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*Ciências da Natureza*

24

out
2010

Acidente ou irresponsabilidade?

Às vezes passamos por situações em que não sabemos se foi um acidente, ou irresponsabilidade. O mundo está cheio de pessoas que fazem algo de errado e dizem que foi só um acidente, por isso, devemos tomar cuidado com o que está a nossa volta.

Na última terça-feira, 05 de Outubro de 2010, aconteceu um grave acidente, o derramamento de uma lama vermelha tóxica que chegou a matar 4 pessoas e deixar mais de 120 pessoas feridas em Ajka (160 km a oeste de Budapeste, Hungria). Um depósito de uma refinaria se rompeu, de forma desconhecida, derramando cerca de 700 mil metros cúbicos de resíduos tóxicos.

A substância, lama vermelha, é um resíduo que é formado pela transformação da bauxita em alumina, matéria-prima para a criação do alumínio. Esta substância espessa e altamente alcalina tem um efeito cáustico na pele. A lama armazenada contém metais pesados  como chumbo, e é levemente radioativa. Este resíduo já estava sendo armazenado por décadas e estava altamente alcalino, com pH em torno de 13. Diversas pessoas foram afastadas de suas casas por segurança, animais morreram, e ainda, a lama pode contaminar o rio Danúbio, que é o maior do continente, além de contaminar outros rios e até mesmo o próprio Mar Negro.

A empresa já se defendeu alegando que a substância não é perigosa e que há duas semanas havia passado por uma inspeção e não tinha nada de errado com o depósito. Certamente, depois do ocorrido, não conseguiram explicar o acontecimento.

Penso que isso foi irresponsabilidade da empresa, primeiro porque, eles não deveriam manter esse depósito há décadas sem eliminar o resíduo que já havia no local, e depois porque eles deveriam ter se manifestado assim que o fato ocorreu. A empresa tem que arcar com as consequências e ajudar todas as pessoas que estão precisando, resolvendo o problema o mais rápido possível, para que não haja mais desastres, mortes e poluição.

Este texto foi elaborado pelo aluno do Colégio Adventista de Piracicaba: 

LUIZ HENRIQUE COSTA BATISTELI - 9o.EF

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6

out
2010

História do Jeca Tatu

Monteiro Lobato

Jeca Tatu era um pobre caboclo que morava no mato, numa casinha de sapé. Vivia na maior pobreza, em companhia da mulher, muito magra e feia e de vários filhinhos pálidos e tristes.

Jeca Tatu passava os dias de cócoras, pitando enormes cigarrões de palha, sem ânimo de fazer coisa nenhuma. Ia ao mato caçar, tirar palmitos, cortar cachos de brejaúva, mas não tinha idéia de plantar um pé de couve atras da casa. Perto um ribeirão, onde ele pescava de vez em quando uns lambaris e um ou outro bagre. E assim ia vivendo.

Dava pena ver a miséria do casebre. Nem móveis nem roupas, nem nada que significasse comodidade. Um banquinho de três pernas, umas peneiras furadas, a espingardinha de carregar pela boca, muito ordinária, e só.

Todos que passavam por ali murmuravam:

Que grandíssimo preguiçoso!

Jeca Tatu era tão fraco que quando ia lenhar vinha com um feixinho que parecia

brincadeira. E vinha arcado, como se estivesse carregando um enorme peso.

Por que não traz de uma vez um feixe grande? Perguntaram-lhe um dia.
Jeca Tatu coçou a barbicha rala e respondeu:

Não paga a pena.
Tudo para ele não pagava a pena. Não pagava a pena consertar a casa, nem fazer uma horta, nem plantar arvores de fruta, nem remendar a roupa.

Só pagava a pena beber pinga.

Por que você bebe, Jeca? Diziam-lhe.
Bebo para esquecer.
Esquecer o quê?
Esquecer as desgraças da vida.
E os passantes murmuravam:

Além de vadio, bêbado...

Jeca possuía muitos alqueires de terra, mas não sabia aproveitá-la. Plantava todos os anos uma rocinha de milho, outra de feijão, uns pés de abóbora e mais nada. Criava em redor da casa um ou outro porquinho e meia dúzia de galinhas. Mas o porco e as aves que cavassem a vida, porque Jeca não lhes dava o que comer. Por esse motivo o porquinho nunca engordava, e as galinhas punham poucos ovos.

Jeca possuía ainda um cachorro, o Brinquinho, magro e sarnento, mas bom companheiro e leal amigo.

Brinquinho vivia cheio de bernes no lombo e muito sofria com isso. Pois apesar dos ganidos do cachorro, Jeca não se lembrava de lhe tirar os bernes. Por que? Desânimo, preguiça...

As pessoas que viam aquilo franziam o nariz.

Que criatura imprestável! Não serve nem para tirar berne de cachorro...

Jeca só queria beber pinga e espichar-se ao sol no terreiro. Ali ficava horas, com o cachorrinho rente; cochilando. A vida que rodasse, o mato que crescesse na roça, a casa que caísse. Jeca não queria saber de nada. Trabalhar não era com ele.

Perto morava um italiano já bastante arranjado, mas que ainda assim trabalhava o dia inteiro. Por que Jeca não fazia o mesmo?

Quando lhe perguntavam isso, ele dizia:

Não paga a pena plantar. A formiga come tudo.
Mas como é que o seu vizinho italiano não tem formiga no sítio?
É que ele mata.
E porque você não faz o mesmo?
Jeca coçava a cabeça, cuspia por entre os dentes e vinha sempre com a mesma história:

Quá! Não paga a pena...
Além de preguiçoso, bêbado; e além de bebado, idiota, era o que todos diziam.

Um dia um doutor portou lá por causa da chuva e espantou-se de tanta miséria. Vendo o caboclo tão amarelo e chucro, resolveu examiná-lo.

Amigo Jeca, o que você tem é doença.

Pode ser. Sinto uma canseira sem fim, e dor de cabeça, e uma pontada aqui no peito que responde na cacunda.
Isso mesmo. Você sofre de anquilostomiase.
Anqui... o quê?
Sofre de amarelão, entende? Uma doença que muitos confundem com a maleita.
Essa tal maleita não é a sezão?
Isso mesmo. Maleita, sezão, febre palustre ou febre intermitente: tudo é a mesma coisa, está entendendo? A sezão também produz anemia, moleza e esse desânimo do amarelão; mas é diferente. Conhece-se a maleita pelo arrepio, ou calafrio que dá, pois é uma febre que vem sempre em horas certas e com muito suor. O que você tem é outra coisa. É amarelão.

O doutor receitou-se o remédio adequado; depois disse: "E trate de comprar um par de botinas e nunca mais me ande descalço nem beba pinga, ouviu?"

Ouvi, sim, senhor!
Pois é isso, rematou o doutor, tomando o chapéu. A chuva passou e vou-me embora. Faça o que mandei, que ficará forte, rijo e rico como o italiano. Na semana que vem estarei de volta.
Até por lá, sêo doutor!
Jeca ficou cismando. Não acreditava muito nas palavras da ciência, mas por fim resolveu comprar os remédios, e também um par de botinas ringideiras.

Nos primeiros dias foi um horror. Ele andava pisando em ovos. Mas acostumou-se, afinal...

a história também pode ser encontrada neste link: http://www.miniweb.com.br/literatura/artigos/jeca_tatu_historia1.html

 

Curiosidade

Monteiro Lobato e a gênese do Jeca Tatu

As expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz, no início do século 20, permitiram um maior conhecimento das moléstias que assolavam o país e possibilitaram a ocupação e a integração do interior brasileiro. "O Brasil é um país doente", diziam os pesquisadores. O contato de Monteiro Lobato com os trabalhos de Belisário Pena e Arthur Neiva, levou o criador de Emília a alterar completamente a concepção de um de seus famosos personagens, o Jeca Tatu, e engajar-se numa campanha pelo saneamento do país.

Monteiro Lobato improvisou-se de fazendeiro ao herdar terras de seu avô. Em 1917, uma seca terrível assola a região. O problema era agravado pelas queimadas, executadas pelo povo da roça; Lobato indignado, (...) escreveu uma carta de protesto ao jornal Estadão, com o título "A velha praga":

"Este funesto parasita da terra é o caboclo, espécie de homem baldio, seminômade, inadaptável à civilização..."

Foi pouca a repercussão do primeiro artigo, mas Lobato voltou a tratar do assunto em Urupês. Surgia o Jeca Tatu, nome que se generalizou no país todo como sinônimo de caipira. Jeca Tatu tornou-se, segundo Rui Barbosa, "símbolo de preguiça, fatalismo, de sonolência e imprevisão, de esterilidade e tristeza, de subserviência e embotamento".

Mas a convivência com os pesquisadores levou Lobato a rever totalmente sua concepção de Caboclo. E, no prefácio da quarta edição de Urupês, o autor retificou: "Eu ignorava que eras assim, eu caro Jeca, por motivo de doenças tremendas. Está provado que tens no sangue e nas tripas todo um jardim zoológico da pior espécie. É essa bicharia cruel que te faz papudo, feio, molenga, inerte".

Indignado com a situação do país, Monteiro Lobato iniciou uma vigorosa campanha jornalística em favor do saneamento. Expôs sem pudores a realidade nacional, apresentando estatísticas: 17 milhões com ancilostomose, 3 milhões com Chagas, 10 milhões com malária. "O véu foi levantado. O microscópio falou". Censurou também o descaso das elites: "Legiões de criancinhas morrem como bichos de fome e verminose. Nós abrimos subscrições para restaurar bibliotecas belgas".

A campanha acabou forçando o goerno a dar atenção ao problema sanitário. Criou-se uma campanha de saneamento em São Paulo, o código sanitário foi remodelado e transformado em lei. Monteiro Lobato achava necessário não mobilizar apenas as elites, mas alertar e educar o povo, principal vítima da falta de saneamento. Escreveu então Jeca Tatu - a ressurreição. O conto, mas conhecido como Jeca Tatuzinho, serviu de inspiração para uma história em quadrinhos bastante popular, que foi divulgada em todo país por meio de um almanaque. Jeca, considerado preguiçoso e idiota por todos, descobre que sofre de amaraelão. Trata-se. E transforma-se em fazendeiro rico.

(Fonte: Ana Palma - Agência Fiocruz de Notícias; extraído do livro Biologia de Mendonça e Laurence, editora Nova Geração, vol.2, 2011)

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