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*Ciências da Natureza*

22

set
2013

Computador x Sistema Nervoso

Parece?

Computador... uma máquina ou aparelho tão útil para a vida humana hoje em dia, porém muito mal utilizado pela maioria.

Em que podemos relacionar nosso sistema nervoso com essa maravilhosa invenção?

Não sei o que vocês pensam, mas eu relaciono várias coisas, exemplo, enquanto estou tomando um delicioso cappuccino, imagino, quantas funções estou fazendo ao mesmo tempo e nem percebi, movendo músculos, entre  várias coisas, tirando as sinapses que a todo milésimo estão funcionando! Mas, o que  são sinapses? Só pra dar uma leve explicada, sinapse é um micro espaçamento, no qual o neurônio transmite um impulso nervoso para outro neurônio.

No meu caso, com o cappuccino, utilizo pelo menos 3 neurônios, o primeiro leva a mensagem até a minha medula, o segundo leva a mensagem até o cérebro e o terceiro está no cérebro, onde a mensagem é interpretada. Isso foi na velocidade da luz, aproximadamente 299.792 .458 m/s2, ou seja, isso é muito, mas muito rápido.

 Além de acontecer conosco, o computador  também faz esse processo, mas sem a medula, quando vamos escrever uma mensagem para um amigo ou amiga, por exemplo, ''Olá John! Nosso churrasco está confirmado, né?'', e apertamos ''Enviar'', uma informação atravessa os fios, até chegar na unidade central de processamento (CPU), que seria nosso sistema nervoso central, e esta mandará a resposta de executar a ação, e isso também é muito rápido, na velocidade da luz.

Muitos acreditam que o computador é mais inteligente que os seres humanos, mas eu não acho, pois os seus inventores e/ou programadores, tiram suas ideias do nosso sistema! Sim, o computador, está melhorando a cada dia, porque são cópias de nós mesmos.

Agora, o que podemos fazer para melhorar nosso sistema também, como os computadores? O que devemos fazer é ...exercitar nosso cérebro, e aumentar sua capacidade através de novas sinapses.

Autora: Gabrielle de Souza (8o. EF / 2013)

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14

jun
2013

Por que evitar o sabonete antibacteriano

Os sabonetes antibacterianos nos atraem como uma maneira fácil de eliminar as bactérias que podem provocar doenças. Mas o triclosan, um ingrediente comum em muitos produtos antibacterianos, está na berlinda por possíveis danos à saúde e ao meio ambiente.

A FDA, agência que regula alimentos e drogas nos Estados Unidos, pretende proibir a substância com base em uma pesquisa, o que gera dúvidas sobre a verdadeira eficácia dos sabonetes antibacterianos e o que perderíamos se eles fossem retirados do mercado.

Afinal, esses produtos realmente previnem doenças ou só pioram as coisas?

Lavar as mãos continua sendo uma prática importante para manter a saúde, garantem os especialistas, sobretudo durante os meses do inverno. Neste caso, o sabonete comum e os géis antissépticos à base de álcool funcionam tão bem quanto os produtos com triclosan, sem causar nenhum dano.

"É evidente que o triclosan atinge algumas bactérias, não todas, mas não é eficaz contra vírus. No entanto, são os vírus que causam a maioria das doenças em uma comunidade", afirmou Allison Aiello, epidemiologista da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Michigan em Ann Arbor.

"Parece estranho apoiar ou promover um produto que tem como alvo bactérias específicas, mas não agem contra os vírus que causam a maioria das doenças em uma residência. Para mim, isso não faz muito sentido", questiona Aiello.

O triclosan foi classificado como pesticida pela primeira vez em 1969, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Desde então, o produto químico passou a integrar cremes dentais, sabonetes para as mãos, sabonetes líquidos, tábuas para cortar alimentos, brinquedos, tapetes, colchões, roupas, móveis e uma grande variedade de produtos, com o objetivo de combater bactérias, fungos e mofo.

Inicialmente, o triclosan atuaria como um assassino universal de bactérias, mas em 1998, Stuart Levy e seus colegas da Universidade de Tufts, nos arredores de Boston, descobriram que a substância eliminava bactérias específicas, que poderiam se tornar resistentes ao triclosan através de uma mutação nos genes necessários para a construção de paredes celulares.

Segundo Levy, um novo tipo de antibióticos foi estruturado à semelhança do triclosan, aumentando os temores de que a substância contribuiria para o desenvolvimento de bactérias resistentes a antibióticos, ao favorecer a sobrevivência e reprodução de micróbios imunes ao seu raio de ação.

Outra pesquisa mostrou que o triclosan atua como um interferente hormonal nos animais. Quando o triclosan é despejado em lagos e rios, decompõe-se em dioxinas que podem causar todo tipo de problemas de saúde, incluindo defeitos congênitos e câncer.

Além disso, um estudo de 2006, realizado na Suécia, encontrou concentrações mais altas de triclosan no leite materno de mulheres que usaram sabonete, desodorante e pasta de dentes que continham a substância química.

Em um um artigo publicado em 2007 na revista Clinical Infectious Disease, Aiello e seus colegas analisaram 27 estudos que comparavam produtos contendo triclosan ao sabonete comum, e descobriram que as pessoas não eram menos vulneráveis a diarreias, tosses, febres e infecções de pele se usassem sabonetes com a substância química.

Alguns estudos analisaram especificamente a carga bacteriana nas mãos antes e após a lavagem, e da mesma forma, a maioria não identificou nenhuma diferença entre a capacidade antibactericida de ambos os sabonetes. Talvez existam algumas bactérias que são eliminadas com mais eficácia pelo triclosan, explica Aiello, mas não muitas, e não são as que causam as doenças mais comuns.

Em vez de matar as bactérias, o sabonete comum simplesmente as remove das reentrâncias das mãos, o que permite que sejam levadas pelo ralo, afirma Levy, diretor do Centro de Adaptação Genética e Resistência às Drogas da Universidade de Tufts. Após a lavagem com água e sabão (muito mais eficaz que usar apenas água), ele defende a secagem com toalhas de papel, já que as bactérias podem sobreviver em toalhas úmidas.

Outra boa opção é usar gel antisséptico para as mãos à base de álcool, que mata os germes por desidratação. As bactérias não conseguem desenvolver resistência ao álcool com facilidade.

"Use água e sabonete comum, e se não for possível, recorra a produtos à base de álcool", disse Levy. "Você não precisa usar sabonetes impregnados com produtos químicos. Qualquer produto de ação antibacteriana e antimicrobiana, em minha opinião, deve ser usado com prudência", alerta.

Texto originalmente publicado em Discovery Brasil.

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8

jun
2013

Neurônios são criados na vida toda, diz estudo

HERTON ESCOBAR - Agência Estado

A formação - ou não - de neurônios no cérebro humano ao longo da vida é um dos assuntos que mais "queimam neurônios" dos neurocientistas. Há evidências de que novas células neuronais são geradas em algumas estruturas cerebrais até a vida adulta, mas a frequência com que isso ocorre e a importância desse processo (chamado neurogênese) dentro da fisiologia do cérebro como um todo são temas ainda pouco compreendidos pela ciência.

Agora, em um estudo "bombástico" publicado na revista científica "Cell", pesquisadores revelam evidências diretas e inéditas de que neurônios são formados continuamente ao longo da vida no hipocampo, uma região do cérebro fortemente associada à memória e ao aprendizado. Mais especificamente, cerca de 700 novos neurônios por dia em cada hipocampo (o cérebro tem dois, um em cada hemisfério). O estudo foi feito com cérebros congelados (doados após a morte) de pessoas entre 19 e 92 anos, sob a coordenação de cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia.

Tão interessante quanto os resultados é o método que os pesquisadores desenvolveram para chegar até eles. Para determinar a idade dos neurônios e concluir em que momento da vida eles foram gerados, utilizou-se uma técnica de datação de carbono semelhante à que se usa na arqueologia e na paleontologia para datação de fósseis e objetos antigos.

Cientistas mediram no DNA de cada neurônio a concentração de carbono-14, um isótopo de carbono não radioativo produzido pela explosão de bombas atômicas na superfície, nos vários testes realizados durante a Guerra Fria nas décadas de 1950 e 1960. Comparando a concentração de carbono-14 nas células às concentrações de carbono-14 na atmosfera no passado, foi possível determinar em que ano cada neurônio foi gerado. Se um neurônio "nasceu" em 1995, mas a pessoa nasceu em 1965, por exemplo, isso significa que ele foi gerado na vida adulta.

O próximo passo é tentar determinar a importância dessa neurogênese nas funções cerebrais. Segundo cientistas, o fato de tantas células serem formadas continuamente sugere fortemente que elas têm um papel importante na manutenção das funções cognitivas do hipocampo ao longo da vida. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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14

mai
2013

Bactéria fecal de marido salva mulher de infecção fatal

Em 2008, uma paciente foi admitida em um hospital do Estado de Minnesota apresentando um quadro grave de diarreia. O médico que a atendeu, Alexander Khoruts, tratou a infecção com um coquetel de antibióticos, após ter identificado que o agente causador da doença era a bactéria Clostridium difficile. Mas nada funcionou. A paciente perdeu 27 quilos em oito meses.

A única solução aparente seria um transplante de intestino, algo complicado, já que não havia doadores disponíveis no curto prazo e a paciente poderia morrer rapidamente. Khorus então decidiu fazer algo aparentemente inusitado para leigos: obteve uma amostra de fezes do marido da paciente, misturou com uma solução salina e aplicou a mistura no intestino dela. A infecção por Clostridium difficile desapareceu em um dia e não voltou mais.

O resultado foi descrito mês passado por Khoruts, que trabalha na Universidade de Minnesota, no periódico "Journal of Clinical Gastroenterology". O procedimento que ele aplicou, conhecido como "terapia bacteriana" ou "transplante fecal", já foi realizado algumas vezes nas últimas décadas. Khoruts já realizou 15 transplantes, 13 dos quais curaram os pacientes.

Antes do transplante, uma amostra das bactérias presentes na paciente foi analisada. "As bactérias normais simplesmente não estavam lá", disse Khorus ao "New York Times". "O intestino foi colonizado por todo tipo de coisa." Duas semanas após o transplante, a flora intestinal foi novamente analisada. Desta vez, os micróbios do marido haviam tomado conta.

MICROBIOMAS

Cientistas estão tentando desvendar o papel desses "microbiomas" de micro-organismos vivendo dentro do corpo humano. Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA estão atualmente financiando um projeto de US$ 150 milhões que visa mapear geneticamente o genoma desses micro-organismos, obtidos em 18 partes diferentes do corpo humano de 300 voluntários.

Uma das tarefas dos micróbios é quebrar moléculas complexas de plantas. Micróbios no nariz produzem antibióticos que podem matar patógenos inalados. Para coexistir com o microbioma, o sistema imune precisa tolerar esses organismos; aparentemente, os próprios micróbios guiam o sistema imune para não atacá-los

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6

mai
2013

Menos pelos, menos parasitas, mais parceiros?

Pesquisadora brasileira contesta nova hipótese inglesa para evolução do Homo sapiens

(fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/arqueologia-e-paleontologia/menos-pelos-menos-parasitas-mais-parceiros)

 

Ao longo da evolução, o Homo sapiens perdeu pêlos para melhor regular sua temperatura em climas quentes. Isso é o que diz a Teoria de Wheeler, a tese mais aceita para explicar o advento dos 'macacos pelados' que somos. Ela não é a única, porém: dois britânicos sugerem que a perda de pêlos foi uma defesa natural contra moscas, piolhos, carrapatos e outros parasitas.

Os contestadores são Mark Pagel e Walter Bodmer, das Universidades de Reading e Oxford, respectivamente. Em estudo publicado em 8 de junho na revista Royal Society Biology Letters , eles alegam que a Teoria de Wheeler não explicaria a perda de pêlos em regiões mais frias. Eles refutam também a hipótese segundo a qual os hominídeos viveram em ambientes aquáticos há cerca de 8 milhões de anos e perderam os pêlos devido à sua ineficácia na manutenção da temperatura dentro d'água.

Os ingleses acreditam que a mudança teria ocorrido para evitar a presença de parasitas na pele que, revestida de pêlos, teria temperatura e umidade propícias para sua proliferação. Os cientistas afirmam que modificações culturais teriam precedido as biológicas: "Quando os homens foram capazes de construir abrigo, fazer fogo e roupas, eles começaram a perder seus pêlos". Esse fator teria sido inclusive um critério de seleção de parceiros ao longo da evolução: indivíduos com menos pêlos poderiam em tese gerar descendentes mais aptos para sobreviver.

Mas como explicar a conservação de pêlos no rosto, na cabeça e na região pubiana? A resposta estaria ligada à seleção sexual: nos dois primeiros casos, os cabelos representariam vantagens naturais na proteção contra o Sol; já os pêlos pubianos seriam responsáveis pela transmissão de feromônios sexuais -- substâncias químicas que atrairiam machos e fêmeas da mesma espécie.

No entanto, não há consenso entre os cientistas quanto à hipótese inglesa. "O estudo não traz cálculos ou dados realmente novos", aponta Lia Amaral, física da Universidade de São Paulo que já publicou trabalhos sobre termorregulação humana. "Trata-se de mais uma argumentação que ressuscita a idéia dos parasitas, considerada e descartada por Darwin, que alegou que outros animais nas mesmas condições não perderam pêlos."

Lia publicou em 1996 um estudo que propõe modificar a Teoria de Wheeler. A física argumenta que ela não seria válida para hominídeos se considerado apenas o ambiente externo, pois os pêlos são uma proteção para animais de sangue quente no frio e no calor. "Basta observar os primatas de savana, todos muito peludos, e habitantes dos desertos, que sempre andam cobertos para minimizar a absorção de calor." Problemas com a pele nua (cortes e queimaduras) foram também citados por Lia como provas de que as vantagens em relação a parasitas seriam menores do que as desvantagens implicadas na perda de pêlos.

A brasileira atribui o fenômeno à necessidade do homem de expelir calor interno em atividades físicas acentuadas. A mudança teria surgido junto com o bipedalismo, antes da entrada dos hominídeos nas savanas. "Lutas territoriais dentro da espécie teriam sido um primeiro passo para a perda dos pêlos", sugere. Os ancestrais dos homens teriam então adotado a postura ereta para melhor segurar seus filhotes, que não podiam mais se agarrar ao pêlo da mãe quando transportados, o que levava à morte de muitos.

É difícil encontrar evidências que permitam dizer por que surgiram certos traços evolutivos. "Se fossem conhecidos os genes responsáveis pela nudez, a análise do DNA de ossos fósseis poderia datar a perda dos pêlos na evolução", explica Lia. Conhecer quando ela ocorreu ajudaria a apontar a hipótese mais coerente e evitaria especulações.

 

A partir da leitura do texto, identifique:

1. Identifique diferentes teorias apresentadas por cientistas para responder à pergunta: por que o homo sapiens, ao longo da evolução da espécie, desenvolveu a característica de possuir menos pêlos ao longo do corpo do que os hominídeos dos quais é descendente?

2. Identifique os argumentos a favor e contrários a cada uma dessas teorias.

3. Apresente a explicação que seu grupo considera como sendo a mais consistente e explique as razões da escolha.

4. Compare as explicações apresentadas pelo artigo com as explicações dadas pelos grupos na aula anterior. Existe alguma diferença entre o tipo de explicações dadas? Qual ou quais são elas?

5. Por que os cientistas, apesar de estarem de acordo com a Teoria da Evolução e do mecanismo de seleção natural, têm ainda explicações diferentes sobre o problema? Como procedem para convencer uns aos outros e estabelecer um conhecimento consensual sobre temas como este?

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9

abr
2013

Vitaminas

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29

mar
2013

ALIMENTOS DIET X LIGHT

Alimentos diet
Quando a palavra diet está estampada no rótulo de um alimento ou bebida, significa que existe a ausência total de algum ingrediente, que pode ser o açúcar, o sal, a gordura, etc. Assim, produtos específicos para diabéticos devem ser totalmente isentos de açúcar, para pessoas com problemas cardiovasculares, a restrição deve ser de gordura, e assim por diante...

Contudo, isso nem sempre quer dizer que ocorre uma redução nas calorias do produto em questão. É ai que muitas pessoas se enganam e é nesse caso que quero chamar a atenção do leitor. Tomamos como exemplo os chocolates diet, onde todo açúcar utilizado na sua fabricação é substituído por adoçantes, este tipo de alimento é desenvolvido para diabéticos, mas acabam também sendo adquiridos por pessoas que querem restringir as calorias de sua dieta. A palavra diet do chocolate dá muitas vezes uma conotação de que ele é pouco calórico e isso acaba estimulando a compra daqueles que querem emagrecer ou mater a forma. Mas o que poucos sabem é que a troca do açúcar por adoçante no momento da fabricação, modifica em grande parte a textura do alimento. Para conseguir a textura habitual, os fabricantes acabam adicionando mais gordura, o que faz com que o total de calorias do chocolate diet (535 cal/100g) fique equivalente ao do não diet (565 cal/100g). [...]

 

Alimentos light

Os alimentos considerados light são aqueles com baixo teor de componentes (sódio, açúcares, gorduras, colesterol) e/ou calorias, ou seja, não são isentos totalmente como os diet. Por isso, esses alimentos não têm como finalidade atender as necessidades dietoterápicas, nem são indicados para dietas específicas. Os alimentos são classificados como light quando houver uma redução de pelo menos 25% da quantidade de um determinado nutriente e/ou calorias em relação ao alimento tradicional. No caso de alimento sólido, no que se refere ás calorias, o valor total da redução deve ser no mínimo de 40 calorias para cada 100g de alimento e para alimentos líquidos esse valor diminui para 20 calorias.

Assim como os diet, os alimentos light também podem causar confusão ás pessoas mal informadas. Por exemplo, existem certos adoçantes light que podem colocar em risco a saúde de pessoas diabéticas, pois contém açúcares em sua composição. É fundamental também que o rótulo do alimento acuse o nutriente que foi visado pelo fabricante com o objetivo de tornar o alimento light, isto porque a utilização desse termo, por si só, não é o suficiente para que o consumidor identifique o perfil do produto.

[...]

A nossa recomendação para todos é que se leiam atentamente os rótulos desses produtos, observando a composição, o grau de calorias que cada um tem, a quantidade de aditivos químicos, etc. Só assim poderemos descobrir o que existe realmente dentro deles. Caso haja alguma dúvida a respeito de algum ingrediente, pergunte a algum profissional habilitado a reconhecer os componentes da formulação (nutricionistas, tecnólogos de alimentos, químicos, médicos, farmacêuticos e afins). Além disso, procure consumir produtos de indústrias idôneas, éticas, que também se preocupam com seus consumidores. Cuidado com as fábricas de fundo de quintal."

Fonte - Gazeta de Piracicaba - 04 de maio de 2004

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14

mar
2013

Nanopartícula feita de veneno de abelha pode matar HIV

Carregada com a toxina melitina, a partícula consegue romper o envelope de proteção do vírus HIV

Uma toxina presente no veneno de abelhas pode ajudar a combater o vírus do HIV. Em uma pesquisa publicada no periódico Antiviral Therapy, pesquisadores da Universidade de Washington conseguiram que uma nanopartícula carregada com a toxina melitina destruísse o vírus. Segundo eles, a descoberta pode ser um passo importante no desenvolvimento de um gel vaginal eficaz em prevenir a disseminação do vírus causador da AIDS.

A toxina melitina, presente no veneno da abelha, tem uma ação tão potente que consegue fazer pequenos buracos na camada protetora que envolve o HIV %u2014 assim como outros vírus. Quando essa toxina é colocada dentro das nanopartículas, no entanto, as células normais não são prejudicadas por sua ação. Isso porque a equipe de pesquisadores adicionou uma espécie de pára-choques de proteção em sua superfície. Assim, quando entra em contato com uma célula normal, que é muito maior em tamanho, a nanopartícula se afasta. O vírus do HIV, por outro lado, é menor do que a nanopartícula, cabendo no espaço existente entre esses pára-choques. Ao fazer contato com a superfície da partícula, o HIV entra em contato também com a toxina da abelha. "A melitina forma pequenos complexos de poros e rompe o envelope do vírus, arrancando esse envelope", diz Joshua L. Hood, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.

Ataque %u2014 Segundo os pesquisadores, uma das vantagens da nova abordagem é que a nanopartícula ataca uma parte essencial da estrutura viral: o envelope protetor. A maioria dos medicamentos anti-HIV disponíveis hoje no mercado atuam inibindo a habilidade do vírus de se replicar. Essa estratégia, no entanto, não consegue barrar a infecção inicial, e algumas cepas do vírus acabam driblando o remédio e se reproduzindo mesmo assim. "Teoricamente, não há como o vírus se adaptar a nossa técnica. O vírus precisa ter essa capa protetora, essa camada dupla que o reveste."

Além da prevenção na forma de gel vaginal, Hood também espera que essas nanopartículas possam ser usadas como uma terapia para infecções por HIV já existentes, especialmente aquelas resistentes a drogas. Nesse contexto, as nanopartículas poderiam ser injetadas no paciente de maneira intravenosa e, em tese, seriam capazes de eliminar o HIV da corrente sanguínea.

"A partícula básica que estamos usando no experimento foi desenvolvida há muitos anos como um produto sanguíneo artificial", diz Hood. "Ela não funcionou muito bem para a entrega de oxigênio, mas circula de maneira segura pela corrente sanguínea e nos dá uma boa plataforma adaptável para o combate a diferentes tipos de infecção." Como a melitina ataca indiscriminadamente membranas duplas, o conceito não se limita apenas ao HIV. Diversos vírus, incluindo hepatite B e C, contam com o mesmo tipo de envelope protetor e seriam vulneráveis às nanopartículas carregadas com melitina.

 

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9

mar
2013

Contaminações por micróbios

Sua bolsa é sim, um depósito de germes e bactérias. Isso se deve ao fato do acúmulo de muitos objetos dentro delas contendo esses microrganismos, que podem provocar doenças, como resfriados ou até algo pior, como uma gastroenterite, por exemplo.

Germes adoram qualquer alimento, principalmente que contenham umidade e açúcar.

Em contato com a bactéria E. coli, uma goma de mascar pode facilmente causar diarreias e dores abdominais. Por isso, mantenha tudo selado com plástico e elimine as embalagens de balas e guloseimas.

Absorventes higiênicos, por exemplo. Tanto o tipo tradicional quanto o tampão interno costumam ser envoltos em papel frágil, que se rasga com facilidade. O resultado são portas abertas para a sujeira que fica grudada no revestimento interno da bolsa. Para não arriscar pegar uma infecção vaginal, mantenha apenas um ou dois, dentro de um nécessaire menor, em um saco plástico novo e lacrado.

Fuja de batons com a validade vencida. Se tiver hidratante na fórmula, é pior, pois os microrganismos adoram umidade. Não empreste às amigas, pois também há risco de pegar herpes labial, candidíase oral (sapinho) e cáries. Contaminado, serve de trampolim ao Helicobacter pylori, germe causador da gastrite e da úlcera.

A escova de dentre é outro perigo. Deve ser trocada de três em três meses no máximo e a cada uso lavá-la com água e uma solução de gluconato de clorexidina a 0,12%, especialmente se ela fica exposta no banheiro antes de ser colocada na bolsa. As cerdas podem abrigar desde bactérias fecais até as causadoras de otite, conjuntivite e sinusite.

Cuidado também com comprimidos. Remédios que ficam expostos ao oxigênio e ao calor dentro da bolsa podem provocar uma bela dor de cabeça. O ideal é levar apenas a quantidade para consumo diário e em um recipiente.

Escovas de cabelo também são um abrigo para fungos. Suas cerdas podem conter ácaros, o vilão das alergias e fungos da caspa. Deixar esse objeto exposto ao lado de outras coisas dentro da bolsa, como uma fruta, por exemplo, é que mora o principal inimigo. Por isso o recomendável é lavar a escova de dois em dois dias, com água e sabão. E usar separadores dentro da bolsa.

Já a carteira é um dos principais alvos de contaminação. Tudo porque as notas de dinheiro passaram por lugares que jamais imaginamos, sem contar quantas vezes elas passaram de mãos em mãos. As cédulas transportam germes como o Staphylococcus aureus, que provoca otite, conjuntivite, sinusite e doenças alimentares, entre infecções. Além da Candida albicans, causadora de candidíase e fungos das micoses. Para se proteger, lave bem as mãos. Géis antissépticos são úteis, mas o ideal é sempre lavar as mãos.

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9

mar
2013

Transplante de célula-tronco pode ter curado pessoas com HIV

Estudo sobre nova técnica foi divulgado durante conferência nos EUA. Pacientes receberam transplante de medula e tratamento com antirretroviral.

*Com informações da France Presse

Um estudo divulgado em Washington, durante a 19ª Conferência Internacional da AIDS, afirma que dois homens com HIV não apresentaram sinais do vírus no período de oito e 17 meses, respectivamente, depois de receber transplantes de células-tronco devido a uma leucemia.

A pesquisa feita por Daniel Kuritzkes, professor de medicina do Hospital Brigham and Women, em Massachusetts, traz a possibilidade de que os dois homens estejam livres do HIV.

De acordo com os cientistas, as células-tronco transplantadas repovoaram o sistema imunológico dos pacientes e os traços de HIV foram perdidos. Após receberem a medula de doadores, foi mantido o tratamento com antirretrovirais. Isso permitiu que as células doadas não fossem infectadas e criou ainda defesas imunitárias.

Atualmente, de acordo com o estudo, não há traços de HIV no DNA, RNA ou ainda no sangue dos homens que serviram de cobaia. De acordo com a pesquisa, o próximo passo será determinar a existência de HIV nos tecidos.

Os dois casos são diferentes do famoso "paciente de Berlim", o americano Timothy Brown, que se considera curado do HIV e da leucemia após receber um transplante de medula óssea de um raro doador que possuía resistência natural ao HIV (sem receptor CCR5, que age como porta de entrada do vírus nas células).

Tratamento experimental

Brown, 47 anos, um ex- HIV positivo de Seattle, nos EUA, ficou famoso depois de passar por um novo tratamento de leucemia com células-tronco de um doador resistente ao HIV e desde então não apresenta traços do vírus.

Depois de 2007, Brown passou por dois transplantes de alto risco de medula óssea e seus testes continuam a indicar negativo para o HIV, impressionando os pesquisadores e oferecendo perspectivas promissoras sobre como a terapia genética pode levar à cura da doença.

"Eu sou a prova viva de que pode haver uma cura para a AIDS ", disse Brown em uma entrevista. "É maravilhoso estar curado do HIV". Brown parecia frágil quando se reuniu com jornalistas durante a XIX Conferência Internacional sobre a AIDS, o maior encontro mundial sobre a pandemia, realizada durante esta semana na capital americana.

O transplante de medula óssea é delicado e um a cada cinco pacientes não sobrevive. Mas Brown afirma que apenas sente dores de cabeça ocasionais. Também disse estar consciente de que sua condição gerou polêmica, mas negou as afirmações de alguns cientistas que acreditam que ele pode ter traços de HIV no corpo e que pode contaminar outros. "Sim, estou curado", declarou. "Sou HIV negativo".


Prazo de vida

Brown estudava em Berlim quando descobriu ser HIV positivo, em 1995. Na época, deram-lhe dois anos de vida. Contudo, um ano depois, apareceu no mercado a terapia antirretroviral combinada, que fez com que o HIV deixasse de ser uma sentença de morte e passasse a uma doença controlável por milhões de pessoas em todo o mundo.

Brown tolerou bem as drogas, mas com fadiga persistente visitou um médico em 2006 e foi diagnosticado com leucemia. Passou por quimioterapia, o que lhe causou uma pneumonia e uma infecção que quase o matou.

A leucemia voltou em 2007 e seu médico, Gero Heutter, cogitou um transplante de medula óssea com um doador que tinha uma mutação do receptor CCR5. Pessoas sem este receptor parecem ser resistentes ao HIV, porque não têm a porta através da qual o vírus entra nas células. Mas essas pessoas são raras: cerca de 1% da população do norte da Europa.

A nova técnica pode ser uma tentativa para curar o câncer e o HIV, ao mesmo tempo. Brown foi submetido a um transplante de medula óssea com células-tronco de um doador com a mutação CCR5. Ao mesmo tempo, parou de tomar antirretrovirais. No fim do tratamento o HIV não foi mais identificado em Brown. Mas sua leucemia retornou, e por isso foi submetido a um segundo transplante de medula em 2008, utilizando as células do mesmo doador.

Brown afirmou que sua recuperação da segunda cirurgia foi mais complicada e o deixou com alguns problemas neurológicos, mas continua curado da leucemia e do VIH. Quando perguntam se acredita em um milagre, Brown hesita. "É difícil dizer. Depende de suas crenças religiosas, se você quer acreditar que foi a ciência médica ou que se trata uma intervenção divina", disse. "Eu diria que é um pouco dos dois".

 

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9

mar
2013

Cientistas pedem cautela no caso do bebê "curado" de AIDS

Fonte: Jornal de Hoje

Bebê é filho de mãe infectada pelo HIV. A criança nascida no Mississippi foi medicada com três drogas usadas para tratamento e não para a profilaxia da AIDS. Os níveis do vírus diminuíram rapidamente. Mas, cientistas questionam.

Apesar de ter causado entusiasmo a notícia de que médicos dos Estados Unidos teriam conseguido curar um bebê infectado pelo vírus HIV, o transmissor da AIDS, os cientistas de todo o mundo estão pedindo cautela antes de comemorar os resultados. O trabalho ainda falta ser submetido à chamada revisão por pares, quando os dados de um estudo são esmiuçados por especialistas independentes. No Brasil, os médicos também pedem detalhes mais aprofundados sobre o caso.

"Se esse resultado for confirmado, vai ser realmente uma coisa incrível. Mas, ainda é cedo para tirar qualquer conclusão. Só o tempo é que vai dizer, como essa criança vai reagir, se ela vai ficar indefinidamente sem manifestação laboratorial e clínica do HIV", avaliou o infectologista Caio Rosenthal, do Hospital Emílio Ribas.

Médicos norte-americanos disseram que conseguiram pela primeira vez curar um bebê com HIV. O trabalho foi apresentado ontem num congresso especializado em Atlanta, no Estado da Geórgia. Mas os detalhes foram antecipados ao jornal The New York Times. A criança, que nasceu em uma zona rural do Estado do Mississippi, foi tratada com remédios antirretrovirais 30 horas depois de seu nascimento, um procedimento sem ser o normalmente adotado nesses casos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o tratamento com o AZT, uma droga antirretroviral de aplicação consagrada no coquetel de combate ao vírus.

A criança, que tem agora dois anos e meio, está há cerca de um ano sem tomar medicamentos e não apresenta sinais do vírus. Se estudos futuros comprovarem o resultado e indicarem que o método funciona com outros bebês, o tratamento de recém-nascidos infectados em todo o mundo deve mudar, dizem especialistas. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), há mais de três milhões de crianças vivendo com vírus da AIDS.

Quando chegou a um hospital na zona rural, em 2010, a mãe da criança já estava em trabalho de parto. Ela deu à luz prematuramente. Como a mãe não havia feito qualquer exame pré-natal, ela desconhecia ser portadora do HIV. Quando um exame mostrou que ela estava infectada, o hospital transferiu a criança para o Centro Médico da Universidade do Mississippi, onde chegou com cerca de 30 horas de vida. A médica responsável pelo caso, numa entrevista ao Times, disse que solicitou duas amostras de sangue com uma hora de intervalo para testar a presença do HIV no RNA e no DNA do bebê.

Os exames identificaram 20 mil cópias do vírus por milímetro de sangue, índice baixo para bebês. Sem esperar os exames que confirmariam a infecção, a médica deu à criança três drogas usadas para tratamento, e não para a profilaxia. Com esse tratamento, os níveis do vírus diminuíram rapidamente, e ficaram indetectáveis quando o bebê completou um mês de vida.

 

ENTENDA A NOTÍCIA

Os especialistas afirmam que o caso do bebê norte-americano pode mudar a atual prática médica, ao revelar o potencial de um tratamento antirretroviral muito cedo, após o nascimento de crianças com altos riscos potenciais.

 

Saiba mais

Quando a criança completou 18 meses, a mãe parou de levá-la ao hospital. Ao retornarem, os testes deram negativo. Suspeitando de erro nos exames, ela pediu mais testes. Uma quantidade praticamente desprezível de material genético viral foi encontrado, mas sem vírus que pudesse se replicar. Por isso, foi uma cura funcional da infecção. Mais testes ainda são necessários para verificar se o tratamento teria o mesmo efeito em outras crianças.

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13

fev
2013

ESTUDAR VALE OURO

Pesquisa mostra até onde a escola aumenta a chance de conseguir emprego, multiplica o salário e garante o sucesso na carreira

Alice Granato

Fonte: Revista Veja

Para aqueles que olham para a alta dos juros, ou para o movimento das bolsas de valores, atenção. O melhor investimento de longo prazo que se pode fazer hoje é a educação. Veja o que está acontecendo no Brasil. Com a taxa média de desemprego em 8%, o contingente dos brasileiros que estudaram apenas seis anos enfrenta uma taxa de desemprego maior, de 9%. Entre os que fizeram faculdade, o índice cai para a faixa dos 2%. E, incrível, ele é de apenas 1% entre os pós-graduados. É verdade que existem pessoas que construíram fortunas sem ter ido longe nos bancos escolares. O empreiteiro Sebastião Camargo e o banqueiro Amador Aguiar, fundador do Bradesco, são dois dos exemplos mais conhecidos no Brasil. Para a maioria das pessoas, contudo, estudar é crucial para determinar a posição e o salário que podem conquistar, e isso nunca foi tão verdadeiro quanto agora. A era da informação é implacável: joga para escanteio quem não tem instrução e coloca no ápice quem estuda mais. Exigente e seletivo, o mercado de trabalho está passando por um terremoto. Quer profissionais graduados, que falem inglês, entendam de computador e estejam atentos às mudanças. Todo esse investimento tem retorno certo. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, a pedido de VEJA, traçou um retrato preciso do que está acontecendo hoje no mundo do emprego. Esse levantamento comprova algo que até agora apenas se intuía pelo senso comum: quanto mais estuda, maior é a chance de uma pessoa conseguir emprego, ganhar mais e fazer carreira bem-sucedida  

A análise foi feita com base em pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, com 1 milhão de pessoas, entre julho de 1997 e junho deste ano, em seis capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Recife). Por ela, verifica-se que as possibilidades de uma pessoa encontrar emprego dependem muito mais do que se imagina de sua escolaridade. O brasileiro que completou apenas o 1º grau ou ainda não concluiu o ensino médio tem chances pouco maiores que as de um analfabeto na hora de buscar colocação. Um entre dez brasileiros com esse nível de escolaridade está sem emprego. O problema se agrava porque nessa faixa estão também os jovens. Eles compõem atualmente o maior grupo etário da população brasileira e estão entrando pela primeira vez no mercado de trabalho. Enquanto isso, os brasileiros mais escolarizados vivem num país que lhes dá quase tanta segurança de firmar-se no emprego quanto os Estados Unidos, o Japão e a Inglaterra %u2014 os países com as mais reduzidas taxas de desemprego do mundo.

No que diz respeito aos salários, os efeitos da educação são ainda mais evidentes. Cada vez que uma pessoa completa uma etapa de estudo, sua remuneração aumenta cerca de 50%. O maior salto se dá com o diploma de um curso superior. De acordo com os dados do Ipea, os profissionais de nível universitário ganham em média 128% mais do que quem fez somente o colegial. Isso não é tudo. Para aqueles que se contentaram com a faculdade, aqui vai uma notícia. Um curso de extensão universitária proporciona no Brasil salários 66% maiores do que os recebidos por quem ficou somente com o bacharelado. Em média, os brasileiros que completaram um curso de pós-graduação ganham 925% mais do que um trabalhador não qualificado. Conclusão: cada ano de estudo representa em média um aumento de 15% no contracheque. "O efeito diploma é o fator mais decisivo na colocação do profissional no mercado de trabalho", diz o economista Marcelo Neri, do IPEA. "A educação é o motor do país, e precisamos investir ainda mais em capital humano."

Abismo educacional %u2014 Esse é o abismo que está na origem da disparidade social no Brasil. Nada menos que 64% dos empregados nem sequer completaram o 1º grau. Em média, os brasileiros têm somente sete anos de escolaridade. Ou seja, não concluíram nem o 1º grau. Ao passo que faltam empregados graduados, a maioria da população ainda é obrigada a sujeitar-se a subempregos, sem carteira assinada ou benefícios trabalhistas e com grande carga horária de trabalho, para ganhar salários muito baixos. Uma boa novidade é que estão acontecendo mudanças mesmo no patamar mais baixo da escala da educação e dos salários, aquele composto pelos analfabetos. Um exemplo é o pedreiro José Orlando de Oliveira e Silva, de São Paulo. Aos 35 anos, analfabeto, ele acorda às 4 e meia da madrugada e só volta para casa às 9 da noite. Estuda na própria obra, dentro de um programa oferecido pela construtora que o emprega, a Método. Está fazendo os primeiros oito meses de curso, um supletivo da 1ª à 4ª série. Silva, que não sabia nem ao menos escrever o nome, está descobrindo o prazer de "ler umas palavrinhas". Recentemente, foi promovido, depois de aprender a fazer serviços de acabamento. Antes, o pedreiro ganhava 380 reais mensais. Agora, recebe 560. "Esse curso está mudando a vida dele", diz a psicopedagoga Ana Luiza Franciscone, de 42 anos, coordenadora educacional da Método. "Os operários estão começando a perceber como o estudo faz diferença em sua vida."

A pesquisa do IPEA mostra que o maior índice de desemprego no Brasil está na faixa dos nove anos de escolaridade. Nela estão profissionais como auxiliares de escritório e bancários. São pessoas que já terminaram o 1º grau, mas ainda não completaram o 2º. Têm qualificação mediana e não precisam mais sujeitar-se ao subemprego dos analfabetos ou pouco escolarizados. Mas ainda não têm grau de especialização necessário para ocupar bons empregos, oferecidos para quem conquistou o diploma universitário ou fez pós-graduação. A prova de que a zona dos empregos intermediários está saturada são as filas na porta das empresas. Há um mês, a rede de lojas de desconto americana Wal-Mart abriu quatro novas lojas oferecendo 500 vagas em cada uma delas. A maior parte era para funções como vendedor, atendente e empacotador. Nos dois primeiros casos, exige-se o 2º grau. No terceiro, somente o 1º. Na Wal-Mart de São Paulo, formou-se uma homérica fila de candidatos, com 25.000 pessoas. Duas semanas mais tarde, em São José dos Campos, no interior paulista, perfilaram-se 10.000 pessoas.

A profissão certa %u2014 Estudar é fundamental, mas deve-se também levar em consideração outro fator: a escolha da profissão. Ela é tão importante quanto a escolaridade. Enquanto existem áreas em declínio, outras estão se abrindo. A área petrolífera, que oferece empregos para profissionais como geólogos, é uma das que estão em expansão no Brasil. Desde que o monopólio estatal desse setor foi quebrado, 58 empresas estrangeiras abriram escritórios no Brasil. É um exemplo de como as profissões sobem ou descem de acordo com as circunstâncias. Nos anos 70, época em que grandes obras como Itaipu estavam em construção, a engenharia civil estava em alta no Brasil. Hoje, com as dificuldades econômicas, está em baixa. A odontologia já fez mais sucesso, numa época em que havia escassez de dentistas no país. Atualmente, o mercado anda meio saturado, embora seja difícil encontrar um dentista desempregado. Isso vale também para médicos. A agronomia, por muito tempo relegada a segundo plano no país em função da crise no campo, tem se tornado um celeiro de empregos com a multiplicação de oportunidades de trabalho.

Escolhida a área, o que se pede hoje no mercado é a alta especialização. Quem estudou bastante e foi além do diploma universitário está no melhor dos mundos. Isso é o que habilita os profissionais para onde está o filé mignon do mercado, como o ramo financeiro. É o caso de Alexandre Saigh, de 31 anos, executivo do Banco Patrimônio. Ele compõe a minoria da população com alta escolaridade e rendimentos muito acima da média. Pós-graduado em economia na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Saigh estudou durante dezoito anos. Recebe um salário fixo de 10.000 reais por mês, sem contar sua participação nos lucros obtidos para o banco. "A bagagem acadêmica me abre muitas portas", afirma ele. Saigh foi disputado pelas quatro empresas para as quais enviou seu currículo. Escolheu o Patrimônio e cinco anos depois já era sócio do banco. Mesmo bem-sucedido, não pensa em parar de estudar. "Quero fazer mais especializações", diz. "Quem não fizer isso vira peça de antiquário."

Áreas promissoras %u2014 A maior parte dos jovens que deixam de estudar acredita que se tornará apta a encontrar um bom emprego apenas fazendo um curso de computação como os que se multiplicam no país. Isso não é verdade. "Estou procurando estágio desde maio", conta a estudante paulista Thaís Greco, de 18 anos, que faz o 3º ano do curso técnico de processamento de dados e já bateu inutilmente em várias portas. "É muito diferente o que se aprende na escola e o que é preciso na prática." A área de informática e a de telefonia são as mais promissoras, mas o que se pede não são pessoas que saibam apenas manusear um programa de texto para escrever boletins no computador. São administradores das redes de informática instaladas nas empresas, analistas de sistemas capazes de criar ou mudar a programação dos computadores, ou analistas de suporte, que ajudam a manter as redes funcionando. São também web designers, profissionais que criam as páginas na Internet, ou engenheiros de sistemas e produtos ligados às novas redes de telefonia celular. Para todos eles, não só o emprego estará quase garantido como há perspectivas de bons salários. Ainda mais se tiverem conhecimento do mercado e das pessoas que nele atuam e estiverem ligados às mudanças que ocorrem a seu redor. "Sozinha, a graduação não basta", diz a psicóloga e administradora de empresas Nielce Filetti, presidente da Associação Paulista de Recursos Humanos, que tem 2.000 cadastrados. "As empresas buscam o profissional com um perfil diferenciado."

O Brasil enfrenta o desafio de acelerar o progresso da educação num momento complicado. Ele coincide com uma mudança radical no mercado de trabalho, imposta pelas novas tecnologias. Além de aumentar o grau de escolaridade das gerações que estão chegando ao mercado, o país se vê obrigado a reciclar boa parte da mão de obra que já estava empregada %u2014 ela corre o risco de ficar obsoleta com a chegada das tecnologias que estão eliminando postos de trabalho no mundo inteiro. Cada vez mais, o papel do ser humano no mundo do trabalho é produzir novas ideias. O futuro, de acordo com os especialistas, não é das pessoas que apertam parafusos, mas de quem imagina um novo processo pelo qual os parafusos serão apertados.

Onde há vagas sobrando %u2014 Os profissionais que sabem muito são literalmente caçados pelas empresas, que disputam avidamente a mão de obra mais qualificada. Só no setor de informática, estima-se que 50% das vagas não são preenchidas por falta de profissionais especializados. "Mesmo que a educação avance muito, será insuficiente para atender à demanda do mercado criada pelo progresso tecnológico", afirma o economista Ricardo Paes de Barros, um dos coordenadores do trabalho do IPEA. No mercado de telecomunicações também não existe mão de obra especializada para atender à oferta de empregos que estão surgindo. Avalia-se que para operar os 16,2 milhões de aparelhos celulares que serão colocados em operação nas bandas A e B, mais os novos telefones fixos, haverá a necessidade de contratar 300.000 pessoas para trabalhar nas centrais telefônicas, no fornecimento de peças ou na prestação de serviços aos clientes. "Corremos o risco de entrar em colapso por falta de gente para trabalhar", diz Antônio Enéas Reis, sócio de uma empresa de consultoria de recursos humanos do setor, a DPS. "Não haverá gente especializada nessa quantidade."

Estudar bastante e fazer a escolha certa da profissão são dois requisitos básicos para quem está entrando no mercado de trabalho na virada do milênio. No mundo, estima-se que serão criadas neste ano 413.000 vagas em 15.000 empresas da área de tecnologia avançada. São oportunidades para engenheiros que desenham produtos para automação, médicos e cientistas especializados nas áreas de genética e biotecnologia, profissionais que desenvolvem novos programas de computador ou lidam com comunicação via satélite. Só nos Estados Unidos, serão 300.000 novos empregos. As faculdades e universidades americanas formam 28.000 estudantes nessas atividades anualmente, menos de 10% da oferta de vagas. Isso significa que esse tipo de profissional é disputado a peso de ouro. Para quem está fazendo uma faculdade e apostou em áreas como essas, há razões de sobra para o otimismo.

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26

jan
2013

Fuvest e Unicamp divulgam nova lista de leitura obrigatória

Fuvest e Unicamp divulgam nova lista de leitura obrigatória para vestibular 2013

Do UOL, em São Paulo

A Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) divulgou nesta quarta-feira (23) que o Conselho de Graduação da USP (Universidade de São Paulo) manteve a lista de livros obrigatórios para o vestibular. Não houve nenhuma alteração em relação ao último vestibular. As obras também são utilizadas no processo seletivo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Confira os livros cobrados:

 

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11

dez
2012

Enem: Os Rankings Que Mentem

Baseado em texto da Revista Nova Escola

No último dia 22, o Ministério da Educação (MEC) divulgou as médias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) alcançadas por cada escola em 2011. Quase instantaneamente, os dados geraram rankings das instituições com melhores e piores desempenhos de Piracicaba e repassadas pelas redes sociais por gente mal intencionada, ou melhor, desinformada.

A formação de rankings não considera a realidade na qual a escola está inserida. Informações como o perfil dos alunos, dos professores e da comunidade, que impactam diretamente o desempenho dos estudantes, são deixadas de lado. Além do que o ENEM não foi criado com esta finalidade.

Além disso, é necessário levar em conta que parte das instituições nas primeiras posições dos rankings não só de Piracicaba, mas de várias outras cidades do país, utiliza estratégias para maquiar seu real desempenho. Estas filtram apenas os bons alunos, selecionando os estudantes no decorrer da Educação Básica, fazendo com que apenas quem alcança as melhores notas chegue ao último ano e participe da avaliação.

Falando especificamente no ENEM, existem ainda outros agravantes. Questões metodológicas colocam em xeque a validade das notas do exame para analisar a qualidade das escolas - e da Educação. Em primeiro lugar, trata-se de uma prova de adesão voluntária, ou seja, a decisão de participar, ou não, fica a cargo do aluno. O universo de estudantes que realizam a avaliação, portanto, não é representativo nem das instituições, nem de Piracicaba, nem do país.

Ainda que todo esse panorama fosse diferente, a criação de rankings continuaria não sendo ferramenta válida. O ideal seria analisar a quantidade de alunos que atingiu um nível adequado de aprendizagem, e não apenas apresentar a média alcançada pela instituição.

Dentro do modelo de exame que se tem hoje, portanto, a publicação de resultados por escola gera interpretações erradas e deveria ser evitada, pois só revela interesses mercadológicos de grandes corporações da cidade. Os resultados de cada escola até poderiam ser entregues à direção, como forma de ajudar a mapear problemas e possíveis soluções. Mas o processo deveria parar neste ponto. Afinal, o exame pode até indicar aspectos pontuais, mas está longe de ser uma fonte segura para analisar todo o trabalho realizado ao longo do Ensino Médio. Para isso, seria preciso criar uma nova avaliação.

E, para aqueles que acharam que o desempenho de nossa escola caiu, vai aqui um dado, o rankings divulgado foi do ano de 2011, quando tivemos uma ascensão de cerca de 50% em universidades públicas, além de melhorarmos nossa nota em relação ao mesmo ano. Já em 2012, temos o mesmo número de alunos, que havíamos aprovado nos vestibulares, na segunda fase do vestibular da Unesp. Então, de que serve o ranking ? De nada, portanto, se informe antes. 

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18

nov
2012

Carro a hidrogênio

CRISTIANE PERES BERGAMINI
FABIANA GAMA VIANA


A Unicamp acaba de receber a maior célula a combustível comercial tipo PEM do Brasil. Este é o equipamento mais esperado para a finalização do projeto de veículo hidrogênio/elétrico, conhecido como Vega II, intitulado "Desenvolvimento de plataforma de teste para veículos elétricos com células a combustível". A célula a combustível é um dispositivo que converte diretamente a energia química de um combustível (hidrogênio neste caso) em energia elétrica, utilizada no projeto para o acionamento do motor elétrico do veículo.

O objetivo da pesquisa é disponibilizar uma plataforma de testes para veículos elétricos que utilizam células a combustível e dotar o país de conhecimento técnico e mão-de-obra especializada nesta área. A célula a combustível da Unicamp, com potência nominal de 5 kW é do tipo PEM (Próton Exchange Membrane), o mais indicado para aplicação veicular. O hidrogênio a ser utilizado na célula será fornecido por dois cilindros pressurizados, semelhantes aos utilizados nos carros com gás natural.

Unicamp recebe célula a combustível

O projeto, desenvolvido graças à parceria firmada entre o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), o Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física "Gleb Wataghin", ambos da Unicamp, e o Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio (Ceneh), só foi possível em função de um financiamento de R$ 400 mil do Ministério de Minas e Energia (MME). Manoel Nogueira, coordenador geral de Tecnologias da Energia do MME, ressalta a importância de um projeto como este para o país: "O MME acredita que o hidrogênio, dentro das particularidades da matriz energética brasileira, possui aplicação comercial no futuro no Brasil. Neste contexto, estamos fazendo esforços para estruturar uma economia para o hidrogênio e temos algumas ações nesse sentido, as quais são articulação com o Ministério de Ciência e Tecnologia e com o Iphe (International Partnership for the Hydrogen Economy), além da criação de um comitê multiinstitucional para definição de políticas governamentais para a economia do hidrogênio, e o projeto de ônibus a hidrogênio".

Segundo Nogueira, o projeto "Plataforma" é mais uma atuação visando aglutinar essas ações e instituições no contexto da formação de uma economia do hidrogênio. "Com a conclusão deste projeto teremos um produto de penetração para informar ao grande público que existe uma opção de geração de energia que pode combinar as qualidades das fontes renováveis e do gás natural como energético, com um fornecimento de grandes quantidades de energia de maneira regular e com um mínimo de impacto ambiental".

Entre os principais resultados esperados deste trabalho estão o dimensionamento, teste e operação de todo o sistema de propulsão de um veículo elétrico com células a combustível, além de pesquisas para o uso de células a combustível em aplicações estacionárias. "Estaremos colocando o Brasil entre os países que dominam a tecnologia dos veículos com células a combustível, abrindo amplas possibilidades para o uso veicular de fontes renováveis de energia, por meio da geração de hidrogênio, seja a energia hidroelétrica ou a eólica, através da eletrólise da água, seja o uso do etanol em reformadores a bordo dos veículos", afirma o professor. Ennio Peres da Silva, coordenador do projeto e do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp.

O projeto conta ainda com a colaboração de empresas do setor privado, como a WEG Motores e a WEG Automação, Acumuladores Moura e a Sabbó, que forneceram equipamentos e/ou serviços utilizados no VEGA II. A previsão, segundo o professor Ennio, é de que o carro esteja realizando os primeiros testes de pista ao final deste mês, devendo estar exposto ao público durante o Seminário sobre Veículo Elétrico Híbrido, a ser realizado nos dias 27 e 28 de abril, no Blue Tree Convention, em São Paulo, evento que será organizado pelo Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee). (C.P.B. e F.G.V.)

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13

nov
2012

SP terá 1º incinerador de lixo doméstico

Pioneira no País, usina vai produzir energia e recuperar área ameaçada por risco de explosão e deslizamento em São Bernardo do Campo

Eduardo Reina - O Estado de S.Paulo

A cidade de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, terá a primeira usina de incineração de lixo doméstico do Brasil. A estrutura vai ocupar a área do antigo Lixão do Alvarenga, na beira da Represa Billings, e vai gerar 30 megawatts por hora de energia elétrica. Ao lado, será criado um parque e haverá remoção de parte da população que hoje mora em cima do antigo lixão, uma área de risco de explosão e deslizamentos.

A usina terá capacidade para receber 1 mil toneladas de resíduos domésticos por dia. A energia gerada - 30 megawatts/hora - será suficiente para abastecer diariamente uma cidade de 300 mil habitantes. A obra inclui um setor de separação dos resíduos orgânicos e para reciclagem e está orçada em R$ 220 milhões.

Hoje na cidade de São Paulo há duas usinas de geração de energia por meio do lixo, nos aterros Bandeirantes (zona norte) e São João (zona leste). No entanto, esses funcionam com aproveitamento de gás metano gerado pelos resíduos. A novidade é o incinerador de lixo doméstico. Existem apenas usinas para incinerar lixo hospitalar e industrial no País.

"O sistema, além de fazer a queima da parte do lixo que não pode ser aproveitada, tem também o reaproveitamento de todo resíduo possível, até da fração orgânica", explica o professor Elcires Pimenta Freire, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e coordenador do plano de resíduos sólidos da cidade. O modelo escolhido mescla tecnologias da Alemanha, Holanda e Espanha.

O secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo, Alfredo Buso, diz que o edital deve ser lançado em breve. A expectativa do prefeito Luiz Marinho (PT) é que o início da operação seja em 2012. A cidade gasta R$ 14 milhões por ano para descartar 650 toneladas de lixo por dia num aterro sanitário no município de Mauá. Para Buso, os gastos não serão superiores aos de hoje.

Remediação. A área do bairro Alvarenga no limite com Diadema abrigou um lixão de 1971 a 2001. No dia 13 de abril, o Estado lembrou que o bairro tem condições similares às do Morro do Bumba, em Niterói, que deslizou por causa da chuva e do acúmulo do lixo. Em Niterói, 51 pessoas morreram. Em São Bernardo do Campo, centenas de famílias temem o mesmo destino.

A área de 700 mil metros quadrados nunca teve um sistema de condução dos efeitos colaterais do acúmulo de lixo sob a superfície: gases e chorume. O metano também fica preso no solo, aumentando a cada dia o risco de explosões. Já o líquido que resulta da decomposição dos resíduos vai direto para a Represa Billings, a 200 metros do local.

O projeto de construção da usina e do parque atende a medida judicial que condenou as prefeituras de São Bernardo e Diadema e os donos do terreno a remediar o problema ambiental. Parte das 200 famílias que moram no terreno será removida.

A prefeitura estima que sejam necessários R$ 20 milhões para fazer a canalização de drenagem dos gases e captação do chorume. Os trabalhos devem começar em setembro, com conclusão prevista para o fim de 2011.

O ambientalista Virgílio Alcides Farias, que defende a desativação do Lixão do Alvarenga, acredita que a criação da usina é uma boa notícia. "Está dentro do que se chama de ação sustentável. Mas é preciso manter um monitoramento contínuo e seguir as normas existentes de controle, principalmente na emissão de gases." A prefeitura afirma que o modelo de usina de São Bernardo segue as diretrizes estaduais para o tratamento térmico de resíduos sólidos.


LÁ TEM...

Áustria
A usina de Viena é uma das mais modernas da Europa. Tem capacidade para queimar 720 toneladas/dia.

Alemanha
Há duas unidades em Ingolstadt, que processam 600 toneladas/dia cada.

Inglaterra
Em Marchwood, a usina local incinera 560 toneladas/dia.

França
Uma das maiores da Europa fica em Paris, com capacidade para 1,6 mil toneladas/dia.

Estados Unidos
A maior do país está em Miami e chega a 4,2 mil toneladas/dia.


Energia

5 horas
é o período em que um computador poderia funcionar com a queima de um quilo de lixo

24 minutos
duraria um secador de cabelo ligado, segundo Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe)

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13

nov
2012

Créditos com o lixo, editorial de %u201CO Estado de SP%u201D

"O funcionamento de usinas termoelétricas nos dois depósitos sanitários permitirá que SP reduza em 20% a emissão de carbono equivalente na atmosfera"


Leia a íntegra do editorial:

Ontem, quando se comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente, o prefeito Gilberto Kassab anunciou o primeiro edital para a venda de créditos de carbono na Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F), que deverá ser lançado ainda este mês.

Em uma experiência inédita no Brasil, a Prefeitura levará a leilão eletrônico 750 mil toneladas de CO2 equivalente, provenientes do Aterro Sanitário Bandeirantes, localizado na zona norte da cidade.

Na mesma cerimônia, o prefeito também anunciou o início da queima de metano no segundo aterro sanitário do Município, o São João, localizado no bairro de São Mateus.

O funcionamento de usinas termoelétricas nos dois depósitos sanitários permitirá que SP reduza em 20% a emissão de carbono equivalente na atmosfera.

Em 2008, 10% da energia elétrica consumida nas residências paulistanas deverá ser suprida pela energia gerada pelo lixo urbano depositado nos dois aterros.

A lenta decomposição do material orgânico presente no lixo resulta num biogás rico em metano. O metano, por sua vez, é um dos gases que mais influenciam na formação do efeito estufa.

Uma tonelada de metano produz o mesmo efeito danoso de 21 toneladas de dióxido de carbono. A instalação do sistema de captação e compactação nos dois aterros, além de evitar a emissão do gás para a atmosfera, permitirá que 80% do biogás seja utilizado como combustível na geração de energia elétrica.

No Aterro Bandeirantes, uma termoelétrica em funcionamento desde o ano passado produz 22 megawatts, o suficiente para fornecer energia para 300 mil famílias. No Aterro São João, quando a usina estiver em pleno funcionamento, serão produzidos mais 20 megawatts.

A capital produz 15 mil toneladas diárias de lixo, sendo quase 11 mil provenientes de lixo doméstico. Esse volume era dividido, até março, em partes iguais para os dois aterros. O Bandeirantes, considerado um dos maiores do mundo, atingiu sua capacidade máxima em março.

Desde então o lixo que a ele se destinava vem sendo depositado num aterro particular em Caieiras. O Bandeirantes, no entanto, passou a gerar os créditos de carbono previstos pelo Protocolo de Kyoto quando a usina termoelétrica entrou em operação.

Estima-se que, até 2012, o Bandeirantes emitirá o equivalente a 8 milhões de toneladas de carbono que, transformadas em energia, poderão ser usadas como crédito.

Até agora, o Aterro Bandeirantes deixou de lançar mais de 1,5 milhão de toneladas de CO2 equivalente no ar. É o segundo maior projeto de crédito de carbono do país, ficando atrás apenas do plano desenvolvido pela Rhodia.

A Usina Termoelétrica Bandeirantes foi construída por meio de uma operação de project finance do Unibanco, em parceria com a Prefeitura e a Biogás Energia Ambiental, concessionária que também atua no Aterro São João.

É a maior termoelétrica desse tipo do mundo. Os principais prédios administrativos do Unibanco em SP são supridos por essa energia limpa, que já responde por mais de 25% do consumo total do grupo.

Os créditos de carbono lá gerados são divididos em partes iguais entre a Prefeitura e a Biogás. A concessionária já comercializou sua parte e, agora, a Prefeitura lançará no mercado de carbono suas 750 mil toneladas de CO2 equivalente.

Estima-se que cada tonelada possa render 16 euros e, com os recursos obtidos no leilão eletrônico, a Prefeitura pretende construir parques e praças na região de Perus e Pirituba - uma compensação aos vizinhos do Bandeirantes que, de 1979 a 2006, foram obrigados a suportar o mau cheiro do aterro.

Processo semelhante será conduzido no Aterro São João. A expectativa da Biogás é a de que a emissão no local alcance 6 milhões de toneladas de CO2 nos próximos cinco anos. O produto da venda dos créditos de carbono custeará melhorias ambientais no bairro de São Mateus, na zona leste.

Com essas iniciativas, os aterros, que eram apontados como um passivo ambiental altamente negativo para a cidade, além de gerar energia limpa, se transformam em fontes de recursos justamente para promover melhorias no meio ambiente.
(O Estado de SP, 6/6)

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13

nov
2012

Chuva Ácida

Em 1989 cientistas da Holanda noticiaram que um determinado pássaro canoro que habita as florestas daquele país estava produzindo ovos com a casca fina e porosa. Problema similar fora detectado nas décadas de 60 e 70, causado pelo inseticida DDT. Durante as investigações não foi encontrada nenhuma evidência de intoxicação.

Os cientistas resolveram verificar então o suprimento de cálcio disponível para os pássaros na natureza e necessário para a formação de cascas resistentes nos ovos. Aqueles pássaros usavam normalmente como fonte de cálcio, caramujos que constituiam componente importante na dieta. Entretanto, os caramujos haviam praticamente desaparecido das florestas. O solo seco contem normalmente de 5 a 10 gramas de cálcio por quilograma. O cálcio daquela região havia caído para cerca de 0,3 gramas por quilograma de solo, um nível muito baixo para que os caramujos sobrevivessem.

Sem caramujos para comer, os pássaros passaram a se alimentar de sobras de alimentos de galinhas e de outros animais domésticos e sobras de pique-niques, muito comuns na Europa.

A queda no conteúdo de cálcio do solo da Europa e dos Estados Unidos da América foi atribuída à ocorrência de chuva ácida, principalmente da que contem ácido sulfúrico.

Este é um exemplo de como a poluição ambiental pode afetar a natureza, sem que as pessoas se deêm conta do problema.

A chuva ácida é um fenômeno regional e ocorre na mesma região que gera os poluentes que a causa. Por isso mesmo a incidência é grande nas regiões altamente industrializadas e mais densamente povoadas.

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Fotografia de uma floresta alemã tirada em 1970 e depois em 1983, após a ação da chuva ácida na região.

 

A chuva ácida é causada pela presença de gases, principalmente óxidos ácidos de enxofre e nitrogênio, que saem das chaminés industriais e são solúveis em água. Misturados à água presente no ar, hidrolisam formando ácidos que caem sobre a terra juntamente com a chuva.

A chuva não afetada pela atividade humana é pouco ácida, tendo pH em torno de 5,7. Esta acidez baixa é devida à presença de ácido carbônico, H2CO3, formado pela dissolução de CO2 em H2O. Estes níveis de acidez não são prejudiciais ao meio ambiente.

Os poluentes mais sérios na chuva ácida são os ácidos fortes.

No Brasil o exemplo mais marcante de poluição ambiental por chuva ácida foi a destruição da Mata Atlântica na região de Cubatão, na baixada santista. Os gases de nitrogênio e enxofre liberados às toneladas pelas chaminés das indústrias locais, destruíram a vegetação. Neste caso, a relação de causa - efeito era óbvia. A região de Cubatão era uma das mais poluídas em todo o mundo.

Após um enorme esforço feito por parte da comunidade científica, das primeiras organizações não governamentais brasileiras preocupadas com o meio ambiente e da imprensa que se empenhou em denunciar e esclarecer os fatos, foi elaborada uma legislação e montado um sistema de fiscalização que passou a controlar as emissões, forçando as indústrias a tomarem cuidados óbvios com as emissões gasosas.

Entretanto, não são apenas as indústrias que poluem com estes gases. As grandes cidades, com seus inúmeros carros, também são importantes produtoras de chuva ácida.

Dentro dos motores a combustão dos automóveis, são atingidas temperaturas muito altas, suficientes para que ocorra reação entre o nitrogênio e o oxigênio da atmosfera, formando o gás NO:

N2 (g) O2 (g) 2 NO (g)

O óxido nítrico, NO, não é muito solúvel em água, mas pode ser oxidado no ar formando dióxido de nitrogênio:

2 NO (g) O2 (g) 2 NO2 (g)

O NO2 reage com água formando ácido nítrico e óxido nítrico:

3 NO2 (g) 3 H2O (l) 2 H3O (aq) 2 NO3- (aq) NO (g)

A legislação brasileira já exige que os carros mais novos sejam equipados, já durante a fabricação, com catalisadores que reduzem o nitrogênio do NO a N2. Este último gás é um importante componente natural do ar e é muito pouco reativo.

O dióxido de enxofre, SO2, é produzido como sub-produto da queima de combustíveis fósseis, isto é, derivados de petróleo. Ele pode se combinar diretamente com água, formando um ácido fraco, chamado ácido sulfuroso, H2SO3:

SO2 (g) 2 H2O (l) H3O (aq) HSO3- (aq)

Além disso, na presença de material particulado e aerossóis do ar, o dióxido de enxofre pode reagir diretamente com o oxigênio atmosférico e formar trióxido de enxofre, que, por sua vez, produz ácido sulfúrico e água:

2 SO2 (g) O2 (g) 2 SO3 (g)

SO3 (g) 2 H2O (l) H3O (aq) HSO4- (aq)

O ácido sulfúrico é um ácido forte especialmente prejudicial ao solo porque causa a retirada dos íons de cálcio. A maioria dos solos possui partículas de argilas que são circundadas por íons inorgânicos, inclusive Ca2 . Entretanto os íons de cálcio das argilas podem ser substituídos pelo cátion de hidrogênio liberados pelo ácido sulfúrico. Neste processo também se forma sulfato de cálcio que é insolúvel em água. Desta forma, o cálcio não mais circula no ambiente, deixando de estar disponível no solo para ser usado pelas plantas. Este cálcio retirado do solo não é substituído. As plantas sofrem com a sua falta e as florestas são afetadas.

A pesquisa sobre o impacto da poluição do ar sobre as florestas é difícil. O sistema é altamente complexo. As florestas cobrem áreas muito grandes e a atuação de cada agente poluidor pode ser muito sutil, de modo que o verdadeiro papel desempenhado por cada agente pode levar muitos anos para ser identificado.

De qualquer modo, o controle das emissões de óxidos ácidos deve ser exercido continuamente de modo a melhorar e manter a qualidade de vida da humanidade, sem perda das nossas heranças naturais.

 

Texto: Regina Helena Porto Francisco

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13

nov
2012

DIABETES 1 e 2

O diabetes Tipo 1 é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas produtoras de insulina. Isso acontece por engano porque o organismo as identifica como corpos estranhos. A diabetes Tipo 1 surge quando o organismo deixa de produzir insulina ou produz apenas uma quantidade muito pequena. Quando isso acontece, é preciso tomar insulina para viver e se manter saudável, pois sem este hormônio, a glicose não consegue entrar nas células, que precisam dela para realizar a respiração celular e obter energia. As altas taxas de glicose acumulada no sangue, com o passar do tempo, podem afetar os olhos, rins, nervos ou coração.

Já no diabetes Tipo 2, as células do pâncreas continuam produzindo insulina, porém, por muitas razões, as células musculares e adiposas não absorvem toda a glicose que deveriam absorver da corrente sanguínea. A consequência é a mesma: a glicose não entra nas células e fica acumulada no sangue, mas o tratamento é distinto, pois o problema não é a falta de insulina. Neste caso, opta-se por dieta com baixa ingestão de glicose, exercício físico e, às vezes, medicamentos orais.

 

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13

nov
2012

O caro preço da poluição

O ar que respiramos pode comprometer a saúde de nossas artérias. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada recentemente na revista Atherosclerosis por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O estudo, tese de doutorado da biomédica Sandra Regina Castro Soares, afirma que a poluição atmosférica de uma grande cidade pode alterar o colesterol no sangue e propiciar o aumento da deposição de placas de gordura nos vasos sanguíneos, facilitando a ocorrência de problemas como infarto ou derrame cerebral. "Os poluentes fazem, em pequena escala, o mesmo que o cigarro. Mas, com um porém: defender-se da poluição atmosférica é muito mais difícil do que dizer não a uma tragada", explica Paulo Saldiva, médico pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP. "Além disso, a prática de esportes em ruas e avenidas movimentadas e poluídas deve ser evitada, uma vez que a quantidade de poluentes inalados durante esse período também pode contribuir para o desenvolvimento de doenças respiratórias", aconselha João Marcos Salge, pneumologista do Fleury Medicina e Saúde.

Fonte: Revista do Laboratório Fleury: Fleury Saúde em dia, número 19. Abril de 2010.

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