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas, que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.

E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro -o animal, a árvore, o homem compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la, é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa, impregnados pelo cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo? Desapareceu.

Onde está a águia? Desapareceu

É o final da vida e o início da sobrevivência.

 

Tarefa: O que você acha que a carta tem para nos ensinar ainda hoje?

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16

mai
2011

Atualidades

Brasil: Energia múltipla

Temos a matriz mais equilibrada entre as grandes nações e muitas vias para expandir nossa geração, com energia hidrelétrica, petróleo e biomassa
Por Paulo Montóia

No ano passado, 45,8% da energia usada pelos brasileiros veio de fontes renováveis, como a água corrente e a cana-de-açúcar, e o restante, de fontes não renováveis, principalmente petróleo e gás natural. É a matriz mais equilibrada entre as nações mais populosas ou ricas do planeta. A média mundial de uso de energias renováveis é de 12,7%; essa média cai para 6,2% entre os 30 países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que inclui os Estados Unidos e as mais ricas nações do globo.

Outro componente invejável de nossa matriz é que o país, recentemente, equilibrou sua produção e seus gastos de petróleo e continua avançando nessa autonomia. Neste momento, também consegue ampliar de forma significativa o uso de fontes renováveis de energia. Em 2007, pela primeira vez, a cana-de-açúcar ocupou a segunda posição como material mais utilizado para produzir energia (etanol) em nossa matriz, suplantando a água - ou seja, a energia hidrelétrica, gerada pela força dos rios e das águas represadas. Mas, apesar de a água e a cana serem consideradas recursos renováveis e de o governo estar investindo na produção de energia eólica e em outras fontes renováveis, o Ministério de Minas e Energia prevê que a participação das energias renováveis na matriz até 2030 pode até diminuir em vez de aumentar, o que mostra o tamanho de nossos atuais desafios energéticos.

DESAFIO CRESCENTE
Quando se observa o histórico de energia no Brasil, é de destacar que, não por acaso, o país foi batizado a partir do nome do famoso pau-brasil e que, como numa premonição histórica, esse nome deriva da palavra brasa (alusão à coloração avermelhada da madeira). Somos ricos em recursos renováveis de energia, e, por isso mesmo, a queima de lenha, a opção de energia mais simples e acessível ao ser humano, foi a que mais persistiu no tempo. Ainda recentemente a queima de madeira era um recurso energético importante na matriz brasileira.

Para ter uma idéia dos desafios à frente: o Brasil possui a quarta maior população mundial, mas o consumo energético em 2007 foi de apenas 1,29 tep por habitante ao ano, enquanto a média mundial é de 1,7 tep/hab. ao ano, e a média dos países ricos é de 4,7 tep/hab. Ainda temos de ampliar muito a nossa oferta de energia.

Segundo previsão oficial deste ano, nossa população poderá chegar a 2030 sendo cerca de 40% a mais do que no Censo de 2000. É preciso, portanto, gerar energia para esse crescimento de uso, além de buscar cobrir a defasagem de consumo médio por habitante que nos separa do mundo desenvolvido. No cenário mais provável para o estudo acima, o consumo brasileiro per capita deve subir para 2,33
tep/hab em 2030.

Veja este histórico destacado pelo Ministério de Minas e Energia: "Entre 1940 e 1950, para uma população de cerca de 41 milhões de habitantes, dos quais 69% se concentravam no meio rural, o consumo brasileiro de energia primária era de apenas 15 milhões de tep. Trinta anos depois, em 1970, para uma população de mais de 93 milhões de habitantes, o consumo de energia primária já se aproximava de 70 milhões de tep, valor 4,7 vezes maior. Mais 30 anos, em 2000, a população era quase o dobro, ultrapassando 170 milhões de habitantes, e o consumo de energia se elevava a cerca de 190 milhões de tep, ou seja, um crescimento de quase três vezes."

A EVOLUÇÃO DA MATRIZ
A primeira usina termelétrica para iluminação pública foi inaugurada em 1883, por dom Pedro II. Mas a antiga matriz de energia do Brasil é marcada principalmente pela queima de lenha, que até o início da década de 1940 gerava nada menos que 80% da energia nacional. Nessa época, o país começou a
desenvolver sua estrutura para a indústria de base, com a inauguração, em 1942, da Companhia Vale do Rio Doce (para extrair minério de ferro e também o carvão mineral), e, após uma crise de abastecimento elétrico, a criação do sistema Eletrobrás e das primeiras represas hidrelétricas de grande porte, como a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, no Nordeste, em 1945. Na década de
1950 é fundada a Petrobras.

Daí para a frente, aumentar a geração de hidreletricidade tornou-se prioridade, e o governo passou a construir represas grandes e gigantes, como as de Furnas, em Minas Gerais (1965), Itaipu, na fronteira do Paraná com o Paraguai (1982), e Tucuruí, no Pará (1984). Na década de 1970, no período chamado de "milagre econômico", as cidades do país crescem e a eletricidade passa a ter consumo cada vez maior e mais significativo na matriz energética.

Atualmente, o principal potencial hidráulico do Brasil ainda pouco explorado está na Região Norte, onde os desafios ambientais são os maiores já enfrentados. Um exemplo é a usina de Balbina, no Amazonas, considerada um desastre por ambientalistas. A represa alagou milhares de quilômetros quadrados de floresta, expulsou comunidades e grupos ribeirinhos e afetou as populações de espécies
vegetais e animais. A vazão de água, porém, é pequena, a usina gera pouca energia, mas a emissão de
dióxido de carbono (CO2) e de metano (CH4) para a atmosfera, produzidos pela floresta submersa e em decomposição, é dez vezes maior do que a de uma usina termelétrica com a mesma capacidade. O governo, porém, não vê outra via para enfrentar o crescimento do consumo elétrico e encaminha a construção de duas usinas no rio Madeira, Santo Antônio e Girau, em Rondônia. Na bacia dos rios
Araguaia e Tocantins, o governo discute a construção de 18 barragens, das quais uma está em andamento, a da usina de Estreito, na divisa do Tocantins e do Maranhão.

Na década de 1990, o governo decidiu ampliar o uso do gás natural, seguindo uma tendência adotada mundialmente. Em 1991 iniciou as discussões com a Bolívia para a construção do gasoduto Brasil-Bolívia. Com 3.150 quilômetros de extensão, é um dos maiores do planeta, entrou em operação por trechos, a partir de 1999, e é o principal marco do aumento do uso de gás natural no país. Seu fornecimento se tornou ainda mais importante após o colapso do abastecimento elétrico em 2001 (o
"apagão"). Por causa do nível baixo de água nas represas, o governo federal determinou cotas de consumo de eletricidade e encareceu as tarifas, para reduzir a demanda e indenizar as maiores companhias da área.

A crise do "apagão" serviu para que o governo federal acordasse para a necessidade de maior segurança no sistema e montasse o Programa Prioritário de Termeletricidade. Ele defi niu e iniciou a construção de cerca de 50 usinas termelétricas, movidas a óleo cru, diesel e gás natural, principalmente ao redor das grandes metrópoles. Essas usinas são acionadas, sobretudo, no início da noite, quando há picos de consumo de eletricidade. Neste início de século, o Brasil está diversificando mais suas fontes de energia, para utilizar biomassa na geração de eletricidade e de biodiesel, bem como energia eólica e solar.

ÁLCOOL VERSUS GASOLINA
Pouco depois do primeiro choque de preços do petróleo, em 1973, o governo federal iniciou dois programas ambiciosos de mudanças na matriz de energia: o Programa Nacional do Álcool (PróÁlcool), que se mostrou estratégico para substituir a gasolina em transportes, e o Programa Nacional do Carvão
(Pró-Carvão), para substituir na indústria a queima de óleo combustível pela de carvão mineral. Esses programas visavam a evitar que os preços dos combustíveis fósseis, com fornecimento dependente do Oriente Médio, alimentassem a inflação, além de reduzir as importações.

No Pró-Álcool, o governo promoveu e financiou a construção de usinas de álcool. Durante a década de 1980, cresceu a produção de álcool hidratado, que troca a gasolina diretamente no tanque do veículo, e também a de álcool anidro (puro), adicionado à gasolina para fazê-la render mais em volume, com o benefício de reduzir a emissão de poluentes. A fabricação de automóveis e caminhões movidos a álcool começou em 1979 e chegou ao apogeu nos anos de 1983 a 1988, quando as vendas dos novos veículos a álcool eram mais de 100% superiores às dos veículos a gasolina. Nesse período, o consumo anual de álcool chegou ao ápice de 8 milhões de metros cúbicos ao ano, contra 10 milhões gasolina. No fim da década, houve crise de desabastecimento nos postos, e o governo se viu forçado a importar metanol.

Mas, a partir de 1989, a industrialização e as vendas declinaram. Apesar da alta momentânea nas cotações do petróleo em razão da Guerra do Golfo, em 1991, houve estabilização do preço em patamares baixos durante a década de 1990. Assim, o álcool deixou de ter preço atraente para o bolso do consumidor. Ao mesmo tempo, o açúcar passou a ter preço elevado no mercado externo, tornando mais rentável às usinas utilizar sua cana para produzir açúcar para exportação do que o álcool combustível. No fim da década, o governo terminou por deixar o setor funcionar pelas regras de oferta e procura do mercado. Com isso, o Pró-Álcool acabou morrendo. A produção de veículos a álcool quase acabou, mas não chegou a parar totalmente. Acontece que a estabilização econômica iniciada a partir do Plano Real (1994) provocou aos poucos um crescimento na fabricação e na venda de veículos, com forte impacto no trânsito das grandes cidades e na matriz de energia brasileira. Com a alta no preço do petróleo, nos anos 2000, e o início de produção e vendas de carros com motores flexfuel em 2003, o álcool combustível voltou a ser consumido em grande escala nos postos e ganhou novo peso no setor de transportes.

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), as vendas de carros flex, em apenas quatro anos, atingiram 69% do total de veículos comercializados. Elas subiram de 49.264 no primeiro ano para 1.936.853 em 2007, contra 767.446 automóveis a gasolina nesse mesmo ano. Os motores flex podem funcionar com álcool ou gasolina separadamente ou juntos, com qualquer
quantidade de mistura. Caso falte um tipo de combustível, o outro pode ser usado, o que dá enorme segurança ao consumidor. O impacto dessa mudança recente foi - e deve continuar assim - grande na matriz energética brasileira.

PARA ALÉM DO ÁLCOOL
Com o crescimento da frota e do consumo de álcool, a demanda pelo combustível fora dos picos de safra - quando há mais oferta de cana - faz aumentar o preço e eleva o índice de inflação, o que levou o governo federal a voltar a acompanhar o setor. O governo atua por meio de ações do Ministério de Minas e Energia, de financiamentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da empresa federal Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), entre outras
instâncias.

Como o interesse por programas e fontes renováveis de energia é mundial, o setor sucroalcooleiro do Brasil passou a atrair investidores privados de dentro e de fora do país. A Petrobras e grandes fundos de pensão associaram-se a empreendimentos de construção de usinas de álcool. O governo federal, por sua vez, passou a ver o etanol como um produto com potencial exportador em crescimento.

Segundo dados da União dos Produtores de Bioenergia, na safra 2005-2006 havia no Brasil 347 usinas de álcool. Para o período de 2010-2011, espera-se contar com 73 novas usinas, com mais 31 vindo a seguir. É um crescimento de 30% num prazo de meia década: um número muito significativo, se observarmos que todos os números a respeito de crescimento da indústria e da infra-estrutura em qualquer país, em prazos tão pequenos, costumam ser, frequentemente, abaixo de 5%.

PLANEJAMENTO É ESSENCIAL
Em relação à energia, é preciso sempre planejar com muita antecedência para não comprometer o futuro. Um dos fatores importantes é equilibrar as fontes de energia disponíveis com seu uso crescente, e quanto a isso o Brasil tem dois buracos históricos: o consumo de óleo diesel e o do gás liquefeito de petróleo (GLP), vendido em botijão. Isso ocorre porque o consumo desses dois combustíveis é maior do que o petróleo que extraímos é capaz de produzir, mesmo o país tendo atingido em 2006 a auto-suficiência em petróleo.

Para entender isso, é importante saber que o processo de refino, também conhecido como craqueamento, consiste em aquecer o óleo bruto para produzir seus derivados. Conforme a qualidade do petróleo extraído, mais grosso ou mais fino, e a temperatura escolhida em cada etapa, é possível obter um ou mais produtos. Não dá para transformar um barril de petróleo inteiro em óleo diesel ou
gasolina, por exemplo. E, quando você prioriza certo derivado, e produz uma quantidade maior dele, isso afeta a quantidade dos outros derivados extraídos do refino.

Como mais de 50% de todo o combustível de transporte usado no país é o oleo diesel, principalmente em caminhões e ônibus, a Petrobras prioriza sua produção. Essa estratégia resulta, também, numa produção excedente de gasolina, que a empresa exporta, gerando um saldo que ajuda a pagar as importações. Para cobrir o buraco de GLP, além de importações feitas pela Petrobras, o governo decidiu aumentar a oferta de gás natural, uma estratégia adotada internacionalmente.

AUTO-SUFICIÊNCIA
Como você já deve ter observado, cada nação necessita de determinada quantidade de petróleo diariamente, e, quando consegue produzi-la, diz-se que o país se tornou auto-suficiente em petróleo. O Brasil anunciou oficialmente sua auto-suficiência na produção de petróleo em 21 de abril de 2006, em cerimônia no Rio de Janeiro.

Isso não significa que não importamos mais petróleo ou derivados, pois, como já foi dito, a produção é complexa e envolve vários fatores. Um é que as necessidades de quantidade de cada derivado mudam conforme os segmentos que os usam. E a Petrobras produz e comercializa 80 produtos de petróleo. Se há um crescimento intenso do setor de aviação, será preciso mais querosene para os aviões; mas, se o crescimento for no setor de tecidos ou de petroquímicos, a demanda será por mais nafta, e assim por diante. Se o volume produzido internamente de cada combustível não for suficiente, a Petrobras o importa. O resultado é que a auto-suficiência é medida basicamente pelo aspecto contábil, que aparece na balança comercial do país: se o Brasil importar petróleo, suas exportações na área terão de ser maiores, para não haver déficit.

Outro fator importante é a capacidade de refino, pois, quando o país não tem o número de refinarias necessário para processar o petróleo que extrai, também é preciso exportar e importar. A Petrobras concentra 98% do refino brasileiro e possui 11 refinarias dentro do país e mais cinco no exterior. O governo planeja construir outras três até 2030, das quais estão definidas uma no Nordeste e outra no Rio de Janeiro. Além disso, haverá investimento para ampliar a capacidade de refino das usinas já existentes.

Em junho passado, o petróleo chegou a ser negociado a 147 dólares o barril. Nesse cenário grave, repercutiu mundialmente o anúncio da descoberta de grandes jazidas de petróleo e gás na bacia de Santos. Em 2003, a Petrobras havia confirmado a jazida gigante de gás natural em Santos, batizada de Mexilhão. Em 2007 revelou a megajazida de Tupi, que pode conter cerca de 8 bilhões de barris de petróleo, ou até bem mais.

A jazida de Tupi está localizada em rochas permeáveis abaixo de uma camada de sal de até 2 quilômetros de espessura, sob o leito do oceano Atlântico, numa profundidade total de até 7 mil metros. Se o volume for confirmado e explorável, vai se somar ao total de reservas atuais, que é de 12 bilhões de barris. Até junho, a Petrobras informava ter perfurado 16 poços nessa jazida, dos quais nove foram testados e revelaram óleo leve e de boa qualidade.

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15

mai
2011

E ainda nos achamos superiores

O massacre de nove gorilas no Congo expõe os riscos de extinção da espécie Denise Dweck (fonte: Revista Veja - 29/08/2007)

O Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, é o principal santuário dos gorilas-das-montanhas na África. Lá vive metade dos 700 animais da espécie que restam no mundo. Assim como os gorilas das planícies, mais numerosos, eles vêm sendo eliminados sistematicamente por
caçadores e pela destruição de seu habitat.

Os gorilas são hoje uma das 7.700 espécies de animais do planeta ameaçadas de extinção. Por esse motivo, causou choque e revolta a execução sumária de nove gorilas do Parque de Virunga nos últimos sete meses.

Os animais não foram mortos por caçadores profissionais, já que os corpos foram abandonados na selva, alguns deles parcialmente queimados. Além disso, foram encontrados junto a eles, vivos, dois gorilas bebês, que valeriam 10.000 dólares no mercado negro de animais selvagens.

Os guardas do parque logo elucidaram a charada: os matadores foram capangas dos madeireiros e carvoeiros da região, impedidos de entrar na reserva para derrubar árvores e afeitos a barbáries desse tipo como forma de retaliação e intimidação.

"O primeiro passo para proteger os gorilas-das-montanhas do Congo é colocar mais guardas nas reservas e demitir os guardas corruptos, aliciados pelos exploradores em troca de propina", disse a VEJA o paleontólogo queniano Richard Leakey, presidente do programa africano de conservação ambiental Wildlife Direct.

A matança dos gorilas de Virunga não é um episódio isolado. Nos últimos dez anos, a eliminação de animais selvagens na África e na Ásia, por ação do homem, conheceu uma escalada sem precedentes na história recente.

Em grande parte, ela se deve a um ciclo perverso que começa com a multiplicação de madeireiras, mineradoras e carvoarias instaladas nas florestas. A atividade extrativista reduz o habitat de muitas espécies - e essa não é a única ameaça que ela representa.

O primeiro passo das empresas, ao ganharem concessões para explorar os negócios de mineração e madeira, é rasgar estradas para escoar sua produção. As estradas servem também para que os caçadores penetrem cada vez mais fundo na selva em busca de suas presas. "Praticamente todas as florestas tropicais da África e da Ásia são hoje cortadas por estradas", aponta a bióloga Elizabeth Bennett, da Wildlife Conservation Society.

Os caçadores se multiplicam e se tornam mais ousados porque a caça de animais selvagens nunca foi um negócio tão lucrativo. A demanda por pele, dentes, presas e até pela carne dos animais da floresta é cada vez maior.

Na Inglaterra, no ano passado, funcionários da alfândega apreenderam 163.000 produtos e objetos feitos com partes de animais selvagens, muitos deles ameaçados de extinção. O maior volume de apreensões foi de remédios da medicina oriental.

O uso de tecidos, órgãos e glândulas de animais na medicina, a opoterapia, é um costume arraigado na cultura da China há muito tempo. Os chineses atribuem aos ossos do tigre poderes antiinflamatórios e aos testículos, propriedades afrodisíacas. Um tigre morto e dividido em pedaços pode render até 50.000 dólares. Os animais selvagens também vão parar na mesa das populações pobres da África. Para muita gente, sua carne constitui a única forma de adicionar proteínas à dieta.

A experiência mostra que as ações de proteção aos animais e os parques de preservação são eficazes para evitar a extinção das espécies. As baleias jubarte, que costumam aparecer na costa brasileira, quase foram extintas nos anos 60.

A pesca fez sua população cair de 200.000 para 15.000 animais. Com a ação de grupos de proteção, hoje já existem 35.000 baleias jubarte nos oceanos. No sul da África, a população de rinocerontes-brancos, que há um século era de apenas cinquenta, está em 11.000, graças à criação de parques nacionais e ao remanejamento de animais.

A preservação de espécies não é tarefa fácil. Cada uma exige um projeto especial, dependendo de suas características e das ameaças sofridas. Em vários países africanos, especialmente no Quênia, a opção para evitar a extinção de animais foi investir no turismo, transformando os safáris de caça em safáris fotográficos. Assim, as populações locais e estrangeiras se conscientizam da necessidade de manter os animais vivos.

O mesmo foi feito no Parque Nacional de Virunga, onde os turistas pagam 500 dólares para passar uma hora ao lado dos gorilas e fotografá-los. Mesmo assim, os animais do parque congolês continuam a sofrer as investidas dos caçadores e, como se viu após o massacre de nove gorilas, dos capangas dos donos de madeireiras.

FAMÍLIAS QUE ENCOLHERAM

Há hoje 7.700 espécies de animais ameaçadas de extinção, entre elas¿1.090 de mamíferos. Além dos gorilas, estes são os casos mais dramáticos:

Tigre
Onde vive: leste e sudeste da Ásia
Situação: há 100 anos, eram 100.000 animais. Hoje, são 6.000. Três das nove subespécies já estão extintas
Por que a espécie está sumindo: caça para alimentar o comércio ilegal de pele, ossos e órgãos para fabricação de remédios da medicina oriental. Além disso, apenas nos últimos dez anos o habitat dos tigres foi reduzido em 40%

Hipopótamo-pigmeu
Onde vive: Libéria, Serra Leoa, Guiné e Costa do Marfim
Situação: há hoje menos de 3.000 animais da espécie
Por que a espécie está sumindo: redução do habitat e caça

Hipopótamo
Onde vive: África
Situação: desde 1994, o número de exemplares caiu de 160.000 para 125.000. Apenas na República Democrática do Congo a população de hipopótamos passou de 30.000 para 1.500 animais
Por que a espécie está sumindo: caça para venda da carne e para extração dos dentes, usados em jóias

Orangotango
Onde vive: Sudeste Asiático
Situação: em 100 anos, a população foi reduzida em 91%. Hoje, há 30.000 espécimes
Por que a espécie está sumindo: os orangotangos são caçados e vendidos como alimento ou como animais de estimação. Além disso, nos últimos vinte anos cerca de 80% de seu habitat foi destruído

Rinoceronte-negro
Onde vive: África do Sul, Namíbia, Quênia e Zimbábue
Situação: de 1970 até 1994, o número de animais caiu de 60.000 para 2.550. Nos últimos anos, um esforço de conservação permitiu o aumento da população para 3.600 animais
Por que a espécie está sumindo: caça-se o rinoceronte-negro para retirar os chifres, usados na China para fazer remédios e em artesanato

Elefante africano
Onde vive: África
Situação: em sessenta anos, a população foi reduzida de 5 milhões de animais para 700.000
Por que a espécie está sumindo: os elefantes são mortos para que as presas de marfim sejam retiradas

Gorila-das-montanhas
Onde vive: Congo, Ruanda e Uganda
Situação: hoje, há apenas 700 exemplares
Por que a espécie está sumindo: durante a guerra civil em Ruanda, entre 1990 e 1994, os parques nacionais ficaram sem policiamento e a caça desenfreada reduziu o número de gorilas da região em 30%. Aproveitando-se da fiscalização deficiente e corrupta, caçadores continuam a abater os gorila

 

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15

mai
2011

Atualidades

Líquido precioso - Planeta Sustentável

A poluição e o mau uso de mananciais ampliam a escassez hídrica e fazem do acesso à água potável um foco de tensão em diversas partes do globo.
Por Sérgio Adeodato (fonte: Planeta Sustentável)

Estima-se que a principal disputa no planeta nos próximos 50 anos não será por petróleo, ouro ou carvão - mas por água. O alerta consta do relatório divulgado pela ONU no Dia Mundial da Água. Dentro de um cenário de crise, aumenta a briga pela posse e pelo uso desse recurso. A questão preocupa, porque a desigualdade e a escassez tendem a aumentar os conflitos. Além de atritos entre grupos rivais em um mesmo país, há embates diplomáticos entre nações e outras desavenças que
podem culminar nas próximas décadas em confrontos armados pelo controle de mananciais. O relatório identifica 46 países nos quais há risco de essa crise provocar brigas. O perigo é maior entre nações que vivem escassez e compartilham o uso de rios e lagos. Existem no planeta 263 bacias hidrográficas
transnacionais, abrangendo 145 países. Mais de 40% da população mundial habita essas áreas, como o mar Cáspio e o mar de Aral, na Ásia; o lago Chade e o lago Vitória, na África, e os Grandes Lagos da América do Norte.

Em alguns casos, as fontes são disputadas litro a litro, como no Oriente Médio, onde dominar a água é estopim de guerras desde a Antiguidade. Israelenses e palestinos lideram as disputas. Sob o solo do deserto, estão os lençóis da Cisjordânia. Até 1967, os palestinos usavam essa água à vontade, mas a ocupação israelense, após a Guerra dos Seis Dias, acabou com isso. Os poços são controlados por militares israelenses. E qualquer acordo de paz para a Faixa de Gaza exigirá um capítulo especial para a água.

CRESCE A BRIGA
Israelenses e palestinos, por sua vez, confrontam a Síria e a Jordânia pelo controle do vale do rio Jordão, a principal fonte de água da região. Exaurido pela mineração, pela irrigação e até pela manutenção de campos de golfe no deserto, o Jordão está minguando. Apenas um terço do volume original chega ao mar Morto, que pode sumir até 2050 e se resume a um lago sem vida, seis vezes mais salgado que o oceano. Não muito longe dali, a Síria briga com a Turquia e o Iraque pelo uso da bacia que envolve os rios Tigre e Eufrates. Dona das nascentes, a Turquia represou o Eufrates para gerar energia e irrigar cultivos e diminuiu a água que chega aos países vizinhos. O maior foco de conflito foi a represa de Ataturk, construída pelos turcos na década de 1990, mas novos projetos colocam em risco a paz. Na Ásia Central, a tensão também é crescente. O Tadjiquistão e o Quirguistão controlam 90% das reservas da região. Mas o Uzbequistão é o maior usuário e pede acesso facilitado.

Mais de 400 tratados internacionais envolveram o uso compartilhado de recursos hídricos desde 1820 - sem contar os acordos sobre navegação, pesca e demarcação de fronteiras. Um dos exemplos acorreu na Ásia, depois que Bangladesh passou 20 anos de escassez porque a Índia construiu a enorme represa de Farakka no curso do rio Ganges, para conseguir a maior quantidade de água antes do rio atingir o território de Bangladesh. O conflito só cessou após aassinatura de um tratado em 1996 para uso compartilhado da água. Mas o potencial de discórdia continua latente no percurso do rio Ganges, que nasce no Himalaia, atravessa a Índia e desemboca na baía de Bengala, em Bangladesh. Essa bacia reúne mais de 30 barragens e desvios que reduziram a vazão do rio em 60% na estação seca, prejudicando os bengaleses.

Há também disputas na África, onde a ONU estima que o acesso às fontes hídricas seja a causa número 1 de guerras até 2030. Na região do Nilo, nove países dependem desse rio para abastecer a população. O Egito faz pressão econômica e militar sobre a Etiópia e o Sudão, situados nas cabeceiras do rio, para que não construam barragens e diminuam o volume de água no trecho egípcio. Em Darfur, oeste do Sudão, a guerrilha é acusada de envenenar reservatórios para forçar a população mulçumana a abandonar a região. Os conflitos têm o potencial de expandir seus efeitos por outras regiões. A União Européia adverte que a falta de água vai acirrar a corrida de imigrantes para o continente europeu. A escassez hídrica, segundo previsões, deverá fazer perto de 100 milhões de refugiados ambientais no planeta nos próximos 20 anos.

MÁ DISTRIBUIÇÃO
Tudo isso acontece dentro de um planeta com muita água, mas pouco disponível para o consumo. Dois terços da Terra são cobertos por água, mas 97,5% desse volume é salgado. Dos 2,5% da água que é doce, quase dois terços estão congelados nas calotas polares. A maior parte do que sobra se esconde no subsolo e não tem acesso fácil. O que está pronto para uso humano fica nos rios e lagos, que significa 0,4% de toda a água do planeta. Mas nem essa porção está totalmente disponível. Para que não se esgotem os recursos, é preciso usar no máximo a mesma quantidade de água renovada pelas chuvas, dentro de um ciclo natural do qual participam os oceanos, a atmosfera, as florestas e as demais
coberturas vegetais do planeta.

A conta limita a 0,002% a água utilizável da Terra. Precisamos de metade desse estoque. Se o padrão atual de consumo se mantiver, em 30 anos as necessidades humanas vão empatar com a capacidade da natureza de repor a água. Depois disso, ou racionamos o uso das torneiras ou vamos secar rios e lagos até exaurir totalmente as fontes. A ameaça é real, porque a população global não para de crescer e precisará de mais água para se manter.

Recentes relatórios internacionais afirmam que a falta de alimentos já é uma realidade global. No futuro, a situação poderá ser ainda mais crítica, se não houver água. A escassez coloca em risco as metas da Declaração do Milênio, assinada em 2000, sob a coordenação da ONU, para reduzir a pobreza, a fome e a mortalidade infantile no mundo até 2015. Para nutrir a população mundial crescente, será necessário duplicar a atual produção de comida. Isso exigirá um aumento de pelo menos 14% na retirada de água para irrigar lavouras. Além do uso intensivo de água, há o risco de impactos negativos, como a ameaça de mais desmatamento, poluição por agrotóxicos e erosão dos solos.

CONFLITO ENTRE USOS
Atualmente, a agricultura é a atividade que mais consome recursos hídricos no planeta. Sozinha, representa 69% do consumo de toda a água doce. O aumento desse percentual pode provocar conflitos com os demais usuários. As indústrias utilizam 21% da água disponível na crosta terrestre e deverão usar mais para crescer e sustentar o desenvolvimento econômico. Os outros 10% vão para o consumo doméstico - e há necessidade de maior volume para abastecer a população não atendida.

A atual crise mundial dos recursos hídricos possui várias causas. Uma das principais, segundo a ONU, são as dificuldades de governo - ou seja, a incapacidade dos países de gerir a água de maneira equitativa, por fatores como a corrupção, a falta de financiamento para o setor e o despreparo técnico. O assunto preocupa: até 2025, o consumo total de água para os diversos fins aumentará 50% nos países em desenvolvimento e 18% no mundo desenvolvido. Esse crescimento poderá ser intolerável em várias partes do planeta, diz o relatório Global Environment Outlook, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 20 anos após a publicação do famoso documento Nosso Futuro Comum. Elaborado pela Comissão Brundtland, em 1987, foi o primeiro que alertou o mundo sobre a necessidade de aliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

A última edição do relatório diz que é necessário mudar padrões de produção e consumo. Para produzir um carro, gastam-se 400 mil litros de água. Um quilo de carne bovina consome 15 mil litros. Os especialistas dizem que também é preciso reduzir o consumo e melhorar a distribuição, tornando mais justo o acesso às fontes hídricas. O ser humano necessita de, no mínimo, 50 litros de água por dia para atender suas necessidades. Enquanto um norte-americano gasta, em média, 600 litros diariamente, um africano não tem mais de 20 litros para usar no mesmo período. Além do consumo exagerado, há desperdício. Nos plantios, dois quintos da água são perdidos com sistemas de irrigação ineficientes e, nas residências, um terço do consumo atual poderia ser economizado com medidas simples como não deixar a torneira pingando. No caso das indústrias, aplicando-se novas tecnologias, é possível reduzir em até 90% o consumo de água sem prejudicar a produção.

DESASTRE DA AÇÃO HUMANA
A desigualdade chama atenção. Existem muitas reservas de água em regiões desabitadas e poucas nas mais populosas, nas quais os impactos causados pela ação humana pioram o problema. Barrar os rios para gerar energia ou acumular água para abastecimento é uma dessas causas. Calcula-se que 60% dos 227 maiores rios do mundo sejam bloqueados por barragens ou desviados por canais, com impactos para os ecossistemas, para a pesca e para a população. Essas obras reduzem o fluxo natural de sedimentos carregados para os oceanos, causando salinização do solo, inundações e outros estragos nas zonas costeiras. Há mais de 45 mil grandes barragens, em 140 países. Só a China, para sustentar a economia em franca expansão, tem atualmente 105 obras dessa envergadura sendo planejadas ou em execução. As barragens, somadas à poluição dos rios e lagos, colocam mais de 3 mil espécies na lista das ameaçadas de extinção, segundo a organização internacional The World Conservation Union(IUNC).

A escassez vai além da pouca quantidade - é também uma questão de má qualidade. A poluição por agrotóxicos das plantações, substâncias químicas das indústrias e esgoto doméstico das cidades faz com que se busque água cada vez mais longe das cidades, a um custo maior. Saudáveis, só os rios distantes dos grandes centros urbanos, como o Amazonas, na América do Sul, e o Congo, na África, citados pela ONU como os menos problemáticos. Entre os mais poluídos estão o rio Amarelo, na China, e o Volga, na Rússia, onde a água potável se restringe a apenas 3% de sua bacia hidrográfica. No rio Colorado, nos Estados Unidos, a poluição transformou florestas em pântanos insalubres.

SANEAMENTO URGENTE
Uma das conseqüências é o aumento das doenças associadas à falta de água e à poluição dos mananciais, a maior causa de mortes no mundo. Cerca de 10 milhões de crianças morrem por ano acometidas de diarréia e outros males provocados pela água contaminada. Mais da metade das internações hospitalares no planeta resultam desses problemas, a um custo que supera 12 bilhões de dólares por ano. A urbanização contribui para agravar o quadro. Atualmente, metade da população mundial vive em cidades, sem os serviços adequados de saneamento. No globo, uma em cada cinco pessoas não tem acesso à água nem a esgoto tratado. Para reduzir esse déficit, a ONU escolheu 2008 como o Ano Internacional do Saneamento Básico, para conscientizar os países a reduzir pela metade a população não atendida por esses serviços, até 2015. Para isso, é necessário investir nesse período 10 bilhões de dólares por ano - menos de 1% do total gasto em programas militares no mundo.

Hoje, nos países em desenvolvimento, 90% do esgoto é devolvido à natureza sem nenhum tratamento. Como 1 litro de sujeira contamina 10 litros de água, é possível imaginar o tamanho do estrago e seus reflexos. A poluição atinge, também, os oceanos, muitas vezes levada pelos rios que neles deságuam. As indústrias lançam no ambiente 500 toneladas por ano de produtos tóxicos. Diariamente, são despejados 2 bilhões de toneladas e lixo. Exemplo dessa contaminação é a "lixeira" do tamanho do estado norte americano do Texas, no Pacífico Norte, onde pesquisadores encontraram quase 1 milhão de pedaços de plásticos por quilômetro quadrado, com efeitos nocivos à biodiversidade marinha.

Resultados da ação do homem na atmosfera, como a emissão de gases de efeito estufa, podem agravar a escassez de água. O aquecimento global aumenta a temperatura dos mares e altera as correntes oceânicas que regulam o clima, promovendo mudanças no padrão das chuvas, que recompõem naturalmente os mananciais.Pesquisadores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) advertem que o mundo deve se preparar para os efeitos das mudanças climáticas na provisão de água no planeta.

EFICIÊNCIA E ECONOMIA
Segundo especialistas, dar maior valor à água é um caminho para reduzir desigualdades e conflitos. Os serviços de abastecimento precisam funcionar com eficiência, ser economicamente sustentáveis e ter preços justos. Atualmente, são os mais pobres que arcam com o maior custo da água. Em Dar es Salaam, na Tanzânia, os favelados pagam 8 dólares por mil litros de água comprada em latas, enquanto os mais ricos da cidade gastam 34 centavos pela mesma quantidade de água que chega às torneiras. No Reino Unido, esse mesmo volume custa 1,62 dólar e, nos Estados Unidos, 68 centavos. Países europeus aumentam a conta de água para reduzir o consumo.

O mercado de água já é bilionário. Em 2000, o Banco Mundial previa que, em alguns anos, esse comércio mundial movimentaria 1 trilhão de dólares. Parte desse lucro é auferida pela água engarrafada. Em dez anos, o consumo desse produto aumentou 145% no planeta, porque o consumidor não confia na qualidade da água que chega às torneiras e aceita pagar até dez vezes mais caro pela segurança. Seguindo essa tendência, é crescente a exportação de água para países que necessitam dela para manter indústrias e cultivos agrícolas. Empresas também planejam ter lucros com o tratamento de esgoto. Atualmente, só 5% desse serviço é prestado por companhias particulares, mas vários países têm planos de privatizar o saneamento básico, como forma de expandi-lo por um custo menor para o estado.


BRASIL

O Brasil é o país mais rico em água, mas sua distribuição é desigual. Há fartura em regiões pouco habitadas, como a Amazônia, e escassez nas áreas mais populosas e nos lugares que sofrem com a seca. Os comitês de bacia, criados a partir da Lei das Águas, multiplicam-se no país para incentivar o uso equilibrado dos recursos hídricos.

Se o assunto é água, o Brasil é um país privilegiado. Sozinho, detém 12% da água doce de superfície do mundo, o rio de maior volume e um dos principais aqüíferos subterrâneos, além de invejáveis índices de chuva. Mesmo assim, falta água no semi-árido e nas grandes capitais, porque a distribuição desse recurso é bastante desigual. Cerca de 70% da reserva brasileira de água está no Norte, onde vivem menos de 10% da população. Enquanto um morador de Roraima tem acesso a 1,8 milhão de litros de
água por ano, quem vive em Pernambuco precisa se virar com muito menos - o padrão mínimo que a ONU considera adequado é de 1,7 milhão de litros ao ano. A situação pode ser pior nas regiões populosas, nas quais o consumo é muito maior e a poluição das indústrias e do esgoto residencial reduz o volume disponível para o uso. É o caso da bacia do rio Tietê, na região metropolitana de São Paulo, onde os habitantes têm acesso a um volume de água menor do que o recomendado para uma vida saudável.

Além da poluição, o que preocupa a maior metrópole do país é a ocupação irregular das margens de rios e represas, como a de Guarapiranga, que mata a sede de 3,7 milhões de paulistanos. A seu redor, vivem cerca de 700 mil habitantes. Com o desmatamento das margens para a construção das casas, grande quantidade de sedimentos foi arrastada para a represa, que perdeu sua capacidade de armazenamento e ainda recebe o esgoto de muitas residências. O problema se repete na represa Billings, também responsável pelo abastecimento de São Paulo. Esse manancial é destino final das águas poluentes que são bombeadas dos rios Tietê e Pinheiros para manter seu curso.

A alternativa foi trazer água de uma bacia hidrográfica vizinha, a do rio Piracicaba-Jundiaí-Capivari, que abastece a metade da metrópole paulistana. Isso acabou gerando uma disputa regional. No total, 58 municípios compartilham esse manancial, e a solução foi criar o Banco das Águas, um acordo que estabelece cotas de captação para a região metropolitana de São Paulo (31 metros cúbicos por segundo) e para o conjunto dos municípios da região de Piracicaba (5 metros cúbicos por segundo). Nesse sistema, tanto um lado como o outro podem ir além desses limites como compensação, caso tenha retirado menor quantidade de água em períodos anteriores.

DEMOCRATIZAÇÃO DA ÁGUA
Essa política de uso das águas foi definida por um comitê, formado em 1993, para acabar com a briga sobre quem tinha direito a que nessa bacia hidrográfica. Esse modelo, pioneiro no Brasil, inspirou quatro anos depois a Lei das Águas, dando a possibilidade de criar em nível nacional um sistema que harmonizasse os diversos usos dos mananciais - geração de energia, abastecimento da população e irrigação de cultivos. A Agência Nacional de Águas é o órgão do governo federal responsável pela gestão dos recursos hídricos no país. Esse trabalho é conduzido em parceria com os Comitês de Bacia, que se espalharam no Brasil, após a nova legislação. Os comitês reúnem representantes da sociedade civil em cada região para sugerir iniciativas para preservar os rios e evitar conflitos.

A atual legislação reconhece os vários usos para a água e determina que a prioridade seja sempre para o abastecimento humano e animal. O Brasil tem 89,1% da população urbana com acesso a redes de distribuição de água. Nas residências rurais, a situação é menos confortável: só 17% são atendidas. O uso doméstico e industrial corresponde hoje a 30% de todo o consumo do país. O setor que mais utiliza recursos hídricos é a agricultura, com 70% do consumo.

MELHORAR O USO
Um dos meios para equilibrar essas necessidades é a cobrança pelo uso dos rios por indústrias e outros agentes econômicos. Criado a partir da Lei das Águas, o sistema é aplicado nas bacias dos rios Piracicaba-Jundiaí-Capivari e do Paraíba do Sul, e há projetos para o início da cobrança em outras regiões. Como resultado, para diminuir custos, muitas indústrias cortaram o consumo pela metade. Associado a isso, reduzir o desperdício é uma das medidas para preservar mananciais. Outras iniciativas são o reúso de água por indústrias e a reciclagem de esgoto para irrigar jardins e lavar ruas.

O grande problema de água do Brasil é, sobretudo, seu mau uso. Em razão de uma rede de distribuição obsoleta, avariada e insuficiente para atender a população, 40% de toda a água encanada se perde. Além disso, mais da metade dos municípios brasileiros ainda não têm rede de esgoto, o que reduz a água potável disponível para o consumo da população.

ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
Uma importante fonte potencial de abastecimento são as águas subterrâneas, aquelas que ocupam os espaços existentes entre as rochas do subsolo e se movem pelo efeito da força da gravidade. Seu volume é calculado em cerca de 100 vezes mais do que o das águas doces superficiais (rios, lagos, pântanos, água atmosférica e umidade do solo). No território brasileiro, as reservas de águas subterrâneas em aqüíferos são estimadas em 112 trilhões de metros cúbicos, e o mais importante deles é o Aquífero Guarani.

Trata-se da principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e ocupa 1,19 milhão de quilômetros quadrados. Esse aqüífero se estende pelo subsolo de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e por partes do território do Uruguai, do Paraguai e da Argentina. Uma camada de rocha basáltica retém as águas e as protege de contaminação. Pelos atuais estudos, o Aqüífero Guarani tem armazenados 45 trilhões de metros cúbicos de água, dos quais 160 bilhões são extraídos por ano para diversos fins. No momento, ainda é pouco usado para esse fim, embora haja poços artesianos que captem suas águas. Em pontos nos quais chega mais perto da superfície, já está sofrendo ameaças de contaminação.

Para saber mais, acesse: http://www.abas.org/educacao.php

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15

mai
2011

Bendita água

Nossas células precisam desse precioso líquido para realizar funções vitais - disso todos sabemos. Mas fica mais fácil entender por que não dá para viver sem ele acompanhando sua viagem dentro do corpo, desde o primeiro gole até a eliminação
Por Angelo Massaine* (fonte: Planeta Sustentável)

Atenção, preparar... água!" Essa é a ordem do comandante cérebro depois de soar o alarme da sede.
E então você leva um copo ou uma garrafa aos lábios e deixa escoar seu conteúdo.
A água inunda a boca e segue goela abaixo. Que alívio! As moléculas de H2O, como uma cascata, descem pelo esôfago e deságuam no estômago. Literalmente. Até aqui poucas delas já se infiltraram no sangue. Só vão ser absorvidas mesmo no próximo estágio dessa jornada, o intestino delgado. É por meio da mucosa que reveste esse órgão que o líquido penetra para seguir o fluxo da correnteza.
A partir daí, as moléculas de H2O pegam carona no sangue que, por sinal, tem 83% do líquido em sua composição e podem chegar a cada célula. "A água se difunde pelo corpo e não há fronteiras que barrem esse percurso", conta o nefrologista Paulo Ayroza, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
"As células vivem num meio composto basicamente por água e sais", acrescenta Gehrard Malnic, professor de fisiologia e biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Mas dois terços da água do nosso organismo estão dentro delas. Só o restante fica no chamado compartimento extracelular, ou seja, no plasma sangüíneo e no líquido intersticial. "O interstício é o arcabouço de sustentação das células, que é preenchido por uma substância aquosa", define o biólogo Odair Aguiar Júnior, da Universidade Federal de São Paulo, campus Baixada Santista.

Suponhamos que um grupo de moléculas de água navegue rumo às células da pele, que, segundo o dermatologista Paulo Notaroberto, do Rio de Janeiro, é composta por 70% do líquido. Para chegar lá ele entra nos capilares, vasos extremamente finos que o conduzem até o tal espaço intersticial. Dentro de instantes, graças a um processo químico denominado osmose, cada célula da derme receberá o gole
necessário às suas funções. Como isso acontece?
É a famosa passagem da água de um meio com menor concentração de sais para outro mais concentrado. Livres, as moléculas transpõem a membrana e... tchibum entram no citoplasma, uma espécie de recheio celular. "As reações que acontecem nas organelas, estruturas dentro das células, dependem da presença do líquido", afirma Aguiar.
"Nosso corpo não é capaz de armazenar a água", explica o clínico geral Jacob Faintuch, da Universidade de São Paulo. Por isso um número incontável de moléculas de H2O ganha o organismo e depois vai embora. O excedente se une às substâncias produzidas pelo nosso metabolismo que não são aproveitadas, como a uréia e a creatinina, e desemboca novamente na corrente sanguínea.
Então uma dupla poderosa entra em ação os rins, que filtram diariamente o equivalente a 180 litros de sangue. Eles capturam o excedente de H2O e também os resíduos resultantes do trabalho das células. "Esse par de órgãos é responsável ainda pelo equilíbrio de sódio e potássio do nosso corpo", salienta Ayroza.
Quase todo esse volume filtrado, é claro, retorna à circulação. O que é retido se transforma em matéria-prima da urina. Quanto às moléculas de água que se dirigiram para a pele, elas não podem ficar lá para sempre. O líquido está sempre sendo absorvido, mas chega uma hora em que precisa dar adeus ao corpo. Isso pode acontecer de três maneiras: pelo suor, pela evaporação ou, retomando a corrente sangüínea, pela urina, como você já viu.
 
Dos cálices renais a urina segue para o ureter, um tubo de 25 cm que a leva até a bexiga. Lá o líquido é armazenado até receber a mensagem de que precisa ser eliminado. E então é empurrado para a uretra, canal por onde será mandado para fora do corpo. Algum tempo depois, quando a boca secar de novo e o alerta for dado, o comandante não vai hesitar em cobrar outros goles.
"A água é a molécula mais importante do corpo humano. Ela regula a temperatura e transporta os nutrientes", afirma a nutricionista Anna Castilho, do Instituto de Metabolismo e Nutrição, em São Paulo. Os resultados de uma boa hidratação também ficam à flor da pele. E aí podemos dizer que o grupo de moléculas de H2O que acompanhamos cumpriu mais uma missão. "Quando bem suprida de líquido, a pele fica menos propensa a alergias e infecções", ressalta o dermatologista Notaroberto. O recado, portanto, é simples como beber um copo d'água: garanta que muito líquido continue banhando seu organismo por dentro. E muito importante faça o que estiver ao seu alcance para preservar as reservas naturais do planeta.

Responda, após ler o texto, nos comentários: qual sua atitude concreta para preservar estas reservas?

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1

mai
2011

Projeto 2011

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