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*Professor Genivaldo *

24

jul
2009

Que gripe é essa?

Veja as perguntas mais comuns dos brasileiros e as respostas do governo federal para as questões. MS orienta os suspeitos de gripe a procurar posto de saúde ou médico

O Ministério da Saúde está fazendo todos os esforços possíveis para deixar a população informada sobre a Influenza A (H1N1). O trabalho da imprensa tem ajudado também a esclarecer os brasileiros sobre a nova gripe. O Ministério mantém no seu site www.saude.gov.br um espaço específico para o tema, que traz informações atualizadas, além de colocar à disposição da população o atendimento gratuito pelo Disque Saúde 0800 061 1997. Veja algumas dúvidas e as respostas:

1 - Qual é a previsão de produção da vacina contra a influenza A (H1N1) no Brasil?
O Instituto Butantan, ligado à Secretaria de Saúde do Governo do Estado de São Paulo, é responsável no Brasil por desenvolver as vacinas contra a gripe comum (sazonal) e estará à frente também do desenvolvimento da gripe contra a influenza A (H1N1). A vacina a ser produzida no Brasil estará disponível no próximo ano. Além de desenvolver a vacina, o MS avaliará, junto ao Butantan, a necessidade de comprar vacinas prontas de outros fabricantes.

2 - Haverá cadastramento de novos laboratórios para realização de exames de diagnóstico?
Atualmente, três laboratórios de referência fazem o exame de diagnóstico da influenza A (H1N1) no Brasil: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ), Instituto Evandro Chagas (IEC/PA) e Instituto Adolf Lutz (SP). Há a possibilidade, agora, de credenciamento de Laboratórios Centrais (Lacens) para centralizar a realização desses exames nos estados, além dos três laboratórios de referência. Isso já está em curso para os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, mas ainda não há data definida para essa habilitação.

3 - Como é realizada a distribuição do medicamento?
A distribuição dos medicamentos é centralizada. O Ministério da Saúde envia os remédios aos estados, respondendo às solicitações das Secretarias Estaduais de Saúde. Cabe a elas não só indicar as unidades de referência no atendimento da nova gripe, como também ampliar o número de unidades para realização do tratamento. Outras unidades podem ser indicadas para atender os casos e usar o antiviral.

4 - O Brasil tem medicamento suficiente para enfrentar a influenza A (H1N1)?
Sim. O Ministério da Saúde tem medicamento suficiente para enfrentar a pandemia de influenza A (H1N1). O MS tem um estoque de 9 milhões de tratamentos em pó. Eles foram adquiridos em 2005, época de uma possível epidemia de gripe aviária. Além disso, na terça-feira (21 de julho), o governo federal recebeu mais 50 mil tratamentos. Desses, 15 mil vão para o Rio Grande do Sul, estado entre os mais afetados pela doença. Outros estados com maior número de casos também receberam quantidade adicional de tratamento. Até o fim de julho, o MS vai receber mais 150 mil tratamentos. Nas próximas semanas, será um milhão a mais de medicamentos disponíveis, além do que está estocado em pó. O Ministério esclarece que o estoque de remédios está de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

5 - Quais os critérios de utilização para do medicamento fosfato de oseltamivir?
Apenas os pacientes com agravamento do estado de saúde nas primeiras 48 horas, desde o início dos sintomas, e as pessoas com maior risco de apresentar quadro clínico grave serão medicados com o fosfato de oseltamivir. Os demais terão os sintomas tratados de acordo com indicação médica. O objetivo é evitar o uso desnecessário e uma possível resistência ao medicamento, assim como já foi registrado no Reino Unido, Japão e Hong Kong. É importante lembrar, também, que todas as pessoas que compõem o grupo de risco para complicações de influenza requerem avaliação e monitoramento clínico constante de seu médico, para indicação ou não de tratamento com o fosfato de oseltamivir.

6 - Quem está no grupo de risco?
O grupo de risco é composto por idosos, crianças menores de dois anos, gestantes, pessoas com diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal crônica, deficiência imunológica (como pacientes com câncer, em tratamento para AIDS), pessoas com obesidade mórbida e também com doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como anemia falciforme.

7 - Por que o Rio Grande do Sul registra tantos casos da influenza A (H1N1)?
Todos os anos, o Brasil registra ocorrências de casos graves e óbitos por gripe e doenças associadas, como pneumonia, em todas as regiões. Neste período do ano, que é inverno, sempre há maior ocorrência desses casos, em especial no RS e nos outros estados do Sul e Sudeste. Isso porque eles têm o inverno mais rigoroso e mais prolongado. Além disso, no caso especifico da influenza A (H1N1), há países com maior número de casos que fazem fronteira com o Rio Grande do Sul, como é o caso da Argentina. A disseminação da doença aumenta e não é indicado controlar o fluxo de pessoas na fronteira, pois isto não tem efeito na disseminação da doença.

8 - Grávidas podem tomar fosfato de oseltamivir?
Não há registros de efeitos negativos do uso do fosfato de oseltamivir em mulheres grávidas e em fetos. No entanto, como medida de precaução e conforme orientação do fabricante, esse medicamento só deve ser tomado durante a gravidez se o seu benefício justificar o risco. Essa decisão deve ser tomada de acordo com indicação médica.

9 - Existe transmissão sustentada do vírus da Influenza A (H1N1) no Brasil?
Desde 24 de abril, data do primeiro alerta dado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre o surgimento da nova doença, até o dia 15 de julho, o Ministério da Saúde só havia registrado casos no país de pessoas que tinham contraído a doença no exterior ou pego de quem esteve fora. No dia 16 de julho, o Ministério da Saúde recebeu a notificação do primeiro caso de transmissão da Influenza A (H1N1) no Brasil sem esse tipo de vínculo. Trata-se de paciente do Estado de São Paulo, que morreu no último dia 30 de junho. Esse caso nos deu a primeira evidência de que o novo vírus está em circulação em território nacional. Todas as estratégias que o MS deveria adotar numa situação como esta já foram tomadas há quase três semanas. O Brasil se antecipou. A atualização constante de nossas ações contra a nova gripe permitiu que, neste momento, toda a rede de saúde esteja integrada para manter e reforçar as medidas de atenção à população.

10 - Qual a diferença entre a gripe comum e a Influenza A (H1N1)?
Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus Influenza. Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza. Por isso, não importa, neste momento, saber se o que se tem é gripe comum ou a nova gripe. A orientação é, ao ter alguns desses sintomas, procure seu médico ou vá a um posto de saúde. É importante frisar que, na gripe comum, a maioria dos casos apresenta quadro clínico leve e quase 100% evoluem para a cura. Isso também ocorre na nova gripe. Em ambos os casos, o total de pessoas que morrem após contraírem o vírus em todo o mundo é, em média, de 0,5%.

11 - Quando eu devo procurar um médico?
Se você tiver sintomas como febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza, procure um médico ou um serviço de saúde, como já se faz com a gripe comum.

12 - O que fazer em caso de surgimento de sintomas?
Qualquer pessoa que apresente sintomas de gripe deve procurar seu médico de confiança ou o serviço de saúde mais próximo, para receber o tratamento adequado. Nos casos de agravamento ou de pessoas que façam parte do grupo de risco, os pacientes serão encaminhados a um dos 68 hospitais de referência.

13 - Por que o exame laboratorial parou de ser realizado em todos os casos suspeitos?
Essa mudança ocorreu porque um percentual significativo %u2014 mais de 70% %u2014 das amostras de casos suspeitos analisadas em laboratórios de referência, antes dessa mudança, não era da nova gripe, mas de outros vírus respiratórios, ou não era de nenhum virus. Com o aumento do número de casos no país, a prioridade do sistema público de saúde é detectar e tratar com a máxima agilidade os casos graves e evitar mortes.

15 - Os hospitais estão preparados para atender pacientes com a Influenza A (H1N1)?
Atualmente, o Brasil possui 68 hospitais de referência para tratamento de pacientes graves infectados pelo novo vírus. Nestas unidades, existem 900 leitos com isolamento adequado para atender aos casos que necessitem de internação. Todos os outros hospitais estão preparados para receber pacientes com sintomas leves de gripe.

16 - Como eu posso me prevenir da doença?
Alguns cuidados básicos de higiene podem ser tomados, como: lavar bem as mãos frequentemente com água e sabão, evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies, não compartilhar objetos de uso pessoal e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.

Fonte: http://www.educacaoadventista.org.br/ensino_medio

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7

jul
2009

A Ditadura Militar em Santa Catarina

Operação Barriga Verde x Novembrada: Repressão e resistência em SC na Ditadura
Entrevista com o jornalista Celso Martins sobre a Operação Barriga Verde, Novembrada e outras resistências.

Santa Catarina ficou um pouco fora da história quando se trata do período da ditadura. Não houve nenhum general envolvido diretamente com o Golpe em 64, nenhum marechal presidente, nem focos de guerrilha armada. Mas a ditadura também passou por aqui deixando suas marcas.

A caça de militantes de esquerda, a tortura institucionalizada, após o Ato Institucional no5, chegou até aqui através da Operação Barriga Verde. Provavelmente o maior exemplo de repressão no Estado.

No dia 13 de dezembro de 1968 é decretado o AI-5. O ato retirava todos os direitos políticos e legalizava a caça aos inimigos e inimigas do regime. Mas para o general Jayme Portella, na época secretário-geral do Conselho de Segurança, as policias estaduais não agiam eficientemente perante novas ameaças de guerrilhas urbanas e rurais.

Em julho de 1969 o presidente Costa e Silva expediu uma Diretriz para a Política de Segurança Interna. A Diretriz resultou na Operação Bandeirante, em São Paulo. A partir deste Sistema de Segurança Interna, oficiais do Exército centralizavam as operações repressivas. Todas as delegacias deveriam mandar os suspeitos e as suspeitas de crimes políticos para a Operação Bandeirante, mais conhecida como Oban. Os presos e as presas eram submetidos/as à sessões de tortura para que pudessem ser processados/as através de suas confissões. Além de entregar outros focos de resistência.

Este sistema se espalhou por todo o país. "Foi mais ou menos uma escadinha: Minas, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul", explica o jornalista Celso Martins. Para ele estas operações serviram para abafar as atividades do Partido Comunista Brasileiro. Os militares temiam o seu crescimento massivo e político na população, já que o PCB era contra as resistências armadas.

No dia quatro de novembro de 1975 é instalada a Operação Barriga Verde. A partir deste dia foram presas 42 pessoas em Santa Catarina. De acordo com Celso Martins "foi a primeira vez que se usou a tortura sistemática como forma de obter informações e confissões para montar inquérito e abrir processo contra essas pessoas." Entre os perseguidos: Marcos Cardoso, presidente da juventude do MDB, Valdir Alves, jornalista, precisou se exilar, Cirineu Martins Cardoso, da juventude do MDB.

Depois da Operação Barriga Verde sobraram poucas pessoas do PCB. Agentes infiltrados dentro do partido localizaram rapidamente outros/as militantes. Alguns/mas presos/as sob tortura entregaram alguns nomes. Foram utilizados métodos como pau-de-arara, choques elétricos e empalamento.

"Eles foram presos e levados para o quartel, hoje o 63 BI, no Estreito. Do Estreito foram levados para uma unidade militar em Curitiba", conta Celso Martins. Em Curitiba a tortura foi mais sistemática e violenta para obter os elementos para o inquérito. Do Paraná eles/elas vieram aos poucos para a sede da Polícia Federal, que ficava no Estreito. Segundo Martins "a Polícia Federal precisou, para fechar os depoimentos, torturá-los novamente." Da Polícia Federal alguns foram para o 4o BPM, alguns para a penitenciária, duas ou três mulheres foram para o Hospital Celso Ramos e, mais tarde, foram para a antiga Colônia Penal Agrícola de Canasvieiras.

REARTICULAÇÃO ESTUDANTIL

No final dos anos 60 Celso Martins fazia parte do grêmio estudantil do Colégio Aplicação, de segundo grau. Recorda da censura do jornal feita pela direção do colégio. Como ele diz, não era preciso ir muito longe para perceber o alcance do regime.

Por volta de 1970 surge o Centro de Cultura Catarinense. Foi criado por militantes da Ação Popular e militantes independentes. Celso Martins, que participou desta organização lembra que "O Centro de Cultura Catarinense foi um momento de expressão, de organização, discussão e preparação para o processo de resistência". O Centro era sediado no Colégio Coração de Jesus e realizava feiras de livros. As feiras não foram reprimidas porque, segundo Martins, "não tinha literatura de esquerda. A gente vendia grandes autores brasileiros, poesias. A possibilidade que tinha era de fazer esse trabalho de as pessoas lerem a produção crítica do cotidiano". O Centro de Cultura Catarinense também organizou com os grêmios do Colégio Aplicação e da Escola Técnica um encontro estadual de estudantes secundaristas.

A Operação Barriga Verde gerou um movimento forte pela Anistia e pela volta do movimento Estudantil. Grande parte dos presos eram do PCB e estudantes. Existia também o Decreto 477 que proibia qualquer atividade política na universidade. "Essa indignação do pessoal, que fez perder o medo, fez o movimento estudantil ganhar força" lembra Martins.

Os estudantes que lutavam pelo fim da ditadura, ligados ou não ao PCB, ensaiaram uma volta. Se organizaram nos Diretórios Acadêmicos e articularam a volta da União Catarinense dos Estudantes.

COOPERATIVANDO, NÚCLEO ANARQUISTA DE FLORIANÓPOLIS E MOVIMENTO FEMININO PELA ANISTIA

Um grupo chamado Cooperativando promovia atividades no DCE da UFSC. O grupo reunia pessoas ligadas à literatura e promovia happenings. Em Brusque um grupo de artistas realizava a Feira Nacional de Arte de Rua. O grupo, que não era ligado ao Partido Comunista, denunciava a ditadura partindo de um ponto de vista mais libertário.

Participaram do Cooperativando pessoas ligadas ao Núcleo Anarquista de Florianópolis. O Núcleo, que durou de dois a três anos, também teve uma atuação significativa na campanha pela Anistia.

Em Florianópolis existia uma seção do Movimento Feminino pela Anistia. "Quem trouxe o Movimento Feminino pela Anistia foi, na época uma estudante de farmácia-bioquímica, Margareth Grando", conta Celso Martins. Margareth foi até São Paulo conversar com Dona Terezinha Zerbini, coordenadora do movimento nacional, e trouxe o movimento para cá. De acordo com Martins, "aqui ele foi integrado pela Marise Naravalhas, que era esposa do Marcos (Cardoso), que estava preso. E pela Maria Rita Mota, esposa de Roberto Mota, que também estava preso". Além destas, vários familiares e pessoas ligadas a Igreja participaram do Movimento Feminino pela Anistia.

Nem todos eram comunistas, mas eram contra as torturas e o regime autoritário. Não concordavam com fatos como, por exemplo, Roberto Mota ter inseticida injetado em suas veias nas sessões de tortura.

xxx

NOVEMBRADA - reação à visita de Figueiredo

Em 1979 existiam vários movimentos lutando contra a ditadura, como a movimento pela anistia, movimento estudantil, movimentos culturais. O "Milagre Brasileiro" não escondia o arrocho salarial da maioria da população. Foi anunciado um aumento de 30% na gasolina. Neste contexto, o presidente João Figueiredo faz uma visita à Florianópolis, no intuito de aumentar a sua popularidade.

No dia 29 de novembro, o presidente Figueiredo apareceria ao público no Palácio do Governo, agora Museu Cruz e Souza. Os estudantes da UFSC organizaram um protesto com panfletos e faixas. Ao contrário do que esperavam os estudantes, as pessoas que estavam na Praça XV ajudaram a manifestação. "Com palavras de ordem de liberdade, abaixo a fome, abaixo a exploração", esperavam a presença do presidente, lembra Celso Martins.

Quando Figueiredo apareceu na janela, fez um gesto que foi interpretado como uma ofensa. Celso Martins lembra que "outros diziam que não, que ele apenas juntou o indicador e o polegar, para dizer que era uma minoria, uma gente pequena. Mas quem estava protestando, achou que ele estava ofendendo o pessoal."

A partir daí a manifestação mudou de tom. Martins recorda que alguns torcedores do Avaí, time da ilha de Florianópolis rival do Figueirense, que é do continente, fizeram uma brincadeira com um grito de estádio. "Um, dois, três, quatro, cinco mil: queremos que o Figuera vá pra #&*¨#*&§§". Figuera foi facilmente trocado por Figueiredo e todo mundo começou a gritar. Indignado o presidente Figueiredo quis descer do palácio e brigar com os manifestantes.

Após o incidente Figueiredo prosseguiu a visita e foi até o Ponto Chic, bar localizado no calçadão da Felipe Schmidt. "Ele achou que o protesto estava restrito, mas não estava. Lá houve mais pancadaria. O ministro das Minas e Energias, César Cals, levou um tapa e caiu." Tudo que foi preparado para a visita de Figueiredo foi destruído. As pessoas arrancaram a placa em homenagem a Floriano Peixoto que seria inaugurada. O marechal Floriano Peixoto usou a fortaleza de Anhatomirim para fuzilar 185 oposicionistas em 1894. Trocou o nome da cidade Nossa Senhora do Desterro para Florianópolis em sua homenagem.

A resposta veio pela manhã do dia 30, um sábado. Sete manifestantes foram perseguidos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional: Foram presos, Marise Lippel, Newton Alexandre, Amílton Alexandre (Mosquito), Geraldo Barbosa, Rosângela K. de Souza. Lígia Giovanella e Adolfo Dias, então presidente do DCE, fugiram e se esconderam em Rio de Cedros. "Ficaram lá alguns dias escondidos. Havia o temor, em função da experiência da Operação Barriga Verde, que houvesse tortura", explica Celso Martins.

No sábado seguinte, manifestantes se reuniram no apartamento de Nelson Vedekin, advogado e presidente da Comissão de Justiça e Paz, de Florianópolis. Marcaram para domingo uma reunião na casa paroquial da igreja São Sebastião, para discutir o que fazer. "Esperamos que fossem 15, 20 pessoas. Apareceram 150, 200 pessoas", recorda Martins. Marcaram para a terça-feira seguinte na frente da Catedral da Praça XV um ato público para denunciar as prisões.

Antes mesmo do início do ato a polícia dispersou violentamente a manifestação com cavalaria. Os manifestantes se reencontraram e realizaram o ato na estátua do Nereu Ramos do lado da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. "Essa mobilização cessou ali. Mas se formaram comitês pela libertação dos estudantes, pela absolvição", por terem sido enquadrados na Lei de Segurança. Foram julgados pela auditoria militar em Curitiba. Nelson Vedekin e Roberto Mota, que foi preso na Operação Barriga Verde, foram os advogados dos sete estudantes. Foram absolvidos/as depois de três anos de processo.

Celso Martins lembra como era difícil organizar qualquer forma de resistência naqueles anos, especialmente após o AI-5: "Não se podia duas, três pessoas conversando num bar. Era suspeito. Se falava em código, se falava em tom de voz bem baixinho. Se chegava algum estranho, mudava de assunto."

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