Portal da Educao Adventista

*Ciências da Natureza*

14

jun
2013

Por que evitar o sabonete antibacteriano

Os sabonetes antibacterianos nos atraem como uma maneira fácil de eliminar as bactérias que podem provocar doenças. Mas o triclosan, um ingrediente comum em muitos produtos antibacterianos, está na berlinda por possíveis danos à saúde e ao meio ambiente.

A FDA, agência que regula alimentos e drogas nos Estados Unidos, pretende proibir a substância com base em uma pesquisa, o que gera dúvidas sobre a verdadeira eficácia dos sabonetes antibacterianos e o que perderíamos se eles fossem retirados do mercado.

Afinal, esses produtos realmente previnem doenças ou só pioram as coisas?

Lavar as mãos continua sendo uma prática importante para manter a saúde, garantem os especialistas, sobretudo durante os meses do inverno. Neste caso, o sabonete comum e os géis antissépticos à base de álcool funcionam tão bem quanto os produtos com triclosan, sem causar nenhum dano.

"É evidente que o triclosan atinge algumas bactérias, não todas, mas não é eficaz contra vírus. No entanto, são os vírus que causam a maioria das doenças em uma comunidade", afirmou Allison Aiello, epidemiologista da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Michigan em Ann Arbor.

"Parece estranho apoiar ou promover um produto que tem como alvo bactérias específicas, mas não agem contra os vírus que causam a maioria das doenças em uma residência. Para mim, isso não faz muito sentido", questiona Aiello.

O triclosan foi classificado como pesticida pela primeira vez em 1969, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Desde então, o produto químico passou a integrar cremes dentais, sabonetes para as mãos, sabonetes líquidos, tábuas para cortar alimentos, brinquedos, tapetes, colchões, roupas, móveis e uma grande variedade de produtos, com o objetivo de combater bactérias, fungos e mofo.

Inicialmente, o triclosan atuaria como um assassino universal de bactérias, mas em 1998, Stuart Levy e seus colegas da Universidade de Tufts, nos arredores de Boston, descobriram que a substância eliminava bactérias específicas, que poderiam se tornar resistentes ao triclosan através de uma mutação nos genes necessários para a construção de paredes celulares.

Segundo Levy, um novo tipo de antibióticos foi estruturado à semelhança do triclosan, aumentando os temores de que a substância contribuiria para o desenvolvimento de bactérias resistentes a antibióticos, ao favorecer a sobrevivência e reprodução de micróbios imunes ao seu raio de ação.

Outra pesquisa mostrou que o triclosan atua como um interferente hormonal nos animais. Quando o triclosan é despejado em lagos e rios, decompõe-se em dioxinas que podem causar todo tipo de problemas de saúde, incluindo defeitos congênitos e câncer.

Além disso, um estudo de 2006, realizado na Suécia, encontrou concentrações mais altas de triclosan no leite materno de mulheres que usaram sabonete, desodorante e pasta de dentes que continham a substância química.

Em um um artigo publicado em 2007 na revista Clinical Infectious Disease, Aiello e seus colegas analisaram 27 estudos que comparavam produtos contendo triclosan ao sabonete comum, e descobriram que as pessoas não eram menos vulneráveis a diarreias, tosses, febres e infecções de pele se usassem sabonetes com a substância química.

Alguns estudos analisaram especificamente a carga bacteriana nas mãos antes e após a lavagem, e da mesma forma, a maioria não identificou nenhuma diferença entre a capacidade antibactericida de ambos os sabonetes. Talvez existam algumas bactérias que são eliminadas com mais eficácia pelo triclosan, explica Aiello, mas não muitas, e não são as que causam as doenças mais comuns.

Em vez de matar as bactérias, o sabonete comum simplesmente as remove das reentrâncias das mãos, o que permite que sejam levadas pelo ralo, afirma Levy, diretor do Centro de Adaptação Genética e Resistência às Drogas da Universidade de Tufts. Após a lavagem com água e sabão (muito mais eficaz que usar apenas água), ele defende a secagem com toalhas de papel, já que as bactérias podem sobreviver em toalhas úmidas.

Outra boa opção é usar gel antisséptico para as mãos à base de álcool, que mata os germes por desidratação. As bactérias não conseguem desenvolver resistência ao álcool com facilidade.

"Use água e sabonete comum, e se não for possível, recorra a produtos à base de álcool", disse Levy. "Você não precisa usar sabonetes impregnados com produtos químicos. Qualquer produto de ação antibacteriana e antimicrobiana, em minha opinião, deve ser usado com prudência", alerta.

Texto originalmente publicado em Discovery Brasil.

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14

mai
2013

Bactéria fecal de marido salva mulher de infecção fatal

Em 2008, uma paciente foi admitida em um hospital do Estado de Minnesota apresentando um quadro grave de diarreia. O médico que a atendeu, Alexander Khoruts, tratou a infecção com um coquetel de antibióticos, após ter identificado que o agente causador da doença era a bactéria Clostridium difficile. Mas nada funcionou. A paciente perdeu 27 quilos em oito meses.

A única solução aparente seria um transplante de intestino, algo complicado, já que não havia doadores disponíveis no curto prazo e a paciente poderia morrer rapidamente. Khorus então decidiu fazer algo aparentemente inusitado para leigos: obteve uma amostra de fezes do marido da paciente, misturou com uma solução salina e aplicou a mistura no intestino dela. A infecção por Clostridium difficile desapareceu em um dia e não voltou mais.

O resultado foi descrito mês passado por Khoruts, que trabalha na Universidade de Minnesota, no periódico "Journal of Clinical Gastroenterology". O procedimento que ele aplicou, conhecido como "terapia bacteriana" ou "transplante fecal", já foi realizado algumas vezes nas últimas décadas. Khoruts já realizou 15 transplantes, 13 dos quais curaram os pacientes.

Antes do transplante, uma amostra das bactérias presentes na paciente foi analisada. "As bactérias normais simplesmente não estavam lá", disse Khorus ao "New York Times". "O intestino foi colonizado por todo tipo de coisa." Duas semanas após o transplante, a flora intestinal foi novamente analisada. Desta vez, os micróbios do marido haviam tomado conta.

MICROBIOMAS

Cientistas estão tentando desvendar o papel desses "microbiomas" de micro-organismos vivendo dentro do corpo humano. Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA estão atualmente financiando um projeto de US$ 150 milhões que visa mapear geneticamente o genoma desses micro-organismos, obtidos em 18 partes diferentes do corpo humano de 300 voluntários.

Uma das tarefas dos micróbios é quebrar moléculas complexas de plantas. Micróbios no nariz produzem antibióticos que podem matar patógenos inalados. Para coexistir com o microbioma, o sistema imune precisa tolerar esses organismos; aparentemente, os próprios micróbios guiam o sistema imune para não atacá-los

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13

fev
2013

ESTUDAR VALE OURO

Pesquisa mostra até onde a escola aumenta a chance de conseguir emprego, multiplica o salário e garante o sucesso na carreira

Alice Granato

Fonte: Revista Veja

Para aqueles que olham para a alta dos juros, ou para o movimento das bolsas de valores, atenção. O melhor investimento de longo prazo que se pode fazer hoje é a educação. Veja o que está acontecendo no Brasil. Com a taxa média de desemprego em 8%, o contingente dos brasileiros que estudaram apenas seis anos enfrenta uma taxa de desemprego maior, de 9%. Entre os que fizeram faculdade, o índice cai para a faixa dos 2%. E, incrível, ele é de apenas 1% entre os pós-graduados. É verdade que existem pessoas que construíram fortunas sem ter ido longe nos bancos escolares. O empreiteiro Sebastião Camargo e o banqueiro Amador Aguiar, fundador do Bradesco, são dois dos exemplos mais conhecidos no Brasil. Para a maioria das pessoas, contudo, estudar é crucial para determinar a posição e o salário que podem conquistar, e isso nunca foi tão verdadeiro quanto agora. A era da informação é implacável: joga para escanteio quem não tem instrução e coloca no ápice quem estuda mais. Exigente e seletivo, o mercado de trabalho está passando por um terremoto. Quer profissionais graduados, que falem inglês, entendam de computador e estejam atentos às mudanças. Todo esse investimento tem retorno certo. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, a pedido de VEJA, traçou um retrato preciso do que está acontecendo hoje no mundo do emprego. Esse levantamento comprova algo que até agora apenas se intuía pelo senso comum: quanto mais estuda, maior é a chance de uma pessoa conseguir emprego, ganhar mais e fazer carreira bem-sucedida  

A análise foi feita com base em pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, com 1 milhão de pessoas, entre julho de 1997 e junho deste ano, em seis capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Recife). Por ela, verifica-se que as possibilidades de uma pessoa encontrar emprego dependem muito mais do que se imagina de sua escolaridade. O brasileiro que completou apenas o 1º grau ou ainda não concluiu o ensino médio tem chances pouco maiores que as de um analfabeto na hora de buscar colocação. Um entre dez brasileiros com esse nível de escolaridade está sem emprego. O problema se agrava porque nessa faixa estão também os jovens. Eles compõem atualmente o maior grupo etário da população brasileira e estão entrando pela primeira vez no mercado de trabalho. Enquanto isso, os brasileiros mais escolarizados vivem num país que lhes dá quase tanta segurança de firmar-se no emprego quanto os Estados Unidos, o Japão e a Inglaterra %u2014 os países com as mais reduzidas taxas de desemprego do mundo.

No que diz respeito aos salários, os efeitos da educação são ainda mais evidentes. Cada vez que uma pessoa completa uma etapa de estudo, sua remuneração aumenta cerca de 50%. O maior salto se dá com o diploma de um curso superior. De acordo com os dados do Ipea, os profissionais de nível universitário ganham em média 128% mais do que quem fez somente o colegial. Isso não é tudo. Para aqueles que se contentaram com a faculdade, aqui vai uma notícia. Um curso de extensão universitária proporciona no Brasil salários 66% maiores do que os recebidos por quem ficou somente com o bacharelado. Em média, os brasileiros que completaram um curso de pós-graduação ganham 925% mais do que um trabalhador não qualificado. Conclusão: cada ano de estudo representa em média um aumento de 15% no contracheque. "O efeito diploma é o fator mais decisivo na colocação do profissional no mercado de trabalho", diz o economista Marcelo Neri, do IPEA. "A educação é o motor do país, e precisamos investir ainda mais em capital humano."

Abismo educacional %u2014 Esse é o abismo que está na origem da disparidade social no Brasil. Nada menos que 64% dos empregados nem sequer completaram o 1º grau. Em média, os brasileiros têm somente sete anos de escolaridade. Ou seja, não concluíram nem o 1º grau. Ao passo que faltam empregados graduados, a maioria da população ainda é obrigada a sujeitar-se a subempregos, sem carteira assinada ou benefícios trabalhistas e com grande carga horária de trabalho, para ganhar salários muito baixos. Uma boa novidade é que estão acontecendo mudanças mesmo no patamar mais baixo da escala da educação e dos salários, aquele composto pelos analfabetos. Um exemplo é o pedreiro José Orlando de Oliveira e Silva, de São Paulo. Aos 35 anos, analfabeto, ele acorda às 4 e meia da madrugada e só volta para casa às 9 da noite. Estuda na própria obra, dentro de um programa oferecido pela construtora que o emprega, a Método. Está fazendo os primeiros oito meses de curso, um supletivo da 1ª à 4ª série. Silva, que não sabia nem ao menos escrever o nome, está descobrindo o prazer de "ler umas palavrinhas". Recentemente, foi promovido, depois de aprender a fazer serviços de acabamento. Antes, o pedreiro ganhava 380 reais mensais. Agora, recebe 560. "Esse curso está mudando a vida dele", diz a psicopedagoga Ana Luiza Franciscone, de 42 anos, coordenadora educacional da Método. "Os operários estão começando a perceber como o estudo faz diferença em sua vida."

A pesquisa do IPEA mostra que o maior índice de desemprego no Brasil está na faixa dos nove anos de escolaridade. Nela estão profissionais como auxiliares de escritório e bancários. São pessoas que já terminaram o 1º grau, mas ainda não completaram o 2º. Têm qualificação mediana e não precisam mais sujeitar-se ao subemprego dos analfabetos ou pouco escolarizados. Mas ainda não têm grau de especialização necessário para ocupar bons empregos, oferecidos para quem conquistou o diploma universitário ou fez pós-graduação. A prova de que a zona dos empregos intermediários está saturada são as filas na porta das empresas. Há um mês, a rede de lojas de desconto americana Wal-Mart abriu quatro novas lojas oferecendo 500 vagas em cada uma delas. A maior parte era para funções como vendedor, atendente e empacotador. Nos dois primeiros casos, exige-se o 2º grau. No terceiro, somente o 1º. Na Wal-Mart de São Paulo, formou-se uma homérica fila de candidatos, com 25.000 pessoas. Duas semanas mais tarde, em São José dos Campos, no interior paulista, perfilaram-se 10.000 pessoas.

A profissão certa %u2014 Estudar é fundamental, mas deve-se também levar em consideração outro fator: a escolha da profissão. Ela é tão importante quanto a escolaridade. Enquanto existem áreas em declínio, outras estão se abrindo. A área petrolífera, que oferece empregos para profissionais como geólogos, é uma das que estão em expansão no Brasil. Desde que o monopólio estatal desse setor foi quebrado, 58 empresas estrangeiras abriram escritórios no Brasil. É um exemplo de como as profissões sobem ou descem de acordo com as circunstâncias. Nos anos 70, época em que grandes obras como Itaipu estavam em construção, a engenharia civil estava em alta no Brasil. Hoje, com as dificuldades econômicas, está em baixa. A odontologia já fez mais sucesso, numa época em que havia escassez de dentistas no país. Atualmente, o mercado anda meio saturado, embora seja difícil encontrar um dentista desempregado. Isso vale também para médicos. A agronomia, por muito tempo relegada a segundo plano no país em função da crise no campo, tem se tornado um celeiro de empregos com a multiplicação de oportunidades de trabalho.

Escolhida a área, o que se pede hoje no mercado é a alta especialização. Quem estudou bastante e foi além do diploma universitário está no melhor dos mundos. Isso é o que habilita os profissionais para onde está o filé mignon do mercado, como o ramo financeiro. É o caso de Alexandre Saigh, de 31 anos, executivo do Banco Patrimônio. Ele compõe a minoria da população com alta escolaridade e rendimentos muito acima da média. Pós-graduado em economia na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Saigh estudou durante dezoito anos. Recebe um salário fixo de 10.000 reais por mês, sem contar sua participação nos lucros obtidos para o banco. "A bagagem acadêmica me abre muitas portas", afirma ele. Saigh foi disputado pelas quatro empresas para as quais enviou seu currículo. Escolheu o Patrimônio e cinco anos depois já era sócio do banco. Mesmo bem-sucedido, não pensa em parar de estudar. "Quero fazer mais especializações", diz. "Quem não fizer isso vira peça de antiquário."

Áreas promissoras %u2014 A maior parte dos jovens que deixam de estudar acredita que se tornará apta a encontrar um bom emprego apenas fazendo um curso de computação como os que se multiplicam no país. Isso não é verdade. "Estou procurando estágio desde maio", conta a estudante paulista Thaís Greco, de 18 anos, que faz o 3º ano do curso técnico de processamento de dados e já bateu inutilmente em várias portas. "É muito diferente o que se aprende na escola e o que é preciso na prática." A área de informática e a de telefonia são as mais promissoras, mas o que se pede não são pessoas que saibam apenas manusear um programa de texto para escrever boletins no computador. São administradores das redes de informática instaladas nas empresas, analistas de sistemas capazes de criar ou mudar a programação dos computadores, ou analistas de suporte, que ajudam a manter as redes funcionando. São também web designers, profissionais que criam as páginas na Internet, ou engenheiros de sistemas e produtos ligados às novas redes de telefonia celular. Para todos eles, não só o emprego estará quase garantido como há perspectivas de bons salários. Ainda mais se tiverem conhecimento do mercado e das pessoas que nele atuam e estiverem ligados às mudanças que ocorrem a seu redor. "Sozinha, a graduação não basta", diz a psicóloga e administradora de empresas Nielce Filetti, presidente da Associação Paulista de Recursos Humanos, que tem 2.000 cadastrados. "As empresas buscam o profissional com um perfil diferenciado."

O Brasil enfrenta o desafio de acelerar o progresso da educação num momento complicado. Ele coincide com uma mudança radical no mercado de trabalho, imposta pelas novas tecnologias. Além de aumentar o grau de escolaridade das gerações que estão chegando ao mercado, o país se vê obrigado a reciclar boa parte da mão de obra que já estava empregada %u2014 ela corre o risco de ficar obsoleta com a chegada das tecnologias que estão eliminando postos de trabalho no mundo inteiro. Cada vez mais, o papel do ser humano no mundo do trabalho é produzir novas ideias. O futuro, de acordo com os especialistas, não é das pessoas que apertam parafusos, mas de quem imagina um novo processo pelo qual os parafusos serão apertados.

Onde há vagas sobrando %u2014 Os profissionais que sabem muito são literalmente caçados pelas empresas, que disputam avidamente a mão de obra mais qualificada. Só no setor de informática, estima-se que 50% das vagas não são preenchidas por falta de profissionais especializados. "Mesmo que a educação avance muito, será insuficiente para atender à demanda do mercado criada pelo progresso tecnológico", afirma o economista Ricardo Paes de Barros, um dos coordenadores do trabalho do IPEA. No mercado de telecomunicações também não existe mão de obra especializada para atender à oferta de empregos que estão surgindo. Avalia-se que para operar os 16,2 milhões de aparelhos celulares que serão colocados em operação nas bandas A e B, mais os novos telefones fixos, haverá a necessidade de contratar 300.000 pessoas para trabalhar nas centrais telefônicas, no fornecimento de peças ou na prestação de serviços aos clientes. "Corremos o risco de entrar em colapso por falta de gente para trabalhar", diz Antônio Enéas Reis, sócio de uma empresa de consultoria de recursos humanos do setor, a DPS. "Não haverá gente especializada nessa quantidade."

Estudar bastante e fazer a escolha certa da profissão são dois requisitos básicos para quem está entrando no mercado de trabalho na virada do milênio. No mundo, estima-se que serão criadas neste ano 413.000 vagas em 15.000 empresas da área de tecnologia avançada. São oportunidades para engenheiros que desenham produtos para automação, médicos e cientistas especializados nas áreas de genética e biotecnologia, profissionais que desenvolvem novos programas de computador ou lidam com comunicação via satélite. Só nos Estados Unidos, serão 300.000 novos empregos. As faculdades e universidades americanas formam 28.000 estudantes nessas atividades anualmente, menos de 10% da oferta de vagas. Isso significa que esse tipo de profissional é disputado a peso de ouro. Para quem está fazendo uma faculdade e apostou em áreas como essas, há razões de sobra para o otimismo.

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18

nov
2012

Carro a hidrogênio

CRISTIANE PERES BERGAMINI
FABIANA GAMA VIANA


A Unicamp acaba de receber a maior célula a combustível comercial tipo PEM do Brasil. Este é o equipamento mais esperado para a finalização do projeto de veículo hidrogênio/elétrico, conhecido como Vega II, intitulado "Desenvolvimento de plataforma de teste para veículos elétricos com células a combustível". A célula a combustível é um dispositivo que converte diretamente a energia química de um combustível (hidrogênio neste caso) em energia elétrica, utilizada no projeto para o acionamento do motor elétrico do veículo.

O objetivo da pesquisa é disponibilizar uma plataforma de testes para veículos elétricos que utilizam células a combustível e dotar o país de conhecimento técnico e mão-de-obra especializada nesta área. A célula a combustível da Unicamp, com potência nominal de 5 kW é do tipo PEM (Próton Exchange Membrane), o mais indicado para aplicação veicular. O hidrogênio a ser utilizado na célula será fornecido por dois cilindros pressurizados, semelhantes aos utilizados nos carros com gás natural.

Unicamp recebe célula a combustível

O projeto, desenvolvido graças à parceria firmada entre o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), o Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física "Gleb Wataghin", ambos da Unicamp, e o Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio (Ceneh), só foi possível em função de um financiamento de R$ 400 mil do Ministério de Minas e Energia (MME). Manoel Nogueira, coordenador geral de Tecnologias da Energia do MME, ressalta a importância de um projeto como este para o país: "O MME acredita que o hidrogênio, dentro das particularidades da matriz energética brasileira, possui aplicação comercial no futuro no Brasil. Neste contexto, estamos fazendo esforços para estruturar uma economia para o hidrogênio e temos algumas ações nesse sentido, as quais são articulação com o Ministério de Ciência e Tecnologia e com o Iphe (International Partnership for the Hydrogen Economy), além da criação de um comitê multiinstitucional para definição de políticas governamentais para a economia do hidrogênio, e o projeto de ônibus a hidrogênio".

Segundo Nogueira, o projeto "Plataforma" é mais uma atuação visando aglutinar essas ações e instituições no contexto da formação de uma economia do hidrogênio. "Com a conclusão deste projeto teremos um produto de penetração para informar ao grande público que existe uma opção de geração de energia que pode combinar as qualidades das fontes renováveis e do gás natural como energético, com um fornecimento de grandes quantidades de energia de maneira regular e com um mínimo de impacto ambiental".

Entre os principais resultados esperados deste trabalho estão o dimensionamento, teste e operação de todo o sistema de propulsão de um veículo elétrico com células a combustível, além de pesquisas para o uso de células a combustível em aplicações estacionárias. "Estaremos colocando o Brasil entre os países que dominam a tecnologia dos veículos com células a combustível, abrindo amplas possibilidades para o uso veicular de fontes renováveis de energia, por meio da geração de hidrogênio, seja a energia hidroelétrica ou a eólica, através da eletrólise da água, seja o uso do etanol em reformadores a bordo dos veículos", afirma o professor. Ennio Peres da Silva, coordenador do projeto e do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp.

O projeto conta ainda com a colaboração de empresas do setor privado, como a WEG Motores e a WEG Automação, Acumuladores Moura e a Sabbó, que forneceram equipamentos e/ou serviços utilizados no VEGA II. A previsão, segundo o professor Ennio, é de que o carro esteja realizando os primeiros testes de pista ao final deste mês, devendo estar exposto ao público durante o Seminário sobre Veículo Elétrico Híbrido, a ser realizado nos dias 27 e 28 de abril, no Blue Tree Convention, em São Paulo, evento que será organizado pelo Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee). (C.P.B. e F.G.V.)

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13

nov
2012

SP terá 1º incinerador de lixo doméstico

Pioneira no País, usina vai produzir energia e recuperar área ameaçada por risco de explosão e deslizamento em São Bernardo do Campo

Eduardo Reina - O Estado de S.Paulo

A cidade de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, terá a primeira usina de incineração de lixo doméstico do Brasil. A estrutura vai ocupar a área do antigo Lixão do Alvarenga, na beira da Represa Billings, e vai gerar 30 megawatts por hora de energia elétrica. Ao lado, será criado um parque e haverá remoção de parte da população que hoje mora em cima do antigo lixão, uma área de risco de explosão e deslizamentos.

A usina terá capacidade para receber 1 mil toneladas de resíduos domésticos por dia. A energia gerada - 30 megawatts/hora - será suficiente para abastecer diariamente uma cidade de 300 mil habitantes. A obra inclui um setor de separação dos resíduos orgânicos e para reciclagem e está orçada em R$ 220 milhões.

Hoje na cidade de São Paulo há duas usinas de geração de energia por meio do lixo, nos aterros Bandeirantes (zona norte) e São João (zona leste). No entanto, esses funcionam com aproveitamento de gás metano gerado pelos resíduos. A novidade é o incinerador de lixo doméstico. Existem apenas usinas para incinerar lixo hospitalar e industrial no País.

"O sistema, além de fazer a queima da parte do lixo que não pode ser aproveitada, tem também o reaproveitamento de todo resíduo possível, até da fração orgânica", explica o professor Elcires Pimenta Freire, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e coordenador do plano de resíduos sólidos da cidade. O modelo escolhido mescla tecnologias da Alemanha, Holanda e Espanha.

O secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo, Alfredo Buso, diz que o edital deve ser lançado em breve. A expectativa do prefeito Luiz Marinho (PT) é que o início da operação seja em 2012. A cidade gasta R$ 14 milhões por ano para descartar 650 toneladas de lixo por dia num aterro sanitário no município de Mauá. Para Buso, os gastos não serão superiores aos de hoje.

Remediação. A área do bairro Alvarenga no limite com Diadema abrigou um lixão de 1971 a 2001. No dia 13 de abril, o Estado lembrou que o bairro tem condições similares às do Morro do Bumba, em Niterói, que deslizou por causa da chuva e do acúmulo do lixo. Em Niterói, 51 pessoas morreram. Em São Bernardo do Campo, centenas de famílias temem o mesmo destino.

A área de 700 mil metros quadrados nunca teve um sistema de condução dos efeitos colaterais do acúmulo de lixo sob a superfície: gases e chorume. O metano também fica preso no solo, aumentando a cada dia o risco de explosões. Já o líquido que resulta da decomposição dos resíduos vai direto para a Represa Billings, a 200 metros do local.

O projeto de construção da usina e do parque atende a medida judicial que condenou as prefeituras de São Bernardo e Diadema e os donos do terreno a remediar o problema ambiental. Parte das 200 famílias que moram no terreno será removida.

A prefeitura estima que sejam necessários R$ 20 milhões para fazer a canalização de drenagem dos gases e captação do chorume. Os trabalhos devem começar em setembro, com conclusão prevista para o fim de 2011.

O ambientalista Virgílio Alcides Farias, que defende a desativação do Lixão do Alvarenga, acredita que a criação da usina é uma boa notícia. "Está dentro do que se chama de ação sustentável. Mas é preciso manter um monitoramento contínuo e seguir as normas existentes de controle, principalmente na emissão de gases." A prefeitura afirma que o modelo de usina de São Bernardo segue as diretrizes estaduais para o tratamento térmico de resíduos sólidos.


LÁ TEM...

Áustria
A usina de Viena é uma das mais modernas da Europa. Tem capacidade para queimar 720 toneladas/dia.

Alemanha
Há duas unidades em Ingolstadt, que processam 600 toneladas/dia cada.

Inglaterra
Em Marchwood, a usina local incinera 560 toneladas/dia.

França
Uma das maiores da Europa fica em Paris, com capacidade para 1,6 mil toneladas/dia.

Estados Unidos
A maior do país está em Miami e chega a 4,2 mil toneladas/dia.


Energia

5 horas
é o período em que um computador poderia funcionar com a queima de um quilo de lixo

24 minutos
duraria um secador de cabelo ligado, segundo Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe)

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13

nov
2012

Créditos com o lixo, editorial de %u201CO Estado de SP%u201D

"O funcionamento de usinas termoelétricas nos dois depósitos sanitários permitirá que SP reduza em 20% a emissão de carbono equivalente na atmosfera"


Leia a íntegra do editorial:

Ontem, quando se comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente, o prefeito Gilberto Kassab anunciou o primeiro edital para a venda de créditos de carbono na Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F), que deverá ser lançado ainda este mês.

Em uma experiência inédita no Brasil, a Prefeitura levará a leilão eletrônico 750 mil toneladas de CO2 equivalente, provenientes do Aterro Sanitário Bandeirantes, localizado na zona norte da cidade.

Na mesma cerimônia, o prefeito também anunciou o início da queima de metano no segundo aterro sanitário do Município, o São João, localizado no bairro de São Mateus.

O funcionamento de usinas termoelétricas nos dois depósitos sanitários permitirá que SP reduza em 20% a emissão de carbono equivalente na atmosfera.

Em 2008, 10% da energia elétrica consumida nas residências paulistanas deverá ser suprida pela energia gerada pelo lixo urbano depositado nos dois aterros.

A lenta decomposição do material orgânico presente no lixo resulta num biogás rico em metano. O metano, por sua vez, é um dos gases que mais influenciam na formação do efeito estufa.

Uma tonelada de metano produz o mesmo efeito danoso de 21 toneladas de dióxido de carbono. A instalação do sistema de captação e compactação nos dois aterros, além de evitar a emissão do gás para a atmosfera, permitirá que 80% do biogás seja utilizado como combustível na geração de energia elétrica.

No Aterro Bandeirantes, uma termoelétrica em funcionamento desde o ano passado produz 22 megawatts, o suficiente para fornecer energia para 300 mil famílias. No Aterro São João, quando a usina estiver em pleno funcionamento, serão produzidos mais 20 megawatts.

A capital produz 15 mil toneladas diárias de lixo, sendo quase 11 mil provenientes de lixo doméstico. Esse volume era dividido, até março, em partes iguais para os dois aterros. O Bandeirantes, considerado um dos maiores do mundo, atingiu sua capacidade máxima em março.

Desde então o lixo que a ele se destinava vem sendo depositado num aterro particular em Caieiras. O Bandeirantes, no entanto, passou a gerar os créditos de carbono previstos pelo Protocolo de Kyoto quando a usina termoelétrica entrou em operação.

Estima-se que, até 2012, o Bandeirantes emitirá o equivalente a 8 milhões de toneladas de carbono que, transformadas em energia, poderão ser usadas como crédito.

Até agora, o Aterro Bandeirantes deixou de lançar mais de 1,5 milhão de toneladas de CO2 equivalente no ar. É o segundo maior projeto de crédito de carbono do país, ficando atrás apenas do plano desenvolvido pela Rhodia.

A Usina Termoelétrica Bandeirantes foi construída por meio de uma operação de project finance do Unibanco, em parceria com a Prefeitura e a Biogás Energia Ambiental, concessionária que também atua no Aterro São João.

É a maior termoelétrica desse tipo do mundo. Os principais prédios administrativos do Unibanco em SP são supridos por essa energia limpa, que já responde por mais de 25% do consumo total do grupo.

Os créditos de carbono lá gerados são divididos em partes iguais entre a Prefeitura e a Biogás. A concessionária já comercializou sua parte e, agora, a Prefeitura lançará no mercado de carbono suas 750 mil toneladas de CO2 equivalente.

Estima-se que cada tonelada possa render 16 euros e, com os recursos obtidos no leilão eletrônico, a Prefeitura pretende construir parques e praças na região de Perus e Pirituba - uma compensação aos vizinhos do Bandeirantes que, de 1979 a 2006, foram obrigados a suportar o mau cheiro do aterro.

Processo semelhante será conduzido no Aterro São João. A expectativa da Biogás é a de que a emissão no local alcance 6 milhões de toneladas de CO2 nos próximos cinco anos. O produto da venda dos créditos de carbono custeará melhorias ambientais no bairro de São Mateus, na zona leste.

Com essas iniciativas, os aterros, que eram apontados como um passivo ambiental altamente negativo para a cidade, além de gerar energia limpa, se transformam em fontes de recursos justamente para promover melhorias no meio ambiente.
(O Estado de SP, 6/6)

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13

nov
2012

Chuva Ácida

Em 1989 cientistas da Holanda noticiaram que um determinado pássaro canoro que habita as florestas daquele país estava produzindo ovos com a casca fina e porosa. Problema similar fora detectado nas décadas de 60 e 70, causado pelo inseticida DDT. Durante as investigações não foi encontrada nenhuma evidência de intoxicação.

Os cientistas resolveram verificar então o suprimento de cálcio disponível para os pássaros na natureza e necessário para a formação de cascas resistentes nos ovos. Aqueles pássaros usavam normalmente como fonte de cálcio, caramujos que constituiam componente importante na dieta. Entretanto, os caramujos haviam praticamente desaparecido das florestas. O solo seco contem normalmente de 5 a 10 gramas de cálcio por quilograma. O cálcio daquela região havia caído para cerca de 0,3 gramas por quilograma de solo, um nível muito baixo para que os caramujos sobrevivessem.

Sem caramujos para comer, os pássaros passaram a se alimentar de sobras de alimentos de galinhas e de outros animais domésticos e sobras de pique-niques, muito comuns na Europa.

A queda no conteúdo de cálcio do solo da Europa e dos Estados Unidos da América foi atribuída à ocorrência de chuva ácida, principalmente da que contem ácido sulfúrico.

Este é um exemplo de como a poluição ambiental pode afetar a natureza, sem que as pessoas se deêm conta do problema.

A chuva ácida é um fenômeno regional e ocorre na mesma região que gera os poluentes que a causa. Por isso mesmo a incidência é grande nas regiões altamente industrializadas e mais densamente povoadas.

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Fotografia de uma floresta alemã tirada em 1970 e depois em 1983, após a ação da chuva ácida na região.

 

A chuva ácida é causada pela presença de gases, principalmente óxidos ácidos de enxofre e nitrogênio, que saem das chaminés industriais e são solúveis em água. Misturados à água presente no ar, hidrolisam formando ácidos que caem sobre a terra juntamente com a chuva.

A chuva não afetada pela atividade humana é pouco ácida, tendo pH em torno de 5,7. Esta acidez baixa é devida à presença de ácido carbônico, H2CO3, formado pela dissolução de CO2 em H2O. Estes níveis de acidez não são prejudiciais ao meio ambiente.

Os poluentes mais sérios na chuva ácida são os ácidos fortes.

No Brasil o exemplo mais marcante de poluição ambiental por chuva ácida foi a destruição da Mata Atlântica na região de Cubatão, na baixada santista. Os gases de nitrogênio e enxofre liberados às toneladas pelas chaminés das indústrias locais, destruíram a vegetação. Neste caso, a relação de causa - efeito era óbvia. A região de Cubatão era uma das mais poluídas em todo o mundo.

Após um enorme esforço feito por parte da comunidade científica, das primeiras organizações não governamentais brasileiras preocupadas com o meio ambiente e da imprensa que se empenhou em denunciar e esclarecer os fatos, foi elaborada uma legislação e montado um sistema de fiscalização que passou a controlar as emissões, forçando as indústrias a tomarem cuidados óbvios com as emissões gasosas.

Entretanto, não são apenas as indústrias que poluem com estes gases. As grandes cidades, com seus inúmeros carros, também são importantes produtoras de chuva ácida.

Dentro dos motores a combustão dos automóveis, são atingidas temperaturas muito altas, suficientes para que ocorra reação entre o nitrogênio e o oxigênio da atmosfera, formando o gás NO:

N2 (g) O2 (g) 2 NO (g)

O óxido nítrico, NO, não é muito solúvel em água, mas pode ser oxidado no ar formando dióxido de nitrogênio:

2 NO (g) O2 (g) 2 NO2 (g)

O NO2 reage com água formando ácido nítrico e óxido nítrico:

3 NO2 (g) 3 H2O (l) 2 H3O (aq) 2 NO3- (aq) NO (g)

A legislação brasileira já exige que os carros mais novos sejam equipados, já durante a fabricação, com catalisadores que reduzem o nitrogênio do NO a N2. Este último gás é um importante componente natural do ar e é muito pouco reativo.

O dióxido de enxofre, SO2, é produzido como sub-produto da queima de combustíveis fósseis, isto é, derivados de petróleo. Ele pode se combinar diretamente com água, formando um ácido fraco, chamado ácido sulfuroso, H2SO3:

SO2 (g) 2 H2O (l) H3O (aq) HSO3- (aq)

Além disso, na presença de material particulado e aerossóis do ar, o dióxido de enxofre pode reagir diretamente com o oxigênio atmosférico e formar trióxido de enxofre, que, por sua vez, produz ácido sulfúrico e água:

2 SO2 (g) O2 (g) 2 SO3 (g)

SO3 (g) 2 H2O (l) H3O (aq) HSO4- (aq)

O ácido sulfúrico é um ácido forte especialmente prejudicial ao solo porque causa a retirada dos íons de cálcio. A maioria dos solos possui partículas de argilas que são circundadas por íons inorgânicos, inclusive Ca2 . Entretanto os íons de cálcio das argilas podem ser substituídos pelo cátion de hidrogênio liberados pelo ácido sulfúrico. Neste processo também se forma sulfato de cálcio que é insolúvel em água. Desta forma, o cálcio não mais circula no ambiente, deixando de estar disponível no solo para ser usado pelas plantas. Este cálcio retirado do solo não é substituído. As plantas sofrem com a sua falta e as florestas são afetadas.

A pesquisa sobre o impacto da poluição do ar sobre as florestas é difícil. O sistema é altamente complexo. As florestas cobrem áreas muito grandes e a atuação de cada agente poluidor pode ser muito sutil, de modo que o verdadeiro papel desempenhado por cada agente pode levar muitos anos para ser identificado.

De qualquer modo, o controle das emissões de óxidos ácidos deve ser exercido continuamente de modo a melhorar e manter a qualidade de vida da humanidade, sem perda das nossas heranças naturais.

 

Texto: Regina Helena Porto Francisco

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13

nov
2012

DIABETES 1 e 2

O diabetes Tipo 1 é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas produtoras de insulina. Isso acontece por engano porque o organismo as identifica como corpos estranhos. A diabetes Tipo 1 surge quando o organismo deixa de produzir insulina ou produz apenas uma quantidade muito pequena. Quando isso acontece, é preciso tomar insulina para viver e se manter saudável, pois sem este hormônio, a glicose não consegue entrar nas células, que precisam dela para realizar a respiração celular e obter energia. As altas taxas de glicose acumulada no sangue, com o passar do tempo, podem afetar os olhos, rins, nervos ou coração.

Já no diabetes Tipo 2, as células do pâncreas continuam produzindo insulina, porém, por muitas razões, as células musculares e adiposas não absorvem toda a glicose que deveriam absorver da corrente sanguínea. A consequência é a mesma: a glicose não entra nas células e fica acumulada no sangue, mas o tratamento é distinto, pois o problema não é a falta de insulina. Neste caso, opta-se por dieta com baixa ingestão de glicose, exercício físico e, às vezes, medicamentos orais.

 

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13

nov
2012

O caro preço da poluição

O ar que respiramos pode comprometer a saúde de nossas artérias. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada recentemente na revista Atherosclerosis por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O estudo, tese de doutorado da biomédica Sandra Regina Castro Soares, afirma que a poluição atmosférica de uma grande cidade pode alterar o colesterol no sangue e propiciar o aumento da deposição de placas de gordura nos vasos sanguíneos, facilitando a ocorrência de problemas como infarto ou derrame cerebral. "Os poluentes fazem, em pequena escala, o mesmo que o cigarro. Mas, com um porém: defender-se da poluição atmosférica é muito mais difícil do que dizer não a uma tragada", explica Paulo Saldiva, médico pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP. "Além disso, a prática de esportes em ruas e avenidas movimentadas e poluídas deve ser evitada, uma vez que a quantidade de poluentes inalados durante esse período também pode contribuir para o desenvolvimento de doenças respiratórias", aconselha João Marcos Salge, pneumologista do Fleury Medicina e Saúde.

Fonte: Revista do Laboratório Fleury: Fleury Saúde em dia, número 19. Abril de 2010.

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4

nov
2012

Padrões de Qualidade do ar

Os padrões de qualidade do ar definem legalmente o limite máximo para a concentração de um poluente na atmosfera, que garanta a proteção da saúde e do meio ambiente. Os padrões de qualidade do ar são baseados em estudos científicos dos efeitos produzidos por poluentes específicos e são fixados em níveis que possam propiciar uma margem de segurança adequada.

Os padrões nacionais foram estabelecidos pelo IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e aprovados pelo CONAMA - Conselho Nacional de Meio Ambiente, por meio da Resolução CONAMA 03/90.

São estabelecidos dois tipos de padrões de qualidade do ar: os primários e os secundários.

São padrões primários de qualidade do ar as concentrações de poluentes que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser entendidos como níveis máximos toleráveis de concentração de poluentes atmosféricos, constituindo-se em metas de curto e médio prazo.

São padrões secundários de qualidade do ar as concentrações de poluentes atmosféricos abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem estar da população, assim como o mínimo dano à fauna e à flora, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de poluentes, constituindo-se em meta de longo prazo.

O objetivo do estabelecimento de padrões secundários é criar uma base para uma política de prevenção da degradação da qualidade do ar. Devem ser aplicados às áreas de preservação (por exemplo: parques nacionais, áreas de proteção ambiental, estâncias turísticas, etc.). Não se aplicam, pelo menos a curto prazo, a áreas de desenvolvimento, onde devem ser aplicados os padrões primários. Como prevê a própria Resolução CONAMA n.º 03/90, a aplicação diferenciada de padrões primários e secundários requer que o território nacional seja dividido em classes I, II e III conforme o uso pretendido. A mesma resolução prevê ainda que enquanto não for estabelecida a classificação das áreas os padrões aplicáveis serão os primários.

Os parâmetros regulamentados são os seguintes : partículas totais em suspensão, fumaça, partículas inaláveis, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, ozônio e dióxido de nitrogênio. Os padrões nacionais de qualidade do ar são apresentados na tabela a seguir.

Padrões nacionais de qualidade do ar
(Resolução CONAMA nº 03 de 28/06/90)

Poluente

Tempo de
Amostragem

Padrão
Primário
µg/m³

Padrão
Secundário
µg/m³

Método de
Medição

 

partículas totais
em suspensão

24 horas1
MGA2

240
80

150
60

amostrador de
grandes volumes

 

partículas inaláveis

24 horas1
MAA3

150
50

150
50

separação
inercial/filtração

 

fumaça

24 horas1
MAA3

150
60

100
40

refletância

 

dióxido de enxofre

24 horas1
MAA3

365
80

100
40

pararosanilina

 

dióxido de nitrogênio

1 hora1
MAA3

320
100

190
100

quimiluminescência

 

monóxido de carbono

1 hora1

8 horas1

40.000
35 ppm
10.000
9 ppm

40.000
35 ppm
10.000
9 ppm

infravermelho
não dispersivo

 

ozônio

1 hora1

160

160

quimiluminescência

1 - Não deve ser excedido mais que uma vez ao ano. 2 - Média geométrica anual. 3 - Média aritmética anual.

A mesma resolução estabelece ainda os critérios para episódios agudos de poluição do ar. A declaração dos estados de Atenção, Alerta e Emergência requer, além dos níveis de concentração atingidos, a previsão de condições meteorológicas desfavoráveis à dispersão dos poluentes.

A Legislação Estadual (DE 8468 de 08/09/76) também estabelece padrões de qualidade do ar e critérios para episódios agudos de poluição do ar, mas abrange um número menor de parâmetros. Os parâmetros fumaça, partículas inaláveis e dióxido de nitrogênio não têm padrões e critérios estabelecidos na Legislação Estadual. Os parâmetros comuns às legislações federal e estadual têm os mesmos padrões e critérios, com exceção dos critérios de episódio para ozônio. Neste caso a Legislação Estadual é mais rigorosa para o nível de atenção (200µg/m3).

Além dos poluentes para os quais foram estabelecidos Padrões de Qualidade do Ar, a CETESB monitora outros parâmetros, como por exemplo, os Compostos de Enxofre Reduzido Total (ERT).

Critérios para episódios agudos de poluição do ar
(Resolução CONAMA nº 03 de 28/06/90)

Parâmetros

Atenção

Alerta

Emergência

 

partículas totais em suspensão
(µg/m3) - 24h

375

625

875

 

partículas inaláveis
(µg/m3) - 24h

250

420

500

 

fumaça
(µg/m3) - 24h

250

420

500

 

dióxido de enxofre
(µg/m3) - 24h

800

1.600

2.100

 

SO2 X PTS
(µg/m3)(µg/m3) - 24h

65.000

261.000

393.000

 

dióxido de nitrogênio
(µg/m3) - 1h

1.130

2.260

3.000

 

monóxido de carbono
(ppm) - 8h

15

30

40

 

ozônio
(µg/m3) - 1h

400*

800

1.000

* O nível de atenção é declarado pela CETESB com base na Legislação Estadual que é mais restritiva (200 µg/m3).


Índice de qualidade do ar e saúde

O índice de qualidade do ar é uma ferramenta matemática desenvolvida para simplificar o processo de divulgação da qualidade do ar. Esse índice é utilizado desde 1981, e foi criado usando como base uma longa experiência desenvolvida no Canadá e EUA.

Os parâmetros contemplados pela estrutura do índice da CETESB, são:
- dióxido de enxofre (SO2)
- partículas totais em suspensão (PTS)
- partículas inaláveis (MP10)
- fumaça (FMC)
- monóxido de carbono (CO)
- ozônio (O3)
- dióxido de nitrogênio (NO2)

Para cada poluente medido é calculado um índice. Através do índice obtido ar recebe uma qualificação, que é uma espécie de nota, feita conforme apresentado na tabela abaixo:

Qualidade

Índice

MP10
(µg/m3)

O3
(µg/m3)

CO
(ppm)

NO2
(µg/m3)

SO2
(µg/m3)

 

Boa

0 - 50

0 - 50

0 - 80

0 - 4,5

0 - 100

0 - 80

 

Regular

51 - 100

50 - 150

80 - 160

4,5 - 9

100 - 320

80 - 365

 

Inadequada

101 - 199

150 - 250

160 - 200

9 - 15

320 - 1130

365 - 800

 

200 - 299

250 - 420

200 - 800

15 - 30

1130 - 2260

800 - 1600

 

Péssima

>299

>420

>800

>30

>2260

>1600

Para efeito de divulgação utiliza-se o índice mais elevado, isto é, a qualidade do ar de uma estação é determinada pelo pior caso. Esta qualificação do ar está associada com efeitos sobre à saúde, independentemente do poluente em questão, conforme tabela abaixo:

Qualidade

Índice

Significado

 

Boa

0 - 50

Praticamente não há riscos à saúde.

 

Regular

51 - 100

Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço. A população, em geral, não é afetada.

 

Inadequada

101 - 199

Toda a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta. Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresentar efeitos mais sérios na saúde.

 

200 - 299

Toda a população pode apresentar agravamento dos sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e ainda apresentar falta de ar e respiração ofegante. Efeitos ainda mais graves à saúde de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas).

 

Péssima

>299

Toda a população pode apresentar sérios riscos de manifestações de doenças respiratórias e cardiovasculares. Aumento de mortes prematuras em pessoas de grupos sensíveis.

Individualmente, cada poluente apresenta diferentes efeitos sobre a saúde da população para faixas de concentração distintas, identificados por estudos epidemiológicos desenvolvidos dentro e fora do país. Tais efeitos sobre a saúde requerem medidas de prevenção a serem adotadas pela população afetada.

Problemas decorrentes da baixa umidade do ar e da alta concentração de poluentes

No inverno, freqüentemente ocorrem dias com baixa umidade do ar e alta concentração de poluentes. Nessas condições, é comum ocorrerem complicações respiratórias devido ao ressecamento das mucosas, provocando sangramento pelo nariz, ressecamento da pele e irritação dos olhos.

Quando a umidade relativa do ar estiver entre 20 e 30%, é melhor evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11 e 15 horas; umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas molhadas, recipientes com água, umidificação de jardins etc; sempre que possível permanecer em locais protegidos do sol ou em áreas arborizadas.

Se a umidade estiver entre 20 e 12%, é recomendável suspender exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10 e 16 horas; evitar aglomerações em ambientes fechados; e seguir as orientações anteriores.

Mas, se a umidade for menor do que 12% é preciso interromper qualquer atividade ao ar livre entre 10 e 16 horas; determinar a suspensão de atividades que exijam aglomerações de pessoas em recintos fechados; manter umidificados os ambientes internos, principalmente quartos de crianças, hospitais etc.

Além dessas medidas é recomendável usar colírio de soro fisiológico ou água boricada para os olhos e narinas e beber muita água.

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4

nov
2012

Biodiversidade brasileira

Biodiversidade Brasileira

O Brasil é um país de proporções continentais: seus 8,5 milhões km² ocupam quase a metade da América do Sul e abarcam várias zonas climáticas - como o trópico úmido no Norte, o semi-árido no Nordeste e áreas temperadas no Sul. Evidentemente, estas diferenças climáticas levam a grandes variações ecológicas, formando zonas biogeográficas distintas ou biomas: a Floresta Amazônica, maior floresta tropical úmida do mundo; o Pantanal, maior planície inundável; o Cerrado de savanas e bosques; a Caatinga de florestas semi-áridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical pluvial da Mata Atlântica. Além disso, o Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões km², que inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.

A variedade de biomas reflete a enorme riqueza da flora e da fauna brasileiras: o Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Esta abundante variedade de vida - que se traduz em mais de 20% do número total de espécies da Terra - eleva o Brasil ao posto de principal nação entre os 17 países megadiversos (ou de maior biodiversidade).

Além disso, muitas das espécies brasileiras são endêmicas, e diversas espécies de plantas de importância econômica mundial - como o abacaxi, o amendoim, a castanha do Brasil (ou do Pará), a mandioca, o caju e a carnaúba - são originárias do Brasil.

Mas não é só: o país abriga também uma rica sociobiodiversidade, representada por mais de 200 povos indígenas e por diversas comunidades - como quilombolas, caiçaras e seringueiros, para citar alguns - que reúnem um inestimável acervo de conhecimentos tradicionais sobre a conservação da biodiversidade.

Porém, apesar de toda esta riqueza em forma de conhecimentos e de espécies nativas, a maior parte das atividades econômicas nacionais se baseia em espécies exóticas: na agricultura, com cana-de-açúcar da Nova Guiné, café da Etiópia, arroz das Filipinas, soja e laranja da China, cacau do México e trigo asiático; na silvicultura, com eucaliptos da Austrália e pinheiros da América Central; na pecuária, com bovinos da Índia, equinos da Ásia e capins africanos; na piscicultura, com carpas da China e tilápias da África Oriental; e na apicultura, com variedades de abelha provenientes da Europa e da África.

Este paradoxo traz à tona uma ideia premente: é fundamental que o Brasil intensifique as pesquisas em busca de um melhor aproveitamento da biodiversidade brasileira - ao mesmo tempo mantendo garantido o acesso aos recursos genéticos exóticos, também essenciais ao melhoramento da agricultura, da pecuária, da silvicultura e da piscicultura nacionais.

Como se sabe, a biodiversidade ocupa lugar importantíssimo na economia nacional: o setor de agroindústria, sozinho, responde por cerca de 40% do PIB brasileiro (calculado em US$ 866 bilhões em 1997); o setor florestal, por sua vez, responde por 4%; e o setor pesqueiro, por 1%. Na agricultura, o Brasil possui exemplos de repercussão internacional sobre o desenvolvimento de biotecnologias que geram riquezas por meio do adequado emprego de componentes da biodiversidade.

Produtos da biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras, com destaque para o café, a soja e a laranja. As atividades de extrativismo florestal e pesqueiro empregam mais de três milhões de pessoas. A biomassa vegetal, incluindo o etanol da cana-de-açúcar, e a lenha e o carvão derivados de florestas nativas e plantadas respondem por 30% da matriz energética nacional - e em determinadas regiões, como o Nordeste, atendem a mais da metade da demanda energética industrial e residencial. Além disso, grande parte da população brasileira faz uso de plantas medicinais para tratar seus problemas de saúde.

Por tudo isso, o valor da biodiversidade é incalculável.

Sua redução compromete a sustentabilidade do meio ambiente, a disponibilidade de recursos naturais e, assim, a própria vida na Terra. Sua conservação e uso sustentável, ao contrário, resultam em incalculáveis benefícios à Humanidade.

Neste contexto, como abrigo da mais exuberante biodiversidade do planeta, o Brasil reúne privilégios e enorme responsabilidade.


Mas o que é a Biodiversidade?

A biodiversidade é a exuberância da vida na Terra - num ciclo aparentemente interminável de vida, morte e transformação.

A biodiversidade é você; a biodiversidade é o mundo; você é o mundo. Seu corpo contém mais de 100 trilhões de células e está conectado ao planeta por um sistema complexo, infinito e quase insondável: você compartilha átomos com tudo o que existe no mundo ao seu redor.

Estima-se que até 100 milhões de diferentes espécies vivas dividam este mundo com você (ainda que menos de 2 milhões sejam conhecidas): a biodiversidade abrange toda a variedade de espécies de flora, fauna e micro-organismos; as funções ecológicas desempenhadas por estes organismos nos ecossistemas; e as comunidades, habitats e ecossistemas formados por eles. É responsável pela estabilidade dos ecossistemas, pelos processos naturais e produtos fornecidos por eles e pelas espécies que modificam a biosfera. Assim, espécies, processos, sistemas e ecossistemas criam coletivamente as bases da vida na Terra: alimentos, água e oxigênio, além de medicamentos, combustíveis e um clima estável, entre tantos outros benefícios.

O termo biodiversidade diz respeito também ao número de diferentes categorias biológicas (riqueza) da Terra e à abundância relativa destas categorias (equitabilidade), incluindo variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre habitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade).

Por tudo isso, o valor da biodiversidade é incalculável. Apenas quanto ao seu valor econômico, por exemplo, os serviços ambientais que ela proporciona - enquanto base da indústria de biotecnologia e de atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais - são estimados em 33 trilhões de dólares anuais, representando quase o dobro do PIB mundial.

Mas esta exuberante diversidade biológica global vem sendo dramaticamente afetada pelas atividades humanas ao longo do tempo - e hoje a perda de biodiversidade é um dos problemas mais contundentes a acometerem a Terra. A crescente taxa de extinção de espécies - que estima-se estar entre mil e 10 mil vezes maior que a natural - demonstra que o mundo natural não pode mais suportar tamanha pressão.

Diante deste quadro, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade - convidando o mundo a celebrar a vida na Terra, a refletir sobre o valor da biodiversidade e a agir para protegê-la. E a hora de agir é agora.

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6

out
2012

Olimpíadas de Ciências

GABARITO

 

1- E

11- E

21- A

2- A

12- D

22- C

3- C

13- E

23- B

4- C

14- D

24- C

5- B

15- A

25- D

6- D

16- E

26- D

7- D

17- E

27- E

8- E

18- D

28- E

9- A

19- E

29- C

10- E

20- B

30- E

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30

set
2012

Olimpíada de Ciências

Para uma sociedade mais justa

A Carta da Terra é uma declaração internacional de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global mais justa. Ela começou a ser formulada durante a ECO-92, como uma iniciativa da ONU, mas se desenvolveu e foi finalizada em 2000 como uma iniciativa global da sociedade civil. Constitui um marco para guiar a transição para um futuro sustentável.

Veja a seguir alguns trechos:

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança.

Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum.

Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz.

 

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida.

A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, água pura e ar limpo.

 

A SITUACAO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades são arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento.

O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

 

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida.

Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente.

O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.

 

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos.

O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente.

Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, por meio dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

 

Os seres humanos causaram alterações sem precedentes nos ecossistemas nas últimas décadas para atender a crescente demanda por alimentos, água, fibras, energia, etc. Essas alterações ajudaram a melhorar a vida de bilhões de pessoas, mas ao mesmo tempo enfraqueceram a capacidade da natureza de repor o que foi modificado. Foi o que demonstrou a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, feita pela ONU. O estudo avaliou serviços básicos, como qualidade de água e extinção de espécies, como, por exemplo, de peixes, que estão sendo superexplorados.

 

Pesquisa realizada pelo ISER (Instituto de Estudos da Religião) mostra que o brasileiro vê as mudanças climáticas como uma das questões atuais mais importantes e estratégicas da atualidade, havendo demonstrações de interesse em "fazer a sua parte" para contribuir de alguma forma. Sociedade civil, cientistas, empresários, ONGs, mídia e governo consideram "alta" a relevância do tema. Outra pesquisa da empresa de consultoria Market Analysis mostra que os brasileiros, embora alarmados pelas mudanças climáticas no mundo, sentem dificuldade de abrir mão do padrão de consumo.

 

O tempo faz a sua parte

Grande parte das mudanças exigidas para enfrentar o aquecimento global cabe à esfera governamental e empresarial. Mas cabe também aos cidadãos cobrar políticas públicas e práticas gerenciais compatíveis com uma visão diferente do mundo na qual vigorem hábitos saudáveis e serviços adequados para uma vida sustentável.

A mudança deve ocorrer até mesmo do ponto de vista pessoal. Reduzir a quantidade de lixo que produzimos por dia é um bom começo, assim como escolher produtos com menos embalagens e preparar a quantidade necessária de comida, evitando desperdícios. Pequenos ajustes na casa, com baixo custo, também reduzem o consumo de água e de energia. Questões prosaicas como apagar as lâmpadas em ambientes vazios, fechar a torneira ao escovar os dentes, optar por transporte público, plantar árvores, são importantes.

Esse movimento é peça fundamental nas ações exigidas para mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. A explicação é simples: mesmo que a humanidade chegasse a um ponto ideal de produção e de eficiência, e conseguisse obter energia de fontes limpas, no curto prazo e na tecnologia atual, os recursos existentes no planeta não seriam capazes de suprir as necessidades de consumo nos padrões vigentes para a maioria de seus habitantes. O desafio, portanto, é ainda mais amplo. Significa cultivar hábitos que levem em conta o impacto provocado na natureza pela compra, uso e descarte dos bens e serviços e repensar quais são de fato necessários para uma vida confortável.

 

Propostas para um mundo menos quente

Chegamos ao fim dessa avaliação sobre o mundo pós-crise climática. As previsões, como você viu, podem ser assustadoras. Mas também podem significar uma mudança de perspectiva e trazer os ingredientes de uma sociedade melhor e mais justa. A decisão de caminhar nesse sentido envolve custos econômicos, políticos e uma visão de mundo que torne realidade os objetivos do desenvolvimento sustentável e os cuidados com o planeta. O relatório final do IPCC, aprovado por cerca de 2 mil cientistas representando 120 países, vai nessa direção. Ele conclui que o mundo tem tecnologia e dinheiro para limitar o aquecimento global, mas deve agir a tempo de evitar as suas consequências.

Segundo os especialistas, os próximos 20 a 30 anos serão decisivos nesse sentido. Entre 2015 e 2050, as emissões de CO2 precisam ser reduzidas entre 50% e 85% em relação aos níveis registrados em 2000 para que seus efeitos não sejam trágicos. O custo será elevado, disseram, porém não impossível desde que haja intenção de mudar.

Declarações de princípios, como a Carta da Terra, que você viu nas páginas anteriores, podem contribuir para isso. O relatório sugere que cada um de nós pode se tornar parte da solução - em nossas decisões sobre os produtos que compramos, a eletricidade que utilizamos, o nosso estilo de vida. Dessa forma, enfatiza que é possível fazer opções que reduzam a quase zero as emissões individuais de carbono e mudem os atuais padrões de consumo. Como dizem, as escolhas dependem de nós.

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30

set
2012

Olimpíada de Ciências

Mundo sustentável

Que tipo de sociedade almejamos e como ela pode influenciar o equilíbrio ambiental do planeta? Essa pergunta começou a frequentar os debates políticos desde a década de 70, quando se tornou evidente a dificuldade de conciliar a produção e o ritmo de exploração dos recursos do planeta ao crescimento da população e ao aumento de consumo nos países mais ricos.

Naquela época em que os efeitos do aumento da temperatura da Terra provocado pela ação do homem ainda eram vagos, já se pensava em grandes estratégias e investimentos

para transformar o modo de vida do planeta. Nascia então o conceito de "desenvolvimento sustentável", elaborado no relatório Nosso Futuro Comum, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, em 1987.

Como já foi visto, esse conceito foi muito lembrado na ECO-92. Ele defende que o atendimento das necessidades no presente não pode comprometer as condições de vida das gerações futuras. E que, para ser sustentável, a atividade econômica deve ser capaz de explorar os recursos do planeta apenas no ritmo que a natureza consiga renová-los.

Por essa razão, questiona-se o modelo de desenvolvimento assentado em economias movidas majoritariamente por energias não-renováveis, e sobre o consumo além do necessário para uma vida confortável.

Além de ser economicamente viável, o mundo que se pretende deixar para as próximas gerações deve ser ambientalmente sustentável e socialmente justo. Isso significa o fim da diferença entre os que têm demais e os que têm de menos.

 

A preocupação com o meio ambiente não é tão recente como se imagina. Em 1972, foi realizada a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente Humano, promovida pela ONU em Estocolmo. Foi um marco importante para as discussões posteriores sobre desenvolvimento e meio ambiente que deu origem ao relatório Nosso Futuro Comum. A participação brasileira na conferência foi pequena, porque os problemas ambientais ainda não eram muito tratados pela sociedade e o governo militar buscava o progresso a qualquer custo. Foi o ano da inauguração da Rodovia Transamazônica, que procurava integrar o norte brasileiro ao resto do País e deu origem a extensos desmatamentos e a um modelo de ocupação que reflete até hoje graves danos ambientais.

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30

set
2012

Olimpíada de Ciências

As promessas para o futuro

Especialistas insistem que não há uma única fonte de energia capaz de substituir o petróleo e que diversas alternativas devem ser avaliadas. Entre as energias renováveis destaca-se a cana-de-açúcar. Em 2008, produtos derivados dessa matéria-prima representaram 16,4% da oferta de energia do Brasil. A cana torna-se assim a segunda fonte de energia do País e a primeira renovável.

A energia da cana-de-açúcar é composta por um terço de caldo, um terço de bagaço (resíduo fibroso do processamento da planta) e um terço de palha (folhas e pontas). Atualmente, os açúcares presentes no caldo são utilizados para produzir açúcar e etanol (o álcool combustível encontrado em todos os postos do País). Hoje, o volume consumido de etanol já supera o de gasolina pura e ainda há excedentes exportáveis da ordem de 15% da produção.

O etanol brasileiro traz grandes benefícios para o clima já que reduz as emissões de gases do efeito estufa em mais de 90% comparado com a gasolina. Outra opção utilizada no setor de transporte é o biodiesel, que engloba tanto o uso da soja quanto de plantas das quais se extrai o óleo vegetal, como a mamona e o pinhão manso. Além disso, a maior parte do bagaço da cana é queimada para gerar vapor e bioeletricidade. Cerca de 3% da capacidade instalada para geração de energia elétrica no Brasil vem do bagaço. A expansão da colheita mecanizada, que elimina a queima do canavial, traz ganhos expressivos de eficiência e possibilita o aproveitamento da palha para gerar bioeletricidade.

Espera-se que, em 2015, a participação dessa energia alcance 15% da capacidade instalada nacional, valor superior ao da hidrelétrica de Itaipu. Além da biomassa de cana, pode-se utilizar materiais orgânicos contidos no lixo doméstico ou resíduos industriais (biogás) para gerar eletricidade. Florestas plantadas também são uma opção de energia renovável, sendo usadas na produção de carvão vegetal.

Fora as tecnologias existentes, pesquisadores desenvolvem soluções para o futuro. Avanços, ainda experimentais, possibilitam a produção do etanol de segunda geração que transforma a celulose da palha e do bagaço de cana em combustível. Adicionalmente, as pesquisas trabalham na produção de hidrocarbonetos (diesel e gasolina) a partir da cana-de-açúcar, chamado de biocombustível de terceira geração.

 

Há várias sugestões surpreendentes para diminuir as emissões de CO2. Uma delas prevê a captura do gás carbônico que seria despejado pelas chaminés de usinas termelétricas, siderúrgicas e refinarias para debaixo da terra.

A ideia é armazená-lo em camadas de carvão, poços de petróleo ou mesmo aquíferos salinos (formações geológicas que guardam água salgada). A tecnologia (chamada CCS, ou Captura e Armazenamento de Carbono, na sigla em inglês) já existe, sendo utilizada pelas empresas petrolíferas em poços antigos para retirar o petróleo residual.

Mas, pelas dificuldades técnicas e alto custo, especialistas acreditam que seu uso será restrito.

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30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

A energia nuclear volta a ser considerada uma alternativa importante na matriz energética, apesar de ainda existir o temor relativo à segurança, ao que fazer com os resíduos radiativos (lixo nuclear) e ao uso indevido do material. O argumento a favor dessas usinas é que elas não emitem gases do efeito estufa porque não utilizam combustíveis fósseis e geram muito mais energia do que fontes alternativas mais seguras. O Brasil está retomando o programa nuclear com a construção de uma terceira usina, além das duas já existentes, na região de Angra dos Reis (RJ).

 

O desafio das fontes de energias renováveis

 

No mundo em geral, as principais fontes de emissão de gases do efeito estufa são a geração de energia, incluindo transporte. Daí o investimento, principalmente por parte dos países industrializados, na geração de energia renovável, na melhoria da eficiência energética e na redução do consumo de eletricidade. O Brasil tem a matriz energética mais limpa do mundo - cerca de 46% da energia utilizada pelos brasileiros vem de fontes renováveis como biomassa (cana-de-açúcar, carvão vegetal etc.) e hidrelétricas, sendo a média mundial de 12,7%.

Essa é uma vantagem, mas não podemos contar apenas com ela para o futuro. Tanto que, como já foi visto, à medida que o País cresce e a população aumenta, o consumo de

combustíveis fósseis também aumenta. Já há muitos críticos que apontam o uso crescente de termelétricas a carvão e óleo combustível pelo País como um erro. Há também aqueles que desaprovam a construção de novas hidrelétricas.

Apesar de constituírem uma fonte de energia limpa e renovável, elas causam problemas ao inundar grandes áreas. Mas o Brasil tem também mudanças favoráveis, entre elas: em 2008, pela primeira vez, a cana-de-açúcar ocupou a segunda posição como fonte de produção de combustíveis e eletricidade em nossa matriz, depois do petróleo e derivados. A geração de energia eólica e solar no Brasil continua a ser muito pequena - menos de 0,1% no caso dos sistemas fotovoltaicos (solar) e 0,5% em 16 usinas eólicas no litoral nordestino e no Rio Grande do Sul. Mas, se houver incentivo, o clima e a presença de ventos em todo o litoral poderiam levar ao crescimento dessas fontes alternativas.

O País ainda dispõe da energia gerada em pequenas hidrelétricas e termelétricas de biomassa agrícola (de bagaço de cana à palha de arroz e resíduos de madeira) e de usinas a partir do lixo urbano. Mas o maior potencial de crescimento são os biocombustíveis. Para os cientistas do IPCC essas fontes "podem desempenhar um papel importante no tratamento das emissões de gases do efeito estufa no setor de transporte, dependendo de sua via de produção". Não foram avaliadas as matérias-primas mais adequadas, mas as atenções mundiais voltaram-se para o Brasil, o país com maior potencial para produzir combustíveis a partir da biomassa.

 

O Brasil é pioneiro no uso do etanol como combustível para veículos. A indústria ganhou impulso nos anos 70 com o início do Proálcool, programa federal de estímulo a sua produção e uso.

O programa enfrentou inúmeras dificuldades ao longo dos anos, especialmente no fim da década de 1980, quando caíram os preços do petróleo. O uso do etanol como combustível floresceu novamente quando o preço tornou-se mais competitivo em relação à gasolina.

Contribuíram também a crescente preocupação ambiental e a introdução dos veículos flex fuel, em 2003, movidos a etanol, gasolina ou qualquer mistura dos dois.

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30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Um plano para enfrentar as mudanças

O Brasil se comprometeu a adotar uma política nacional e medidas correspondentes para enfrentar os novos tempos quando assinou a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima em 1992. Demorou, mas uma proposta de projeto de lei que institui essa política foi encaminhada ao Congresso em 2008 e está em processo de discussão.

Seu foco é a criação de estratégias públicas e privadas que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e o incentivo ao desenvolvimento de energias renováveis. Não menos importante é a adoção de medidas para se adaptar às consequências inevitáveis do aquecimento global.

Tragédias como as secas na Amazônia em 2005 e no sul do Brasil em 2004-2006, e o furacão Catarina em 2004, mostraram que o investimento em adaptação - ajustes nas condições de agricultura, de assistência à saúde, de moradia e de infraestrutura - é tão necessário e emergencial quanto as iniciativas para a redução de gases do efeito estufa e que ações de adaptação e mitigação precisam ser implementadas conjuntamente.

Os custos dessas medidas, considerando as características da economia brasileira, não seriam tão altos como em outros países. É o que concluiu um estudo realizado pela empresa de consultoria McKinsey do Brasil. Ele indica que, no horizonte até 2030, somos um dos cinco países com maior potencial para reduzir emissões de carbono. Para isso, calcula que seria necessário gastar algo como 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto nos países que precisariam substituir quase toda a sua infraestrutura energética, isso custaria 1% do PIB.

As emissões atuais brasileiras chegam a 2,1 bilhões de toneladas de CO2 por ano e devem chegar a 2,8 bilhões de toneladas em 2030. Mas o estudo diz que seria possível reduzir esse valor para 1,9 bilhão de toneladas de CO2 por ano para 2030.

Pela ordem de potencial de diminuição, em primeiro lugar vem, evidentemente, a preservação da Floresta Amazônica, depois a melhoria no uso do solo e da pecuária, eficiência e tecnologia de transportes e tratamento de lixo. O relatório enfatiza que todas as medidas propostas poderiam ser realizadas sem comprometer o desenvolvimento econômico do País. Ao contrário, representariam um diferencial positivo para a economia.

 

O que pode ser feito em cada setor

O relatório da empresa de consultoria explica que, em 2030, os setores de uso da terra (agropecuária e florestas nativas e plantadas) serão responsáveis por quase 70% das emissões de CO2 no Brasil. Os números impressionam: só o desflorestamento representa hoje 55% das emissões brasileiras e será responsável por 43% em 2030, partindo-se da premissa de que o volume desmatado se mantenha na média dos últimos dez anos. É justamente aí, portanto, que se concentram as oportunidades de abatimento da nossa dívida para com o planeta. E onde, do ponto de vista econômico, seria mais fácil agir, pois os atuais níveis de destruição da floresta não trazem nenhum benefício.

Outros setores, como energia, incluindo aí o transporte, que em outros países representam uma carga pesada, no Brasil são responsáveis por apenas 8% das emissões. Essa é a mesma porcentagem do setor industrial como um todo (cimento, siderurgia, produtos químicos, petróleo e gás, além de outras indústrias), que apresentam altas taxas de emissões nos países industrializados.

Em relação ao tratamento de resíduos, o Brasil está em desvantagem, com uma baixa utilização dos sistemas de tratamento de gases oriundos de aterros sanitários e reciclagem de resíduos sólidos. As iniciativas de abatimento no setor representam pouco em relação ao potencial de redução do País, mas são importantes não apenas pela redução dos gases do efeito estufa, mas pelos seus benefícios ambientais.

Parte das emissões brasileiras seria abatida com boas práticas na agropecuária. Significa investir em mecanismos mais eficientes de plantio. No caso do gado, implica na melhoria na gestão dos pastos, possibilitando aumento da criação bovina, e a eficiência da fermentação digestiva, com medicamentos que selecionam as bactérias desejáveis e controlam as indesejáveis para reduzir as emissões de metano.

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30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

As oportunidades brasileiras

O País é um dos poucos que gera a maior parte de sua eletricidade a partir de energias renováveis. Mas precisa impedir que o avanço do desmatamento na Amazônia comprometa o esforço de diminuir emissões

Nos últimos anos, nos debates sobre como reduzir as emissões de carbono, uma sigla tem sido muito repetida: REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação). Resumindo, é um meio de manter as florestas em pé. A idéia é fazer com que um país ou empresa compense suas emissões comprando créditos REDD de quem tem florestas preservadas, como o Brasil.

A emissão de gases do efeito estufa está aumentando no Brasil. De 1990 a 2005, a população cresceu 27% e o consumo de combustíveis fósseis 67%. Ainda assim, a quantidade de emissões por fontes energéticas é relativamente baixa se comparada àquela emitida por outros países industrializados.

Isso ocorre porque o Brasil tem a vantagem de possuir uma participação elevada de energia renovável na matriz energética, obtida a partir de biomassa e de hidrelétricas, tanto para geração de eletricidade como no transporte.

Como signatário do Protocolo de Quioto, o Brasil divulgou seu inventário de emissões em 2004, embora ainda com os dados relativos ao período 1990/1994. Naquele período, as emissões aumentaram de 976 milhões de toneladas para 1,03 bilhão. Cerca de 75% correspondiam ao conjunto de "mudanças no uso do solo e desmatamento". Está aí, portanto, o maior problema do País. Se não fosse o desmatamento, o Brasil estaria bem atrás na lista dos que mais contribuem para o aquecimento global - 18º lugar. Essa constatação coloca o País numa situação curiosa. Se continuar investindo em tecnologia e fontes de energia de menor impacto ambiental e menos emissões de CO2, pode dar um exemplo mundial que se refletirá numa economia mais competitiva internacionalmente. Essa vantagem, no entanto, cai por terra diante das cifras do desmatamento, principalmente da Amazônia. Ainda mais se for considerado que boa parte dessas emissões se deve à tradição, herdada dos tempos coloniais, de expandir a fronteira agrícola pelo seu imenso território sem a preocupação com o uso adequado da terra.

 

O desmatamento da Amazônia

O desmatamento já consumiu 17% da Amazônia - 700 mil km2, área equivalente a Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo somados. Mesmo assim, o Brasil ainda possui a maior extensão contínua de floresta tropical do mundo (5,5 milhões de km2) - a floresta do Congo, segunda colocada, fica bem atrás com 1,7 milhão de km2.

Essa imensa cobertura verde também possui uma das maiores biodiversidades do mundo, boa parte ainda não estudada pelos cientistas. Por isso, além de contribuir para o

aumento do aquecimento global, a perda da floresta afeta a humanidade de outras maneiras.

A diversidade genética de plantas e animais é a base de atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e, mais recentemente, da indústria de biotecnologia. É fonte de proteínas, remédios, cosméticos, roupas e alimentos, bem como essencial para a criação de grãos mais produtivos e resistentes a pragas e outras doenças.

Se, no passado, a importância dessa riqueza era praticamente ignorada, hoje parece haver o reconhecimento por parte do governo e da população de que é necessário encontrar uma forma de extrair os recursos da floresta sem devastá-la. Mesmo assim, as dificuldades são inúmeras. O processo de desflorestamento da Amazônia se acelerou a partir da segunda metade do século 20 com a expansão da fronteira agrícola, a construção de estradas e a instalação de polos de desenvolvimento regionais baseados na noção do progresso a qualquer custo. Hoje, a ocupação predatória e desorganizada se expande ao longo dos rios e estradas e pode ser reconhecida claramente nos mapas de monitoramento por satélite, sobretudo no interior de Rondônia e norte de Mato Grosso, além do leste do Pará e norte do Maranhão que juntos formam o Arco do Desmatamento.

Existem iniciativas que visam a diminuição do desmatamento, como, por exemplo, a criação de áreas protegidas que, de um modo geral, tendem a ser respeitadas. No entanto, os especialistas alertam que é necessário fazer mais: potencializado pelo aquecimento global, o avanço do desmatamento pode influenciar criticamente o regime de chuvas no continente.

Em setembro de 2005, a Amazônia passou pela pior seca em mais de 40 anos. Moradores ribeirinhos não tinham o que comer, pois o mar de água doce que antes os abastecia de peixes ficou seco como um deserto. Pela primeira vez, a população local precisou cavar poços para beber. A falta de chuva se originou no aquecimento anormal das águas do Atlântico naquele ano. O calor maior fez acumular mais vapor d'água na atmosfera e provocou uma mudança na dinâmica dos ventos que sopram do Caribe para a América do Sul e trazem umidade para a floresta.

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30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

É difícil falar em números exatos com relação às emissões de CO2 e outros gases do efeito estufa. Cada país, cada órgão responsável por levantar os dados apresenta números diferentes. Existe porém um consenso de que os maiores emissores, quando se trata de queima de combustíveis fósseis, são Estados Unidos, União Europeia, China, Rússia, Japão e Índia.

Embora reúnam 15% da população do planeta, as nações industrializadas respondem por 45% das emissões, detêm 80% dos rendimentos globais e consomem 70% da energia. Entre 1990 e 2002, os Estados Unidos - em vez de diminuir suas emissões - aumentaram em 15% o lançamento de gases na atmosfera, ultrapassando 5,7 bilhões de toneladas por ano. Para efeito de comparação, todos os países membros da União Europeia emitiram, juntos, cerca de 3,4 bilhões em 2002.

A China, com economia em ascensão, ultrapassou recentemente os norte-americanos em emissões absolutas. Há situações curiosas: após 1990, com a derrocada dos regimes comunistas, houve uma queda brusca na produção industrial desses países que resultou em diminuição nas emissões da Rússia, Hungria e Polônia. Nos últimos anos, com a volta do crescimento econômico, as emissões voltaram a subir. E hoje, a Rússia está na lista dos países que mais emitem.

E o Brasil? Em algumas listas, o país figura em 5º lugar, em outras, chega à 4ª posição no ranking. Mas, diferentemente dos outros países, é reconhecido que o problema brasileiro reside menos na queima de combustíveis fósseis e mais no desmatamento e queimadas que alteram a cobertura vegetal do solo - caso também da Indonésia, outra no ranking dos que mais emitem.

 

Um mercado internacional

Diante da preocupação mundial com o impacto na economia de medidas de redução de emissões de gases do efeito estufa, o Protocolo de Quioto adotou um sistema parecido com o que já existia em funcionamento nos Estados Unidos, chamado "cap-andtrade" (expressão que significa limitar e comercializar). Por esse sistema, as forças do mercado promovem a redução das emissões nos lugares onde elas tenham um custo menor. Chamado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), ele parte do princípio de que a atmosfera é a mesma para todos, portanto, a redução das emissões pode ocorrer em qualquer parte do mundo. Indústrias e termelétricas instaladas na Europa ou no Japão, por exemplo, podem investir em empreendimentos de tecnologia limpa em países que não têm de cumprir metas nacionais e que adotem, em vez disso, metas por projetos. Assim, essas empresas adquirem "créditos" abatidos de sua cota de emissões.

Os projetos devem oferecer benefícios reais para a mitigação - palavra que significa limitação ou diminuição - do aquecimento global. Os mais comuns visam o aproveitamento de energia renovável ou a substituição de combustíveis fósseis por outros que contribuem menos para as emissões de CO2.

Uma outra possibilidade passou a ser debatida nas negociações pós-Quioto. Ela parte da constatação de que quase 10% das emissões de CO2 na atmosfera são provenientes do desflorestamento e da degradação florestal. Assim, manter as florestas, que por si só já são gigantescos "depósitos de carbono", pode ser uma solução rápida e de baixo custo no combate ao aquecimento global, em comparação a outras que requerem mudanças na economia ou investimento em reposição da vegetação.

A proposta então é o estabelecimento de mecanismos de incentivos financeiros, dirigidos aos países que comprovarem a redução do desmatamento em seus territórios. Ela abre a possibilidade de beneficiar as comunidades tradicionais que desenvolvem atividades extrativas de baixo impacto na floresta.

 

O primeiro projeto aprovado pelo Protocolo de Quioto, em 2005, com base no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), está implantado em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Originado de um lixão, o aterro sanitário construído pela Central de Tratamento de Resíduos (CTR) transforma o metano do lixo em biogás e este em energia elétrica. Os créditos de carbono obtidos pela empresa são vendidos à Holanda.

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30

set
2012

Olimpíadas de Ciências

Propostas para salvar o planeta

Cerca de 22 mil pessoas de mais de 9 mil organizações não-governamentais, e 116 chefes de Estado e representantes de governos estiveram presentes na ECO-92 e no paralelo Fórum Global, no Rio de Janeiro.

Foi uma das maiores conferências mundiais já ocorridas e um marco em termos de meio ambiente. As delegações dos 172 países presentes consagraram então o conceito de desenvolvimento sustentável - que "atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as próprias necessidades".

 A preocupação com o meio ambiente percorreu um longo caminho até chegar aos nossos dias. A questão do aquecimento global começou a ser tratada oficialmente na ECO-92, no Rio de Janeiro, e há alguns meses na Rio 20.

Quando se discutem as medidas que devem ser adotadas para reduzir o aquecimento global, começam as dificuldades. As conferências organizadas pela ONU são o principal fórum internacional de discussão sobre os problemas ambientais que afetam o planeta. Nesses encontros busca-se estabelecer o consenso entre as nações, ainda que seus interesses sejam muitas vezes distintos, até se chegar a um acordo (ou não).

Foi assim com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, aberta à assinatura na ECO-92, no Rio de Janeiro, o ponto de partida para discutir a questão.

Os países que ratificaram a convenção - embora nem sempre concordassem sobre ações e metas específicas - decidiram levar o tema em consideração em assuntos como agricultura, energia, recursos naturais etc. E aceitaram desenvolver programas nacionais que visassem a utilização de combustíveis que emitissem menos CO2. A Convenção, assinada e ratificada por essencialmente todos os países, consagrou o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada. Quer dizer, estabeleceu que todos os países são responsáveis pela adoção de medidas para limitar as mudanças do clima e promover adaptações, embora essa responsabilidade varie. A Convenção também incentivou a realização de pesquisas científicas sobre o tema e determinou que cada país desenvolvesse um "inventário" de gases do efeito estufa resultantes de todas as suas atividades. Foi o início do processo de regulamentação que demorou anos e levou, em 1997, à assinatura, em Quioto, no Japão, do primeiro compromisso global com prazos e metas de redução de emissões.

 

O primeiro acordo entre países

O conceito de "responsabilidade comum, mas diferenciada", como foi estabelecido na Convenção, foi levado ao Protocolo de Quioto. Ele não especifica o critério de diferenciação, mas, na época, o governo do Brasil propôs que fosse proporcional à contribuição de cada país para a mudança do clima. Assim, em Quioto, ficou estabelecido que, entre 2008 e 2012, os países já industrializados (que fazem parte de uma lista denominada Anexo 1) deveriam reduzir suas emissões nacionais em 5,2% em relação aos níveis de 1990, com metas expressas em termos da soma ponderada de todas as suas emissões. Os países ainda em desenvolvimento, que não fazem parte da lista, como Brasil, Índia e China, comprometeram-se em estabelecer programas nacionais de redução, mas desobrigaram-se de metas quantitativas.

O modelo do Protocolo de Quioto gerou diferentes reações. Os países europeus que vinham apostando em usinas nucleares e uma matriz energética mais limpa desde a crise de petróleo da década de 1970, tomaram a dianteira. Já os Estados Unidos, cuja economia é ancorada no petróleo e um setor energético movido a carvão, não aceitou um compromisso. Sendo a maior economia mundial e o maior emissor de gases do efeito estufa, a sua recusa contribuiu para esvaziar os esforços dos outros países. No entanto, com o passar dos anos, e à medida que mais informações comprovavam as mudanças climáticas e a pressão internacional se acentuava, a posição dos Estados Unidos sofreu modificações. Contribuiu para isso a divulgação do filme Uma Verdade Inconveniente, do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, vencedor do Oscar de documentário em 2006, baseado no livro do mesmo nome. No filme, Gore afirma que o aquecimento global é "um problema ético, moral, de sobrevivência da humanidade".

Enquanto isso, aos poucos a indústria de energias renováveis começou a emergir como um componente importante do novo cenário econômico. Governos e empresas passaram a trabalhar para reduzir o uso e fomentar alternativas ao petróleo e ao carvão. Ao mesmo tempo, começou a ficar claro que as emissões de gases do efeito estufa de alguns países em desenvolvimento alcançavam níveis preocupantes. China e Índia, que apresentaram altas taxas de crescimento na última década, têm o carvão como base de sua matriz energética. No caso do Brasil e outros países dotados de floresta tropical, a taxa de emissões é proveniente de desmatamentos. Se essas nações não representavam um problema no passado, hoje já não se pode dizer o mesmo.

Talvez o tratado internacional mais bem sucedido em relação ao clima tenha sido o Protocolo de Montreal, assinado em 1989, que restringe o uso dos CFCs (clorofluorcarbonos). Pelo tratado, os 191 países signatários eliminariam mais de 95% das substâncias utilizadas pela indústria que demonstraram estar reagindo com o ozônio (O3) na parte superior da atmosfera. Na época, havia dúvidas quanto a possibilidade de alcançar esse objetivo.

Seria possível convencer a todos - governos, indústria e comunidade - da seriedade do problema? Não só isso ocorreu como serve de exemplo para os tratados internacionais que visam a diminuir os gases do efeito estufa.

Os Estados Unidos preferiram não assinar o Protocolo de Quioto, optando por combater o aquecimento global com ações voluntárias por parte das indústrias e com novas soluções tecnológicas. Essa também foi a posição da Austrália, a outra única nação desenvolvida a ficar de fora do pacto.

Em 2007, porém, após uma troca de governo, os australianos reviram sua posição. O Protocolo de Quioto expira em 2012. No final de 2007, em Bali, na Indonésia, os países participantes concordaram em iniciar negociações para um acordo substituto, que deverá entrar em vigor em 2013. O novo tratado deve ser negociado no final de 2009 em Copenhague. Na ocasião, espera-se a manifestação do novo governo norte-americano.

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