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*Ciências da Natureza*

9

mar
2013

Cientistas pedem cautela no caso do bebê "curado" de AIDS

Fonte: Jornal de Hoje

Bebê é filho de mãe infectada pelo HIV. A criança nascida no Mississippi foi medicada com três drogas usadas para tratamento e não para a profilaxia da AIDS. Os níveis do vírus diminuíram rapidamente. Mas, cientistas questionam.

Apesar de ter causado entusiasmo a notícia de que médicos dos Estados Unidos teriam conseguido curar um bebê infectado pelo vírus HIV, o transmissor da AIDS, os cientistas de todo o mundo estão pedindo cautela antes de comemorar os resultados. O trabalho ainda falta ser submetido à chamada revisão por pares, quando os dados de um estudo são esmiuçados por especialistas independentes. No Brasil, os médicos também pedem detalhes mais aprofundados sobre o caso.

"Se esse resultado for confirmado, vai ser realmente uma coisa incrível. Mas, ainda é cedo para tirar qualquer conclusão. Só o tempo é que vai dizer, como essa criança vai reagir, se ela vai ficar indefinidamente sem manifestação laboratorial e clínica do HIV", avaliou o infectologista Caio Rosenthal, do Hospital Emílio Ribas.

Médicos norte-americanos disseram que conseguiram pela primeira vez curar um bebê com HIV. O trabalho foi apresentado ontem num congresso especializado em Atlanta, no Estado da Geórgia. Mas os detalhes foram antecipados ao jornal The New York Times. A criança, que nasceu em uma zona rural do Estado do Mississippi, foi tratada com remédios antirretrovirais 30 horas depois de seu nascimento, um procedimento sem ser o normalmente adotado nesses casos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o tratamento com o AZT, uma droga antirretroviral de aplicação consagrada no coquetel de combate ao vírus.

A criança, que tem agora dois anos e meio, está há cerca de um ano sem tomar medicamentos e não apresenta sinais do vírus. Se estudos futuros comprovarem o resultado e indicarem que o método funciona com outros bebês, o tratamento de recém-nascidos infectados em todo o mundo deve mudar, dizem especialistas. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), há mais de três milhões de crianças vivendo com vírus da AIDS.

Quando chegou a um hospital na zona rural, em 2010, a mãe da criança já estava em trabalho de parto. Ela deu à luz prematuramente. Como a mãe não havia feito qualquer exame pré-natal, ela desconhecia ser portadora do HIV. Quando um exame mostrou que ela estava infectada, o hospital transferiu a criança para o Centro Médico da Universidade do Mississippi, onde chegou com cerca de 30 horas de vida. A médica responsável pelo caso, numa entrevista ao Times, disse que solicitou duas amostras de sangue com uma hora de intervalo para testar a presença do HIV no RNA e no DNA do bebê.

Os exames identificaram 20 mil cópias do vírus por milímetro de sangue, índice baixo para bebês. Sem esperar os exames que confirmariam a infecção, a médica deu à criança três drogas usadas para tratamento, e não para a profilaxia. Com esse tratamento, os níveis do vírus diminuíram rapidamente, e ficaram indetectáveis quando o bebê completou um mês de vida.

 

ENTENDA A NOTÍCIA

Os especialistas afirmam que o caso do bebê norte-americano pode mudar a atual prática médica, ao revelar o potencial de um tratamento antirretroviral muito cedo, após o nascimento de crianças com altos riscos potenciais.

 

Saiba mais

Quando a criança completou 18 meses, a mãe parou de levá-la ao hospital. Ao retornarem, os testes deram negativo. Suspeitando de erro nos exames, ela pediu mais testes. Uma quantidade praticamente desprezível de material genético viral foi encontrado, mas sem vírus que pudesse se replicar. Por isso, foi uma cura funcional da infecção. Mais testes ainda são necessários para verificar se o tratamento teria o mesmo efeito em outras crianças.

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