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*Ciências da Natureza*

13

nov
2012

Créditos com o lixo, editorial de %u201CO Estado de SP%u201D

"O funcionamento de usinas termoelétricas nos dois depósitos sanitários permitirá que SP reduza em 20% a emissão de carbono equivalente na atmosfera"


Leia a íntegra do editorial:

Ontem, quando se comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente, o prefeito Gilberto Kassab anunciou o primeiro edital para a venda de créditos de carbono na Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F), que deverá ser lançado ainda este mês.

Em uma experiência inédita no Brasil, a Prefeitura levará a leilão eletrônico 750 mil toneladas de CO2 equivalente, provenientes do Aterro Sanitário Bandeirantes, localizado na zona norte da cidade.

Na mesma cerimônia, o prefeito também anunciou o início da queima de metano no segundo aterro sanitário do Município, o São João, localizado no bairro de São Mateus.

O funcionamento de usinas termoelétricas nos dois depósitos sanitários permitirá que SP reduza em 20% a emissão de carbono equivalente na atmosfera.

Em 2008, 10% da energia elétrica consumida nas residências paulistanas deverá ser suprida pela energia gerada pelo lixo urbano depositado nos dois aterros.

A lenta decomposição do material orgânico presente no lixo resulta num biogás rico em metano. O metano, por sua vez, é um dos gases que mais influenciam na formação do efeito estufa.

Uma tonelada de metano produz o mesmo efeito danoso de 21 toneladas de dióxido de carbono. A instalação do sistema de captação e compactação nos dois aterros, além de evitar a emissão do gás para a atmosfera, permitirá que 80% do biogás seja utilizado como combustível na geração de energia elétrica.

No Aterro Bandeirantes, uma termoelétrica em funcionamento desde o ano passado produz 22 megawatts, o suficiente para fornecer energia para 300 mil famílias. No Aterro São João, quando a usina estiver em pleno funcionamento, serão produzidos mais 20 megawatts.

A capital produz 15 mil toneladas diárias de lixo, sendo quase 11 mil provenientes de lixo doméstico. Esse volume era dividido, até março, em partes iguais para os dois aterros. O Bandeirantes, considerado um dos maiores do mundo, atingiu sua capacidade máxima em março.

Desde então o lixo que a ele se destinava vem sendo depositado num aterro particular em Caieiras. O Bandeirantes, no entanto, passou a gerar os créditos de carbono previstos pelo Protocolo de Kyoto quando a usina termoelétrica entrou em operação.

Estima-se que, até 2012, o Bandeirantes emitirá o equivalente a 8 milhões de toneladas de carbono que, transformadas em energia, poderão ser usadas como crédito.

Até agora, o Aterro Bandeirantes deixou de lançar mais de 1,5 milhão de toneladas de CO2 equivalente no ar. É o segundo maior projeto de crédito de carbono do país, ficando atrás apenas do plano desenvolvido pela Rhodia.

A Usina Termoelétrica Bandeirantes foi construída por meio de uma operação de project finance do Unibanco, em parceria com a Prefeitura e a Biogás Energia Ambiental, concessionária que também atua no Aterro São João.

É a maior termoelétrica desse tipo do mundo. Os principais prédios administrativos do Unibanco em SP são supridos por essa energia limpa, que já responde por mais de 25% do consumo total do grupo.

Os créditos de carbono lá gerados são divididos em partes iguais entre a Prefeitura e a Biogás. A concessionária já comercializou sua parte e, agora, a Prefeitura lançará no mercado de carbono suas 750 mil toneladas de CO2 equivalente.

Estima-se que cada tonelada possa render 16 euros e, com os recursos obtidos no leilão eletrônico, a Prefeitura pretende construir parques e praças na região de Perus e Pirituba - uma compensação aos vizinhos do Bandeirantes que, de 1979 a 2006, foram obrigados a suportar o mau cheiro do aterro.

Processo semelhante será conduzido no Aterro São João. A expectativa da Biogás é a de que a emissão no local alcance 6 milhões de toneladas de CO2 nos próximos cinco anos. O produto da venda dos créditos de carbono custeará melhorias ambientais no bairro de São Mateus, na zona leste.

Com essas iniciativas, os aterros, que eram apontados como um passivo ambiental altamente negativo para a cidade, além de gerar energia limpa, se transformam em fontes de recursos justamente para promover melhorias no meio ambiente.
(O Estado de SP, 6/6)

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