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*Ciências da Natureza*

4

nov
2012

Vegetarianismo

Quero parar de comer carne. O que fazer?

Natalia Cuminale para Veja.com

Abolir o consumo de carne da alimentação diária não é uma tarefa simples e exige cuidados para que esta seja uma escolha saudável. Por motivos religiosos, preocupação com os animais, ideologia ou até mesmo para garantir uma alimentação benéfica ao organismo, o vegetarianismo tem sido cada vez mais considerado uma opção viável à dieta alimentar, um novo estilo de vida. Não existem dados precisos sobre o número de adeptos no Brasil, mas segundo pesquisa sobre hábitos alimentares realizada pelo grupo Ipsos 28% das pessoas "têm procurado comer menos carne".

"O aumento do número de restaurantes especializados, de produtos destinados aos vegetarianos e até de visitantes em nosso site sinalizam que o interesse pelo assunto é crescente", afirma Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Especialistas consultados pela Revista VEJA, sustentam que a ingestão de carne, desde que moderada, não acarreta problemas para a saúde. Quem decidir riscar o produto do cardápio, porém, deve atentar para a substituição adequada dos nutrientes abundantes na carne vermelha, frango e peixe. "O primeiro passo é buscar a orientação médica para compor um cardápio alimentar que supra todas as necessidades antes preenchidas pelos alimentos de origem animal", explica Dan Linetzky Waitzberg, professor de gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e nutrólogo do Hospital Santa Catarina.

Quem não busca orientação tem mais chances de sofrer as consequências de uma dieta pobre. "Os vegetarianos devem ter maior atenção no que diz respeito à ingestão de vitamina B12, cálcio, zinco e ferro", lembra a nutricionista Juliana Ruas, do Hospital Sírio-Libanês. "Se a pessoa não tiver a alimentação adequada, pode ter anemia ferropriva (deficiência de ferro), anemia perniciosa (deficiência da B12) e desnutrição protéica, já que não consegue consumir todos os aminoácidos essenciais", completa a nutricionista Michele Trindade, do Instituto de Metabolismo e Nutrição (Imen).

As recomendações se tornam ainda mais específicas e relevantes em determinadas fases da vida. "Pela própria fisiologia do envelhecimento, os idosos têm uma redução da capacidade de digestão e absorção dos alimentos", explica Waitzberg. "Então, precisam ser acompanhados bem de perto por geriatras e nutricionistas".

 

Soluções - O segredo de cardápios propostos por profissionais gabaritados é que eles trazem combinações de alimentos capazes de facilitar a absorção de alguns nutrientes. Por exemplo, de nada adianta fazer uma lasanha vegetariana e cobri-la com molho branco. Isso porque o cálcio - presente no leite e, portanto, no molho branco - atrapalha a absorção do ferro. O correto seria: "Combinar alimentos que contêm ferro com outros com grande quantidade de vitamina C, que potencializa a absorção", diz Trindade.

Outra dificuldade está na vitamina B12. Produzida por bactérias, ela está presente principalmente nos alimentos de origem animal - já que os animais se alimentaram delas ou as abrigam no intestino. Normalmente, no caso de vegetarianos estritos, essa vitamina precisa ser suplementada. 

 

Os especialistas atentam ainda para um cuidado especial: os novos vegetarianos tendem a comer carboidratos em excesso. Sem as carnes, sobram as batatas-fritas, pizzas, arroz e muito queijo. "Ao contrário do que as pessoas imaginam, se houver um consumo exagerado de queijos e ovos, o vegetariano pode até ganhar peso", afirma o endocrinologista Luciano Giacaglia, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Winckler lembra que a alimentação para uma pessoa vegetariana pode ser bastante saborosa e variada. "Vegetariano não come só salada e não é difícil encontrar alimentos", diz. "Para alguns pode ser difícil no começo, mas aos poucos você sente a diferença de uma alimentação saudável", complementa. 

 

 

Eles deixaram a carne. Ou tentam fazê-lo

Depois de assistir a um documentário que pregava o fim do consumo de carnes, a vida da família Montenegro Bertolino começou a mudar. Habituado a porções moderadas dos itens de origem animal, o clã decidiu dar um passo radical: excluir completamente os produtos do cardápio. A ideia partiu do pai, o fotógrafo Roberto Loffel. A mulher, a psicóloga Maria Fernanda Montenegro, e as filhas Mariana, de 20 anos, e Beatriz, de 23, também assistiram à cena. Só faltou à sala o caçula André, de 11. "No documentário, vi a vaca tentando escapar do abate. Foi o suficiente", conta Maria Fernanda.

Não foi a primeira vez que Maria Fernanda parou de comer carne - ela já havia tentado em duas oportunidades, mas a nova dieta não durou mais do que dois meses. A terceira vez está sendo bem-sucedida graças à mobilização familiar. "Parei de comer carne principalmente por causa do animal, do sofrimento. Além disso, passamos a ter uma alimentação mais saudável", diz. Fatores ambientais, como o elevado gasto de água potável para a criação do gado, também embalaram a iniciativa da família.

Para aderir ao vegetarianismo, a família seguiu a cartilha indicada pelos nutricionistas. "Todos fomos ao médico para nos certificarmos de que ninguém tinha qualquer déficit de proteínas e nutrientes", conta Maria Fernanda. Em seguida, os membros da família compraram livros e buscaram cardápios alternativos. "Passados dois anos, começa a ficar mais fácil", diz a mãe. "O maior desafio é o inverno, quando não dá vontade de comer saladas. Se antes, as alternativas eram carne, bolinho de carne, frango e bife, agora é a vez de feijão, feijão preto, branco, lentinha".

Não houve pressão sobre os filhos. E o caçula André, passada a euforia vegetariana, expressou o desejo de voltar a comer carne. E de fato se readaptou a uma dieta não vegetariana. "Eu faço bife, filé de frango, mas ele também gosta de carne de soja", conta Maria Fernanda.

 

Caídas e recaídas - Suspender o consumo de carnes exige força de vontade e também paciência, para enfrentar a reação das demais pessoas, nem sempre acostumadas a hábitos vegetarianos. "Você não tem dó do alface?", era a pergunta que a jornalista Natália Mello, de 26 anos, mais ouvia de seus irmãos quando decidiu trilhar o novo caminho. A pressão teve resultados.

Na primeira tentativa de riscar os produtos de origem animal de seu cardápio, ela tinha 16 anos; na segunda, 20. Ambas foram mal-sucedidas. Como não sabia exatamente como buscar em outros alimentos os nutrientes da carne, passou maus momentos: desenvolveu anemia nas duas vezes e quase precisou de transfusão de sangue. "Meus cabelos caiam, era tão desesperador que eu não queria lavar a cabeça por conta dos chumaços enormes que caiam na hora do banho", conta.

Mas as dificuldades apenas adiaram a mudança. "É preciso aprender a comer adequadamente em termos nutricionais e só depois cortar a carne: hoje, como peixe e frango e às vezes tenho umas recaídas com carne vermelha", diz. "É uma luta contra sua própria vontade e contra os hábitos de toda a sociedade".

 

 

Compare: sua vida com - e sem - carne

Sem carne

Com carne

A Associação Dietética Americana reconhece que dietas vegetarianas, desde que planejadas, são saudáveis em termos nutricionais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a ingestão de carne vermelha não ultrapasse 300 g por semana

Os vegetarianos precisam redobrar a atenção ao cardápio para evitar doenças como anemia

As carnes são ricas em proteína, zinco, ferro e vitamina B12

Vegetais são fonte de vitaminas e sais minerais, ajudam na digestão, no intestino e na circulação

A proteína encontrada nas carnes provoca sensação de saciedade e disposição

Vegetarianos têm redução de riscos de doenças cardiovasculares (infarto, AVC e diabete)

Nutrientes da carne são absorvidos pelo organismo com mais facilidade do que os provenientes de outros alimentos

Se não seguirem a dieta adequada, vegetarianos correm risco de palidez, fraqueza e perder peso

Comer 340 g de peixe por semana pode reduzir em 36% o risco de morte por doença do coração

11% das mortes de homens e 16% dos óbitos de mulheres poderiam ser adiados graças à redução do consumo de carne vermelha

A taurina, aminoácido presente em peixes, ajuda a prevenir a diabetes

Vegetarianos têm menos osteoporose: como não consomem proteína animal, perdem menos cálcio pela urina

Produtos de origem animal possuem gordura saturada, que está relacionada ao aumento de LDL (colesterol ruim), e colesterol

Vegetarianos podem ser mais bem-humorados, pois consomem mais carboidrato - ligado à serotonina, responsável pelo bem-estar

Carne vermelha bem passada pode provocar câncer, pois produz aminas heterocíclicas, substância ligada à doença

Vegetais são ricos em substâncias antioxidantes, que têm papel importante na regulação da imunidade e prevenção de câncer

Esportistas gastam mais nutrientes como o ferro e podem precisar de reforço

Fonte: Luciano Giacaglia, endocrinologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e Michele Trindade, nutricionista clínica do Instituto de Metabolismo e Nutrição (Imen)

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20

nov
2012

imoveis rio de janeiro

Uma vida sem carne é muito mais saudavel.

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