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*Ciências da Natureza*

14

out
2012

Carta 0

Piracicaba, 3 de outubro de 2012

Excelentíssima Senhora Presidenta do Brasil.

O Brasil está crescendo cada dia mais na economia, nas exportações, entre outras coisas, mas será que esse crescimento está completo? Não está faltando algo? Sim, está faltando algo, justamente o crescimento das fontes de energia que não estão acompanhando o crescimento da população e da demanda de energia elétrica e, quando tenta acompanhar, acaba causando grandes estragos.

Todos sabemos que o Brasil é um país tropical; então, por que não usar isso a nosso favor? A energia solar, por exemplo, é renovável e não polui o meio ambiente, por que não usá-la?

Mas é claro que não dá para se aplicar esse tipo de energia no país inteiro, mas em grandes partes daria certo, como no caso do nordeste.

Não podemos esquecer que não existe forma de produção de energia perfeita, no caso da solar, a mão-de-obra é cara, mas acredito que temos verba suficiente para desenvolvê-la e sustentá-la.

Talvez, se começássemos a ter um ponto de vista mais amplo sobre o assunto, poderíamos fazer um mundo melhor. Não podemos só pensar no presente, temos que pensar no futuro, na nova geração de brasileiros que está por vir.

Atenciosamente,

Julia Aparecida Nunes Santos

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14

out
2012

Carta 1

Piracicaba, 3 de outubro de 2012

Excelentíssima senhora presidenta Dilma Rousseff.

Primeiramente, venho parabenizá-la por seu governo e pela forma que a senhora está administrando nosso país. Mas, o principal assunto desta carta não é esse, porém as formas de produção de energia que tem sustentado o Brasil.

É fato que dependemos da energia para viver e que sem ela muitos dos nossos hábitos acabariam. Devemos zelar pela energia que já temos e trabalhar para construir meios alternativos de produzi-la.

Venho propor um maior investimento na geração de energia solar. O sol é um bem natural e renovável, que pode gerar muita energia e trazer grande lucro para o país. Ao mesmo tempo que será gasto dinheiro para a implantação da tecnologia, também será ganho muito dinheiro com o resultado da produção dessa energia. Afinal, o Brasil é um país que possui clima quente e muita luz solar o ano todo.

Peço para que leve em consideração minha opinião e agradeço desde já.

Atenciosamente,

Vitor Gomes Antunes, estudante do Colégio Adventista

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14

out
2012

Carta 2

Piracicaba, 3 de outubro de 2012

Excelentíssima senhora presidenta Dilma Rousseff.

Venho por meio desta, primeiramente, parabenizá-la pelo desenvolvimento promovido pelo seu governo em nosso país. Gostaria também, caso não se importe de dar algumas sugestões sobre fontes e geração de energia.

Queria sugerir-lhe, não que investisse em apenas um tipo de energia, mas em vários formando de certa forma uma base equilibrada entre as fontes de energia do país. As hidrelétricas são boas, geram bastante energia, mas tem altos custos de produção e não podem ser construídas de qualquer jeito ou pode ocorrer da água ficar ácida devido a decomposição dos organismos do solo alagado. Sugeriria as termelétricas, se não poluíssem tanto. Quem sabe então, investir em geração a base de luz solar e vento? Não poluem e não causam danos ao meio ambiente. O nordeste brasileiro seria um ótimo local com clima bom para sede de usinas fotovoltaicas. O litoral e o sul são bons locais para geradores eólicos, principalmente perto de cidades médias. O litoral também pode ser aproveitado por geradores marítimos, substituindo parte das hidrelétricas.

Como disse no início, o ideal seria um equilíbrio na geração de energia, meu objetivo, com esta sugestão humilde, é diminuir o espaço usado por usinas, diminuir a emissão de poluentes e destacar o Brasil perante outros países do mundo, na geração de energia.

Agradeço a atenção e peço desculpas pelo incômodo, mas achei que seria útil para vosso governo. Novamente obrigado, tenha um bom dia e boa sorte no governo.

Atenciosamente,

Danilo Nalésso Rando, estudante do Colégio Adventista de Piracicaba

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14

out
2012

Carta 3

Piracicaba, 3 de outubro de 2012

À presidenta da República.

Excelentíssima senhora presidenta da República, gostaria primeiramente de parabenizá-la pelo progresso que o Brasil vêm adquirindo, especialmente durante seu governo. Porém, ainda existem aspectos que podem ser melhorados, como por exemplo, as formas de geração de energia elétrica do país.

Vivemos num país onde o atual modelo capitalista é altamente dependente de recursos energéticos para o funcionamento das máquinas industriais e agrícolas; os automóveis também necessitam de combustível para se deslocarem; e a urbanização aumentou a demanda de eletricidade.

Diante desse cenário, o consumo de energia aumentou de forma significativa, fato que tem gerado grandes problemas socioambientais. Isso porque a maioria das fontes utilizadas é de origem fóssil (carvão, gás natural, petróleo), e sua queima libera vários gases responsáveis pela poluição atmosférica, efeito estufa, contaminação de recursos hídricos, entre outros fatores prejudiciais ao meio ambiente.

Outro aspecto negativo é que essas fontes não são renováveis, ou seja, se esgotarão na natureza com o passar do tempo. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE), caso se mantenha a média de consumo das últimas décadas, as reservas de petróleo e gás natural irão se esgotar em 100 anos; e as de carvão, em 200 anos.

As usinas hidrelétricas provocam muitos impactos ambientais causando prejuízos.

A bioenergia, que é também uma das fontes principais utilizadas no Brasil, apresenta limites consideráveis, pois é preciso utilizar inúmeras vezes mais espaço da fonte de energia geradora de energia renovável que a não renovável. Além disso, as exigências ambientais requerem uma grande quantidade de reservas para que o Brasil possa utilizar o solo na geração de bioenergia.

Por que o etanol não é o investimento ideal? Em primeiro lugar, a bioenergia também é propulsora de grande quantidade de gás carbônico. Em seguida vem a utilização de uma grande quantidade de solo, o que poderia ser utilizado para a agricultura alimentícia, tão necessária à sobrevivência.

A melhor alternativa, sem dúvida, é a energia solar. Para isso é preciso investir em tecnologia avançada a fim de armazenar essa poderosa fonte de calor, transformando-a em energia elétrica.

A energia solar não polui em nenhum aspecto; não ocupa grande quantidade de terra e não acaba, pelo contrário, o calor está aumentando a cada dia. Temos grandes benefícios em utilizar essa energia no Brasil por ser um país tropical, com o sol brilhante constantemente.

Peço que a senhora pense nesta possibilidade de um melhor futuro para nosso povo. Desde já agradeço a atenção.

Vanessa Mello

Colégio Adventista de Piracicaba

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14

out
2012

Carta 4

Piracicaba, 3 de outubro de 2012

Excelentíssima senhora presidenta da república.

Apresento-lhe esta carta em favor de um país melhor no futuro. Sabemos que uma das forma de o Brasil se tornar um país sustentável é investindo em fontes de energia renováveis alternativas. O país ainda explora muito pouco seu grande potencial na geração de eletricidade por fontes renováveis. O Brasil não precisa depender totalmente de fontes hidroelétricas e fontes fósseis, com mais estudos, outras fontes limpas podem ser aprimoradas. O Brasil precisa utilizar fontes solares e eólicas, pois seu potencial é imenso mas pouco aproveitado. Todo esse potencial poderia substituir parte do que é gerado nas usinas nucleares e termoelétricas que são poluentes. De fato, transformar esse potencial natural em uma capacidade de produção que supra as necessidades humanas é um desafio, porém exige superar problemas econômicos e tecnológicos. A energia eólica já aparece bem consolidada e, ainda nesta década, instalar um telhado solar e gerar sua própria eletricidade será mais barato que comprar energia de outras fontes. Havendo vontade política, o governo brasileiro pode promover as ações sugeridas nesta carta, e assim, atender uma parte da demanda de eletricidade do país a partir de fontes limpas e de baixo impacto ambiental.

Desde já agradeço a atenção de vossa Excelência.

Jéssica Juliana Lima Rodrigues

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14

out
2012

Carta 5

Piracicaba, 3 de outubro de 2012

Excelentíssima presidenta Dilma.

Queria começar minha fala lhe agradecendo por estar à frente dos cuidados do nosso país e parabenizá-la pelo trabalho realizado até agora. O fato de estar escrevendo esta simples carta tem o objetivo de tentar mostrar que o nosso país consome muita energia e deveria pensar em uma forma melhor de produzi-la.

Podemos ver que hoje no Brasil a energia mais consumida tem sua origem nas hidrelétricas, e essa é sim uma forma de energia limpa e com muitas qualidades, porém gostaria de apresentar as vantagens de outras formas de energia, que imagino, a senhora deva conhecer: a bioenergia, uma energia que conseguirá reduzir as emissões de gás carbônico, e com as mesmas áreas já utilizadas pelas plantações, ou seja, não precisaríamos desmatar e conseguiríamos energia até para exportar, além da sobra do açúcar e outros derivados de cana, afinal a energia usaria apenas o bagaço.

Devemos ter em mente que o Brasil não vai diminuir o consumo de energia, pelo contrário, isso só tende a crescer, e por isso, devemos procurar sempre estar conhecendo novas formas de produzi-la, ou reavaliar as que usamos, pois temos que pensar no futuro, poluição, desmatamento, milhões gastos para quê?

Vossa Excelência sei que está fazendo sempre o possível para termos um país melhor, por isso peço em nome de todas as pessoas que buscam por um mundo mais limpo, mais justo, que reavaliemos nossas matrizes energéticas e, assim, possamos ver por onde continuaremos nossa caminhada, e o que será melhor para nossos filhos, netos e bisnetos!

Obrigada pela atenção.

Isabella Augusti

Colégio Adventista de Piracicaba

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15

ago
2012

Túnel de Vento

Entre a ampla infraestrutura utilizada pelos fabricantes para desenvolver novos produtos, poucos recursos são tão complexos quanto os túneis de vento. O equipamento serve para fazer testes aerodinâmicos, com objetivo de proporcionar vantagens em desempenho, economia de combustível, nível de ruído e dirigibilidade. Os testes em túnel de vento não ficam restritos aos automóveis: são aplicados em diversos projetos, como aviões, mísseis, cápsulas espaciais e construções civis.

Com o recurso dos túneis de vento, uma fábrica consegue fazer modificações no design de seus produtos, moldando-o de forma a obter os melhores resultados aerodinâmicos. Todos os automóveis desenvolvidos pelas grandes marcas da atualidade passam por testes semelhantes antes do lançamento no mercado.

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19

ago
2011

Trabalho bem feito!

Vídeo do 9o.EF

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24

out
2010

Acidente ou irresponsabilidade?

Às vezes passamos por situações em que não sabemos se foi um acidente, ou irresponsabilidade. O mundo está cheio de pessoas que fazem algo de errado e dizem que foi só um acidente, por isso, devemos tomar cuidado com o que está a nossa volta.

Na última terça-feira, 05 de Outubro de 2010, aconteceu um grave acidente, o derramamento de uma lama vermelha tóxica que chegou a matar 4 pessoas e deixar mais de 120 pessoas feridas em Ajka (160 km a oeste de Budapeste, Hungria). Um depósito de uma refinaria se rompeu, de forma desconhecida, derramando cerca de 700 mil metros cúbicos de resíduos tóxicos.

A substância, lama vermelha, é um resíduo que é formado pela transformação da bauxita em alumina, matéria-prima para a criação do alumínio. Esta substância espessa e altamente alcalina tem um efeito cáustico na pele. A lama armazenada contém metais pesados  como chumbo, e é levemente radioativa. Este resíduo já estava sendo armazenado por décadas e estava altamente alcalino, com pH em torno de 13. Diversas pessoas foram afastadas de suas casas por segurança, animais morreram, e ainda, a lama pode contaminar o rio Danúbio, que é o maior do continente, além de contaminar outros rios e até mesmo o próprio Mar Negro.

A empresa já se defendeu alegando que a substância não é perigosa e que há duas semanas havia passado por uma inspeção e não tinha nada de errado com o depósito. Certamente, depois do ocorrido, não conseguiram explicar o acontecimento.

Penso que isso foi irresponsabilidade da empresa, primeiro porque, eles não deveriam manter esse depósito há décadas sem eliminar o resíduo que já havia no local, e depois porque eles deveriam ter se manifestado assim que o fato ocorreu. A empresa tem que arcar com as consequências e ajudar todas as pessoas que estão precisando, resolvendo o problema o mais rápido possível, para que não haja mais desastres, mortes e poluição.

Este texto foi elaborado pelo aluno do Colégio Adventista de Piracicaba: 

LUIZ HENRIQUE COSTA BATISTELI - 9o.EF

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25

set
2010

Alimentos x Biocombustíveis

Realizando um debate sobre o assunto chegamos a conclusão que os dois itens tem pontos positivos e negativos. Sabemos que os biocombustíveis são muito utilizados em nossos veículos de transporte e, também, poluem menos do que os combustíveis fósseis, não agredindo tanto o meio ambiente.

No mundo, atualmente, utilizamos os transportes para quase tudo (viajar, passear, trabalhos e etc), imagine o que seríamos sem eles. Se com automóveis muitas vezes não cehgamos a tempo em nossos compromissos, imagine a pé? ou então, de bicicleta?

Mas, por outro lado, sabemos que a produção de biocombustíveis para suprir essa demanda, terá impacto direto nos preços dos alimentos, devido a grande necessidade de terras, gerando falta destas para a produção agrícola, fazendo com que a população carente não tenha condições financeiras para comprá-los. E se realmente não conseguirem? Ricos viverão e pobres morrerão?

Com esses argumentos chegamos a uma tentativa de acordo pois, necessitamos tanto de um quanto o outro. O governo e a população poderiam ter um pensamento no futuro, utilizando os carros somente para trajetos longos, substituindo-os dentro das cidades por bicicletas elétricas, transportes públicos melhores e outros, o que também ajudaria a diminuir o aquecimento global, além de novas fontes de energia, como o caso da energia solar.

Dessa forma, todos ficariam satisfeitos e não precisaríamos ocupar novos espaços para gerar biocombustíveis.

Esse texto foi escrito pelos alunos do 9o. EF do Colégio Adventista de Piracicaba em um debate realizado no dia 24/09/2010.

Bruna, Daiane, Fernando e William Kato 

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18

set
2010

Os combustíveis e os meios de transporte

Apesar de estarmos usando o termo "combustível", nem sempre a energia utilizada nos transportes tem origem em uma combustão (queima). Nos ônibus elétricos que ainda circulam na cidade de São Paulo, por exemplo, a energia usada é elétrica. Por exemplo, há fios que ligam o ônibus à fonte de energia elétrica. Esses fios são similares àqueles que levam energia elétrica às nossas residências. Essa energia elétrica, por sua vez, pode vir de diferentes tipos de fontes.

Se pensarmos nos combustíveis mais utilizados hoje em veículos, temos: gasolina, álcool, diesel e gás natural. A gasolina e o diesel são derivados do petróleo e são conhecidos como combustíveis fósseis, já que o petróleo é formado a partir de uma lenta decomposição de plantas e animais. Esses combustíveis também são classificados como não renováveis porque sua renovação ocorre em uma escala de tempo de milhões de ans. Ainda que os combustíveis fósseis continuem sendo gerados a partir da decomposição da matéria orgânica, não são sufucientes para a tender à enorme demanda mundial.

O gás natural, assim como os derivados de petróleo, hoje em dia muito utilizado em geração elétrica nas termelétricas e em alguns meios de transportes, também é um combustível fóssil e não renovável. Contudo, vem ganhando importância no cenário mundial, principalmente por sua menor emissão de gases que provocam o efeito estufa.

O álcool é um biocombustível, já que sua produção vem da cana-de-açúcar, do milho, do trigo ou da beterraba. No Brasil, o mais comum é o uso da cana-de-açúcar para produzir o etanol, o álcool que utilizamos para abastecer alguns automóveis. A Europa usa o trigo e a beterraba, já os EUA usam, principalmente, o milho para a produção do álcool.

Assim como no caso das usinas geradoras de eletricidade, cada um dos combustíveis citados tem vantagens e desvantagens. No caso dos biocombustíveis, por exemplo, uma crítica que se faz se deve à larga utilização de terras para plantações, fazendo com que a área de terras para a plantação de alimentos fique cada vez menor.

Em abril de 2008, Jean Ziegler, relator especial da ONU sobre o direito à alimentação, afirmou que considera um crime contra a humanidade a produção em massa dos biocombustíveis, por seu impacto nos preços dos alimentos. Já o professor José Goldemberg comenta a posição de ambientalistas sobre a produção de álcool em um artigo ao jornal O Estado de São Paulo, do dia 18 de fevereiro de 2008, fornecendo argumentos em prol de sua utilização.

 

elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

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18

set
2010

O futuro do programa do álcool

O álcool produzido a partir da cana-de-açúcar, no Brasil, do milho, nos Estados Unidos, e da beterraba, na Europa, equivale hoje a menos de 1% da quantidade do petróleo usado no mundo. É um excelente substituto da gasolina, que não tem as impurezas que ela tem, além de não contribuir para as emissões de gases que provocam o aquecimento global e as mudanças climáticas, como todos os combustíveis derivados do petróleo. A produção de álcool é de cerca de 600 mil barris por dia, que é a produção de um campo de petróleo de proporções médias, como há muitos no mundo.

O uso do álcool não deveria, portanto, ser visto como uma ameaça aos grandes produtores de petróleo, mas esta não é a forma como ele tem sido considerado pelas grandes companhias petrolíferas e, particularmente, pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Várias dessas empresas se opuseram e se opõem violentamente aos subsídios que o governo norte-americano dá aos produtores de etanol de milho nos Estados Unidos e tentaram - sem sucesso, contudo - impedir que esses subsídios fossem renovados na nova lei sobre energia adotada naquele país. Se os objetivos dessa lei forem atingidos até 2022, o etanol substituirá cerca de 21% da gasolina usada nos Estados Unidos e boa parte do milho produzido, dependendo de avanços tecnológicos, que ainda são incertos.

Existe uma certa lógica nas preocupações dos produtores de petróleo e a principal delas é a existência de um equilíbrio muito delicado entre a capacidade de produção e o seu consumo. A produção média é de cerca de 85 milhões de barris por dia, que são integralmente consumidos. Pequenas flutuações na produção (para cima ou para baixo) e no consumo (também para cima ou para baixo) determinam o preço do petróleo, que já ultrapassou os US$ 100 por barril. Basta uma tempestade no Golfo do México, um inverno mais rigoroso na Europa ou a crescente motorização dos chineses para elevar o seu preço.

Para complicar as coisas, a capacidade de refino existente não tem praticamente nenhuma ociosidade, de modo que, se ocorrer um aumento na demanda de um dos seus produtos - seja óleo diesel, óleo combustível ou gasolina -, aumenta mais ainda o preço do petróleo ou de seus derivados.

A situação que o mundo enfrenta hoje é diferente da que originou a crise de petróleo da década de 1970, quando a Opep decidiu reduzir a sua produção por motivos inteiramente políticos, lançando o preço dele às alturas. Não havia falta de petróleo na ocasião, mas os produtores decidiram reduzir a sua produção. Hoje, a crise não é política, mas real, no sentido de que a capacidade de produção está no limite e as forças de mercado, isto é, o equilíbrio entre oferta e demanda, determinam o preço do petróleo. Além da especulação que existe nas bolsas mundiais, onde o produto é negociado. Acredita-se que 20% do preço do petróleo se deva a esse fato. Basta a Arábia Saudita, que produz cerca de 12 milhões de barris por dia (15% do total), diminuir a sua produção em 1 milhão de barris para criar pânico nos mercados mundiais.

Esta é a razão por que o etanol começa a ameaçar o mercado do petróleo: quando a sua produção aumentar duas ou três vezes em relação à atual, o etanol poderá atuar como o fiel da balança que determinará o preço da gasolina no mundo - como a Arábia Saudita faz hoje com o petróleo.

A probabilidade de que isso venha a se concretizar nos próximos 10 ou 15 anos é grande, considerando os programas em andamento nos Estados Unidos e no Brasil. Os países da Europa também produzem etanol, mas em quantidades pequenas, que, provavelmente, não aumentarão muito, por causa da falta de área agriculturável. Nos Estados Unidos, o agressivo programa do presidente George W. Bush de estímulo à produção de álcool de milho deverá triplicar a sua produção nos próximos anos - e o mesmo deverá ocorrer no Brasil, onde o álcool de cana-de-açúcar já é economicamente competitivo.

A produção atual de etanol utiliza cerca de 10 milhões de hectares da área dedicada à agricultura no mundo - a área total, no planeta, de terras agriculturáveis é mais de cem vezes maior, destinada às plantações de trigo, soja, milho, café e outros alimentos.

É o caso de perguntar, portanto, se duplicar ou triplicar a área destinada à produção de álcool (a partir da cana-de-açúcar ou do milho) não vai afetar seriamente o preço mundial dos produtos agrícolas. De fato, esses preços têm subido, mas contribui muito para tal o consumo crescente de grãos pelos países emergentes, principalmente pela China. Esse país importa hoje cinco vezes mais grãos dos Estados Unidos do que há dez anos. É por isso que surgiram problemas com o milho nos Estados Unidos, que avançou consideravelmente na área plantada de soja em 2007.

A solução natural para esse problema está em aumentar a produção de etanol, principalmente da cana-de-açúcar, nos países em desenvolvimento. Algo similar aconteceu há 2 mil anos, quando o trigo, indispensável para alimentar a população de Roma e suas legiões, não era produzido na Itália, mas no Norte da África. É nesses países que a expansão da produção agrícola pode ocorrer, o que abre grandes oportunidades para o Brasil. Na Índia e na China não existem grandes áreas para expandir a agricultura.

A médio e a longo prazos, haverá aumentos de produtividade, isto é, mais etanol será produzido por hectare. E há também grandes esperanças no desenvolvimento de novas tecnologias baseadas no uso de celulose, que qualquer produto vegetal tem. Enquanto essas expectativas não se concretizarem, o etanol da cana-de-açúcar e do milho dominará o mercado.

elaborado por: José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo (USP)

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18

set
2010

O programa do álcool e os ambientalistas

O álcool é um bom substituto da gasolina: não tem impurezas de enxofre e emite menos dióxido de carbono - o principal dos gases responsáveis pelo "efeito estufa" e pelas mudanças climáticas - do que a gasolina. O que se esperaria, portanto, seria um apoio entusiástico dos ambientalistas a estes programas tanto na Europa como nos Estados Unidos. Não é o que está acontecendo e não deixa de ser interessante analisar quais as objeções que são levantadas por eles.

A primeira delas é que a produção das grandes quantidades de álcool, necessárias na Europa e nos Estados Unidos, criará um conflito entre a produção de combustível e a produção de alimentos, o que resultará no aumento dos preços dos alimentos e prejudicará os mais pobres, aumentando a fome no mundo. Entre outros, este argumento foi articulado por A. Ziegler, da Suíça, relator de um documento preparado para a Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas em 2007.

Sucede que os argumentos de Ziegler são incorretos: não existe falta de alimentos no mundo, mas problemas de distribuição, e a fração da população mundial que é desnutrida - cerca de 800 milhões de pessoas - não será atendida enquanto a renda não for melhor distribuída no mundo. Além disso, a área destinada à produção de álcool no mundo hoje é inferior a 1% da área dedicada à agricultura. O preço de cereais e de alimentos, em geral, tem caído ao longo das últimas décadas, apresentando, contudo, flutuações que dependem das condições climáticas e de muitos outros fatores. É por essa razão que atribuir o aumento do preço do milho nos Estados Unidos a uma catástrofe que vai atingir a população mais pobre do mundo é um exagero. Nos Estados Unidos, de 2006 a 2007, a área dedicada ao milho aumentou 5 milhões de hectares sobre a área dedicada à soja. A área total usada na produção de milho e soja nos Estados Unidos é de 60 milhões de hectares e, no mundo todo, cerca de três vezes maior.

A segunda delas, que atribui ao avanço do milho nos Estados Unidos o aumento do desmatamento da Amazônia, como foi feito recentemente por um cientista americano radicado no Panamá, é outro exagero. A idéia é que a redução da área de soja nos Estados Unidos leva ao aumento da sua produção na Amazônia, o que aumentaria a devastação naquela região. Sucede que os números não batem. As plantações de soja não aumentaram nos últimos três anos na Amazônia: o que aumentou foi o rebanho bovino, que já é de 75 milhões de cabeças. Este é o verdadeiro problema. A soja poderia vir depois, mas isso não acontece ainda na escala prevista em base ao argumento acima.

Finalmente, um grupo suíço fez uma análise para verificar se o uso de álcool (de milho e cana-de-açúcar) reduz, de fato, as emissões de carbono. A novidade introduzida por esse grupo é considerar também as emissões resultantes do desmatamento, onde o produto agrícola foi plantado. E conclui, corretamente, que, se isso for feito à custa da devastação de florestas nativas, o resultado seria péssimo.

Sucede que a única região do mundo em que isso está ocorrendo é na Indonésia, onde estão sendo derrubadas florestas nativas para expandir a produção de dendê (que dá origem ao biodiesel). A expansão das plantações de milho nos Estados Unidos ou de cana-de-açúcar no Brasil está ocorrendo em áreas que já são dedicadas à agricultura ou à pecuária e, no Brasil, existem cerca de 200 milhões de hectares de pastagens para expansão não predatória da cana-de-açúcar, que poderiam se transformar em pecuária mais intensiva, liberando áreas para a cana-de-açúcar, como ocorreu no Estado de São Paulo de 2002 a 2006.

As objeções à produção de etanol ganham mais substância quando apontam os problemas que a produção tem quando é baseada no milho ou na beterraba: o balanço energético não é bom porque é usado combustível fóssil na sua preparação. Neste particular o etanol de cana-de-açúcar é claramente superior: o bagaço da cana fornece toda a energia necessária à produção do álcool e o seu custo a partir de 2004 é inferior ao da gasolina. Aliás, com o progresso da tecnologia, as usinas de álcool passaram a "exportar" eletricidade. No Estado de São Paulo se acredita que este excedente chegará a mais de 10 milhões de quilowatts no ano 2015, quase a eletricidade gerada em Itaipu.

Por esta razão o etanol da cana-de-açúcar terá um papel essencial em suprir as necessidades não só brasileiras, como as mundiais, dentro de 10 ou 15 anos. A Europa produz hoje apenas 2 bilhões de litros por ano (a partir da beterraba) e necessitará de pelo menos 20 bilhões de litros em 2020 para cumprir com a meta que adotou de substituir 10% da gasolina derivada do petróleo, que não conseguirá produzir na própria Europa. Os Estados Unidos planejam utilizar 136 bilhões de litros em 2022 (50 bilhões de litros de etanol de milho) e o restante de novas tecnologias. É pouco provável que essas metas sejam atingidas. A solução será importar etanol de países da área tropical, principalmente do Brasil, e as barreiras alfandegárias que existem nesses países foram introduzidas justamente para proteger os produtores locais, que, sem elas, não teriam condições de competir.

As resistências ao uso crescente de etanol se originam, portanto, de duas direções: de alguns ambientalistas pouco esclarecidos sobre as verdadeiras proporções do problema e dos produtores locais na Europa e nos Estados Unidos, que usam os argumentos dos ambientalistas para proteger seus interesses comerciais.

José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo

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18

set
2010

Bagaço da cana também produz álcool

Uma pesquisa inovadora promete consolidar a posição estratégica do Brasil como um grande produtor mundial de biocombustíveis. Pesquisadores da Petrobras e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram uma tecnologia para a obtenção de etanol a partir do bagaço da cana-de-açúcar, o que poderá aumentar em 40% a produção nacional desse biocombustível e incrementar a participação das fontes renováveis na matriz energética do país.

A iniciativa surgiu da necessidade da Petrobrás de investir em alternativas que aumentassem a produção de álcool sem expandir a área de cana plantada, o que evitaria a competição com a agricultura voltada para a produção de alimentos e não estimularia o desmatamento. A partir de um levantamento feito pela empresa nas principais universidades do país, teve início em 2004 um projeto baseado em resultados promissores de uma pesquisa conduzida pelo professor Ney Pereira Junior, da Escola de Química da UFRJ.

A tecnologia utiliza matérias-primas que contêm lignocelulose, presente em qualquer fibra vegetal, para obter bioetanol - nome técnico do álcool produzido a partir de resíduos vegetais. O etanol convencional é produzido a partir da fermentação do caldo de cana, e não da biomassa propriamente dita. Com o álcool de lignocelulose, inaugura-se a segunda geração de biocombustíveis, extraídos da matéria descartada nos processos usuais de produção do etanol.

A coordenadora do projeto, Lídia Santa Anna, da Petrobras, explica que a lignocelulose é composta principalmente por celulose, hemicelulose e lignina. A celulose e a hemicelulose são polímeros constituídos de açúcares e a lignina é um composto que protege essas substâncias de microrganismos e dá resistência à fibra. "O objetivo do nosso processo é desorganizar essa estrutura", diz.

A pesquisadora destaca que a tecnologia desenvolvida pela Petrobras pode ser ajustada para outros rejeitos vegetais que tenham potencial para produção de bioetanol, como os resíduos da palha ou o capim. "Resíduos de torta de mamona, pinhão-manso e soja também estão sendo cogitados para produzir bioetanol por meio de tecnologia semelhante", conta.

Segundo Santa Anna, a escolha da cana-de-açúcar para iniciar o projeto não foi ao acaso. "A partir de uma tonelada de bagaço de cana, é possível hoje gerar 220 litros de etanol e, em poucos anos, pretendemos chegar à marca de 270 litros", estima.

Do bagaço ao combustível

Para se fabricar etanol a partir da lignocelulose, o bagaço da cana é prensado dentro de um reator e submetido a uma solução ácida que quebra a estrutura da fibra. No processo, a hemicelulose é decomposta em açúcares que ficam em um resíduo líquido. Este passa por uma etapa de fermentação, em que microrganismos usam os açúcares para produzir o bioetanol.

Paralelamente, a lignina presente no resíduo sólido do pré-tratamento do bagaço é retirada e o material, rico em celulose, recebe enzimas que quebram o composto em açúcares, que também seguem para fermentação. "Para esse estudo, usamos duas espécies de leveduras naturais: Pichia stipitis e Sacharomyces cerevisiae", conta a pesquisadora. A etapa final é a destilação, ou seja, a recuperação e purificação do etanol que conhecemos. "Tudo é aproveitado", destaca ela.

A grande vantagem do processo é a reciclagem de resíduos que seriam descartados para a geração de energia. "O bagaço da cana é o resíduo agroindustrial mais expressivo no país", ressalta Santa Anna.

Após os resultados positivos em laboratório, a nova tecnologia passa por testes em escala piloto em uma unidade experimental instalada no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro. "O equipamento foi projetado de forma que o processo todo seja integrado, desde o pré-tratamento do bagaço até a fermentação e destilação do álcool", afirma a pesquisadora. E completa: "A Petrobrás prevê que em 2010 seja inaugurada uma planta demonstrativa para produzir álcool a partir de lignocelulose, no Rio de Janeiro, de olho no potencial imenso do Brasil para exportar esse produto."

fonte: http://ceticismo.net/2007/12/17/bagaco-da-cana-tambem-produz-alcool

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