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*Ciências da Natureza*

21

abr
2012

Genética

Sexo, cromossomos e ambiente

 

Há diferenças genéticas entre homens e mulheres? Como o sexo é determinado? Existem doenças genéticas que afetam um sexo majoritariamente? Questões como essas puderam ser respondidas quando se compreendeu a relação entre sexo e cromossomos em alguns grupos de animais, como mamíferos, aves e artrópodes.

 

Genética ou ambiente?

Por: Monica Bucciarelli Rodriguez

 

Os cromossomos - os "pacotes" que acondicionam a longa molécula do acido desoxirribonucleico, ou DNA, no núcleo das células - foram observados ainda no século XIX, mas seu papel como responsáveis pela herança genética só veio a ser desvendado no início do século XX. Uma importante contribuição para isso foi a constatação, em 1905, de que uma característica marcante de diferentes seres vivos, como o sexo, estava associada ao cromossomo batizado como "X". Esta e outras descobertas marcaram o início de um novo ramo da ciência - a genética, palavra inventada, por coincidência, também nesse ano.

 

O início do século XX acolheu o desabrochar dos fundamentos da genética, com a redescoberta dos trabalhos sobre a hibridação de ervilhas, publicados em 1865 pelo monge austríaco Gregor Mendel (1822-1884), e a proposição da teoria de que os cromossomos seriam responsáveis pela herança genética, pelo médico norte-americano Walter Sutton (1877-1916) e pelo biólogo alemão Theodor Boveri (1862-1915). Essa teoria mostrava a relação entre o comportamento dos cromossomos no processo de formação de gametas e as leis mendelianas de herança.

 

A associação de uma característica marcante, como o sexo, com a presença de um determinado cromossomo foi um aliado importante na aceitação da teoria cromossômica da herança genética. Mas esse não foi um trajeto simples. Afinal, seria o sexo determinado geneticamente? A meta científica é estabelecer uma lei geral e universal. E esse foi um dos empecilhos para a aceitação da ideia de determinação genética do sexo. Vários pesquisadores colecionavam evidências da influência ambiental na geração de fêmeas e machos em diversos organismos. Hoje, sabe-se que, em certas espécies animais, como tartarugas, o sexo é determinado por fatores ambientais, como a temperatura.

 

O citologista norte-americano Clarence E. McClung (1870-1946) foi o primeiro a associar, em 1902, a herança de um cromossomo extra com a determinação do sexo masculino em insetos, embora tenha analisado apenas a formação de espermatozóides (e nunca a de óvulos). Em 1891, o citologista alemão Hermann Henking (1858-1942) havia descrito esse cromossomo extra em células que sofriam meiose para formar espermatozóides de insetos como um corpúsculo nuclear e o chamou de "nucléolo de cromatina", "elemento cromático", "corpúsculo de cromatina" ou simplesmente "X".

 

Henking não acreditava que o corpúsculo descrito fosse um cromossomo, devido a sua morfologia distinta, ao fato de não parear com outros cromossomos durante a meiose e de estar presente em apenas metade dos espermatozóides resultantes. Portanto, e de McClung o mérito de identificar o corpúsculo X como um cromossomo e de propor o papel desse cromossomo na determinação do sexo. Mas a hipótese de McClung previa a presença do cromossomo extra no sexo masculino, embora não houvesse qualquer evidência nesse sentido. Ele contava, talvez, com a propagada ideia da superioridade masculina - nesse caso, seria de esperar que o macho dispusesse de maior quantidade de material genético.

 

A questão foi esclarecida em 1905, quando os pesquisadores norte-americanos Edmund

Beecher Wilson (1859-1939) e Nettie Maria Stevens (1861-1912) publicaram, respectivamente, os artigos Os cromossomos em relação à determinação do sexo em insetos e Estudos na espermatogênese com referência especial ao cromossomo acessório. Os dois autores, independentemente, explicaram a determinação do sexo pela presença de apenas um cromossomo X em machos e de dois cromossomos X em fêmeas. Wilson, cujo artigo já estava em processo de impressão quando recebeu o artigo de Stevens para analise, apoiou veementemente a publicação do outro trabalho. Por isso, ambos são considerados responsáveis pela teoria cromossômica de determinação de sexo.

 

Wilson e Stevens estabeleceram que algumas espécies tem um sistema do tipo X0 (o macho tem um cromossomo a menos que a fêmea) e outras tem um sistema do tipo XY, no qual os cromossomos sexuais são morfologicamente diferentes. Verificou-se mais tarde, entre as aves, que a fêmea apresenta dois cromossomos sexuais diferentes (que foram chamados de ZW) e o macho tem dois cromossomos sexuais iguais (ZZ). Fica, pois, patente, que a determinação de sexo não é universal entre os seres vivos.

 

Em uma época em que a genética engatinhava e a citologia sofria limitações técnicas consideráveis, foram muitas as dificuldades para o completo entendimento do papel dos cromossomos sexuais. Poucos anos depois, as evidências de herança de caracteres morfológicos ligadas ao cromossomo sexual X consolidariam a teoria cromossômica da herança e da determinação de sexo. Mas o cromossomo X continua revelando seus segredos. Na edição de 17 de março de 2005, a revista britânica Nature, um dos mais importantes periódicos científicos do mundo, trouxe dois artigos com os resultados do sequenciamento do cromossomo X e a determinação de seu padrão de expressão gênica em homens e mulheres. Portanto, os cromossomos sexuais ainda mantém algo de misterioso.

 

RODRIGUES, Monica Bucciarelli. Genética ou ambiente? Ciência Hoje, Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje. vol. 36, n. 216, jun. 2005, p. 69.

 

 

Mulheres percebem mais cor, diz estudo

 

O mundo é mais colorido para as mulheres. Literalmente: um estudo norte-americano sugere que boa parte delas enxerga mais cor do que os homens, devido a uma estranha transformação no gene envolvido na percepção da cor vermelha nas células da retina.

 

Ninguém sabe direito como ocorreu essa transformação. Mas o resultado de uma análise feita em 236 indivíduos pelos geneticistas Brian Verrelli e Sarah Tishkoff, da Universidade de Maryland em College Park (EUA), indica que cerca de 40% das mulheres produzem em sua retina um pigmento que absorve luz no espectro do vermelho-alaranjado.

 

Mulheres "normais" e homens produzem apenas três pigmentos: os responsáveis pela absorção do azul, do verde e do vermelho. A combinação da luz absorvida por esses três pigmentos, chamados genericamente opsinas, possibilita a visão colorida em humanos.

 

Os genes que trazem as receitas para fabricar as opsinas vermelha e verde estão alojados no cromossomo X, que caracteriza o sexo feminino quando ocorre em duplicata (o sexo masculino e definido quando outro cromossomo, o Y, faz par com o X).

 

Mulheres normais, portanto, tem duas cópias de ambos os genes. O que a dupla americana descobriu foi que em alguns casos a segunda cópia - ou "alelo", em cientifiquês - do gene para o pigmento vermelho foi "convertida" durante a evolução da espécie.

 

"Devido ao fato de existirem várias mutações que permitem a opsina vermelha absorver cor na faixa do vermelho-laranja, algumas mulheres tem tanto um alelo vermelho 'normal' em um cromossomo do par X quanto um alelo 'vermelho-laranja' alterado no outro", diz Verrelli, hoje na Universidade do Estado do Arizona. "Essas mulheres podem distinguir melhor as cores na faixa do espectro que vai do vermelho ao laranja", afirmou o pesquisador. [...]

 

ANGELO, Claudio. Mulheres percebem mais cor, diz estudo, Folha de São Paulo, 13/07/2004. Disponível em:

<http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u12157.shtml>. Acesso em 26 jan. 2010.

 

 

O fato das mulheres apresentarem dois cromossomos X, enquanto os homens contam com apenas um, interfere na forma de atuação dos genes presentes nesses cromossomos?

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4

jun
2012

Mayara

'Em alguns casos podem haver interferência sim, pois doenças ou características que estao ligadas ao cromossomo X e são recessivas por exemplo se manifestam apenas em mulheres sendo o homem apenas um portador e a doença em todos os casos(pelo menos na maioria ) nao se manifestam no sexo masculino por estar ligada cromossomo X e não ao Y

4

jun
2012

Lucas Toniolo

Sim, pois existem genes que ficam especificamente no cromossomo X, e como a mulher os possui em dobro a caracteristica que esse gene é responsavel por criar é ressaltada, mas nos homens nao, pois possuem apenas 1.

2

jun
2012

Caroline O. Nascimento

As mulheres tendo dois cromossomos X a chance dos genes interferir na pigmentação é bem maior que os homens. Elas têm a possibilidade de ter um alelo que absorve as cores “normais” e outro alterado, fazendo com que tenha uma distinção de cor melhor. Enquanto os homens só possuem um cromossomo X, tendo uma menos possibilidade de interferência dos genes, e se houver será em “menor escala” em relação a ocorrência nas mulheres.

2

jun
2012

Talita Santos

Não interfere. Porque é somente um dos X que vai atuar (ser dominante). Ex: A mulher é XX e o homem é XY, então pode vir um X ou um Y.

1

jun
2012

Nívia

sim, pois como mostra no texto há o exemplo da visão das mulheres, que em cerca de 40% das mulheres é melhor por perceber as cores entre vermelho e alaranjado, isso porque a mulher apresenta 2 cromossomos x, que são responsáveis pela presença dos genes da cor, e pela mulher ter 2 x ela tem esse gene duplicado, que em algusns casos, melhora sua visão. Isso nos mostra que a dupla ocorrência do cromossomo x pode sim afetar na atuação dos genes presentes.

1

jun
2012

Amanda

Como vimos o homem possui apenas um cromossomo X, e a mulher XX, no segundo texto vem falando sobre as mulheres enchergarem melhor, isso se deve a duplicata do X ( coisa que no homem não existe) penso eu então, o fato da mulher ter dois X , muda alguma coisa sim nos genes, a visão.

1

jun
2012

Gabriela Bortoleto

Acaba por interferir na quantitade, já que as mulheres tem dois cromossomos x elas possuem mais chance de terem caso característica seja dominante e menos chance caso seja recessiva em relação aos homens que possuem apenas um cromossomo x.

1

jun
2012

Victor Danelon

o texto fala sobre a diferença no homem por ter um cromossomo X e as mulheres XX, a pergunta é, se a diferença de cromossomos entre os dois, interfere nos genes. "O mundo é mais colorido para as mulheres. Literalmente: um estudo norte-americano sugere que boa parte delas enxerga mais cor do que os homens, devido a uma estranha transformação no gene envolvido na percepção da cor vermelha nas células da retina, " essa transformação deve-se a apresentar dois cromossomos X.

1

jun
2012

Isabela Fernandes

Não interfere, pois o homem tem um cromossomo X, e a mulher tem dois cromossomos X.

1

jun
2012

Stéfano

O que difere na forma de atuação do cromossomo X é em casos de doença, onde as vezes para um homem ter determinada doença, só é necessário o cromossomo X "infectado", enquanto nas mulheres para terem a mesma doença elas precisam ter os dois cromossomos X "infectados" sendo assim existem as anomalias genéticas propensas variantes pelo sexo, ou seja, pela chance de ocorrer anomalias em ambos ou não cromossomos sexuais

1

jun
2012

Isabela Fernandes

Interferem ao ponto de determinarem anomalias genéticas, como é o caso da calvície mais presentes em homens, o daltonismo, onde o cromossomo X interfere na presença da "doença", como no caso da calvície onde é muito mais fácil um homem ser calvo do que uma mulher, pois o homem só precisa que o cromossomo X esteja alterado, enquanto pras mulheres terem calvície, elas precisam dos dois cromossomos X alterados, o que é responsável pela diferença no numero de casos perante o sexo.

1

jun
2012

Carla Fernanda Côa 3º E.M

a pergunta se refere a transmissão de características ligados ao cromossomo X, como a hemofilia e daltonismo. Então a resposta certamente é sim. ele só interfere quando se refere à alguma característica específica do gene. Tipo, algumas anomalias por exemplo, que só os homens têm.

31

mai
2012

Carol Paixão

Sim, porque o cromossomo é uma sequência do DNA, que contém vários genes, que dão a características a uma pessoa, se a mulher apresenta dois cromossomos X eles vão atuar da mesma forma, dando as mulheres certas caracteristicas, já o homem possui apenas um X e outro Y que diferencia e interfere no modo de atuação do X e muda as cara

31

mai
2012

Gabriele Peres

acredito que só interfere quando apresenta característica específica do gene. Por exemplo, algumas anomalias onde só os homens adquirem, ou tambem se a mulher é portadora de alguma doença, que pode prejudicar seu filho quando te-lo.

31

mai
2012

Natalie F. Teixeira

A forma de atuação dos genes presentes no cromossomo X é divergente em homens e mulheres,pois as mulheres por possuírem este em dupla podem estar de certo modo 'menos' propensas à doenças ligadas a esse cromossomo. Os homens possuem dois cromossomos sexuais diferentes que não compartilham entre si todos os genes mas, as mulheres por terem essa dupla, a região ligada ao X possui dois alelos que funcionam como uma região homóloga. Nos homens não acontece essa homologia pois esta não ocorre entre X e Y, diversificando então a forma de atuação desses genes para homens e mulheres, tanto pela presença ou não de dois cromossomos X.

31

mai
2012

Gabriel Oliveira

Creio que não, pois, de acordo com os textos, o cromossomo X irá desenvolver sua funcionalidade normalmente. No entanto, como diz o segundo texto, o cromossomo X terá mais impacto na mulher do que no homem, já que está em duplicata na mulher. No homem, o fato de haver um outro cromossomo (Y), terá características diferentes da mulher, pois possui as características do cromossomo Y (exceto para homens X0, caso exista algum).

31

mai
2012

Gabriel Oliveira

Creio que não, pois, de acordo com os textos, o cromossomo X irá desenvolver sua funcionalidade normalmente. No entanto, como diz o segundo texto, o cromossomo X terá mais impacto na mulher do que no homem, já que está em duplicata na mulher. No homem, o fato de haver um outro cromossomo (Y), terá características diferentes da mulher, pois possui as características do cromossomo Y (exceto para homens X0, caso exista algum).

31

mai
2012

Natasha

Segundo o texto o cromossomo X desenvolverá sua função normalmente,porém este cromossomo X terá mais impacto na mulher que no homem,pois está duplicado.No caso do homem,que têm o cromossmo Y têm suas características diferentes das mulheres,pelo fato de apresentar o cromossomo Y,menos homem que apresentam X0,portanto não influenciará na atuação dos genes,apenas pode interferir em uma caracteristica especifica do gene,como alguma anomalia por exemplo,que apenas homens têm.

31

mai
2012

Beatriz Puga

Nçao interfere, porque da mulher atuará apenas um X, porque ela é XX e do homem atuará X ou Y, porque ele é XY, sendo assim apenas o X vai interferir na forma de atuação dos genes presentes nesses cromossomos, pois ele é dominante.

28

mai
2012

Juliano

Necessariamente não interfere, pois somente um gene vai ser o "dominante". A não ser em alguns casos específicos como no caso de algumas mulheres enxergarem mais cores que os homens. O segundo gene está presenta mais pelo fato de ser um "gene reserva", em que se o primeiro falhar o segundo assumirá o papel de dominante.

30

abr
2012

Matheus Raetz de Oliveira

Interfere em alguns casos específicos do gene, como o fenômeno descrido no segundo texto em que ocorre somente nas mulheres.

23

abr
2012

Macsaiara

Como podemos ver, o texto explica, que os machos tem um cromossomo a menos que as fêmeas, nos estudos das aves, as fêmeas tem dois cromossomos sexuais diferentes, e os machos dois cromossomos iguais, isso implica pra que a determinação do sexo não seja universal dos seres vivos. Não era fácil, o entendimento dos pesquisadores quando estavam tentando descobrir os cromossomos sexuais, isso dificultava naquele tempo, porque não tinha tanta tecnologia quanto agora, portanto ainda não foram descoberto tudo o que os cromossomos apresentam. O fator das mulheres terem dois cromossomos X, interfere, porém as mulheres podem distinguir melhores as cores, do que os homens, além disso o cromossomo X, permite essa características por causa de maior quantidade de DNA, ou também devido o maior número de genes.

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