Portal da Educao Adventista

*Ciências da Natureza*

14

mar
2013

Nanopartícula feita de veneno de abelha pode matar HIV

Carregada com a toxina melitina, a partícula consegue romper o envelope de proteção do vírus HIV

Uma toxina presente no veneno de abelhas pode ajudar a combater o vírus do HIV. Em uma pesquisa publicada no periódico Antiviral Therapy, pesquisadores da Universidade de Washington conseguiram que uma nanopartícula carregada com a toxina melitina destruísse o vírus. Segundo eles, a descoberta pode ser um passo importante no desenvolvimento de um gel vaginal eficaz em prevenir a disseminação do vírus causador da AIDS.

A toxina melitina, presente no veneno da abelha, tem uma ação tão potente que consegue fazer pequenos buracos na camada protetora que envolve o HIV %u2014 assim como outros vírus. Quando essa toxina é colocada dentro das nanopartículas, no entanto, as células normais não são prejudicadas por sua ação. Isso porque a equipe de pesquisadores adicionou uma espécie de pára-choques de proteção em sua superfície. Assim, quando entra em contato com uma célula normal, que é muito maior em tamanho, a nanopartícula se afasta. O vírus do HIV, por outro lado, é menor do que a nanopartícula, cabendo no espaço existente entre esses pára-choques. Ao fazer contato com a superfície da partícula, o HIV entra em contato também com a toxina da abelha. "A melitina forma pequenos complexos de poros e rompe o envelope do vírus, arrancando esse envelope", diz Joshua L. Hood, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.

Ataque %u2014 Segundo os pesquisadores, uma das vantagens da nova abordagem é que a nanopartícula ataca uma parte essencial da estrutura viral: o envelope protetor. A maioria dos medicamentos anti-HIV disponíveis hoje no mercado atuam inibindo a habilidade do vírus de se replicar. Essa estratégia, no entanto, não consegue barrar a infecção inicial, e algumas cepas do vírus acabam driblando o remédio e se reproduzindo mesmo assim. "Teoricamente, não há como o vírus se adaptar a nossa técnica. O vírus precisa ter essa capa protetora, essa camada dupla que o reveste."

Além da prevenção na forma de gel vaginal, Hood também espera que essas nanopartículas possam ser usadas como uma terapia para infecções por HIV já existentes, especialmente aquelas resistentes a drogas. Nesse contexto, as nanopartículas poderiam ser injetadas no paciente de maneira intravenosa e, em tese, seriam capazes de eliminar o HIV da corrente sanguínea.

"A partícula básica que estamos usando no experimento foi desenvolvida há muitos anos como um produto sanguíneo artificial", diz Hood. "Ela não funcionou muito bem para a entrega de oxigênio, mas circula de maneira segura pela corrente sanguínea e nos dá uma boa plataforma adaptável para o combate a diferentes tipos de infecção." Como a melitina ataca indiscriminadamente membranas duplas, o conceito não se limita apenas ao HIV. Diversos vírus, incluindo hepatite B e C, contam com o mesmo tipo de envelope protetor e seriam vulneráveis às nanopartículas carregadas com melitina.

 

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9

mar
2013

Contaminações por micróbios

Sua bolsa é sim, um depósito de germes e bactérias. Isso se deve ao fato do acúmulo de muitos objetos dentro delas contendo esses microrganismos, que podem provocar doenças, como resfriados ou até algo pior, como uma gastroenterite, por exemplo.

Germes adoram qualquer alimento, principalmente que contenham umidade e açúcar.

Em contato com a bactéria E. coli, uma goma de mascar pode facilmente causar diarreias e dores abdominais. Por isso, mantenha tudo selado com plástico e elimine as embalagens de balas e guloseimas.

Absorventes higiênicos, por exemplo. Tanto o tipo tradicional quanto o tampão interno costumam ser envoltos em papel frágil, que se rasga com facilidade. O resultado são portas abertas para a sujeira que fica grudada no revestimento interno da bolsa. Para não arriscar pegar uma infecção vaginal, mantenha apenas um ou dois, dentro de um nécessaire menor, em um saco plástico novo e lacrado.

Fuja de batons com a validade vencida. Se tiver hidratante na fórmula, é pior, pois os microrganismos adoram umidade. Não empreste às amigas, pois também há risco de pegar herpes labial, candidíase oral (sapinho) e cáries. Contaminado, serve de trampolim ao Helicobacter pylori, germe causador da gastrite e da úlcera.

A escova de dentre é outro perigo. Deve ser trocada de três em três meses no máximo e a cada uso lavá-la com água e uma solução de gluconato de clorexidina a 0,12%, especialmente se ela fica exposta no banheiro antes de ser colocada na bolsa. As cerdas podem abrigar desde bactérias fecais até as causadoras de otite, conjuntivite e sinusite.

Cuidado também com comprimidos. Remédios que ficam expostos ao oxigênio e ao calor dentro da bolsa podem provocar uma bela dor de cabeça. O ideal é levar apenas a quantidade para consumo diário e em um recipiente.

Escovas de cabelo também são um abrigo para fungos. Suas cerdas podem conter ácaros, o vilão das alergias e fungos da caspa. Deixar esse objeto exposto ao lado de outras coisas dentro da bolsa, como uma fruta, por exemplo, é que mora o principal inimigo. Por isso o recomendável é lavar a escova de dois em dois dias, com água e sabão. E usar separadores dentro da bolsa.

Já a carteira é um dos principais alvos de contaminação. Tudo porque as notas de dinheiro passaram por lugares que jamais imaginamos, sem contar quantas vezes elas passaram de mãos em mãos. As cédulas transportam germes como o Staphylococcus aureus, que provoca otite, conjuntivite, sinusite e doenças alimentares, entre infecções. Além da Candida albicans, causadora de candidíase e fungos das micoses. Para se proteger, lave bem as mãos. Géis antissépticos são úteis, mas o ideal é sempre lavar as mãos.

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9

mar
2013

Transplante de célula-tronco pode ter curado pessoas com HIV

Estudo sobre nova técnica foi divulgado durante conferência nos EUA. Pacientes receberam transplante de medula e tratamento com antirretroviral.

*Com informações da France Presse

Um estudo divulgado em Washington, durante a 19ª Conferência Internacional da AIDS, afirma que dois homens com HIV não apresentaram sinais do vírus no período de oito e 17 meses, respectivamente, depois de receber transplantes de células-tronco devido a uma leucemia.

A pesquisa feita por Daniel Kuritzkes, professor de medicina do Hospital Brigham and Women, em Massachusetts, traz a possibilidade de que os dois homens estejam livres do HIV.

De acordo com os cientistas, as células-tronco transplantadas repovoaram o sistema imunológico dos pacientes e os traços de HIV foram perdidos. Após receberem a medula de doadores, foi mantido o tratamento com antirretrovirais. Isso permitiu que as células doadas não fossem infectadas e criou ainda defesas imunitárias.

Atualmente, de acordo com o estudo, não há traços de HIV no DNA, RNA ou ainda no sangue dos homens que serviram de cobaia. De acordo com a pesquisa, o próximo passo será determinar a existência de HIV nos tecidos.

Os dois casos são diferentes do famoso "paciente de Berlim", o americano Timothy Brown, que se considera curado do HIV e da leucemia após receber um transplante de medula óssea de um raro doador que possuía resistência natural ao HIV (sem receptor CCR5, que age como porta de entrada do vírus nas células).

Tratamento experimental

Brown, 47 anos, um ex- HIV positivo de Seattle, nos EUA, ficou famoso depois de passar por um novo tratamento de leucemia com células-tronco de um doador resistente ao HIV e desde então não apresenta traços do vírus.

Depois de 2007, Brown passou por dois transplantes de alto risco de medula óssea e seus testes continuam a indicar negativo para o HIV, impressionando os pesquisadores e oferecendo perspectivas promissoras sobre como a terapia genética pode levar à cura da doença.

"Eu sou a prova viva de que pode haver uma cura para a AIDS ", disse Brown em uma entrevista. "É maravilhoso estar curado do HIV". Brown parecia frágil quando se reuniu com jornalistas durante a XIX Conferência Internacional sobre a AIDS, o maior encontro mundial sobre a pandemia, realizada durante esta semana na capital americana.

O transplante de medula óssea é delicado e um a cada cinco pacientes não sobrevive. Mas Brown afirma que apenas sente dores de cabeça ocasionais. Também disse estar consciente de que sua condição gerou polêmica, mas negou as afirmações de alguns cientistas que acreditam que ele pode ter traços de HIV no corpo e que pode contaminar outros. "Sim, estou curado", declarou. "Sou HIV negativo".


Prazo de vida

Brown estudava em Berlim quando descobriu ser HIV positivo, em 1995. Na época, deram-lhe dois anos de vida. Contudo, um ano depois, apareceu no mercado a terapia antirretroviral combinada, que fez com que o HIV deixasse de ser uma sentença de morte e passasse a uma doença controlável por milhões de pessoas em todo o mundo.

Brown tolerou bem as drogas, mas com fadiga persistente visitou um médico em 2006 e foi diagnosticado com leucemia. Passou por quimioterapia, o que lhe causou uma pneumonia e uma infecção que quase o matou.

A leucemia voltou em 2007 e seu médico, Gero Heutter, cogitou um transplante de medula óssea com um doador que tinha uma mutação do receptor CCR5. Pessoas sem este receptor parecem ser resistentes ao HIV, porque não têm a porta através da qual o vírus entra nas células. Mas essas pessoas são raras: cerca de 1% da população do norte da Europa.

A nova técnica pode ser uma tentativa para curar o câncer e o HIV, ao mesmo tempo. Brown foi submetido a um transplante de medula óssea com células-tronco de um doador com a mutação CCR5. Ao mesmo tempo, parou de tomar antirretrovirais. No fim do tratamento o HIV não foi mais identificado em Brown. Mas sua leucemia retornou, e por isso foi submetido a um segundo transplante de medula em 2008, utilizando as células do mesmo doador.

Brown afirmou que sua recuperação da segunda cirurgia foi mais complicada e o deixou com alguns problemas neurológicos, mas continua curado da leucemia e do VIH. Quando perguntam se acredita em um milagre, Brown hesita. "É difícil dizer. Depende de suas crenças religiosas, se você quer acreditar que foi a ciência médica ou que se trata uma intervenção divina", disse. "Eu diria que é um pouco dos dois".

 

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9

mar
2013

Cientistas pedem cautela no caso do bebê "curado" de AIDS

Fonte: Jornal de Hoje

Bebê é filho de mãe infectada pelo HIV. A criança nascida no Mississippi foi medicada com três drogas usadas para tratamento e não para a profilaxia da AIDS. Os níveis do vírus diminuíram rapidamente. Mas, cientistas questionam.

Apesar de ter causado entusiasmo a notícia de que médicos dos Estados Unidos teriam conseguido curar um bebê infectado pelo vírus HIV, o transmissor da AIDS, os cientistas de todo o mundo estão pedindo cautela antes de comemorar os resultados. O trabalho ainda falta ser submetido à chamada revisão por pares, quando os dados de um estudo são esmiuçados por especialistas independentes. No Brasil, os médicos também pedem detalhes mais aprofundados sobre o caso.

"Se esse resultado for confirmado, vai ser realmente uma coisa incrível. Mas, ainda é cedo para tirar qualquer conclusão. Só o tempo é que vai dizer, como essa criança vai reagir, se ela vai ficar indefinidamente sem manifestação laboratorial e clínica do HIV", avaliou o infectologista Caio Rosenthal, do Hospital Emílio Ribas.

Médicos norte-americanos disseram que conseguiram pela primeira vez curar um bebê com HIV. O trabalho foi apresentado ontem num congresso especializado em Atlanta, no Estado da Geórgia. Mas os detalhes foram antecipados ao jornal The New York Times. A criança, que nasceu em uma zona rural do Estado do Mississippi, foi tratada com remédios antirretrovirais 30 horas depois de seu nascimento, um procedimento sem ser o normalmente adotado nesses casos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o tratamento com o AZT, uma droga antirretroviral de aplicação consagrada no coquetel de combate ao vírus.

A criança, que tem agora dois anos e meio, está há cerca de um ano sem tomar medicamentos e não apresenta sinais do vírus. Se estudos futuros comprovarem o resultado e indicarem que o método funciona com outros bebês, o tratamento de recém-nascidos infectados em todo o mundo deve mudar, dizem especialistas. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), há mais de três milhões de crianças vivendo com vírus da AIDS.

Quando chegou a um hospital na zona rural, em 2010, a mãe da criança já estava em trabalho de parto. Ela deu à luz prematuramente. Como a mãe não havia feito qualquer exame pré-natal, ela desconhecia ser portadora do HIV. Quando um exame mostrou que ela estava infectada, o hospital transferiu a criança para o Centro Médico da Universidade do Mississippi, onde chegou com cerca de 30 horas de vida. A médica responsável pelo caso, numa entrevista ao Times, disse que solicitou duas amostras de sangue com uma hora de intervalo para testar a presença do HIV no RNA e no DNA do bebê.

Os exames identificaram 20 mil cópias do vírus por milímetro de sangue, índice baixo para bebês. Sem esperar os exames que confirmariam a infecção, a médica deu à criança três drogas usadas para tratamento, e não para a profilaxia. Com esse tratamento, os níveis do vírus diminuíram rapidamente, e ficaram indetectáveis quando o bebê completou um mês de vida.

 

ENTENDA A NOTÍCIA

Os especialistas afirmam que o caso do bebê norte-americano pode mudar a atual prática médica, ao revelar o potencial de um tratamento antirretroviral muito cedo, após o nascimento de crianças com altos riscos potenciais.

 

Saiba mais

Quando a criança completou 18 meses, a mãe parou de levá-la ao hospital. Ao retornarem, os testes deram negativo. Suspeitando de erro nos exames, ela pediu mais testes. Uma quantidade praticamente desprezível de material genético viral foi encontrado, mas sem vírus que pudesse se replicar. Por isso, foi uma cura funcional da infecção. Mais testes ainda são necessários para verificar se o tratamento teria o mesmo efeito em outras crianças.

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3

nov
2012

O que é alergia?

A alergia é uma reação de hipersensibilidade a uma substância geralmente inofensiva. Há uma série de substâncias, chamadas de alergênicos, que podem incomodar. Dentre os alergênicos comuns encontram-se pólen, pelo animal, pó caseiro, penas, ácaros, esporos de fungos, substâncias químicas presentes em alimentos ou produzidas por determinados organismos e mesmo remédios.

Algumas alergias causam principalmente sintomas respiratórios; outras podem gerar sintomas diversos como dor de cabeça, fadiga, febre, diarréia, dor de barriga e vômito.

Uma pessoa com alergia respiratória pode ter nariz entupido e/ou coriza, espirros, coceira na pele e nos olhos e/ou olhos vermelhos, lacrimejantes.

Na presença de um alergênico, o sistema imunológico libera histaminas e sustâncias químicas semelhantes para combater o que considera um agente invasor. Essas substâncias químicas causam uma série de reações, inclusive inchaço, congestão das vias nasais e maior produção de muco. É basicamente uma reação hipersensível ou excessivamente ativa do corpo ao estímulo externo.

As alergias também podem contribuir para a ocorrência de outros problemas de saúde crônicos, como acne, asma, infecções de ouvido crônicas, irritabilidade e até mesmo dificuldade de concentração. As reações alérgicas podem ocorrer imediatamente após a exposição à substância agressora ou podem demorar dias para aparecer. Uma reação alérgica retardada pode dificultar a detecção do alergênico.

O choque anafilático é uma violenta reação alérgica, causada por hipersensibilidade a certas substâncias, por exemplo, veneno de vespas e abelhas, anestésicos usados em cirurgias ou mesmo certos alimentos, como amendoim ou peixes. Nesses casos ocorre uma rápida eliminação de histamina pelos mastócitos, havendo dilatação dos vasos sanguíneos periféricos e consequente queda repentina da pressão sanguínea, podendo haver morte em poucos minutos.

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3

nov
2012

Do esgoto para o caramujo

O pescador André Severino dos Santos, 33 anos, herdou o mal que matou o pai dele há sete meses. Não é congênito, mas pode se multiplicar em família quando a exposição é repetida de geração em geração. André e o pai são vítimas da esquistossomose, provavelmente introduzida no Brasil com o tráfico de escravos africanos, e que encontrou vida longa em alagados e barrigas pernambucanas. O Estado é campeão brasileiro em mortes pela doença. Sinal de uma boa vigilância, que não deixa escapar um só registro? Nem tanto. Más condições sanitárias se perpetuam em pleno desenvolvimento econômico.

De 1950, quando foi realizado o primeiro inquérito nacional sobre a doença, até hoje, a paisagem mudou um pouco, com casas de alvenaria, energia elétrica, internet e água encanada. Mas a rede de distribuição não chega a todos e a coleta e tratamento de esgoto, por onde deveriam escorrer fezes infectadas, é coisa rara. Na Zona da Mata, Litoral e até em comunidades da metropolitana Jaboatão dos Guararapes, há famílias sem torneira ou banheiro. Pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz constataram nas últimas duas décadas o Shistossoma mansoni em caramujos de água doce e nas fezes de moradores em toda essa extensão, inclusive no Recife.

Por mês, o principal serviço de referência, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco admite oito novos doentes crônicos, com a forma grave da doença parasitária, etapa na qual o verme já provocou estragos quase irreparáveis, dilatando vasos do esôfago, matando por hemorragia digestiva. No Hospital da Restauração, também chegam crianças e adultos com lesões no sistema nervoso. E no Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape) chama a atenção a hipertensão pulmonar pela esquistossomose. Não há só amarelos e com barriga d'água. A esquistossomose ganhou outras feições.

 

Barriga d'água e até paralisia

A presença da esquistossomose entre as gerações é visível nas pesquisas, nas lembranças de quem sobreviveu à doença e dos que permanecem expostos a ela. Embora não tenha concluído o novo inquérito nacional sobre a endemia, a bióloga Constança Simões Barbosa, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, comprova em seus recentes estudos a sobrevivência do verme na Zona da Mata e sua franca expansão por todo o Litoral. A Lagoa do Náutico, em Jaboatão dos Guararapes, é endereço certo do ciclo interminável homem-esgoto-caramujo-homem, onde o pescador André Severino dos Santos, 33 anos, primeiro personagem dessa matéria, passa a maior parte do tempo. Ele é herdeiro da praga que mata cerca de 200 pernambucanos por ano. Além de ver o pai morrer de hemorragia digestiva por causa do verme, André já carregou o bicho na barriga e não tem como evitar o contato com a água contaminada. Evandro Barros, da mesma geração, residente em Gameleira, Zona da Mata Sul do Estado, está com 35 anos e desde os 18 perdeu o movimento das pernas porque o xistossomo se alojou na sua medula.

Jaboatão e Gameleira marcam o início da expedição jornalística. O território vizinho da capital, com a segunda maior população de Pernambuco, e a outra cidade pertencem ao grupo das 108 em que a esquistossomose é endêmica. Na metade do século passado, 86% dos moradores de Gameleira tinham o verme. Em Jaboatão, 52% estavam na mesma situação. Aquela foi a primeira grande pesquisa realizada no Brasil para definir a distribuição da verminose, coordenada por Barca Pellon e Isnard Teixeira, do então Ministério da Educação e Saúde.

A média de positivos, no Estado, foi de 25% e os pesquisadores presumiram, então, que um quarto dos pernambucanos estavam infestados. Foram testadas 50.365 pessoas em idade escolar e 608 de outras faixas etárias. Nada menos que 12.752 tinham o xistossomo. Os trabalhos, dirigidos pelos médicos Lessa de Andrade e Orlando Parahym, não encontraram muita distinção entre sexo, cor e residência rural ou urbana.

Sessenta e um anos depois, o Programa de Enfrentamento das Doenças Negligenciadas da Secretaria de Saúde de Pernambuco encontrou 8.414 infestados, nos municípios endêmicos, num universo de 165.458 exames realizados. São agora 5% positivos para verme índice quatro vezes menor, mas inaceitável. No intervalo de seis décadas, a responsabilidade pelo controle da esquistossomose saiu de mãos federais para municipais. Em vez dos guardas sanitários da Sucam (depois chamada Funasa), foram os agentes de endemias, contratados pelas prefeituras, que passaram a entregar casa a casa potes para coleta de fezes. Mas os resultados dos exames nem sempre chegaram em tempo hábil no endereço certo. E as condições sanitárias não mudaram totalmente. Resultado: muitas famílias só descobrem a esquistossomose pela morte.

1950 Primeiro inquérito nacional da esquistossomose constatou endemia em Pernambuco, que atingia um quarto da população. Riacho das Cascatas, em Jaboatão, era um dos criadouros de caramujos infectados, mostrava o 5º volume das Publicações Avulsas do Centro Aggeu Magalhães (Fiocruz-PE), em 1956

O pescador André compreendeu há 11 meses, com a morte do pai, o poder devastador da doença. "Para essa lagoa (a do Náutico) ficar livre do xistossomo, é preciso tratar o canal, tirar os esgotos", compreende. Tem medo de entrar nela? "Medo eu tenho, mas vou fazer o quê?", responde, com a responsabilidade de criar três filhos e a mulher, todos dependentes da pesca. Antes, a situação era pior. Há um ano morava às margens do lago e convivia com o caramujo transmissor da doença em tempo integral. Um projeto de ampliação viária na cidade acabou transferindo para outro lugar André e dezenas de moradores.

2012 - Na Zona Rural de Gameleira, Mata Sul de Pernambuco, adolescentes, crianças e adultos se expõem à doença, usando riacho para lavar roupas e tomar banho. Faltam água encanada e banheiros

Não muito distante dali, na localidade de Suvaco da Cobra, famílias retiram água de um cano no meio da rua. "Deixei de pagar a conta. Não chega água todo dia", comenta José Henrique Silva. Num prolongamento da Vila Boa Esperança, denunciam que suas casas nunca foram ligadas à rede de abastecimento, embora muitos vivam por lá há quase 20 anos. "A Compesa não atende nossos apelos", conta Júlia Alves. "Vivemos desprezados", afirma a vizinha. Coleta de esgoto, só quando há fossa no quintal. Numa das casas, Severina Silva conta que o marido Vicente Caboclo de Lima, 72 anos, está na UTI do Hospital Dom Helder Câmara, na cidade vizinha do Cabo de Santo Agostinho. "Ele está muito mal, tem a barriga crescida". Vicente morreu duas semanas depois. O hospital não confirma a esquistossomose. Ele morreu de pneumonite, hepatite C, cirrose hepática. Desde que foi inaugurada, há dois anos, a unidade estadual já internou nove pessoas que tinham a esquistossomose como doença principal. Em outros 31 casos, ela foi citada como enfermidade secundária. Em tese de mestrado pela Fiocruz, o epidemiologista Antônio Leite concluiu no ano passado que é possível fazer o diagnóstico presumível da esquistossomose na presença de doenças associadas a ela.

A hipertensão pulmonar é uma delas. E foi esse mal que fez o jardineiro Aurélio Olímpio Gomes, 45 anos, morador do Cabo de Santo Agostinho, descobrir que é portador do xistossomo. Há 12 anos, andando de bicicleta, passou mal e caiu. Procurou a agente de saúde e foi examinado pelo médico do posto perto de casa. De lá, foi encaminhado ao Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco, onde vez por outra se interna passando mal.

Na cidade de Gameleira, as múltiplas faces da doença também se revelam, como a que deixou Evandro sem andar. O hoje auxiliar de serviços gerais, funcionário público do município, anda com a ajuda de muletas. "Aos 18 anos, deu uma dor forte nas costas. Achava que era problema de coluna. No segundo dia, perdi força nas pernas e caí. No Hospital de Ribeirão (cidade vizinha), o médico me perguntou se eu tinha tomado banho de rio. Suspeitou da esquistossomose". A suspeita confirmou-se no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, onde passou quase dois meses internado. Evandro tomava banho no Rio Sirinhaém e não sabia do risco de contrair a doença. "Só agora sei que o verme se aloja no caramujo e dele passa pra gente. Depois de muita fisioterapia consegui sair da cama", conta.

As lesões neurológicas são raras mas numa região endêmica tornam-se mais comuns, explica a médica Ana Lúcia Coutinho, do Hospital das Clínicas, que se dedica à esquistossomose como fez seu pai, Amaury Coutinho. Por mês, indigna-se a médica, são oito novos casos crônicos admitidos no ambulatório de gastroenterologia da unidade de saúde, depois de uma hemorragia ou de outra complicação séria, descobrindo só assim a condição de portador. No início do século passado, a situação era pior. O diagnóstico da esquistossomose era dado após a morte do paciente, segundo registros da cadeira de anatomia patológica da Faculdade de Medicina do Recife, assinados por outro Coutinho, Aluízio Bezerra, primo de Amaury.

1950 - Inquérito de verminoses realizado por Barca Pellon e Isnard Teixeira mapeou em todo o Estado, dividido em seis regiões, a proporção de escolares de 7 a 14 anos infestados por vermes (ancilostomídeos, xistossomo e helmintos). Destacaram-se a Zona da Mata, Litoral e Agreste.

2005 | 2011 - Mapeamento feito por Constança Simões Barbosa (Fiocruz-PE) sobre caramujos transmissores da esquistossomose no Litoral pernambucano. Quanto mais vermelha a área, maior densidade das espécies da Biomphalaria (glabrata e stranmínea). Losangos amarelos mostram locais onde foram encontrados caramujos infectados.

TRATAMENTO COLETIVO

Sem saneamento básico em grande parte de sua extensão - só pouco mais de um terço dos domicílios estão ligados à rede coletora de esgoto-, não resta outra arma para conter a transmissão da esquistossomose em Pernambuco, a não ser tratar as pessoas infestadas pelo verme. Mas a estratégia defendida pelo Estado, com a conivência do Ministério da Saúde, mal começou e já atrai muitas críticas. "É louvável a intenção, mas existem muitas dificuldades na prática", diz a agente de saúde de Gameleira. Além de temer reações nos moradores sem que haja médico de retaguarda o tempo todo, Lucineide lembra que há uma contradição. Ela tem que orientar a comunidade a só tomar remédio prescrito pelo médico e agora, com o tratamento em massa, tem que convencer as famílias a tomar os comprimidos contra o verme da esquistossomose sem receita e sem comprovação de que a pessoa está infestada.

Gameleira, na Mata Sul, tem 27.912 moradores. O Censo 2010 do IBGE encontrou 545 domicílios sem banheiro e 1.195 abastecidos com poço ou nascente fora da propriedade

Jaboatão dos Guararapes é a segunda cidade mais populosa do Estado, com 649.787 habitantes. Lá, há 79.067 casas com banheiro ligado à fossa rudimentar e 51.169 à rede de esgoto ou pluvial

(ALMEIDA, Verônica. "Do esgoto para o caramujo". JC Online - Expedições sem Fim, 14 ago. 2012. Disponível em: http://especiais.ne10.uol.com.br/expedicoes/esquistossomose.html. Acesso em: 15 ago. 2012.)

 

Responda nos comentários: Por que neste caso o tratamento coletivo é a melhor opção, mesmo sendo contra-indicado pela Organização Mundial da Saúde?

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24

mai
2012

Musgo 2012

Sou musgo sim!!!!!

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19

mar
2012

HIV é centenário

Agência FAPESP - Um estudo feito por um grupo internacional de pesquisadores indicou que a forma mais comum do vírus HIV começou a se espalhar entre humanos no período entre 1884 e 1924, e não durante a década de 1930, como havia sido relatado em estudos anteriores.

A origem mais antiga do vírus coincide com o estabelecimento de centros urbanos na África ocidental e central, região onde emergiu a epidemia desse tipo específico - o HIV-1 grupo M -, sugerindo que a urbanização e os comportamentos de alto risco a ela associados favoreceram a pandemia de HIV-Aids. A pesquisa foi publicada na edição da revista Nature.

O estudo, coordenado por Michael Worobey, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, foi financiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês), parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Para chegar aos resultados, a equipe de cientistas de quatro continentes rastreou amostras de tecidos múltiplos e descobriu a segunda sequência genética mais antiga do mundo do HIV-1 grupo M, que data de 1960. Os cientistas a utilizaram então, juntamente com dezenas de outras sequências de HIV-1 previamente conhecidas, para construir árvores genealógicas plausíveis para esse subtipo viral.

Os comprimentos dos ramos da árvore representavam os períodos de tempo em que os vírus divergiram geneticamente de seus ancestrais. A duração e o número dessas mutações genéticas permitiram que os cientistas calibrassem os prováveis intervalos de taxas em que as árvores genealógicas cresceram - o que corresponde provavelmente às taxas de evolução do HIV-1 grupo M.

Com base nessas taxas, os cientistas projetaram retroativamente o período em que as árvores genealógicas provavelmente estavam em suas raízes: por volta da virada do século 20. Isso marca a provável data de origem do HIV-1 grupo M, segundo eles.

Utilizando novas técnicas, os cientistas recuperaram os fragmentos do gene de HIV de 1960 a partir de uma biópsia de tecido de nódulo linfático de uma mulher de Kinshasa, na República Democrática do Congo. A sequência genética mais antiga conhecida do HIV-1 grupo M, de 1959, foi retirada de uma amostra de sangue de um homem também de Kinshasa.

A comparação entre a mesma região genética dos vírus de 1959 e 1960 forneceu evidências adicionais de que seu ancestral comum existia em 1900. A análise revelou que o grau de divergência genética entre essas duas sequências de HIV levou mais de 40 anos para evoluir.

De acordo com Worobey, o grupo conseguiu comparar, pela primeira vez, duas estirpes relativamente antigas de HIV. "Isso nos ajudou a calibrar a velocidade com que o vírus evoluiu e possibilitou algumas inferências robustas sobre quando ele passou para os humanos, com que velocidade a epidemia cresceu a partir daquela época e quais fatores permitiram que o vírus se tornasse um patógeno humano de sucesso", afirmou.

As pesquisas mostram que o HIV passou dos chimpanzés para humanos no sudeste dos Camarões. Worobey afirma que, a partir daí, a epidemia entre seres humanos esteve sempre correlacionada ao crescimento de centros urbanos nessa área, especialmente no Congo, na República Democrática do Congo, na República Centro Africana, no Gabão e na Guiné Equatorial.

Por volta de 1960, um grande número de pessoas nessa região foi infectada com o HIV, o que se refletiu na considerável diversidade genética do vírus. "A partir daí, a epidemia se espalhou para diferentes partes do mundo. Em 1981, as pessoas começaram a perceber que algo preocupante estava acontecendo", disse Worobey.

O artigo Direct evidence of extensive diversity of HIV-1 in Kinshasa by 1960, de Michael Worobey e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Pensando no artigo que você leu e no filme que assistimos em aula, por que a aglomeração nos centros urbanos teria favorecido a proliferação do vírus HIV? E mais, por que é tão difícil fazer uma vacina para este tipo de vírus?

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19

mar
2012

Como a gripe se espalha pelo mundo

Agência FAPESP - Da Ásia para o mundo, ano após ano. Focos sazonais de gripe causados pelo vírus da influenza do tipo A (o mais comum) evoluem constantemente em epidemias que se sobrepõem umas às outras na Ásia e, a partir dali, espalham-se pelo resto do planeta.

A afirmação é de um estudo publicado na edição de 18 de abril da revista Science. De acordo com a pesquisa, feita por cientistas da Europa, Estados Unidos, Japão e Austrália, o vírus se manifesta inicialmente no leste e no sudeste da Ásia e, de seis a nove meses depois, espalha-se pela Oceania, Europa e América do Norte. Mais alguns meses e alcança a América do Sul, onde termina seu ciclo.

De acordo com a pesquisa, essa movimentação a partir do que chamaram de "rede de circulação do leste e sudeste asiático" tem ocorrido desde 2002. Os cientistas analisaram 13 mil amostras do subtipo H3N2, colhidas em seis continentes de 2002 a 2007 pela Rede Mundial de Vigilância da Influenza, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Foram comparadas diferenças físicas entre as amostras em uma glicoproteína de superfície. Essa proteína, a hemaglutina, é o alvo primário da resposta imunológica e mesmo pequenas alterações nela facilitam a ação do vírus para invadir o sistema imunológico.

Por meio da análise, os pesquisadores identificaram diferentes cepas do vírus do tipo A à medida que elas se manifestavam em diferentes continentes. Com isso, foi possível construir um mapa da circulação mundial do vírus.

Segundo a OMS, as epidemias de gripe atingem anualmente de 3% a 15% da população mundial, provocando de 3 milhões a 5 milhões de casos de gravidade considerada severa e de 250 mil a 500 mil mortes.

"O principal objetivo de nossa colaboração é aumentar a capacidade de estimar a evolução do vírus da influenza. Esse estudo representa um passo à frente nesse caminho e, particularmente, destaca a importância de futuras colaborações na vigilância a partir do leste e do sudeste da Ásia", disse Derek Smith, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e um dos autores do trabalho.

Para eles, os resultados poderão ajudar nas iniciativas de combate à doença. Ao centralizar esforços de controle na Ásia, será possível avaliar os tipos de vírus com mais chances de causar epidemias em outras regiões.

Com isso, os sistemas de saúde poderão decidir quais cepas deverão ser usadas na produção de vacinas a cada ano. Em todo o mundo, são vacinados cerca de 300 milhões de pessoas anualmente contra a gripe.

A produção de vacinas é dificultada pela capacidade que o vírus tem de evoluir muito rapidamente. De modo a produzir vacinas eficientes, duas vezes por ano (em fevereiro e em setembro), um comitê da OMS se reúne para selecionar as cepas de vírus da influenza que serão usados.

Os tipos são escolhidos entre os considerados como mais ameaçadores para a temporada seguinte. Diversos membros do comitê participaram do estudo agora publicado.

Os autores da pesquisa destacam que as vacinas atuais contra a gripe funcionam muito bem e que a população deve continuar a se vacinar anualmente, mas que, de tempos em tempos, novas cepas do vírus da influenza passam a atingir pessoas depois que a vacina foi produzida contra outro tipo.

O artigo The global circulation of seasonal influenza A (H3N2) viruses, de Colin Russel e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Explique de maneira resumida como se dá a produção de vacinas, e o por quê das epidemias de gripe não ficarem restritas a uma única região do planeta.

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13

set
2011

Será correto?

Máquina usada por Djokovic promete aumento de performance em quadra

Equipamento, porém, não possui benefícios comprovados em publicações científicas. Fabricante diz que uso faz lutadores verem o 'soco chegando'

por: Sportv.com

 

Uma cápsula em forma de ovo tem causado polêmica no mundo esportivo. A máquina conhecida como CVAC, sigla em inglês para variação cíclica em condicionamento de altitude, promete, segundo seus criadores, melhorar o rendimento e a recuperação física de atletas. Entre os adeptos da nova tecnologia está o tenista sérvio Novak Djokovic (assista ao vídeo).

Link: http://sportv.globo.com/site/programas/sportv-news/noticia/2011/09/maquina-usada-por-djokovic-promete-aumento-de-performance-no-esporte.html

De acordo com Jim Chapman, chefe de desenvolvimento do CVAC, a máquina simula grandes altitudes e comprime músculos específicos em intervalos determinados. O processo, segundo o especialista, aumenta a circulação sanguínea, enriquecendo os glóbulos vermelhos de oxigênio e estimulando a transformação deles dentro das células.

- Na primeira ou segunda semana o atleta já está percebendo a melhora na visão, mais apurada, na reação, no equilíbrio, na resistência. Os lutadores de MMA dizem que podem ver o soco chegando. Em algumas semanas disseram que faziam sete rounds de cinco minutos sem cansar - afirma.

Chapman garante que o CVAC melhora o desempenho de esportistas de alto nível.

- Sentimos que há uma melhora muito grande. Um dos nossos pesquisadores disse que é como se abrisse uma faixa livre em uma rodovia, é como se aumentasse a quantidade de sangue, mas não tornando-o mais concentrado. Ajuda a melhorar o trabalho das mitocôndrias (organela celular responsável pela produção de energia).

Fabricantes do CVAC afirmam que o uso do equipamento por 20 minutos, três vezes por semana, é suficiente para aumentar a performance e diminuir o período de recuperação do atleta.

O tenista sérvio Novak Djokovic, que avançou para as semi-finais do US-Open, é um dos atletas que adotaram o CVAC nos treinamentos. Os benefícios da máquina, porém, ainda não foram comprovados por nenhuma publicação científica.

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19

ago
2011

Fotossíntese artificial

Pesquisa FAPESP
Edição 156 - Fevereiro 2009

Novas células solares de baixo custo reproduzem processo vegetal de transformação da luz solar
Dinorah Ereno

Células solares que mimetizam o funcionamento do sistema de fotossíntese das plantas têm sido estudadas e desenvolvidas por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, com resultados que prometem uma nova geração de matérias-primas de baixo custo, em comparação com o silício usado na conversão da luz do sol em eletricidade. As novas células solares sensibilizadas por corantes, também chamadas de DSC, sigla de dye-sensitized solar cells, têm se mostrado uma alternativa promissora para produção de energia elétrica em todo o mundo. No Brasil, as pesquisas feitas no Laboratório de Nanotecnologia e Energia Solar do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) resultaram em uma empresa spin-off, a Tezca Células Solares, incubada na Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec), que pretende fabricar até 2012 células solares para recarregar baterias de telefones celulares, máquinas fotográficas ou que possam ser acopladas a notebooks e brinquedos. 

"A empresa já tem uma patente de montagem de células solares com material totalmente nacional", diz a professora Ana Flávia Nogueira, coordenadora de um grupo de 15 pesquisadores composto por pós-doutores e alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado, que desenvolve dispositivos para aproveitamento da energia solar. A pesquisadora começou a se interessar pela área em 1996, durante a sua dissertação de mestrado orientada pelo professor Marco-Aurélio De Paoli, também do Instituto de Química. Atualmente, as pesquisas que coordena estão concentradas em duas tecnologias que utilizam mecanismos diferentes para converter energia solar em eletricidade. 

Uma delas é baseada na tecnologia dye-cells ou células fotoeletroquímicas preparadas com dióxido de titânio (TiO2), uma substância utilizada em pastas de dente e tintas brancas de parede, com propriedades semicondutoras. Mas como o dióxido de titânio não absorve luz por ser branco, é preciso recorrer a um corante adequado para sensibilizá-lo e promover a absorção da energia solar. "O termo sensibilizar pode ser usado como sinônimo de dar cor ao óxido de titânio com corantes naturais ou sintéticos que absorvam na faixa de luz visível ao olho humano", explica a pesquisadora. 


Extratos naturais - Os corantes inorgânicos que possuem um metal parecido com o magnésio encontrado na clorofila - pigmentos vegetais que funcionam como fotorreceptores na fotossíntese - são os mais eficientes para desempenhar essa tarefa. Até agora os compostos de rutênio, elemento químico usado em catalisadores, têm se mostrado imbatíveis nesse papel pela capacidade de absorção e transferência de energia, mas outros corantes também têm apresentado bons resultados. Na Universidade de São Paulo, o grupo de pesquisa da professora Neyde Yukie Murakami Iha, do Laboratório de Fotoquímica e Conversão de Energia, que desde 1985 dedica-se ao estudo de sistemas para armazenamento e conversão de energia solar, tem testado corantes naturais com extratos de amora, jabuticaba, açaí, jambolão e outras frutas e flores que contêm pigmentos antioxidantes chamados antocianinas, com cores características como vermelho, azul e roxo. "Fizemos uma célula solar com corante natural que está funcionando há mais de um ano", relata Neyde. "A vantagem é que fica muito mais viável economicamente e agride bem menos o ambiente." 

Em 1995, a pesquisadora começou a desenvolver as células solares sensibilizadas por corantes do tipo dye-cells. "O grande impulso para essas pesquisas veio com o professor Michael Grätzel, da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, que mostrou a viabilidade comercial do sistema de nanopartículas de cristais de dióxido de titânio", diz Neyde. Em 1991, Grätzel criou uma célula que, em vez de usar uma camada única de dióxido de titânio, era formada por pequenas partículas do óxido metálico com cerca de 20 nanômetros de diâmetro, cobertas com uma fina camada de pigmento. O método aumentou a superfície efetiva disponível para a absorção de luz solar. Desde então o grupo do pesquisador suíço e outros grupos de pesquisa têm procurado aumentar a eficiência de conversão energética desses dispositivos, utilizando novos materiais e soluções inovadoras para montagem dessas células. 
Basicamente, elas funcionam de maneira semelhante a uma bateria de celular, com dois eletrodos e, entre eles, um eletrólito, um meio condutor que faz o transporte das cargas elétricas por meio de íons. "O funcionamento dessas células, que são montadas como um sanduíche, constitui um verdadeiro sistema químico integrado", diz Ana Flávia. Esse sistema é constituído por um corante com alta absorção de luz, que separa e transfere a carga elétrica para o dióxido de titânio e é regenerado pelo eletrólito. As cargas elétricas separadas nesse processo se recombinam após passar por um circuito externo, fazendo com que ocorra a criação de uma corrente elétrica. Na USP, um protótipo da célula solar de 10 por 10 centímetros demonstra as possibilidades da tecnologia. Ligado a uma fonte de luz, é capaz de movimentar um pequeno motor que faz girar uma hélice. 

Recentemente, a empresa G24 Innovations, do Reino Unido, que tem o licenciamento da patente de Grätzel para a Europa, colocou à venda carregadores de celulares e casacos com placas de captação de energia solar, feitos com filmes flexíveis sensibilizados por corantes. A empresa australiana Dyesol está se preparando para lançar em escala comercial painéis com essa tecnologia para aplicação em fachadas de casas e edifícios. "Ela já tem a tecnologia pronta para isso", diz Neyde, que em 2007 fez uma visita à empresa. "Só não colocou ainda os produtos no mercado porque quer ter a garantia de que a manutenção será feita de forma adequada, para que os painéis efetivamente tenham vida útil de dez anos, como o planejado." Para isso, a Dyesol está fazendo consórcios com empresas e centros de pesquisa de vários países. "Uma das grandes vantagens das dye--cells é a capacidade que elas têm de operar em baixas condições de luminosidade", diz Neyde. 

O grupo da USP, que contou com financiamento da FAPESP e do CT-Energ, Fundo Setorial de Energia do Ministério da Ciência e Tecnologia, para realização das pesquisas, tem cinco patentes depositadas com a tecnologia. Algumas empresas se interessaram em começar a produzir as dye-cells, mas as negociações ainda estão em andamento. "Além de converter a energia solar em eletricidade, essa tecnologia tem potencial para produzir hidrogênio e metano, que podem ser utilizados como combustíveis", relata Neyde. O laboratório da USP fez uma parceria com o professor Thomas Meyer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, para o desenvolvimento de catalisadores e sistemas integrados para a realização da fotossíntese artificial produzindo combustíveis solares. 

A outra tecnologia que está sendo pesquisada na Unicamp, a mesma empregada nos filmes flexíveis dos produtos lançados pela empresa britânica, são as células solares que utilizam materiais semicondutores orgânicos, como polímeros ou moléculas, como camada ativa nos equipamentos de energia solar. Para prepará-las são usados dois semicondutores com características diferentes para fazer o transporte eletrônico. Nesse caso, os dois eletrodos são colocados diretamente em contato, sem necessidade de um eletrólito. "As células orgânicas nos permitem trabalhar com diversos materiais, o que propicia o desenvolvimento de módulos flexíveis, coloridos e transparentes", diz Ana Flávia. Na Universidade Federal do Paraná, desde 1998 o professor Ivo Hümmelgen, do Departamento de Física, pesquisa esses dispositivos feitos com polímeros, que podem também ser associados a fulerenos ou a nanotubos, estruturas nanométricas feitas de átomos de carbono. "Usamos como camada ativa derivados de poliotiofenos, uma família de polímeros que têm uma absorção bastante acentuada na região visível do espectro solar", diz Hümmelgen. Os fulerenos e nanotubos aumentam a eficiência do processo, pois são os responsáveis por separar e transportar a carga no interior do dispositivo.


Conversão energética - "Um problema básico tanto das dye-cells como das orgânicas é que a eficiência ainda é mais baixa do que as células solares inorgânicas de silício utilizadas atualmente", diz Hümmelgen. Isso porque as condições de produção em laboratório, com processos extremamente controlados, nem sempre são possíveis de ser repetidas na produção em larga escala. Enquanto as células comerciais à base de silício policristalino têm eficiência média de 11%, as dye-cells chegam a 7% ou 8% em laboratório. "Em alguns laboratórios já foram obtidas células certificadas com até 11% de eficiência", relata Neyde. Os cálculos para medição da eficiência energética englobam a totalidade da luz do sol que é convertida em eletricidade. "Esse cálculo leva em conta todo o espectro solar, que vai desde o visível até o infravermelho próximo", explica Neyde. "Existem regiões com eficiência de 80% e outras sem nenhum aproveitamento." 

Os carregadores de celular da empresa inglesa G24, por exemplo, permitem 20 minutos de conversação a cada hora de luz solar. Apesar de parecer pouco, é preciso considerar que essa é uma aplicação portátil, ideal para locais não conectados à rede elétrica. Apesar da menor eficiência, a tecnologia é promissora não só para aplicações em comunidades isoladas como também em áreas urbanas. A previsão de custo em escala industrial é cerca de 50% menor do que o de uma célula de silício. "Como a presença de pequenas impurezas no semicondutor não constitui problema para o funcionamento das dye-cells, são dispensados procedimentos complicados necessários para a fabricação das células de silício, como o uso de sala limpa e de roupas especiais", diz Neyde. O custo projetado para as células solares orgânicas e dye-cells é de US$ 0,40 por watt, ante US$ 3,00 por watt de tecnologias à base de silício.

No Brasil, o potencial de geração de energia fotovoltaica é de 10 mil megawatts (MW), quase uma usina de Itaipu, mas não é possível aproveitá-la totalmente porque é necessário ter espaços disponíveis para a instalação de usinas de energia solar. Até agora apenas 12 MW estão efetivamente instalados em comunidades isoladas, enquanto outros 80 integram sistemas conectados à rede elétrica, mas em caráter experimental.

O Brasil é um grande exportador de quartzo, matéria-prima usada para fabricar o silício de grau solar, mas não domina a tecnologia de produção desse material semicondutor com alto valor agregado. "O processo de crescimento dos cristais de silício é extremamente caro, porque envolve temperaturas altíssimas e um processo litográfico complexo para obtenção de cristais perfeitos", explica Ana Flávia. Outra crítica feita pelas pesquisadoras à utilização do silício é o custo da energia gasta para a sua produção. "Para fins espaciais, por exemplo, é uma tecnologia que justifica o preço final", diz Neyde. Mas o alto custo impede que seja empregada em larga escala. "O custo de instalação de um sistema de captação solar baseado no silício para uma casa de 200 metros quadrados fica em torno de US$ 35 mil", diz Ana Flávia. Os cálculos foram feitos pela empresa SunLab, de Bragança Paulista, no interior de São Paulo. 

1- Em uma planta viva, que molécula realiza o papel de "um corante adequado para promover a absorção da energia solar"?

2- De acordo com o texto, as células fotoeletroquímicas são constituídas "por um corante com alta absorção de luz" e permitem "a criação de uma corrente elétrica". Nos organismos fotossintetizantes em seu estado natural, a energia luminosa também é transformada em energia elétrica? Explique.

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19

mai
2011

Sou musgo sim!!!

Olha o musgo aí!!!

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1

abr
2011

Branqueamento de Corais

Centro de Biologia Marinha - CEBIMar/USP 

Uma associação extremamente importante para os recifes-de-coral é a simbiose (relação ecológico onde os seres que fazem parte se beneficiam) que ocorre entre as espécies de corais e microalgas. Essas 'algas' vivem no interior dos tecidos dos corais construtores dos recifes, realizando fotossíntese e liberando para os corais compostos orgânicos nutritivos. Por sua vez, as 'algas' sobrevivem e crescem utilizando os produtos gerados pelo metabolismo do coral, como gás carbônico, compostos nitrogenados e fósforo. As necessidades nutricionais dos corais são em grande parte supridas pelas 'algas' que também estão envolvidas na secreção de cálcio e formação do seu esqueleto. Apesar de espécies de corais serem encontradas praticamente em todos os oceanos e latitudes, as espécies construtoras de recifes estão restritas às regiões tropicais e subtropicais. Os recifes necessitam, geralmente, de águas quentes (25 - 30o C) e claras, longe da influência de água doce. A poluição (esgoto doméstico, vazamento de petróleo etc.) e sedimentação põem em risco muitos recifes de corais, incluindo os inúmeros outros organismos que deles dependem.

Um fenômeno aparentemente recente - não ainda totalmente compreendido pelos pesquisadores - que tem ocorrido em todas as regiões recifais do globo de forma maciça é o branqueamento. Trata-se basicamente da 'perda' dos organismos fotossimbiontes (microalgas) presentes nos tecidos do coral. Como a cor da maioria dos hospedeiros advém, em grande parte, da 'alga' simbionte, seus tecidos tornam-se pálidos ou brancos. Nos corais, os tecidos ficam praticamente transparentes, revelando o esqueleto branco subjacente.

Geralmente, os tecidos de colônias branqueadas estão vivos e intactos. Entretanto, a ausência das 'algas' simbiontes implica em:

1) 'jejum' compulsório ao hospedeiro, uma vez que as 'algas' simbiontes suprem a maior parte das necessidades nutricionais do hospedeiro e

2) diminuição das taxas de calcificação.

Portanto, as partes moles e o esqueleto de um coral branqueado não crescem, e a colônia fica mais vulnerável a outros possíveis estresses, como poluição, sedimentação excessiva, colonização por macroalgas do esqueleto eventualmente exposto etc. Apesar de tudo, as colônias branqueadas podem recuperar-se completamente, em poucos dias ou até mais de um ano, a coloração, dependendo da espécie e do grau de branqueamento. Do mesmo modo, dependendo da espécie, intensidade e duração do estresse, a morte de parte, ou de toda, colônia pode ocorrer logo em seguida ao inicio do branqueamento, ou mesmo algum tempo depois (semanas ou meses). Nestes casos, o esqueleto será rapidamente recoberto por algas e animais sésseis, perdendo a cor branca.

Antes de 1980, todos os casos de branqueamento conhecidos eram de extensão geograficamente limitada e causados por estresses claramente locais, geralmente em áreas de circulação restrita ou em recifes atingidos por furacões. Eventos de larga escala, são conhecidos apenas após o início da década de 1980, e desde então têm se tornado mais freqüentes e intensos. Provavelmente o primeiro evento de ocorrência praticamente cosmopolita ocorreu em 1980, afetando todo o Caribe e regiões vizinhas, e grandes áreas do Pacífico. Eventos de grande amplitude ocorreram em 1982/83, 1987/88, e 1993/94; outros, um pouco menores, em 1981, 1986, 1989, 1990. No Brasil, o fenômeno só foi registrado no verão de 1994 (São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco) e observado novamente no início de 1996 (São Sebastião).

O branqueamento agudo é uma resposta a um estresse resultante de várias condições ambientais fora do limite normal de um determinado local. Os estímulos indutivos podem ser:

 

I- temperatura anormalmente alta ou baixa: quando se considera variações bruscas de temperatura, os corais são mais vulneráveis ao aquecimento do que ao resfriamento da água. Muitas espécies vivem aparentemente próximas ao limite superior letal de temperatura. O aumento de temperatura resulta num aumento da atividade fotossintetizante dos simbiontes e, consequentemente, numa alta concentração de oxigênio nos tecidos do hospedeiro. Isto causa um aumento nas taxas metabólicas do coral que podem danificar as células do hospedeiro e interferir nas vias bioquímicas. O branqueamento geralmente ocorre após um período cuja temperatura superficial da água do mar se eleva alguns graus acima da média histórica para aquele determinado período e local. Exposição a temperaturas 4 a 5º C acima da média, por 1 a 2 dias, pode ser suficiente para causar branqueamento e alta mortalidade, enquanto que a elevação de 2 a 3º C, e o mesmo tempo de exposição, leva a um branqueamento gradual e menor mortalidade. O branqueamento têm ocorrido em áreas aquecidas pelo fenômeno 'El Niño', mas também em locais e/ou anos não afetados por ele.


II- turbidez (níveis baixos de radiação solar): porque as 'algas' simbiontes necessitam de luz para a fotossíntese, as comunidades recifais estão limitadas à águas rasas. As taxas máximas de acresção e produtividade ocorrem entre 5 e 15 metros. Esse intervalo pode ser reduzido em locais onde a claridade da água é afetada por sedimentos em suspensão ou pelo aumento de produtividade. Associado à turbidez, altos níveis de sedimentação podem 'sufocar' as colônias, diminuindo seu crescimento e inibindo o recrutamento de larvas.


III- altos níveis de radiação UV: a radiação ultravioleta é capaz de danificar o material genético de todos os organismos; em condições experimentais causa branqueamento em corais. Apesar disto e de poder penetrar consideravelmente na coluna d'água (até cerca de 20 m em águas claras), alguns autores acham improvável que o UV seja uma causa importante de branqueamento em condições naturais, porque os corais contêm altos teores de pigmentos protetores, que se mantêm mesmo após o branqueamento. Além disso, corais branqueados são geralmente vistos bem abaixo do limite de penetração da luz UV. Entretanto, uma vez que as condições de insolação que elevam a temperatura dos oceanos incluem também o comprimento de onda ultravioleta, é difícil separar os efeitos destes dois fatores. Não se sabe, também, como a incidência da radiação ultravioleta vai aumentar, e se os mecanismos naturais serão suficientes para a proteção adequada dos organismos potencialmente afetados.


IV- poluição: os recifes de corais se desenvolvem em regiões de águas com poucos nutrientes externos, porque possuem mecanismos internos eficientes de reciclagem de nutrientes entre si e as 'algas'. Recifes sujeitos a altos níveis de nutrientes se deterioram devido ao aumento da turbidez decorrente da maior densidade da água, e crescimento excessivo de algas filamentosas bentônicas (que nessas condições são competitivamente superiores aos corais), briozoários e cracas, que acaba por afetar o recrutamento dos corais e aumentar a bioerosão.

Estudos recentes, entretanto, indicam que o aumento de temperatura da água do mar seria o causador primário do branqueamento em larga escala, e, secundariamente, o aumento da incidência de radiação UV.
Isto levou à hipótese de que os recifes de corais seriam particularmente sensíveis e vulneráveis ao aquecimento global. Há, entretanto, controvérsia se os ecossistemas recifais como um todo têm sofrido estresse climático, porque uma série de outros estresses locais causam potencialmente o branqueamento, podendo atuar sinergicamente com a temperatura (caso do UV, por exemplo). Não se sabe também se o branqueamento é realmente um fenômeno recente, e se em nível sub-letal é patológico ou um mecanismo adaptivo. De qualquer forma muitos pesquisadores acreditam que os recifes de coral atuariam como indicadores do aquecimento global, através do branqueamento maciço. Mundialmente, os recifes têm sido seriamente ameaçados pela destruição física propriamente dita, sedimentação, poluição, pesca predatória, coleta etc.

O clima é comumente visto como algo estável, mesmo considerando-se as variações sazonais e de curto prazo. Entretanto, tem variado substancialmente no passado, sendo previstas mudanças no futuro próximo, particularmente como resultado da atividade humana com relação à composição dos gases da atmosfera. Ao longo de sua evolução, os recifes de coral passaram por mudanças drásticas de clima, e se espera que sejam capazes de sobreviver futuros eventos deste tipo (os cenários previstos são menos extremos que os sofridos em eras passadas). Mas a combinação destas mudanças climáticas com os atuais estresses pode se mostrar letal para muitos ecossistemas recifais.

As mudanças climáticas que já estão ocorrendo, particularmente na atmosfera mas também nos continentes e oceanos, são parte do crescente impacto humano no ambiente planetário. O efeito estufa (apesar de ser um processo natural que possibilitou a evolução da vida na terra, o equilíbrio natural dos gases estufa tem sido modificado artificial e rapidamente pela humanidade) e o buraco de ozônio poderão afetar os recifes de coral de várias maneiras:

- aumento da temperatura devido ao efeito estufa: este aumento não deverá ameaçar a sobrevivência dos recifes, mas os frequentes episódios de picos extremos de temperatura aumentará a incidência de branqueamento e mortalidade, tornado-os vulneráveis a outros estresses.

- aumento do nível do mar associado ao aumento de temperatura: provavelmente não deve ameaçar a maioria dos ecossistemas recifais mas poderá devastar muitas ilhas e planícies costeiras que são protegidas por recifes, incluindo nações inteiras (insulares) e grandes cidades, tornando a vida dos que dependem dos recifes difícil ou impossível.

- alterações nos padrões normais do clima e variações em eventos climáticos extremos - precipitação, nuvens e ventos: deverão ocorrer mudanças no padrão de chuvas, aumento na amplitude geográfica, frequência e intensidade das tempestades tropicais, e nos eventos de seca e inundações. Consequentemente, grandes mudanças deverão ocorrer nas regiões costeiras em termos de erosão e sedimentação.

- mudanças na química da água do mar devido altas concentrações de CO2:   acarretará mudanças de pH e do estado de saturação dos carbonatos nos oceanos. O aumento da acidez das águas superficiais, devido à maior concentração do ácido carbônico, poderá diminuir as taxas de deposição de carbonato de cálcio pelos corais, afetando o crescimento. Por outro lado, deverá estimular o crescimento e aumento populacional de muitas algas, afetando a relação competitiva entre elas e os corais.

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10

fev
2011

Aconteceu em Portugal...

UM COICE DA NATUREZA          

       Ao todo, a História registrou apenas umas dezenas de mulas férteis, no mundo inteiro. Os partos comprovados cientificamente não chegam à meia dúzia. Em Portugal, uma mula teve uma cria - fizeram-lhe análises citológicas, de ADN, testes de fertilidade e ganhou um lugar no pódio das raridades. Atualmente, vive em Vila Real, mas está de mudança para Lisboa, onde os especialistas vão tentar que repita a façanha. Afinal, uma mula é um ponto final na biologia dos equídeos, um híbrido estéril que resulta do cruzamento entre duas espécies diferentes - os cavalos e os burros. Os romanos tinham mesmo um ditado a propósito de acontecimentos impossíveis: cum mula peperit, que é como quem diz, "quando a mula parir". Pois esta pariu e isso foi apenas o começo da história.

      É bonita, alta e elegante, de pêlo negro lustroso e tudo começou quando partilhava com um burro o estábulo de uma propriedade agrícola, no Alentejo. A 28 de Abril de 1995, pasmou as pessoas de Vale de Vargo, com um parto observado pelo veterinário local. Segundo o Diário do Alentejo, "o espanto foi grande e, mesmo vendo, muita gente não acreditava".

      Teresa Rangel, 43 anos, a investigadora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que tem tido a mula e a cria à sua guarda garante que se trata de caso verídico. "O parto foi assistido por um veterinário, o que lhe confere ainda mais credibilidade - por vezes os relatos carecem de confirmação, porque não se observa o nascimento e os animais facilmente adotam crias que não são suas".

       A mula e a sua cria, um animal do sexo masculino (o "mulo", como lhe chamam, nos estábulos da Universidade), tomaram-se, então, num material biológico de grande valor para os cientistas. O proprietário dos animais, Manuel Barradas, prontamente os emprestou para serem estudados. Recolheram-se também amostras de sangue dos pais possíveis (o burro companheiro de estábulo ou o cavalo de um vizinho) e, no laboratório, construiu-se o álbum de família. (Revista Visão. Portugal, 6 set. 2001)

     

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