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*Ciências da Natureza*

4

nov
2012

Vegetarianismo

Quero parar de comer carne. O que fazer?

Natalia Cuminale para Veja.com

Abolir o consumo de carne da alimentação diária não é uma tarefa simples e exige cuidados para que esta seja uma escolha saudável. Por motivos religiosos, preocupação com os animais, ideologia ou até mesmo para garantir uma alimentação benéfica ao organismo, o vegetarianismo tem sido cada vez mais considerado uma opção viável à dieta alimentar, um novo estilo de vida. Não existem dados precisos sobre o número de adeptos no Brasil, mas segundo pesquisa sobre hábitos alimentares realizada pelo grupo Ipsos 28% das pessoas "têm procurado comer menos carne".

"O aumento do número de restaurantes especializados, de produtos destinados aos vegetarianos e até de visitantes em nosso site sinalizam que o interesse pelo assunto é crescente", afirma Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Especialistas consultados pela Revista VEJA, sustentam que a ingestão de carne, desde que moderada, não acarreta problemas para a saúde. Quem decidir riscar o produto do cardápio, porém, deve atentar para a substituição adequada dos nutrientes abundantes na carne vermelha, frango e peixe. "O primeiro passo é buscar a orientação médica para compor um cardápio alimentar que supra todas as necessidades antes preenchidas pelos alimentos de origem animal", explica Dan Linetzky Waitzberg, professor de gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e nutrólogo do Hospital Santa Catarina.

Quem não busca orientação tem mais chances de sofrer as consequências de uma dieta pobre. "Os vegetarianos devem ter maior atenção no que diz respeito à ingestão de vitamina B12, cálcio, zinco e ferro", lembra a nutricionista Juliana Ruas, do Hospital Sírio-Libanês. "Se a pessoa não tiver a alimentação adequada, pode ter anemia ferropriva (deficiência de ferro), anemia perniciosa (deficiência da B12) e desnutrição protéica, já que não consegue consumir todos os aminoácidos essenciais", completa a nutricionista Michele Trindade, do Instituto de Metabolismo e Nutrição (Imen).

As recomendações se tornam ainda mais específicas e relevantes em determinadas fases da vida. "Pela própria fisiologia do envelhecimento, os idosos têm uma redução da capacidade de digestão e absorção dos alimentos", explica Waitzberg. "Então, precisam ser acompanhados bem de perto por geriatras e nutricionistas".

 

Soluções - O segredo de cardápios propostos por profissionais gabaritados é que eles trazem combinações de alimentos capazes de facilitar a absorção de alguns nutrientes. Por exemplo, de nada adianta fazer uma lasanha vegetariana e cobri-la com molho branco. Isso porque o cálcio - presente no leite e, portanto, no molho branco - atrapalha a absorção do ferro. O correto seria: "Combinar alimentos que contêm ferro com outros com grande quantidade de vitamina C, que potencializa a absorção", diz Trindade.

Outra dificuldade está na vitamina B12. Produzida por bactérias, ela está presente principalmente nos alimentos de origem animal - já que os animais se alimentaram delas ou as abrigam no intestino. Normalmente, no caso de vegetarianos estritos, essa vitamina precisa ser suplementada. 

 

Os especialistas atentam ainda para um cuidado especial: os novos vegetarianos tendem a comer carboidratos em excesso. Sem as carnes, sobram as batatas-fritas, pizzas, arroz e muito queijo. "Ao contrário do que as pessoas imaginam, se houver um consumo exagerado de queijos e ovos, o vegetariano pode até ganhar peso", afirma o endocrinologista Luciano Giacaglia, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Winckler lembra que a alimentação para uma pessoa vegetariana pode ser bastante saborosa e variada. "Vegetariano não come só salada e não é difícil encontrar alimentos", diz. "Para alguns pode ser difícil no começo, mas aos poucos você sente a diferença de uma alimentação saudável", complementa. 

 

 

Eles deixaram a carne. Ou tentam fazê-lo

Depois de assistir a um documentário que pregava o fim do consumo de carnes, a vida da família Montenegro Bertolino começou a mudar. Habituado a porções moderadas dos itens de origem animal, o clã decidiu dar um passo radical: excluir completamente os produtos do cardápio. A ideia partiu do pai, o fotógrafo Roberto Loffel. A mulher, a psicóloga Maria Fernanda Montenegro, e as filhas Mariana, de 20 anos, e Beatriz, de 23, também assistiram à cena. Só faltou à sala o caçula André, de 11. "No documentário, vi a vaca tentando escapar do abate. Foi o suficiente", conta Maria Fernanda.

Não foi a primeira vez que Maria Fernanda parou de comer carne - ela já havia tentado em duas oportunidades, mas a nova dieta não durou mais do que dois meses. A terceira vez está sendo bem-sucedida graças à mobilização familiar. "Parei de comer carne principalmente por causa do animal, do sofrimento. Além disso, passamos a ter uma alimentação mais saudável", diz. Fatores ambientais, como o elevado gasto de água potável para a criação do gado, também embalaram a iniciativa da família.

Para aderir ao vegetarianismo, a família seguiu a cartilha indicada pelos nutricionistas. "Todos fomos ao médico para nos certificarmos de que ninguém tinha qualquer déficit de proteínas e nutrientes", conta Maria Fernanda. Em seguida, os membros da família compraram livros e buscaram cardápios alternativos. "Passados dois anos, começa a ficar mais fácil", diz a mãe. "O maior desafio é o inverno, quando não dá vontade de comer saladas. Se antes, as alternativas eram carne, bolinho de carne, frango e bife, agora é a vez de feijão, feijão preto, branco, lentinha".

Não houve pressão sobre os filhos. E o caçula André, passada a euforia vegetariana, expressou o desejo de voltar a comer carne. E de fato se readaptou a uma dieta não vegetariana. "Eu faço bife, filé de frango, mas ele também gosta de carne de soja", conta Maria Fernanda.

 

Caídas e recaídas - Suspender o consumo de carnes exige força de vontade e também paciência, para enfrentar a reação das demais pessoas, nem sempre acostumadas a hábitos vegetarianos. "Você não tem dó do alface?", era a pergunta que a jornalista Natália Mello, de 26 anos, mais ouvia de seus irmãos quando decidiu trilhar o novo caminho. A pressão teve resultados.

Na primeira tentativa de riscar os produtos de origem animal de seu cardápio, ela tinha 16 anos; na segunda, 20. Ambas foram mal-sucedidas. Como não sabia exatamente como buscar em outros alimentos os nutrientes da carne, passou maus momentos: desenvolveu anemia nas duas vezes e quase precisou de transfusão de sangue. "Meus cabelos caiam, era tão desesperador que eu não queria lavar a cabeça por conta dos chumaços enormes que caiam na hora do banho", conta.

Mas as dificuldades apenas adiaram a mudança. "É preciso aprender a comer adequadamente em termos nutricionais e só depois cortar a carne: hoje, como peixe e frango e às vezes tenho umas recaídas com carne vermelha", diz. "É uma luta contra sua própria vontade e contra os hábitos de toda a sociedade".

 

 

Compare: sua vida com - e sem - carne

Sem carne

Com carne

A Associação Dietética Americana reconhece que dietas vegetarianas, desde que planejadas, são saudáveis em termos nutricionais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a ingestão de carne vermelha não ultrapasse 300 g por semana

Os vegetarianos precisam redobrar a atenção ao cardápio para evitar doenças como anemia

As carnes são ricas em proteína, zinco, ferro e vitamina B12

Vegetais são fonte de vitaminas e sais minerais, ajudam na digestão, no intestino e na circulação

A proteína encontrada nas carnes provoca sensação de saciedade e disposição

Vegetarianos têm redução de riscos de doenças cardiovasculares (infarto, AVC e diabete)

Nutrientes da carne são absorvidos pelo organismo com mais facilidade do que os provenientes de outros alimentos

Se não seguirem a dieta adequada, vegetarianos correm risco de palidez, fraqueza e perder peso

Comer 340 g de peixe por semana pode reduzir em 36% o risco de morte por doença do coração

11% das mortes de homens e 16% dos óbitos de mulheres poderiam ser adiados graças à redução do consumo de carne vermelha

A taurina, aminoácido presente em peixes, ajuda a prevenir a diabetes

Vegetarianos têm menos osteoporose: como não consomem proteína animal, perdem menos cálcio pela urina

Produtos de origem animal possuem gordura saturada, que está relacionada ao aumento de LDL (colesterol ruim), e colesterol

Vegetarianos podem ser mais bem-humorados, pois consomem mais carboidrato - ligado à serotonina, responsável pelo bem-estar

Carne vermelha bem passada pode provocar câncer, pois produz aminas heterocíclicas, substância ligada à doença

Vegetais são ricos em substâncias antioxidantes, que têm papel importante na regulação da imunidade e prevenção de câncer

Esportistas gastam mais nutrientes como o ferro e podem precisar de reforço

Fonte: Luciano Giacaglia, endocrinologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e Michele Trindade, nutricionista clínica do Instituto de Metabolismo e Nutrição (Imen)

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4

nov
2012

Direitos de toda pessoa

Direito à moradia

 

A moradia adequada foi reconhecida como direito humano em 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tornando-se um direito humano universal, aceito e aplicável em todas as partes do mundo como um dos direitos fundamentais para a vida das pessoas.

Vários tratados internacionais após essa data reafirmaram que os Estados têm a obrigação de promover e proteger este direito. Hoje, já são mais de 12 textos diferentes da ONU que reconhecem o direito à moradia. Apesar disso, a implementação deste direito ainda é um grande desafio.

O direito à moradia integra o direito a um padrão de vida adequado. Não se resume a apenas um teto e quatro paredes, mas ao direito de toda pessoa ter acesso a um lar e a uma comunidade seguros para viver em paz, dignidade e saúde física e mental. A moradia adequada deve incluir:

  • Segurança da posse: Todas as pessoas têm o direito de morar sem o medo de sofrer remoção, ameaças indevidas ou inesperadas. As formas de se garantir essa segurança da posse são diversas e variam de acordo com o sistema jurídico e a cultura de cada país, região, cidade ou povo;
  • Disponibilidade de serviços, infraestrutura e equipamentos públicos: A moradia deve ser conectada às redes de água, saneamento básico, gás e energia elétrica; em suas proximidades deve haver escolas, creches, postos de saúde, áreas de esporte e lazer e devem estar disponíveis serviços de transporte público, limpeza, coleta de lixo, entre outros.
  • Custo acessível: O custo para a aquisição ou aluguel da moradia deve ser acessível, de modo que não comprometa o orçamento familiar e permita também o atendimento de outros direitos humanos, como o direito à alimentação, ao lazer etc. Da mesma forma, gastos com a manutenção da casa, como as despesas com luz, água e gás, também não podem ser muito onerosos.
  • Habitabilidade: A moradia adequada tem que apresentar boas condições de proteção contra frio, calor, chuva, vento, umidade e, também, contra ameaças de incêndio, desmoronamento, inundação e qualquer outro fator que ponha em risco a saúde e a vida das pessoas. Além disso, o tamanho da moradia e a quantidade de cômodos (quartos e banheiros, principalmente) devem ser condizentes com o número de moradores. Espaços adequados para lavar roupas, armazenar e cozinhar alimentos também são importantes.
  • Não discriminação e priorização de grupos vulneráveis: A moradia adequada deve ser acessível a grupos vulneráveis da sociedade, como idosos, mulheres, crianças, pessoas com deficiência, pessoas com HIV, vítimas de desastres naturais etc. As leis e políticas habitacionais devem priorizar o atendimento a esses grupos e levar em consideração suas necessidades especiais. Além disso, para realizar o direito à moradia adequada é fundamental que o direito a não discriminação seja garantido e respeitado.
  • Localização adequada: Para ser adequada, a moradia deve estar em local que ofereça oportunidades de desenvolvimento econômico, cultural e social. Ou seja, nas proximidades do local da moradia deve haver oferta de empregos e fontes de renda, meios de sobrevivência, rede de transporte público, supermercados, farmácias, correios, e outras fontes de abastecimento básicas. A localização da moradia também deve permitir o acesso a bens ambientais, como terra e água, e a um meio ambiente equilibrado.
  • Adequação cultural: A forma de construir a moradia e os materiais utilizados na construção devem expressar tanto a identidade quanto a diversidade cultural dos moradores e moradoras. Reformas e modernizações devem também respeitar as dimensões culturais da habitação.

 

 

Direito à cultura

 

Os Direitos Culturais, além de serem direito dos seres humanos previstos expressamente na Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), no Brasil encontram-se devidamente normatizados na Constituição Federal de 1988 devido à sua relevância como fator de singularizarão da pessoa humana. Como afirma Bernardo Novais da Mata Machado, "os direitos culturais são parte integrante dos direitos humanos, cuja história remonta à Revolução Francesa e à sua Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), que sustentou serem os indivíduos portadores de direitos inerentes à pessoa humana, tais como direito à vida e à liberdade." (MACHADO, 2007).

Fato é que a cultura reflete o modo de vida de uma sociedade, além de interferir em seu modo de pensar e agir, sendo fator de fortalecimento da identidade de um povo e indubitavelmente de desenvolvimento humano. Conforme afirma José Márcio Barros, a "cultura refere-se tanto ao modo de vida total de um povo - isso inclui tudo aquilo que é socialmente aprendido e transmitido, quanto ao processo de cultivo e desenvolvimento mental, subjetivo e espiritual, através de práticas e subjetividades específicas, comumente chamadas de manifestações artísticas" (BARROS, 2007, pag.).

 

 

Direito à saúde

 

O Direito à saúde é parte de um conjunto de direitos chamados de direitos sociais, que têm como inspiração o valor da igualdade entre as pessoas. No Brasil este direito apenas foi reconhecido na Constituição Federal de 1988, antes disso o Estado apenas oferecia atendimento à saúde para trabalhadores com carteira assinada e suas famílias, as outras pessoas tinham acesso a estes serviços como um favor e não como um direito. Durante a Constituinte de 1988 as responsabilidades do Estado são repensadas e promover a saúde de todos passa a ser seu dever:

Este artigo não deve ser lido apenas como uma promessa ou uma declaração de intenções, este é um direito fundamental do cidadão que tem aplicação imediata, isto é, pode e deve ser cobrado. A saúde é um direito de todos por que sem ela não há condições de uma vida digna, e é um dever do Estado por que é financiada pelos impostos que são pagos pela população. Desta forma, para que o direito à saúde seja uma realidade, é preciso que o Estado crie condições de atendimento em postos de saúde, hospitais, programas de prevenção, medicamentos, etc., e além disto é preciso que este atendimento seja universal (atingindo a todos os que precisam) e integral (garantindo tudo o que a pessoa precise).

A criação do SUS (Sistema Único de Saúde) está diretamente relacionada a tomada de responsabilidade por parte do Estado. A idéia do SUS é maior do que simplesmente disponibilizar postos de saúde e hospitais para que as pessoas possa acessar quando precisem, a proposta é que seja possível atuar antes disso, através dos agentes de saúde que visitam frequentemente as famílias para se antecipar os problemas e conhecer a realidade de cada família, encaminhando as pessoas para os equipamentos públicos de saúde quando necessário. Desta forma, organizado com o objetivo de proteger, o SUS deve promover e recuperar a saúde de todos os brasileiros, independente de onde moram, se trabalham e quais os seus sintomas. Infelizmente este sistema ainda não está completamente organizado e ainda existem muitas falhas, no entanto, seus direitos estão garantidos e devem ser cobrados para que sejam cumpridos.

 

 

 

Direito ao trabalho

 

O Direito ao Trabalho e Renda é parte dos chamados direitos econômicos e sociais. Por ter como base a igualdade, o direito ao trabalho prevê que todas as pessoas têm direito de ganhar a vida por meio de um trabalho livremente escolhido, de possuir condições eqüitativas e satisfatórias de trabalho e renda e de ser protegida em caso de desemprego.


No Brasil, a Constituição de 1988, no artigo 6º, reconhece o trabalho enquanto um direito e do artigo 7º ao 11º estão prescritos os principais direitos para os trabalhadores que atuam sob as leis brasileiras. Além da Constituição, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) regulamenta também as relações de trabalho no Brasil.


Pela Constituição brasileira, não só o direito ao trabalho, mas a um salário que garanta a subsistência do trabalhador e de sua família é uma OBRIGAÇÃO que deve ser garantida pelo Estado. Contudo, apesar de ser constitucionalmente garantido, na prática, tanto o direito ao trabalho como o direito à renda são muitas vezes violados e não são raros os casos de desemprego, salários injustos, trabalho sem férias ou repouso, em condições inadequadas etc.


Diferente de alguns outros direitos, não existe nenhum mecanismo formal que garanta trabalho aos cidadãos brasileiros. O que existe são algumas medidas que, durante um período, buscam assistir ao desempregado, como: seguro desemprego, auxílio-transporte (Metrô), isenção de taxas para retirar alguns documentos etc. Além disso, tanto governos como alguns sindicatos possuem serviços de cadastro de trabalhadores para recolocá-los no mercado de trabalho e requalificação profissional.

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3

nov
2012

Educação Ambiental

Os 5 Rs da educação ambiental em Ação

 

Conheça a seguir os 5 Rs, ações práticas que, no dia a dia, podem propiciar a redução do nosso impacto sobre o planeta, melhorando a vida atual e contribuindo com a qualidade de vida das próximas gerações. Se. você já pratica alguma delas, lembre-se que é sempre possível disseminar e fazer mais.

 

Repensar os hábitos de consumo e descarte

Pense na real necessidade da compra daquele produto, antes de comprá-lo. Depois de consumi-lo, pratique a coleta seletiva, separando embalagens, matéria orgânica e óleo de cozinha usado. Jogue no lixo apenas o que não for reutilizável ou reciclável. Evite o desperdício de alimentos. Use produtos de limpeza biodegradáveis. Adquira produtos recicláveis ou produzidos com matéria-prima reciclada (durável e resistente). Prefira embalagens de papel e papelão. Utilize lâmpadas econômicas e pilhas recarregáveis ou alcalinas. Mude seus hábitos de consumo e descarte.
 

Recusar produtos que prejudicam o meio ambiente e a saúde

Compre apenas produtos que não agridem o meio ambiente e a saúde. Fique atento ao prazo de validade e nas empresas que têm compromissos com a ecologia.

Evite o excesso de sacos plásticos e embalagens. Tenha sempre uma sacola de pano para transportar suas compras. Evite comprar aerossóis e lâmpadas fluorescentes, bem como produtos e embalagens não recicláveis e descartáveis. Radicalize!

 

Reduzir o consumo desnecessário

Esta prática significa consumir menos produtos, dando preferência aos que tenham maior durabilidade e, portanto, ofereçam menor potencial de geração de resíduos e de desperdício de água, energia e recursos naturais. Adote a prática do refil. Escolha produtos com menos embalagens ou embalagens econômicas, priorizando as retornáveis. Leve sua sacola para as compras e adquira produtos a granel. Faça   bijouterias,   brinquedos   e   presentes personalizados reutilizando materiais. Invente novas receitas e reaproveite de forma integral os alimentos. Alugue equipamentos. Edite textos na tela do computador e, quando não for possível evitar a cópia ou a impressão, faça-as frente e verso. Diga não ao consumismo: sua prosperidade agradece.

 

Reutilizar e recuperar ao máximo an¬tes de descartar

Amplie a vida útil dos produtos e do aterro sanitário, economizando a extração de matérias-primas virgens.

Crie produtos artesanais e alternativos a partir da reutilização de embalagens de papel, vidro, plástico, metal, isopor e CDs. Utilize os dois lados do papel e monte blocos de papel-rascunho. Ofereça vários tipos de oficinas de sucata. Doe objetos que possam servir a outras pessoas.

 

Reciclar materiais

O processo de reciclagem reduz a pressão sobre os recursos naturais, economiza água, energia, gera trabalho e renda para milhares de pessoas. Seja no mercado formal ou informal de trabalho.

Exercite os quatro primeiros Rs e, o que restar, separe para a coleta seletiva das embalagens de vidros, plásticos, metais, papéis, longa vida, isopor, óleo de cozinha usado, cartuchos de impressoras, pilhas, baterias, CDs, DVDs, radiografias e alimentos. A reciclagem promove benefícios ambientais, sociais e econômicos.

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3

nov
2012

Higiene

Pneumonia, otite, dor de garganta, asma, sinusite, sarampo, varicela, impetigo, eczema, sarna, micose, furúnculo, abscesso e conjuntivite. Você sabe o que essas doenças têm em comum? Todas elas podem ser evitadas por meio de uma boa higiene pessoal. Cultivar hábitos de limpeza do corpo é essencial para garantir a saúde de todo o organismo, contra os estímulos externos, com destaque para o ataque de micro-organismos. E é justamente a nossa incapacidade de percepção às investidas desses seres que dá à higiene um papel fundamental para o bem-estar do corpo.

"A higiene pessoal previne a ocorrência de doenças infecciosas. Por exemplo, alguém que lava as mãos antes de se alimentar diminui o risco de contrair vermes, protozoários, bactérias e vírus que causam diarreia, gripe ou resfriado", fala Fernando Bellissimo Rodrigues, médico infectologista e professor do departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

Ameaça invisível

Um estudo conduzido na África do Sul por pesquisadores da Universidade de Brigham Young, dos EUA, mostra que a educação e a prática de hábitos de higiene pessoal e das residências ajudaram a reduzir em até 39,1% a incidência de infecções na pele. Já o relatório Diarreia: Por que as crianças continuam morrendo e o que pode ser feito, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef ) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2009, mostra que a diarreia é a causa de morte de mais de 1,5 milhão de crianças por ano em todo o mundo. E, de acordo com o estudo, a falta de higiene está diretamente relacionada a 88% desses óbitos.

No Brasil, o estudo Suabe, que entrevistou 150 donas de casa em São Paulo, constatou que 65% das crianças apresentam coliformes fecais nas mãos após irem ao banheiro. Entre as bactérias encontradas estão Enterococcus e Escherichia Coli, causadoras de doenças gastrointestinais.

Quem lava as mãos antes de se alimentar diminui o risco de contrair micro-organismos que causam diarreia, gripe e resfriado

A hepatite A, comum nas escolas infantis, também é disseminada dessa forma. "Ela é transmitida por via oral-fecal, ou seja, um indivíduo contaminado elimina o vírus pelas fezes, que são posteriormente retransmitidas a outra pessoa pela boca. Uma criança que não faz uma higiene adequada após as evacuações é um potencial propagador do vírus", destaca Tânia S. Souza Chaves, médica responsável pelo Centro de Imunizações e do Núcleo de Medicina do Viajante do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Aprender desde cedo

Os mecanismos de higiene pessoal devem ser aplicados em todo o corpo de forma global e incentivados desde os primeiros anos de vida. São atitudes simples e indispensáveis, como a de lavar as mãos antes e depois de fazer necessidades fisiológicas. Isso porque tanto a falta de lavagem das mãos quanto a má limpeza da região anal após a utilização do banheiro podem ajudar a transmissão do vírus da hepatite A, por exemplo.

Mas nada de se desesperar e exagerar na dose. O excesso de limpeza pessoal, como lavar as mãos compulsivamente, desinfetar e esterilizar objetos de uso pessoal, também pode prejudicar o desenvolvimento do sistema imune. "Há evidências de que crianças vivendo em ambientes ultralimpos, sem contato com terra, plantas ou animais, têm maior risco de desenvolver asma brônquica", contrapõe Rodrigues.

Os especialistas consultados por VivaSaúde ensinam como ficar longe de doenças com o cultivo de bons hábitos de higiene pessoal. Vire e página e descubra como você pode ficar ainda mais limpo.

A forma certa de limpar

Rosto

%u2022 O que usar: água e sabonete. Não utilize sabonetes antissépticos diariamente para não remover componentes necessários à pele, como os lipídios. As loções adstringentes têm indicação em casos de peles que acumulam mais impurezas. Peles mais oleosas podem ser tratadas semanalmente com géis esfoliantes.

%u2022 Como higienizar: lave bem a região com água e sabão e remova toda a espuma com água.

%u2022 O que não fazer: esfregar com buchas ou esponjas de forma agressiva ou com frequência diária. Lavar com água muito quente ou utilizar agentes que possam irritá-la como sabões e loções antissépticas sem indicação.

%u2022 Frequência da limpeza: depende dos tipos de pele. Em geral, uma limpeza mais cuidadosa deve ser feita ao acordar e antes de dormir. Pessoas com acne precisam complementar a higiene do rosto com uma desobstrução dos cravos pela esteticista uma vez por mês, ou trimestral para peles excessivamente oleosas. Esse recurso também é indicado para a pele normal, mas o intervalo pode ser maior.

%u2022 Outros cuidados: filtros solares de uso diário.

%u2022 Você ficará livre de: impetigo, espinhas e cravos no rosto, blefarites e outras infecções bacterianas na região dos olhos.

Unhas

%u2022 O que usar: água, sabonete e lixa de unha.

%u2022 Como higienizar: o ideal é manter as unhas sempre curtas e lixá-las a cada três dias. Pessoas que cultivam unhas compridas devem lavar as mãos com maior frequência e sempre antes de preparar alimentos.

%u2022 O que não fazer: enfiar palitos e outros materiais que agridam as unhas e as descolem do leito. Caso exista a necessidade desse tipo de intervenção, consulte um especialista.

%u2022 Frequência da limpeza: diária.

%u2022 Você ficará livre de: verminoses e doenças intestinais, micoses das unhas e onicomicoses (infecção)

Cabelos

%u2022 O que usar: água e xampus e condicionador.

%u2022 Como higienizar: aplique o xampu suavemente sem massagear com força. Espere um minuto e massageie mais uma vez. Em seguida, remova o produto enxaguando totalmente os fios por três ou quatro minutos para garantir que nenhum resíduo provoque irritação do couro cabeludo. Por fim, aplique o condicionador apenas nos fios.

%u2022 O que não fazer: escovação em excesso, abuso de secadores, permanentes, relaxamentos, descolorimento e exposição ao sol, vento e água com cloro.

%u2022 Frequência da limpeza: ao menos, duas vezes por semana. Alguns tipos podem ser lavados todos os dias.

%u2022 Outros cuidados: a temperatura da água não deve ser alta. Evite prender os fios em rabos de cavalos tensos ou qualquer outra forma que tracione o couro cabeludo.

%u2022 Você ficará livre de: caspas, piolho, mau cheiro, oleosidade e queda de cabelo, fungos e bactérias.

Nariz

%u2022 O que usar: água e soro nasal.

%u2022 Como higienizar: umedecer as narinas com água e soro nasal. Depois, assoe em um lenço o excesso de líquido.

%u2022 O que não fazer: cutucar a região com o dedo.

%u2022 Frequência da limpeza: sempre que sentir que há a formação de secreções na região.

%u2022 Você ficará livre de: infecções na vias aéreas, rinite alérgica, sinusite, gripes e resfriados.

Orelhas

%u2022 O que usar: toalha e cotonete.

%u2022 Como higienizar: a melhor maneira de fazer a limpeza é com uma toalha após o banho. Não se deve forçar a área interna. O cotonete só deve ser usado na parte externa.

%u2022 O que não fazer: usar cotonetes para limpar a parte interna, pois empurrará a cera para o interior da orelha.

%u2022 Frequência da limpeza: apenas quando há o excesso de cera. Essa substância, ainda que visivelmente incômoda, é essencial para bloquear a entrada de micro-organismos.

%u2022 Você ficará livre de: eczema e otite.

 

Mãos

%u2022 O que usar: água, sabonete e géis antissépticos.

%u2022 Como higienizar: molhe as mãos e os pulsos com água. Depois, passe sabonete até cobrir toda a superfície e esfregue cada palma sobre o dorso da outra mão, entre os dedos e, por fim, as palmas. Então, deixe as mãos ensaboadas durante 15 segundos e as enxágue com bastante água corrente.

%u2022 O que não fazer: usar cremes oleosos, pois eles ajudam a reter impurezas.

%u2022 Frequência da limpeza: sempre que for ao banheiro, assoar o nariz, espirrar, tossir, manipular alimentos e lixo, tratar de pessoas enfermas, trocar fraldas, ter contato com animais, depois de visitar locais públicos, antes de qualquer refeição e para manusear lentes de contato.

%u2022 Você ficará livre de: doenças respiratórias e gastrointestinais, além de evitar a transmissão de germes resistentes aos antibióticos.

As buchas devem ser completamente enxaguadas e secas logo após o uso e trocadas a cada mês

Membros e tórax

%u2022 O que usar: água, sabonete, bucha e hidratante.

%u2022 Como higienizar: basta lavá-los com água e sabonete durante o banho. Utilize hidrantes por toda a região, com atenção especial para os joelhos e cotovelos.

%u2022 O que não fazer: fricções excessivas.

%u2022 Frequência da limpeza: diária.

%u2022 Você ficará livre de: micoses e pitiríase versicolor, popularmente conhecido como pano branco.

Pés

%u2022 O que usar: água, sabonete, hidratante, e talcos antimicóticos ou antissépticos.

%u2022 Como higienizar: lavar com água e sabonete e secá-los bem logo após a lavagem. Use hidratantes %u2014 principalmente os que contêm ureia %u2014 para a limpeza e refinamento da pele. As buchas, escovas ou esponjas devem ser completamente enxaguadas e secas logo após o uso e trocadas periodicamente, no máximo a cada mês, para evitar que também se tornem focos de contaminação microbiana.

%u2022 O que não fazer: usar meias úmidas.

%u2022 Frequência da limpeza: diária.

%u2022 Outros cuidados: mantenha os calçados sempre limpos e secos, guardados em local bem ventilado e livre de umidade.

%u2022 Você ficará livre de: micoses, bromidrose e do aparecimento das bactérias e fungos.

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3

nov
2012

Transtornos alimentares

O que são transtornos alimentares?

Os transtornos alimentares prevalecem sobretudo entre raparigas adolescentes e jovens adultas, mas cerca de 5 a 10% dos casos ocorrem com rapazes. As vítimas sentem-se normalmente impotentes em relação às suas vidas, sofrem de baixa auto-estima e têm uma fraca imagem do seu corpo. Usam a comida - seja a restrição da comida ao ponto de passarem fome, o ou excesso de comida ao ponto de ficarem obesos -, como forma de ganhar controlo sobre alguns aspectos das suas vidas.

Algumas formas comuns de transtorno alimentar: a Anorexia Nervosa é uma condição em que as pessoas restringem a ingestão de comida, às vezes para valores tão baixos como 300 calorias por dia; a Bulimia Nervosa caracteriza-se por períodos de indulgência em grandes quantidades de comida para depois vomitar ou usar laxantes para eliminar a comida do corpo; o Transtorno de Compulsão Alimentar e excesso compulsivo de alimentação ocorre quando as pessoas comem em demasia mas não purgam a comida e ganham peso em excesso e a Ortorexia é a obsessão doentia por alimentação saudável, o que em excesso e não regulado pode ser prejudicial. Qualquer um destes transtornos alimentares tem consequências nutricionais muito graves e um forte impacto na saúde dos indivíduos.

 

Nutrição para transtornos alimentares

Uma boa nutrição é essencial a todos e especialmente às pessoas em recuperação de um transtorno alimentar. Primeiro, certifique-se de que a pessoa com o transtorno foi avaliada por um médico qualificado e que se encontra num plano de tratamento. Uma terapia nutricional de um dietista credenciado, aliada a psicoterapia e farmacologia ou formas variadas de medicina alternativa, pode ajudar uma pessoa em recuperação de um transtorno alimentar.

Parte de um plano de tratamento eficaz consiste em ajudar a pessoa a regressar a um padrão de alimentação saudável. O corpo de uma pessoa que tem passado fome está num estado terrível e precisa de alimentos nutritivos para recuperar energia, restabelecer o equilíbrio químico e melhorar a clareza mental.

Os seguintes alimentos podem ajudar na recuperação de um transtorno alimentar:

%u25CF Alimentos integrais concedem nutrientes que revitalizam o corpo. O pão de centeio integral, arroz integral, fruta e legumes frescos e carnes magras darão aos corpos desgastados um aumento de energia. As comidas processadas oferecem açúcar, xarope de milho com alto teor de frutose, gordura, cereais refinados e muito pouco no que diz respeito a nutrientes;

%u25CF O cálcio presente em produtos lácteos magros e vegetais folhados ajudam a fortalecer os ossos e os dentes. As dietas excessivas roubam cálcio aos ossos, tornando-os frágeis. As jovens que sofrem devido a um transtorno alimentar mostraram ter uma massa óssea semelhante à de mulheres idosas. Para além do mais, vomitar em excesso destrói o esmalte dos dentes;

%u25CF Carnes magras, legumes e peixe proporcionam as proteínas necessárias das quais um corpo mal nutrido precisa;

%u25CF Os ácidos gordos do Ómega 3 encontrado no peixe, ovos e nozes, estimulam o coração. Quem sofre de anorexia corre o risco de ter problemas cardíacos e arritmia cardíaca pois o corpo não tem gordura suficiente para sustentar o funcionamento cardíaco;

%u25CF Os líquidos e sódio da água e bebidas desportivas são necessários para restabelecer o desequilíbrio de electrólitos e restituir a perda de água devido à desidratação provocada por vomitar em excesso, ou pelo uso de laxantes e de diuréticos.

Os atletas que sofrem de transtornos alimentares precisam de aconselhamento nutricional especializado. Desportos como a luta livre, corrida, ballet e ginástica, que dão ênfase a corpos magros e tonificados, apresentam um número excepcionalmente elevado de praticantes com transtornos alimentares. Estes atletas restringem a comida, têm um índice de massa corporal muito baixo, abusam de bebidas proteicas e suplementos e tentam perder o peso da água com diuréticos e saunas.

Os atletas devem concentrar-se numa alimentação baseada em alimentos em vez de suplementos, carbonatos e gorduras para a energia, proteínas para os músculos, fluidos e electrólitos adequados, e vitaminas e electrólitos para manter a performance e o equilíbrio nutricional.

 

Porquê usar a nutrição para prevenir transtornos alimentares?

 

As práticas de boa nutrição podem ajudar a prevenir transtornos alimentares. Os jovens vão buscar a sua imagem corporal e auto-estima ao mundo que os rodeia. Envolver as crianças na preparação da comida e ensinar-lhes a reconhecer imagens corporais realistas pode prepará-las para hábitos saudáveis que podem ser-lhes úteis ao longo da vida.

Ajude-os a focarem-se na boa saúde e alimentos saudáveis em vez do seu peso e do que a balança diz. As crianças podem ser atarracadas mas saudáveis se comerem alimentos correctos e fizerem exercício. Ensinem as crianças a comer quando têm fome e não por razões emocionais. Deixe-as saber que não há nenhuma boa razão para terem de passar fome. Não critique o peso de uma criança nem se queixe do seu tamanho. Desenvolva previamente planos de comida saudável e mantenha-se firme na sua prossecução.

Procure sinais de aviso que possam indicar que uma pessoa jovem possa estar a caminho de uma transtorno alimentar: contar obsessivamente as calorias de tudo o que come, só comer "dieta" ou alimentos baixos em gordura, dizer que está gorda quando de facto está muito magra, abusar de laxantes, pesar-se constantemente e fazer exercício em excesso.

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3

nov
2012

Descanso e sono

Guia do Sono                                     

Cássia Nunes


É durante o sono que o organismo recupera o desgaste físico e mental, e ainda cumpre tarefas essenciais para o seu bom funcionamento.
Uma noite mal dormida é de efeito semelhante a uma leve embriaguez. Prejudica a coordenação motora e a capacidade de raciocínio.

Como funciona

O processo do sono é comandado por um relógio biológico programado num ciclo de 24 horas. Todo esse mecanismo é adaptado geneticamente e seu desenvolvimento depende de alguns fatores externos, como tipos de colchões, hábitos e vida social.
Segundo especialistas, a peça-chave dessa sincronia é um hormônio produzido no cérebro pela glândula pineal chamado melatonina. Seu ponto de ignição é assim que o sol se põe, como uma espécie de aviso ao organismo para que comece a se preparar para dormir.
No início deste processo, a temperatura cai em torno de 2oC juntamente com a pressão arterial que também sofre uma leve queda, levando ao primeiro cochilo.

Fases do sono

O processo do sono é composto por cinco fases. A primeira fase é a do adormecimento, o que pode durar até quinze minutos. É como uma espécie de zona intermediária entre estar acordado e dormindo.
O cérebro produz ondas irregulares e rápidas, a tensão muscular diminui e a respiração se torna mais leve.

A segunda fase é a de um sono mais leve. A temperatura e os rítimos cardíaco e respiratório diminuem e a pessoa é definitivamente conduzida ao limite entre estar acordada e dormindo.

Na terceira fase o corpo já começa a entrar em um sono profundo, onde as ondas cerebrais diminuem o ritmo.

A quarta fase é a do sono profundo quando o corpo repõe as energias do desgaste diário. Nesta fase é que o organismo libera os hormônios ligados ao crescimento e executa o processo de recuperação de células e órgãos.

A quinta fase é quando a atividade do cérebro acelera e inicia o processo de formação dos sonhos. É quando o cérebro faz um tipo de faxina na memória, guardando as informações importantes recebidas durante o dia e joga fora as informações desnecessárias.

Em geral, um indivíduo adulto necessita dormir até oito horas por dia. Porém, não é estabelecido uma regra quanto a duração do sono. Cada pessoa tem seu próprio ritmo.
Porém, se esse ritmo for alterado, alguns problemas surgem somo resposta à essa alteração.

Fuso horário, pessoas que tem maior energia ao entardecer ou que trabalham durante à noite, são fatores que contribuem para o surgimento de problemas de sono.
Existe um exame detalhado capaz de detectar mais de 80 distúrbios do sono: a polissonografia. Este exame é realizado em laboratórios do sono. Entre os distúrbios mais comuns estão:

· Insônia - Dificuldade para dormir. Atingindo 1 em cada 3 adultos, a pessoa que sofre de insônia não consegue dominar o cansaço e obter o descanso necessário.

· Ronco - A língua cai sobre a garganta e bloqueia o ar. Para minimizar o problema, a pessoa deve deitar de lado ou elevar a cabeça apoiando-a sobre mais de um travesseiro.

· Apnéia - Ronco prolongado e sonoro. Uma pessoa com apnéia crônica deixa de respirar durante um período de até 2 minutos várias vezes durante o sono.

· Bruxismo - Ranger os dentes de forma inconsciente enquanto dorme. Algumas vezes o problema pode ser dental, mas geralmente é um problema do sistema nervoso. Para minimizar o problema, durante o dia a pessoa deve contrair as mandíbulas por um período de 5 a 10 segundos e relaxá-las durante 5 segundos. Esse procedimento deve ser repetido dez vez por dia.

                                                            
· Sonambulismo - A pessoa fala e caminha durante o sono. O sonambulismo é um distúrbio de causa genética e afeta cerca de 15 % das crianças entre 6 e 12 anos, geralmente do sexo masculino.

                                                            
· Narcolepsia - Sonolência excessiva. A pessoa que sofre de narcolepsia tende a dormir a qualquer hora e lugar. Também é uma doença de causa genética e pode ter relação com outros distúrbios do sono.


A pessoa que apresenta algum desses sintomas deve consultar um médico, pois somente um especialista poderá diagnosticar a doença e iniciar o tratamento adequado.

Para pessoas que não apresentam distúrbios do sono e querem manter um sono tranqüilo, abaixo seguirá um espécie de dez mandamentos para garantir um bom sono noturno.

  • Manter os mesmos horários de levantar.
  • Fazer exercícios diariamente, pelomenos 20 minutos.
  • Evitar estimulantes como café, chocolate, refrigerantes.
  • Não fumar. A nicotina é ainda mais estimulante do que a cafeína.
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Embora o álcool seja sonífero, deve se tomar cuidado com a quantidade e o horário em que é ingerido, pois pode antecipar ou tardar o sono.
  • Não dormir mais do que o necessário.
  • Evitar dormir à tarde, principalmente se a pessoa tem problemas para dormir durante a noite.
  • Não comer em excesso antes de deitar nem dormir com fome.
  • Esquecer os problemas e responsabilidades na hora de dormir.
  • Relaxar. Tomar uma ducha, ler um livro ou ouvir uma boa música pode ajudar muito a conciliar o sono. Procure fazer dessas tarefas como um ritual do sono à ser repetido todas as noites.

Para um descanso total, deve-se prestar muita atenção nos tipos de colchões, travesseiros e, principalmente, a postura na hora de dormir.
Quando for comprar colchões, prefira os que não sejam nem muito macios nem muito rígidos. Assim, as curvas do corpo têm apoio e a coluna fica reta.
Quanto aos travesseiros deve-se prestar atenção se a espessura do travesseiro é suficiente para preencher o espaço entre o ombro e a cabeça. Assim, evitará que a cervical seja forçada.
Na hora de deitar, deve se ter muito cuidado com a postura. A melhor maneira é aquela que permita o relaxamento total dos músculos, principalmente nas costas, região lombar, dorsal e cervical as quais mais trabalham durante o dia e necessitam de descanso adequado.
Está proibido deitar de bruços. Essa posição força o lombar e a cervical e acentua problemas de escoliose, lordose e lombalgiga.
Pode se deitar de barriga para cima, desde que haja um almofadão embaixo dos joelhos. O joelho semilevantado faz encaixar o quadril e compensar a curvatura da lombar.
A posição mais correta é a posição fetal. Deita-se de lado com as pernas levemente dobradas. Para aumentar o conforto, pode se colocar um travesseiro entre as pernas.

Dormir bem, não é só uma forma de descanso, é a garantia de uma vida saudável e mais longa.

 

 

 

 

Reflexões sobre o tempo livre, o lazer e o antilazer
Por Raulito Ramos Guerra Filho

A questão do tempo livre e lazer tornou-se uma preocupação constante nos depoimentos das pessoas que possuem uma carga excessiva de trabalho, como também nos meios de comunicação de massa. O Lazer se tornou uma palavra da moda e o seu uso corrente serve para designar normalmente pacotes de turismo, passeio no parque, assistir à televisão e leitura entre outros; algumas vezes o lazer é associado à questão econômica e outras vezes não.

Ele está presente nas manifestações verbais e nas mais diversas práticas corporais, em diferentes formas de expressão nas diferentes classes sociais e grupos étnicos. Estas manifestações de lazer podem ser vistas na TV, nas ruas , nos parques, nas universidades, etc. Mas, infelizmente inúmeras vezes, o lazer ainda é visto como algo supérfluo, um bem de que grande parte da população não desfruta porque não possui condições dignas de existência. As pessoas das camadas mais pobres da sociedade não possuem casa, comida e ainda querem lazer? Pensar desta forma seria privar uma grande parte da população de seus direitos de cidadãos. O lazer deve ser compreendido como um meio de essencialização do ser humano.
Atualmente, diferentes áreas de conhecimento consideram o lazer como área importante de estudo. E reconhecem, a sua importância
sócio-cultural, de um meio privilegiado para a manifestação de hábitos, culturas e expressão das mais diferentes formas, inclusive as de aspecto ludomotor.
Este artigo tem como objetivo compreender os conceitos de Lazer, tempo livre e ócio, que foram adquirindo diferentes conotações com o passar do tempo, e suas relações com a sociedade atual.

A HISTÓRIA DO LAZER

Os gregos denominavam de ócio o tempo livre, atribuindo-lhe maior valor que a vida de trabalho, principalmente os atenienses. Na Grécia clássica, o ideal de sabedoria que se cultivava tinha no ócio sua condição essencial. Havia uma grande significação e exaltação das atividades ociosas em contraposição às de trabalho, pelo menos para os atenienses, já que os espartanos eram guerreiros. A cultura agonista espartana pode ser considerada uma cultura laboral. O cotidiano deste povo acontecia fundamentalmente nos ginásios, nas termas, no fórum e em outros lugares de reunião. Havia o culto aos deuses que representava função permanente no tempo, pois se acreditava que a via para atingir a perfeição e a sabedoria passava pela contemplação dos deuses.
Cronos é o deus do tempo, daí advindo às palavras cronômetro, cronometragem,
cronograma, etc.

Segundo Bacal (1988) a etimologia da palavra ''ócio'' orienta-se do grego; ócio em grego é skole, em latim schola e em castelhano escuela.
Podemos ver que a educação significava ócio, pois do ponto de vista semântico, a raiz skole implicava nos atos de parar ou cessar, indicando idéias de repouso ou paz.
Convém ressaltar que os nomes com que se denominavam lugares para educação significavam ócio, e, para os gregos, toda a atividade era um meio, um instrumento, sendo o ócio um fim em si mesmo, algo a ser alcançado para ser desfrutado.
Já para Aristóteles, ainda na Grécia Antiga, o ócio era uma condição ou estado - o estado de estar livre da necessidade de trabalhar. O filósofo fala também da vida de ócio em contraposição à de ação, entendendo por ações as atividades dirigidas para obtenção de fins. Não considerava a diversão (Paidéia) ou recreio (anapáusis) como ócio, uma vez que são meios necessários para conduzir o ser às atividades laborais.
As atividades de recreio e diversão estavam diretamente relacionadas com descanso do trabalho, e a capacidade de empregar devidamente o ócio era à base do homem livre e da felicidade humana.
Já o conceito de ócio que circulava em Roma durante toda a Idade Média é que indivíduos muito ocupados buscam o otium, não como fim em si, mas em função do negotium (Dumazedier, 1979). Ou seja, o homem ocupado com diversas atividades - exército, comércio, Estado - encontra seu descanso e diverte-se pelo ócio.

De acordo com Bacal (1988), só foi possível a vida de ócio dos gregos devido à escravidão, pois, nesta fase, havia duas classes de homens:uns dedicados à tarefa da arte, à contemplação ou à guerra; outros que eram obrigados a trabalhar inclusive em condições precárias.


Para o homem grego, o ócio não significava estar ocioso no sentido de não fazer nada, mas implicava operações de natureza intelectual e espiritual que se traduziam da contemplação da verdade, do bem, e da beleza, de forma não utilitária.
Enquanto para os gregos o ócio era considerado um estado de alma que consistia em o indivíduo sentir-se livre do trabalho, que era relegado aos escravos, em Roma predominava o conceito de descanso e da diversão, necessários para a preservação das condições de poder trabalhar. O trabalho era entendido como condição necessária para o ócio.
Encontram-se aqui as sementes de conceito de Ócio Criativo proposto pelo sociólogo do trabalho italiano Domenico Di Masi (2000).


A partir destas explicações, podemos verificar que existe um ponto comum nos indivíduos do mundo clássico: valorizavam o tempo de não-trabalho e atribuíam uma valorização psicossocial às atividades exercidas neste tempo.
A relação entre ócio e a religião começa a se modificar, e,segundo Bacal (1988), a contemplação se converte em uma busca específica - sem ser um fim em si mesma - da Verdade Religiosa. A meta final era a salvação, a outra vida, o Reino do Céu, e o trabalho era algo desagradável, feito por necessidade como castigo imposto, sendo o corpo usado como instrumento de purificação, de meio de se expurgar os pecados.
O cristianismo ajudou a manter a ordem social durante a Idade Média, mediante o destaque que atribuía ao drama da salvação e ao ideal monástico; assim, atividades de lazer se restringiam às festividades religiosas e às comemorações referentes às vitórias nas guerras.


A época medieval é caracterizada como teocêntrica. As preocupações religiosas eram excessivas e o homem preocupava-se com a salvação de sua alma, vivendo numa realidade sagrada, intocada, na qual não deveria interferir, apenas contemplar. O corpo era resguardado em função da pureza da alma.
A sociedade medieval justificava-se pelo fato de que Deus atribuía funções distintas a cada indivíduo ou grupo e os problemas sociais eram encarados como castigos divinos, e, nesta época, a essência do ócio é à busca de Deus e o cultivo da fé.

A partir da Idade Média e da Renascença, em decorrência de razões históricas, econômicas e sociais, já é possível visualizar mudanças na
atitude do homem em relação aos valores que regem a vida. A desarticulação do processo feudal e o desenvolvimento do capitalismo mercantil vão modificar radicalmente o rumo da história.
Foi a partir de uma nova interpretação da Bíblia e de um movimento cultural burguês que se aglutinaram todas as manifestações artísticas, filosóficas e científicas, visando justificar os valores e padrões sociais burgueses. Esta nova interpretação é feita por Lutero mediante a Reforma (Bacal 1988).
Com a Reforma - a ética protestante - surge uma nova atitude frente o significado do trabalho, havendo uma valorização do tempo necessário para as atividades produtivas. O cumprimento dos deveres é o único modo de agradar a Deus, e o trabalho como missão enobrece e exalta os homens.
Pelo exposto, percebe-se que na Idade Moderna houve uma grande valorização do trabalho e condenação do ócio, pois as normas de comportamento da ética protestante (diligência, temperança, parcimônia, reserva, afastamento dos prazeres da carne e poupança) são princípios responsáveis pelo surgimento do capitalismo moderno, dentro da perspectiva marxista.

Surge um novo pensamento da época desenvolvendo a característica básica da atitude, que é o individualismo e o significado valorativo do trabalho (supremacia do dinheiro).
Pode-se perceber ai o fundamento das taras do ter e do poder.


Na sociedade pré-industrial, trabalho e lazer não eram excludentes, e as atividades de produção e trabalho (colheita, plantação) misturavam-se. O trabalho estava inserido nos ciclos naturais das estações e dos dias; o seu ritmo era tão natural como o ritmo do amanhecer e anoitecer, sendo interrompido às vezes por pausas para repouso, descanso, jogos, competições, danças e cerimônias, não podendo ser denominadas lazer, pois não se constituíam num tempo isolado. O trabalho era suspenso quando ocorriam imprevistos como, por exemplo, seca, inundação, doenças epidêmicas, guerras.


O século XVIII ficou marcado pela expansão comercial e financeira com a Revolução Industrial; houve o aparecimento de uma série de invenções técnicas que modificaram as condições de produção nos diversos setores industriais, as relações entre empregados e empregadores, bem como a relação
com o lazer.
Com o desenvolvimento da moral burguesa na época do advento capitalista, na sociedade industrial, há uma repressão das atividades consideradas mais espontâneas e descompromissadas com o sistema, mostrando uma clara aversão, por exemplo, pelos divertimentos populares do domingo, fora das horas de culto, pois estes provocavam um desvio de atenção sobre a vida santificada,
tornando-se cada vez mais importante para sedimentar a nova ordem social.
As atividades capitalistas, embora existentes anteriormente no Oriente Próximo e no Extremo Oriente (corporações, privilégios de mercado,
diferenças entre cidade e campo etc.), foram modestos primórdios se comparadas às empresas modernas as quais organizaram o trabalho de forma capitalista no Ocidente. É dentro do trabalho livre e da sua organização racional que as contas poderiam ser calculadas com maior exatidão. Agora o valor passa a ser o trabalho e o corpo passa a ser visto como meio de produção. O corpo produtivo, útil, alienado pelo caráter do trabalho que lhe é imposto.

O tempo livre passa a ser definido em oposição ao trabalho, e mesmo os momentos livres (de não-trabalho) são determinados pela relação
capital-capitalismo. Novos valores começam a ser estabelecer entre trabalho e tempo livre do trabalho. O trabalhador vende a única coisa que dispõe, a própria força de trabalho, e o tempo liberado surge apenas para a recuperação das energias.
No início, o trabalhador assalariado trabalhava horas bastante extensas; com a implantação das leis trabalhistas, houve a necessidade de redução de carga horária assim como férias remuneradas. Percebe-se, assim, outros conteúdos no tempo liberado - além do descanso o trabalhador disporá de mais tempo para recuperar-se fisicamente e de um tempo que usará com liberdade para o exercício de atividades de sua escolha.

Vários autores e o cidadão comum utilizam diferentes termos para se referirem ao tempo livre, nomeadamente:
- ócio (do latim otiu)= vagar, descanso, repouso, preguiça; - ociosidade (do latim otiositate)- o vício de gastar tempo inutilmente, preguiça;- descanso = repouso, sossego, folga, vagar, pausa, apoio, demora; - lazer (do latim licere) = ócio, vagar.

Como componente geral de convergência entre os diversos termos, podemos considerar a ausência de qualquer atividade concreta, ou seja, uma certa liberdade de não fazer coisa nenhuma. Surgem de forma inequívoca uma tentativa de definição de um certo tempo (fora das ocupações diárias) em contraponto com o outro tempo (o das ocupações diárias).
Assim, parece o conceito Tempo Livre aquele que melhor corresponde à sentida necessidade de ''batizar'' à parte do dia em que não estamos ocupados com atividades objetivamente definidas. O significado de Tempo Livre (Tempo - duração limitada e Livre - desimpedido) parece de fato traduzir o espaço desimpedido do dia, que pode ser utilizado subjetivamente.
O conceito mais aceito a respeito do lazer, é do sociólogo francês Joffre Dumazedier que o caracteriza como:
''um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais''. (1980, 20).

De Masi (2000) afirma que, na era pós-industrial, vamos ter cada vez menos trabalho; no entanto, a escola e a família nos preparam para o trabalho; não nos preparam para o tempo livre. Segundo este pesquisador , o homem precisa aprender a desfrutar do seu tempo livre, pois a tendência mundial é de que as pessoas passem a ter mais horas disponíveis e será necessário que elas se adaptem a esta tendência que aos poucos vai se instaurando, principalmente na Europa.

A classificação de lazer é muito controvertida devido ao número de soluções propostas. Na literatura sobre o assunto temos a diferenciação entre lazer e recreação. No Brasil, ouve-se muito uma classificação de atividades de lazer em atividades esportivas, recreativas e culturais. Lazer esportivo seria aquele praticado segundo regras, o recreativo seria aquele exercido livremente, e o cultural centrado nas artes e no conhecimento. Existem
muitas objeções a esta classificação, pois estes termos na realidade se equivalem e se derivam em peculiaridades idiomáticas. Em espanhol, italiano e alemão, não existe a palavra correspondente a lazer; e utilizam-se os termos recreação e tempo livre. Na França e no Brasil, recreação é um termo que nos remete a recreação escolar, assim prefere-se o termo lazer. Nos países de língua inglesa, ambas as expressões são usadas corretamente.

O lazer e o turismo são fenômenos que vêm ganhando um peso cada vez maior no
cotidiano e na economia da vida moderna. De elementos da vida aristocrática, reservados aos que estavam no topo da pirâmide sócio-econômica , o lazer e o turismo estão se tornando cada vez mais acessíveis a um público cada vez mais extenso, graças aos processos de democratização ocidental ( como a Revolução Francesa e a Revolução Americana) e ao progresso tecnológico e organizacional, que aumentou a produtividade, reduziu custos e as jornadas de trabalho e elevou o nível de recursos disponíveis para consumo discricionário(inclusive de tempo) em mãos de camadas cada vez mais amplas da sociedade.


No século XX, o lazer e o turismo tornaram-se atividades de massas, trazendo à tona, assim, muitas oportunidades de novos negócios; e passaram a ser objeto de investimentos e administração profissionais. Após a Segunda Guerra, atingiram um patamar de crescimento que fez com que, do ponto de vista econômico, passassem a ser considerados como ''indústrias''.
Atualmente a indústria e os serviços ligados ao lazer e ao turismo estão entre os campeões de crescimento, alinhando-se seguramente entre os mais promissores para o futuro, que já esta presente. Há inclusive linhas de créditos bancários para esta atividade fundamental ao nosso equilíbrio psicossomático.
Se o Esporte foi considerado por muitos o maior fenômeno social do mundo no século XX, podemos que o Lazer segue o mesmo caminho e devera se tornar o maior fenômeno social deste século XXI. Devemos estar preparados para esta nova realidade e com toda a certeza a Universidade devera alavancar este processo de mudança de paradigma , caso contrário estará se colocando na conta-mão da historia e da pós -modernidade.

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3

nov
2012

Histórico da Influenza

Clinicamente, a doença inicia-se com a instalação abrupta de febre alta, em geral acima de 38oC, seguida de mialgia, dor de garganta, prostração, dor de cabeça e tosse seca. A febre é o sintoma mais importante e dura em torno de três dias. Com a sua progressão, os sintomas respiratórios tornam-se mais evidentes e mantém-se em geral por três a quatro dias após o desaparecimento da febre.

Os vírus influenza são compostos de RNA de hélice única, da família dos Ortomixovírus e subdividem-se em três tipos: A, B e C, de acordo com sua diversidade antigênica. Os vírus podem sofrer mutações (transformações em sua estrutura). Os tipos A e B causam maior morbidade (doença) e mortalidade (mortes) que o tipo C. Geralmente as epidemias e pandemias (epidemia em vários países) estão associadas ao vírus influenza A. As principais características do processo de transmissão da influenza são: alta transmissibilidade, principalmente em relação à influenza A; maior gravidade entre os idosos, as crianças, os imunodeprimidos, os cardiopatas e os pneumopatas;  rápida variação antigênica do vírus influenza A, o que favorece a rápida reposição do estoque de susceptíveis na população; apresenta-se como zoonose entre aves selvagens e domésticas, suínos, focas e eqüinos que, desse modo, também constituem-se em reservatórios dos vírus. Outras informações podem ser encontradas no Guia de Vigilância Epidemiológica da Influenza/Ministério da Saúde.

Os sintomas da Gripe, muitas vezes, se assemelham aos do resfriado.
Resfriado: caracteriza-se pela presença de sintomas relacionados ao comprometimento das vias aéreas superiores, como congestão nasal, rinorréia, tosse, rouquidão, febre variável, e menso frequentemente mal-estar, mialgia, cefaléia. O quadro geralmente é brando, de evolução benigna (2 a 4 dias), mas podem ocorrer complicações como otites, sinusites e bronquites, e quadros graves , de acordo com o agente etiológico em questão. Tem como principal agente causal os Rhinovírus (mais de 100 sorotipos), embora também seja comumente causado pelo vírus Parainfluenza, Coronavírus, Vírus Sincicial Respiratório, Adenovírus, Enterovírus.

Há ainda outros agentes infecciosos, que podem causas sintomas respiratórios que simulam o quadro de resfriado, como Clamydia pneumoniae e Mycoplasma pneumoniae, Streptococcus sp. E agravos não infecciosos: uma série de condições apresentam os principais sintomas de resfriado (tosse, congestão nasal, rinorréia, rouquidão e dor de garganta), a saber: a rinite alérgica (mais comum); a polipose nasal, a rinite atrófica, as alterações do septo nasal e a presença de corpo estranho em cavidade nasal.

As primeiras suspeitas de infecção pelo vírus Influenza ocorreram por volta do século V a.C. por Hipócrates, conhecido como pai da medicina, que relatou casos de uma doença respiratória que em algumas semanas matou muitas pessoas e depois desapareceu.

A primeira epidemia de gripe ocorreu em 1889 e 300 mil pessoas morreram, principalmente idosos, em decorrência de complicações, como pneumonia bacteriana secundária. Em 1918, a epidemia conhecida como Gripe Espanhola acometeu cerca de 50% da população mundial e vitimou mais de 40 milhões de pessoas. No Brasil, cerca de 65% da população foi infectada e por volta de 35.240 pessoas morreram.

A gripe asiática, em 1957, se espalhou pelo mundo em seis meses e matou cerca de um milhão de pessoas. A gripe de Hong Kong, em 1968, são as mais recentes e de maior repercussão epidemias relatadas, juntamente com a gripe aviária. Em 2003, um surto da gripe aviária na Ásia levou as autoridades a ordenarem o sacrifício de dezenas de milhões de aves de criação. De lá pra cá a doença atingiu 121 pessoas e matou 62 naquele continente.

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3

nov
2012

Esporte e Saúde

Selva Maria Guimarães Barreto
Professora do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana da UFSCar - Universidade Federal de São Carlos

Nos cursos de Educação Física está ocorrendo uma revolução, que vem provocando questionamentos sobre alguns conceitos: o que se tenta expor criticamente hoje é a relação entre "Esporte e Saúde". Esta veiculação, infelizmente, não é a mais usual, pois geralmente é substituída por "Esporte é Saúde" pelo conhecimento popular, uma relação que aparenta ser uma verdade absoluta, quando não, obrigatoriamente, é. Os novos conceitos trabalhados relacionam Esporte, Saúde e Qualidade de Vida, de maneira a levantar o debate para refletirmos sobre os mesmos.

O Esporte, como conceito, é considerado uma atividade metódica e regular, que associa resultados concretos referentes à anatomia dos gestos e à mobilidade dos indivíduos. Esta é a conotação que podemos chamar de "Esporte de alto nível", veiculada nas mídias em geral, representada por pessoas executando gestos extremamente mecanizados, uniformes, com um certo gasto de energia para produzir um determinado tipo de movimento repetidas vezes. São gestos plásticos, muito organizados, moldados e com muitas regras, para que se possa obter algum resultado prático. O Esporte pode ser encarado, dentro de outras ópticas, tanto como o Esporte veiculado nas mídias, como uma atividade dentro de um grupo de amigos (na escola, na rua ou qualquer local).

Existem outros conceitos de Esporte, em que se consideram como um componente dos blocos de conteúdos da Educação Física escolar, isto é, a Educação Física nas escolas possui alguns conteúdos, tais como a Dança, os Jogos, as Lutas, as Brincadeiras, e o Esporte é um destes. É na escola que a conotação de Esporte deve ser diferente do Esporte de alto nível, apesar de alguns professores de Educação Física insistirem em alto rendimento. Felizmente este modelo vem modificando-se, aos poucos. Assim, a idéia que se tem de Esporte é muito ampla, o que permite uma variedade de conceitos. Dependendo do conceito e do entendimento, Esporte pode estar ou não veiculado à Saúde.

Já Saúde, enquanto conceito, é sentir-se bem em todos os seus aspectos: físicos, motores, sociais, mentais e afetivos. Isto acaba tornando muito difícil ter uma saúde perfeita e praticamente impossível um conjunto de profissionais completamente saudáveis (como os professores de Educação Física, por exemplo).

A respeito de Saúde, a diferença entre os termos físico e motor é muito tênue. Motor é uma idéia que está ligada ao movimento, isto é, é necessário estar bem; o organismo e todos os aparelhos que o compõem precisam estar em pleno funcionamento para se movimentar bem. Por outro lado, físico é um conceito ligado à capacidade, força e potência (aeróbia ou anaeróbia). Logo, não necessariamente, quem realiza bem um movimento tem uma capacidade física muito grande, e vice-versa. Por exemplo, aqueles que fazem musculação ininterruptamente costumam ter uma certa dificuldade ao caminhar, ou seja, o aspecto físico bem trabalhado não significa um aspecto motor de boa qualidade. Por isso, Esporte como entendimento de uma atividade metódica pode provocar saúde ou bem-estar em nível psico-motor, mas dificilmente em nível social. Também aquele que realiza um Esporte e coloca acima de tudo a vitória (validando atividades "anti-jogo", tais como puxão de cabelo, cotovelada e outras faltas), não promove sua Saúde completa.

Associado à Saúde está o conceito de Qualidade de Vida, definido como a condição humana resultante de um conjunto de parâmetros individuais e sócio-ambientais (modificáveis ou não) que caracterizam as condições em que vive o ser humano. Para se definir como boa qualidade de vida, deve-se levar em consideração a satisfação das necessidades básicas de sobrevivência: alimentação, vestuário, trabalho, moradia e relações sociais e afetivas (as quais, no mundo capitalista de hoje, sempre se subordinam à outra: a econômica).

Analisando agora a relação do conhecimento popular "Esporte é Saúde", esta se difunde como contrapartida ao mundo atual, que promove em suas práticas o sedentarismo, como conseqüente, a obesidade - tida como o mal do século. Assim, em combate à obesidade, o Esporte promove Saúde. O Esporte também é promotor de Saúde por ser um incentivo às relações sociais, tais como coleguismo, amizade e paixões.

Outras inverdades são disseminadas pelo conhecimento popular. Algumas pessoas dizem que ao caminhar uma hora por dia mantêm seu nível de colesterol reduzido, com chances reduzidas de obter problemas cárdio-respiratórios, ou ainda possibilidades de emagrecimento. Mas, em seguida, comem chocolate, "churrasquinho", "leitão à pururuca", "torresminho", doces, refrigerantes, etc - alimentos que invalidam qualquer atividade saudável. Além disto, caminham em locais inadequados e usam calçados impróprios para a atividade exercida. Logo, o corpo não descansa, como ainda pode sofrer lesões por exercícios praticados de maneira errada. Também existem aqueles que caminham em excesso, acima de quatro horas ao dia, todos os dias da semana, sem um descanso mínimo. As estruturas corpóreas e seus respectivos ligamentos não agüentam e acabam por "inchar", inflamar ou até romper. Está comprovado que qualquer treinamento físico, principalmente os de altíssimo nível, deve ser praticado com o necessário descanso para que o organismo possa se recuperar da atividade e da perda de líquidos e sais minerais. Outros praticam esforços aos finais de semana como maneira de compensar uma vida sedentária de segunda à sexta-feira, sem qualquer sistemática apropriada. Deve-se praticar atividades periódica e cotidianamente, com pausas corretas de descanso.

Tudo que é feito ininterruptamente cansa, desgasta e não promove os benefícios almejados. O Esporte é uma atividade física e, como tal, promove desgaste energético, emagrecendo o organismo. Mas, sem respeitar os parâmetros físicos limitantes de cada indivíduo, ou ainda, um controle alimentar adequado, ao invés de benefícios, a atividade pode promover malefícios. O controle alimentar é muito importante no que se refere à relação entre ingestão e gasto de energia, ou seja, o quanto (e o que) se come e o quanto se trabalha. Neste parâmetro, podemos entender que é perigoso pessoas obesas e despreparadas praticarem Esportes como triathlon, uma competição onde se nada, pedala e corre longas distâncias exaustivamente. Até que ponto é saudável praticar triathlon, ou ainda malhar de duas a quatro horas numa academia? São associações equivocadas relacionar alto rendimento e esforço excessivo. Para que o Esporte fazer bem, tem que suar muito e deixar o indivíduo cansado.

Esporte não é Saúde. Pode vir a ser um promotor de Saúde, mas nem sempre irá produzir Saúde, como uma regra. Inclusive temos recentemente dois casos de jogadores de futebol que faleceram enquanto praticavam a atividade física. Percebemos também, que existem vários desportistas que fazem uso de substâncias - questionáveis - para obter melhores desempenhos nas atividades, o que corrompe a noção de que Esporte faz bem. Esporte só faz bem dentro de seus fatores limitantes: bem empregado, bem trabalhado e sob uma perspectiva que esteja além do alto rendimento.

Isso não quer dizer que muitos que praticam Esportes de alto rendimento não são pessoas saudáveis. Serão na medida em que o treinamento lhes provocar bem-estar físico e uma boa relação para com os outros. Mas ao exagerar na atividade (em nome da relação "Esporte é Saúde), acaba-se promovendo um malefício ao corpo". Outro problema nesta relação ocorre com uma concepção inadequada de Esporte, sendo esta, muitas vezes, a concepção dos professores de Educação Física dos ensinos fundamental e médio. Em determinada ocasião, Esporte é considerado como um conteúdo mínimo e único, o que acaba se tornando a exclusiva prioridade a ser promovida entre seus alunos: aos que jogam bem, a oportunidade de praticar; aos que possuem dificuldades, acabam como juiz, gandula ou ainda sentados no banco, só observando a turma jogar. Nestes casos, não há Saúde social, ou, sequer, Saúde motora. Como deve se sentir o aluno que permanece sentado durante toda a atividade dos colegas? O que ele acaba por representar? E sobre a prática de distribuir os alunos em dois times, onde são escolhidos um por vez, alternadamente: como se sente o último a ser escolhido? Como "resto"? São estas as práticas a serem repensadas.

A Educação Física nas escolas não pode ter por objetivo formar campeões, assim como não deve negar a possibilidade de que alguns realmente serão futuros campeões. Temos a necessidade de dissociar a Educação Física escolar de treinamento esportivo. A inserção dos alunos obesos, lentos e sem muita coordenação motora trará mais Qualidade de Vida ao conjunto, ensinando, não apenas, nossos limites, mas também em como conviver com os limites alheios. Nas escolas, os pré-requisitos para os professores de Educação Física não devem ser grandes atletas que sabem jogar, devem ser grandes professores que saibam ensinar. Do contrário, o Esporte deixa de ser um agente de inclusão social para ser um fator de exclusão social, onde "quem joga bem, joga; quem não joga bem, que fique quieto e não atrapalhe".

Existem também aqueles que praticam musculação e, paralelamente, tomam suplementos alimentares e aminoácidos. Alguns em apenas dois meses têm a musculatura toda definida e acreditam que isto é ser saudável: muito questionável, principalmente, se tratando de um adolescente, por exemplo. No momento, o corpo fica "esteticamente belo" (o que não deixa de ser uma mera convenção social), mas passados alguns anos, estes complementos podem deixar a pessoa estéril ou ainda provocar doenças no fígado. Tudo o que é feito para além dos limites naturais do corpo, com certeza prejudica o mesmo. Existe um composto chamado Creatina, substância que ao ser ingerida dá condições de um rendimento um pouco maior ao corpo, produzindo mais energia. Porém, ao se ingerir Creatina após um longo período, o corpo para de produzir os benefícios mesmo que o indivíduo continue ingerindo-a. Mais tarde, começam a se formar certos resíduos, estranhos ao corpo: são compostos que acabarão por gerar algum problema grave, talvez até um tumor. Também não praticam um ato saudável os indivíduos que se abstêm de se alimentar com legumes, verduras e frutas para só ingerir suplementos alimentares. Não se deve exagerar em nada, tudo tem seus limites.

Ainda sobre os excessos além dos limites do corpo, está o que chamamos de "Especialização Motora Precoce" ou "Inadequação no Movimento ao Nível Desenvolvimental do Praticante". São as Escolinhas de Esporte para crianças (como as Escolinhas de Futebol, por exemplo) que ensinam como se estas fossem adultos, esquecendo que seus limites físicos e motores são muito maiores. Nesta idade, deveriam somente ensinar os movimentos que lhes são possíveis, deixando a especialização no Esporte de alto nível para depois, quando desenvolverão sua habilidade motora. Para as crianças de 8 até 12 anos o que deve ser praticado está muito distante do Jogo profissional em si - apenas mobilidades precursoras. Além do corpo não compreender o movimento se não estiver bem desenvolvido, existem pesquisas comprovando que devemos primeiro desenvolver nossa base motora para em seguida decidir o que fazer com ela. Isto é, na infância devemos desenvolver nosso nível de movimentos em uma grande amplitude de ações (genéricas) para só depois podermos decidir os esportes a praticar (em uma especialização do movimento). Podemos ver que no Vôlei, por exemplo, os jogadores que se destacam hoje são aqueles que sabem atuar bem em diversas posições, levantamento, bloqueio, saque, corte, enquanto que antigamente o bom jogador era especialista em uma só posição. O atual jogador de vôlei aprende inicialmente os lances mais gerais e só mais tarde escolhe a posição que melhor lhe convém, assim já aprendeu mais do esporte e desenvolveu mais amplamente sua coordenação motora para o mesmo. Além disso, a especialização prematura pode acarretar lesões (no joelho, ombro, cotovelo, etc - e não há maneira de se compensar o corpo depois de lesionado), o que ocasiona uma curta vida no Esporte, tendo que abandonar mais cedo a atividade.

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3

nov
2012

Herdeiro do Tripanossoma

O que há em comum entre uma agricultora de 34 anos, que vive em Panelas, no Agreste pernambucano, e um trabalhador do canavial, com 72 anos, nascido em Bom Jardim e criado em Igarassu, no Grande Recife? José Pedro da Silva perdeu pai e mãe vítimas da doença de Chagas e já sofre as consequências do mal. Seu coração só bate direito graças a um marcapasso instalado há quatro anos. Quitéria Rosa da Silva (foto acima), 34, amarga desde os 19 o diagnóstico da doença. No seu caso, os herdeiros da doença são suas filhas (vestindo vermelho) Aline, de 20 anos, a primogênita, e Bruna, de 6, a nona dos 11 que botou no mundo. Quitéria pode ser o emblema do novo padrão da doença causada pelo barbeiro. Há chance de suas filhas terem a marca do parasita no sangue transmitido na gestação. Mas há risco de a família representar também a falha na vigilância à doença, pois até março deste ano ela vivia numa casa de taipa, visitada pelo inseto. Além disso, segundo avaliação da Secretaria Estadual de Saúde, a diminuição do número de domicílios investigados e a manutenção da proporção de insetos infectados nos últimos quatro anos significam aumento do risco de transmissão. Apregoado como o fim da doença, o certificado do Brasil como País livre da transmissão pelo Triatoma infestans escondeu que outros gêneros podem fazer o papel do aniquilado e que há uma multidão de crônicos invisíveis, infectados em outras épocas, que precisam ser descobertos e tratados. Desde os tempos do professor Durval Lucena, que fez o registro científico do primeiro caso pernambucano, muita gente ainda morre de Chagas e outros têm diagnóstico tardio da doença.

 

Multidão de crônicos

Assim como a esquistossomose, a doença de Chagas se perpetua em famílias pernambucanas, embora desde 2006 o Brasil tenha conquistado o certificado de fim da transmissão pelo Triatoma infestans, uma das espécies do barbeiro, conhecido também como bicudo. No Sítio Areias, área rural de Panelas, Agreste, na casa de Quitéria Rosa da Silva, 34 anos, o mal está presente no sangue dela, da filha mais velha, Aline, de 20 anos, e da nona, Bruna, de 6. Não se sabe se as meninas herdaram o problema antes de nascer ou se foram infectadas depois pelo barbeiro, pois a casa onde moravam até o início deste ano era de taipa. Caso semelhante foi detectado na cidade durante o último inquérito nacional sobre a doença, realizado entre 2001 e 2008 no Brasil. Uma criança e a mãe tinham no sangue anticorpos da doença.

Chegamos a Quitéria, em maio, na segunda expedição jornalística, com a ajuda de um agente de endemias que se sentia realizado em ver aquela grande família morar agora numa casa de tijolos. Quitéria tem ao todo 11 filhos, planta milho, feijão e recebe Bolsa Família, ajuda mensal dada pelo governo federal. A vida parece dura, mas ela e as crianças estampam sorriso no rosto, conformadas com a luta. Descobriu que tinha Chagas no sangue aos 19 anos de idade, depois de ver, na televisão, reportagem sobre o barbeiro. Ela lembrou que, na casa de barro, durante toda a sua infância, era o mesmo bichinho que a picava.

"Procurei a Secretaria de Saúde. Naquele tempo não existia agente comunitário", conta. Ela recorreu ao pessoal da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Exames de sangue confirmaram que estava infectada. Depois, constatou que a filha mais velha, já nascida, também tinha o mesmo problema. Mais herdeiros foram nascendo e Chagas mais uma vez se repetiu na nona filha, Bruna. Quitéria só tomou o remédio contra o parasita (benzonidazol) há dois anos. Faz acompanhamento no Ambulatório de Chagas do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco. Já tem algum sintoma? "Sinto uma canseira nas pernas e uma dor de cabeça muito forte", diz, consciente de que não pode se dedicar totalmente à roça. Mas morando no interior e com o serviço de referência para Chagas funcionando na capital, não é fácil ir às consultas. Para chegar às 6h no Recife, tem que sair às 2h de casa e perde o resto do dia com o retorno.

Um serviço médico próximo de casa é reivindicação da Associação dos Doentes de Chagas e Insuficiência Cardíaca. O presidente é José Pedro da Silva, 73 anos, nascido em Bom Jardim, onde foi confirmado o terceiro portador do mal, na década de 40. Originário da Zona Mata, ele tem sequelas de esquistossomose e de doença de Chagas. Usa marcapasso para compensar o estrago no coração. "Na década passada, conseguimos que a Prefeitura de Igarassu abrisse um ambulatório só para os chagásicos, como eu, que sou morador de lá. Mas, com a mudança de prefeito, o atendimento foi suspenso."

Na cidade de Tabira, que enterra por ano, em média, quatro vítimas do mal de chagas, facilmente nos deparamos com famílias e ruas marcadas pela doença. Antes de ir a um posto de saúde, arriscamos perguntar na entrada da cidade a um grupo de mototaxistas se conhecia algum falecido ou doente. Um levantou o braço e falou do sogro, morto há três anos. O outro apresentou a irmã, que tem a doença e não consegue se aposentar.

Maria José Ferreira, 77 anos, confirma que o marido faleceu do mal de Chagas em 5 de novembro de 2009. Ela não esquece a data nem o sofrimento do esposo. José Paulino Sobrinho, o marido dela, sofreu um infarto e a partir dos exames descobriu que também tinha Chagas. Em duas décadas, trocou de marcapasso três vezes. A viúva mora numa casa de alvenaria, mas se lembra dos bicudos. "Paulino nasceu em Boi Velho, na Paraíba. Vivemos muito tempo num sítio, já em Tabira, onde os bicudos viviam na parede", conta.

A cerca de 200 metros dali, mora Aretuza Maria de Lima Daniel. Aos 44 anos, mãe de um filho, sofre com arritmia. Natural de Serra Talhada, morou até os 16 anos naquela cidade, numa casa de taipa, no Sítio Beira do Rio. Agora vive com o marido numa casa de tijolos em Tabira e trabalha numa fábrica de pipocas. Embora jovem, já sofreu Acidente Vascular Cerebral várias vezes e tem sequelas do mal de Chagas no coração. "Trabalho porque preciso. Mas não tenho mais condições", diz. Ela tenta sem sucesso a aposentadoria por invalidez. Como não há médico no posto próximo de casa, paga consulta particular e exames que a Previdência Social exige. "Gastei recentemente R$ 500 para fazer eletrocardiograma, ecocardiograma e exame de esteira."

Em São José do Egito, os portadores do mal também estão à vista. No Posto de Saúde da Família de Planalto, bairro populoso, há vítima de Chagas até entre os agentes de saúde. Rizomar Ferreira Leite, 53 anos, acredita que só vai parar de trabalhar "quando estiver no caixão". A doença que já matou o pai dela causa danos ao seu intestino.

Na rua seguinte, Maria Dulce Ferreira, 68, natural de Teixeira, na Paraíba, tem Chagas e também perdeu o pai pelo mesmo problema. Acredita que foi picada pelo barbeiro quando era mais jovem e morava num sítio em Itapetim. Está em São José do Egito há sete anos. Foi nessa cidade que começou a sentir os efeitos da doença. "Passei cinco dias vomitando e comecei a sentir cansaço", relata. Ela usa marcapasso e toma sete medicações compradas.

2012 Barbeiros examinados no Laboratório de Endemias do Estado, em Ouricuri

1941 Neste ano Durval Lucena confirmou o primeiro caso de doença de Chagas no Estado, conforme os Anais da Faculdade de Medicina, hoje arquivados na Biblioteca do Centro de Ciências da Saúde da UFPE

2001 Iniciava-se o último inquérito nacional sobre a doença, confirmando, a partir de então, a provável transmissão congênita, inclusive em Pernambuco

Em Timbaúba, na Zona da Mata, cidade onde viveu o primeiro doente de Chagas cientificamente comprovado em Pernambuco, por Durval Lucena, em 1940, encontramos Luíza Maria de Lira. Aos 67 anos, ela descobriu há 40 que tem o mal. Guarda até hoje o exame que lhe deu o diagnóstico, a reação de Machado e Guerreiro, técnica não mais utilizada. Toma 20 remédios por dia, para controlar também pressão e diabete. "Chagas está controlada, a diabete é que não está", diz a filha Rosilane. Mãe de adolescente, Rosilane e suas três irmãs nunca fizeram exame de Chagas.

Saindo do Centro, tomamos o caminho da zona rural, onde casas de tijolos estão sendo construídas em substituição às taperas que os barbeiros costumam visitar. Próximo às ruínas de uma estação de trem, a idosa Maria Davina da Silva, 88 anos, ainda reside em casa de taipa. Na casa dela ninguém tem Chagas, mas ela lembra do "percevejo de cadeia, chupão, bicho do casco duro". Em Espinho Preto, José Pedro da Silva, ou Pociano, como é conhecido, confirma que ficou viúvo há seis anos. A esposa, Cícera Minervina da Silva, passou sete anos inchada, cansada, até que o coração não resistiu. Morreu morando numa casa de barro, onde a filha Damiana Cícera da Silva, 34 anos, ainda vive. "Vi minha mãe sofrer muito. Não quero ter essa doença", diz, sem ter testado seu sangue até então.

Timbaúba, Zona da Mata Norte, tem 53.825 habitantes, desses, 7.458 (13,9%) estão em área rural. O Censo 2010 do IBGE encontrou, no território, 217 casas de taipa com revestimento e 61 sem reboco, servindo de habitação para 1.500 pessoas

Serra Talhada,


no Sertão do Pajeú, tem 79.232 moradores. São quase mil habitações de taipa na cidade polo da região

Panelas, no Agreste,


tem população de 25.645 habitantes e 98% deles já vivem em casa de alvenaria, conforme o IBGE. Há 57 imóveis com paredes de barro, onde moram 306 pessoas

 

Barbeiro segue a urbanização

Em Serra Talhada, a 420 quilômetros do Recife, no Sertão do Pajeú, a Secretaria Municipal de Saúde já detectou barbeiros na área urbana da cidade. "Ainda não podemos dizer que estão se reproduzido, não identificamos colônias que poderiam confirmar essa situação", explica Aron Araújo, responsável pela vigilância epidemiológica. O secretário-adjunto de Saúde, José Alves, teme que um dia isso possa ocorrer. E aponta um fator determinante: o avanço da urbanização, que desmata e desaloja os insetos.

O desmatamento para exploração imobiliária, que cresceu com a criação de novos câmpus universitários e obras da Ferrovia Transnordestina, retirou os insetos do seu habitat natural. O cinturão periférico do Centro é ocupado por pessoas que deixam a área rural, trazendo galinhas, cachorros, chiqueiro, mantendo, portanto, hábitos que atraem os barbeiros.

Conforme a Secretaria Estadual de Saúde, o índice de residências com barbeiros tem se mantido em torno de 9%. Dos insetos capturados, 6% estão infectados pelo parasita causador da doença. "Desde o ano passado, temos fortalecido as ações de controle do vetor, o que deverá implicar na redução do percentual de barbeiros", informa José Alexandre Menezes, coordenador do Programa de Enfrentamento das Doenças Negligenciadas.

A redução do número de domicílios visitados e a manutenção do percentual de positividade dos vetores, ao longo dos últimos quatro anos, segundo Menezes, "significam aumento do risco de transmissão, daí a necessidade de fortalecer a vigilância pelos municípios". Em 2007, 132.699 imóveis foram inspecionados. Dois anos depois, os domicílios visitados somaram apenas 104.998, mais de 28 mil a menos. Oficialmente não têm sido registrados casos de recentes transmissões.

No Ambulatório de Chagas do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco, são 1.150 chagásicos matriculados. Wilson Oliveira, cardiologista que coordena o serviço, acredita que a enfermidade permanece sendo negligenciada. "Mas pela primeira vez estou vendo interesse maior em melhorar a assistência", reconhece. O serviço foi certificado recentemente pelo Ministério da Saúde como referência regional.

DESCENTRALIZAÇÃO

Apesar da larga experiência e da referência para casos agudos e crônicos de Chagas, o ambulatório tem déficit de pessoal. Como trabalha com equipe multidisciplinar, precisa de enfermeiros, psicólogo, assistente social e de educador físico. Wilson Oliveira defende que os chagásicos passem a ser acompanhados pelo Programa Saúde da Família ou por outro serviço de atenção básica perto de casa, ficando para o Procape os casos mais complexos. Outro desafio é encontrar médicos dedicados. "É pequeno o interesse diante de doença negligenciada", diz o especialista, que fundou o serviço em 1987. "Há 40 anos usamos o mesmo remédio. Já deveríamos ter uma droga com menos efeitos adversos", completa. O coordenador do Sanar responde que estão sendo realizadas ações para melhorar a qualidade do diagnóstico, com uma rede de referência para a vigilância e tratamento das pessoas com a doença. Uma das metas do Estado é a descentralização da oferta de sorologia para Chagas nas regionais de saúde.

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3

nov
2012

Agora a fome é de água

A diminuição da miséria, com a inclusão de pernambucanos em programas sociais como o Bolsa Família, é uma realidade. De fato, mesmo diante da prolongada seca deste ano - a maior dos últimos 30 anos -, é possível constatar a diferença em ter R$ 70 ou R$ 160 no bolso quando não é possível tirar do campo o alimento. Entretanto, a longa estiagem revela no Agreste e Sertão que o bem mais básico ainda falta na torneira de muita gente: a água potável. A sede é saciada com água barrenta, de açudes quase esgotados, ou de fontes duvidosas, como a da casa onde vive o garoto Jocivan da Silva (foto), seus pais e oito irmãos, no Sertão do Araripe. No interior, ainda é comum andar léguas a pé para buscar água, carregar latas na cabeça ou recorrer ao jumento. E nem sempre em condições de consumo humano.

Na Zona da Mata e Grande Recife, nem precisa o clima ir ao extremo para enxergar os problemas .Nas áreas urbanas das cidades grandes, as famílias vão driblando o racionamento d'água. Lavar as mãos antes das refeições e depois de ir ao banheiro é teoria difícil de cumprir até mesmo nas escolas, onde as gerações recebem as primeiras lições de saúde. O que corre nos rios e canais também exala o mau cheiro do lixo e das fezes. O pleno crescimento não universalizou banheiro nem esgoto recolhido e tratado. O resultado é que lombrigas, giárdia, ameba e até o amarelão estão se multiplicando nos intestinos. Vermes e protozoários menos agressivos que o xistossomo, mas com real poder de adoecimento, permanecem como no passado. Em menor proporção, mas em condições de estragar o crescimento saudável das crianças.

 

Até amarelão tem por aqui

De cada 100 pessoas que vivem em 58% dos municípios pernambucanos, sete têm algum tipo de verme na barriga. Nessa conta não entra o xistossomo, e, dependendo do saneamento básico oferecido, a infestação pode ultrapassar 10% dos moradores. Rios limpos, esgoto coletado e tratado, frutas e verduras cultivadas longe de coliformes fecais, mãos e unhas bem asseadas, água clorada, tudo isso que constitui a condição ideal para evitar a transmissão de verminoses, não se aplica a áreas de racionamento, seca e pouca educação. Por isso, o amarelão, que parecia apenas lição do livro de ciências, também tem seu espaço em pleno 2012, na mesma área endêmica para a esquistossomose.

Segundo o Programa Estadual de Enfrentamento das Doenças Negligenciadas (Sanar), de 165.458 pessoas submetidas a exame de fezes entre 2011 e 2012, 12.554 tinham verminoses, sendo os mais frequentes os ascarídeos ( lombriga), o tricuro e o ancilóstomo (amarelão). Embora sejam indicador de doença, o SUS não faz registro desses parasitas no sistema de informação. O Estado fica então sem saber quantos casos positivos foram tratados.

O coordenador do Sanar, Alexandre Menezes, revela que as áreas com maior frequência do amarelão são a Região Metropolitana (Jaboatão, Cabo, Goiana e Igarassu) e Zona da Mata (Aliança, Belém de Maria, Bom Jardim, Catende, Cortês, João Alfredo, Paudalho e Vitória). É menos frequente no Agreste, mas com registro importante em Gravatá, Bom Conselho, Correntes e Garanhuns. Dossiê mapeando áreas com maior incidência de esquistossomose e demais parasitoses será encaminhado pela Saúde aos responsáveis, no governo, pelo saneamento, para auxiliar na definição de obras que melhorem as condições de vida das comunidades, informa Menezes. Na década de 50, no inquérito realizado por Barca Pellon e Isnard Teixeira, do Ministério da Educação e Saúde, as lombrigas estavam presentes nas fezes de 97,14% dos escolares da Zona da Mata e Litoral e o amarelão, em 46,96% .

1952 Em publicações avulsas do Centro Aggeu Magalhães (hoje Fiocruz), foto de menina exposta aos alagados no Grande Recife

O pescador André compreendeu há 11 meses, com a morte do pai, o poder devastador da doença. "Para essa lagoa (a do Náutico) ficar livre do xistossomo, é preciso tratar o canal, tirar os esgotos", compreende. Tem medo de entrar nela? "Medo eu tenho, mas vou fazer o quê?", responde, com a responsabilidade de criar três filhos e a mulher, todos dependentes da pesca. Antes, a situação era pior. Há um ano morava às margens do lago e convivia com o caramujo transmissor da doença em tempo integral. Um projeto de ampliação viária na cidade acabou transferindo para outro lugar André e dezenas de moradores.

2012 Garoto atravessa mangue às margens da Estrada de Curcurana, em Jaboatão dos Guararapes

No Recife, a Secretaria Municipal de Saúde encontrou algo mais examinando as fezes de escolares. Nada menos que 24% das crianças tinham giárdia ou ameba, protozoários. A proporção foi maior que a de vermes (12% de infestação). Este ano, a ação deve ser repetida numa amostra maior de escolas municipais. Na ação feita em parceria com o Programa de Saúde da Escola, após campanha educativa nos colégios, 500 potes para coleta de fezes foram distribuídos, mas menos da metade (221) retornou com material para o laboratório.

Ameba e giárdia não recebem a atenção merecida. A própria OMS não definiu critérios para tratamento em massa. Quando o assunto é verme, recomenda tratar coletivamente escolas onde 20% dos examinados forem positivos. Mas será que vale tratar todo mundo apenas sem melhorar as condições sanitárias das unidades de ensino, por exemplo? "Estamos refletindo sobre a melhoria da estrutura das escolas", questiona Antônio Leite, gerente de Vigilância Epidemiológica.

No Recife esgoto a céu aberto estava presente no entorno de 16,7% dos domicílios particulares permanentes urbanos, segundo o Censo 2010 do IBGE. São 5,7 pontos acima da média nacional de 11,0%. Na capital vivem 1.537.704 pessoas.

(ALMEIDA, Verônica. "Agora a miséria é de água". JC Online - Expedições sem Fim, 14 ago. 2012 Disponível em: http://especiais.ne10.uol.com.br/expedicoes/verminose.html. Acesso em: 15 ago. 2012.)

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18

jun
2012

"Planeta perde 70 espécies de vida por dia"

Era uma vez a Trilidea adamsi, uma bela flor na selva neozelandesa, com formato de tubos vermelhos e frutas cor de fogo. É possível que nessa flor existisse uma substância capaz de curar a AIDS, o câncer ou uma dermatite qualquer. Mas ninguém saberá ao certo. Em 1954, floresceu o último exemplar da espécie.

A flor sumiu aos poucos. A princípio, ocorreu uma diminuição do seu espaço vital. Os moradores nativos e os imigrantes europeus destruíram as florestas. Com o desaparecimento das árvores, sumiram também os pássaros que se encarregavam de espalhar as sementes. Finalmente, as plantas foram atacadas por uma raposa que os ingleses trouxeram da Austrália.

A morte desta flor neozelandesa foi o ato final de um drama que está se repetindo em milhares de outros lugares. Está ocorrendo uma mortandade em massa de espécies, sem precedentes nos últimos anos: por hora morrem três espécies, calcula o biólogo Edward Wilson. São mais de 70 espécies por dia, 27 mil por ano. Cada espécie representa um produto único e irrecuperável da vida, desenvolvido no decorrer de milênios.

Ameaça

Cerca de 25% das espécies estão ameaçadas de morte nos próximos 25 anos, segundo pesquisadores do Nacional Science Board dos Estados Unidos. O ex-diretor geral de Agricultura e alimentação (FAO), Edouard Saouma, diz que "o futuro da humanidade pode depender do sucesso na defesa da multiplicidade de espécies e de como esse material pode ser usado sem prejudicar a natureza".

As flores, da mesma maneira que os insetos e as cobras levam consigo substâncias aromáticas, hormônios e venenos quando desaparecem. Cada uma dessas substâncias é um precioso medicamento em potencial. Além disso, com a perda de cada espécie, o homem prejudica o delicado equilíbrio biológico, que permite a multiplicidade da vida.

Como é possível salvar milhões de espécies ameaçadas pelo Homo sapiens? Justamente nos países onde a natureza mais precisa de proteção, a miséria dos habitantes é maior. E quem pode forçar os moradores do Terceiro Mundo, em nome de algumas libélulas ou papagaios, a desistir de pastos ou de campos agrícolas?

É por isso que mais biólogos exigem uma reforma radical na proteção da natureza. Segundo o botânico suíço Peter Edwards, "a questão não é saber o que a proteção da natureza nos custará, mas o preço da destruição da biodiversidade". Os pesquisadores vêem aliados nos grandes grupos farmacêuticos. "Para a indústria farmacêutica, a natureza é uma mina de ouro", comenta a pesquisadora Lynn Caporale, dos Laboratórios Merck. Sua empresa assinou um contrato com o Instituto de Multiplicidade Biológica (Inbio) de Costa Rica. Em troca de uma verba de US$ 2 milhões, o Imbio coleta plantas e animais e envia seus extratos para o setor de pesquisas da Merck.

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18

jun
2012

Cientistas mapeiam micróbios que vivem no organismo humano

"Quando me levanto da minha cadeira, dez vezes mais células bacterianas se levantam comigo do que humanas", diz Bruce Birren.

Ele é um entre centenas de cientistas americanos envolvidos no mapa mais completo já feito dos micróbios que vivem sobre e dentro do nosso corpo.
O Projeto Microbioma Humano catalogou a identidade genética de muitas bactérias, vírus e outros organismos que vivem em contato íntimo conosco.
Não se trata de germes ou criaturas nocivas que precisam ser eliminadas mas, sim, de uma parte fundamental daquilo que nos torna humanos, dizem os pesquisadores.

Ainda assim, até recentemente, pouco se sabia sobre a identidade de trilhões de micróbios que habitavam nosso corpo.


Micróbios Benéficos


Durante séculos, o homem só era capaz de investigar micróbios que conseguiam sobreviver em laboratórios. E os estudos tinham de ser feitos isoladamente - frequentemente, um de cada vez.

Mas com o advento de técnicas cada vez mais avançadas de sequenciamento de DNA, o Projeto Microbioma Humano está sendo capaz de descobrir micróbios que nunca haviam sido vistos antes e observar como eles se comportam em comunidades.

Muitos dos resultados do projeto, que terá cinco anos de duração e foi lançado pelo National Institute of Health, nos Estados Unidos, foram publicados pelas revistas científicas Nature e Public Library of Science (PLoS).
Mais de 200 americanos, homens e mulheres, todos saudáveis, tiveram amostras de micróbios retiradas de várias partes de seus corpos.
E os pesquisadores foram capazes de encontrar mais de dez mil tipos diferentes de organismos que integram o microbioma saudável humano.
A maioria desses micróbios, aparentemente, não causa qualquer dano ao organismo. Pelo contrário. Existem cada vez mais evidências de que esses micróbios nos ajudam de várias formas.

Alguns, por exemplo, nos auxiliam a extrair energia da comida e outros nos ajudam a absorver nutrientes como vitaminas.


Funções Compartilhadas


"Estamos aprendendo sobre o papel que eles desempenham em formar - em vez de simplesmente atacar - nosso sistema imunológico", diz a professora Barbara Methe, do J. Craig Venter Institute, também envolvida no projeto.
Uma das questões centrais que os pesquisadores perguntaram foi: existe um grupo básico de micróbios que todos os humanos compartilham?
Os cientistas encontraram uma variedade de micróbios em diferentes seres humanos e comunidades únicas de micróbios vivendo em diferentes partes do corpo.

Mas o que deixou muitos surpreendidos foi que, em partes específicas do corpo, muitos dos micróbios compartilhavam funções semelhantes.
"Talvez eu tenha na minha língua um organismo diferente daquele que você tem na sua língua mas, coletivamente, eles trazem os mesmos genes para a festa - então eles são capazes de desempenhar algumas das mesmas funções, por exemplo, quebrar açúcares", diz Birren.

Essa descoberta implica em uma mudança no modelo atual de se pensar em doenças, onde uma doença é atribuída a um único micróbio.


Lista de Bactérias


Talvez o que importe em algumas doenças não seja um tipo particular de micróbio mas, sim, que a função desse grupo de micróbios tenha de alguma forma desaparecido, explica Curtis Huttenhower, da Harvard School of Public Health.

Os pesquisadores descobriram que voluntários saudáveis carregam baixos índices de micróbios, tradicionalmente vistos como causadores de doenças.
Por exemplo, a bactéria Staphylococcus aureus, que pode estar envolvida na infecção MRSA, foi encontrada nos narizes de cerca de 30% dos voluntários.
"Agora temos a agenda de endereços de cem desses micróbios que, no ambiente certo, têm potencial para ficar nocivos".

"Sabemos onde eles vivem nas pessoas saudáveis e que organismos os cercam. Então, talvez possamos começar a entender o que os mantém em cheque e onde estão seus reservatórios", disse Huttenhower.

Os micróbios carregam muitos genes e esses genes têm tanta capacidade de influenciar nossa saúde e os riscos de sofrermos de doenças como os nossos próprios genes, diz Huttenhower.

A longo prazo, a possibilidade de usarmos esse banco de dados genético como referência e investigar microbiomas que estão fora dele será muito importante, explica.


Terreno Desconhecido


O diretor do projeto, Lita Proctor, diz que há um entendimento cada vez maior de que nós adquirimos os nossos micróbios nos primeiros estágios das nossas vidas.

"O genoma humano é herdado, mas o microbioma humano é adquirido", explica. "Isso significa que ele tem uma propriedade de se alterar, de mudar, que é muito importante".

"Isto nos dá algo com que podemos trabalhar na clínica. Se você pode manipular o microbioma, você pode fazer um microbioma saudável continuar saudável ou rebalancear um que não está saudável".
Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Precisamos descobrir muito mais sobre como o microbioma se comunica com as células do corpo humano, diz David Relman, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
"Isso ainda é território desconhecido. Embora seja território doméstico, ainda estamos descobrindo novas formas de vida nele", diz Relman.

Fonte: BBC Brasil

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17

jun
2012

Desmatamento gera mais perdas para economia do que mercados

RICHARD BLACK da BBC News

A economia global está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo encomendado pela União Européia.

A pesquisa, "A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade" (Teeb, na sigla em inglês), foi realizada por um economista do Deutsche Bank. Ele calcula que os desperdícios anuais com o desmatamento vão de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção do dióxido de carbono.

O estudo tem sido discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de Conservação, que está sendo realizado em Barcelona.

Em entrevista à BBC News, o coordenador do relatório, Pava Sukhdev, enfatizou que o custo com a degradação da natureza está ultrapassando o dos mercados financeiros globais. "O custo não é apenas maior, ele é contínuo", disse Sukhdev. "Enquanto Wall Street, segundo vários cálculos, tenha perdido entre US$ 1 trilhão a US$ 1,5 trilhão, estamos perdendo capital natural no valor de pelo menos US$2 aUS$ 5 trilhões todos os anos".

Pobres

O relatório foi iniciado na Alemanha quando o país ocupava a presidência rotativa da União Européia, com fundos da Comissão Européia.

A primeira, concluída em maio, apontou que as perdas com a destruição das florestas equivalem a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Segundo o economista, para entender as conclusões do estudo é preciso saber que à medida que as florestas são destruídas, a natureza pára de fornecer serviços que normalmente oferecem de graça.

Como conseqüência, o homem tem de passar a produzir tais serviços, seja pela construção de reservatórios ou de estruturas para seqüestrar dióxido de carbono ou áreas para o plantio que antes estavam disponíveis naturalmente. Ainda segundo os dados do Teeb, os gastos com a degradação do ambiente recaem mais sobre os mais pobres, que tiram boa parte de seu sustento diretamente da floresta, principalmente nas áreas tropicais.

Para as nações do Ocidente, as maiores gastos se refletiriam com as perdas dos elementos absorvedores naturais dos gases poluentes.

O relatório tomou como base o Stern Review, um estudo divulgado em 2006 na Grã-Bretanha, que analisa o impacto econômico do aquecimento global e afirma as mudanças climáticas podem causar o mais profundo e extenso dano à economia mundial já visto.

"Os dados divulgados no Stern Review fizeram com que os políticos acordassem para a realidade", afirmou Andrew Mitchell, diretor do Programa Global Canopy, uma organização que canaliza recursos financeiros para a preservação florestal. "O Teeb terá o mesmo valor, e mostrará os riscos que nós corremos se não os avaliarmos corretamente".

Alguns participantes do evento esperam que o novo estudo será uma nova forma de convencer legisladores a criar políticas que financiem a proteção da natureza em vez de permitir que o declínio de ecossistemas e espécies continue.

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17

jun
2012

Estudo: Ártico poderá ter verão sem gelo em 2013

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8

ago
2011

Água em Marte

Nasa anuncia evidência de água líquida na superfície de Marte

FOLHA DE SÃO PAULO (04/08/2011-16h12)

A Nasa (agência espacial americana) confirmou, nesta quinta-feira, ter fortes evidências da existência de água líquida na superfície de Marte.

Os dados foram coletados pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) durante os meses mais quentes do planeta vermelho.

"[A descoberta] reafirma Marte como um importante destino para a exploração humana no futuro", comentou o administrador da Nasa, Charles Bolden.

A água líquida, que seria salgada, aparece em encostas voltadas para o hemisfério sul de Marte --a existência de água congelada próximo à superfície, em diversas regiões do planeta, já havia sido anunciada antes.

De cor enegrecida, a substância foi vista durante a primavera e o verão. No inverno, tornou-se menos visível. E voltou a surgir na primavera seguinte.

"As linhas escuras são diferentes de outros tipos de recursos [encontrados] nas encostas marcianas", disse o cientista Richard Zurek, do projeto JPL (Laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa, sigla em inglês), em Pasadena, Califórnia.

"Repetidas observações mostram que [elas] se estendem cada vez mais para baixo com o tempo, durante o aquecimento da temporada."

Segundo Alfred McEwen, da Universidade do Arizona e principal autor de um estudo sobre o assunto publicado nesta quinta-feira na revista "Science", o fluxo não é negro por estar úmido, mas por outras razões ainda desconhecidas.

Alguns aspectos das observações feitas pela sonda intrigam os cientistas, mas o fato de a água ser salgada reforçaria a hipótese de o solo marciano conter o líquido.

Nas estações mais quentes, a temperatura local subiria acima do ponto de congelamento e a água escorreria sob uma fina camada de poeira, encosta abaixo.

Depósitos salinos na superfície marciana eram abundantes no passado, e estudos recentes sugerem que eles ainda se formariam de modo mais limitado em algumas áreas.

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4

ago
2011

DNA - música

Essa é a versão melhorada!!! rs

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18

abr
2011

Matéria no Portal

olá pessoal,

sairam algumas matérias minhas no portal da educação adventista.

Um dos textos fala sobre a radioatividade.

http://www.educacaoadventista.org.br/fundamental-2/pesquisa-escolar/717/os-efeitos-da-radioatividade-no-homem.html

O outro sobre produção de energia.

http://www.educacaoadventista.org.br/fundamental-2/pesquisa-escolar/728/como-e-produzida-a-energia.html

até mais

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21

mar
2011

Dia Mundial da Água

História do Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. O dia 22 de março, de cada ano, é destinado à discussão sobre os diversos temas relacionados a este importante bem natural.

Mas porque a ONU se preocupou com a água se sabemos que dois terços do planeta Terra é formado por este precioso líquido?

A razão é que pouca quantidade, cerca de 0,008 %, do total da água do nosso planeta é potável (própria para o consumo). E como sabemos, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela nossa ação predatória (seres humanos). Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Pensando nisso, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a "Declaração Universal dos Direitos da Água". Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

Mas como devemos comemorar esta importante data? Não só neste dia, mas também nos outros 364 dias do ano, precisamos tomar atitudes em nosso dia-a-dia que colaborem para a preservação e economia deste bem natural. Sugestões não faltam, dê a sua também participando deste fórum.

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16

nov
2010

Pegada Ecológica

Esse termo foi utilizado pela primeira vez em 1992 e é uma alusão às marcas que o homem deixa na Terra conforme o uso que faz dos recursos. Se ou quem utilizar uma grande quantidade de recursos, tendo um estilo de vida mais consumista, deixará uma pegada maior e com maiores consequências para o Planeta.

Define-se, então, a pegada ecológica como sendo a área da Terra (em hectares) exigida para conter todos os produtos necessários para suprir uma pessoa ou uma população. Ela é usada como um indicador de sustentabilidade ambiental, pois, através dela, pode-se verificar o estilo de vida das pessoas, ou mesmo de empresas e órgãos, que compõem uma cidade ou uma nação. Populações mais urbanizadas e tecnologicamente avançadas têm maior pegada ecológica, pois utilizam grande quantidade de recursos para produzir seus bens de consumo. Isso significa que um planeta Terra, com os recursos de que dispõe, não será suficiente para manter a humanidade num estilo de vida como o das sociedades dos atuais países desenvolvidos.

Estima-se a pegada ecológica através de diversos parâmetros: uso da água e energia elétrica, tipo de alimentação, produção de lixo, uso de meios de transporte, padrão de consumo e de moradia. Através de uma fórmula matemática, esses parâmetros permitem calcular o tamanho da pegada ecológica.

Faça o teste de sua pegada no site http://www.pegadaecologica.org.br/ e depois deixe seu comentário com seu resultado e o que você pode fazer para mudar esta realidade.

texto retirado do site www.redefor.usp.br

 

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