Portal da Educao Adventista

*Profª Ritíssima *

11

ago
2010

Palmadas - o que fazer com elas?

 

Palmadas: o que fazer com elas?

Mal as aulas tiveram seu reinício após as férias escolares do mês de julho, levantou-se uma polêmica sobre dar ou não palmada nos filhos. Afinal com tanta violência descontrolada, com tanta bandidagem que domina a sociedade, é necessário voltar à atenção para uma lei que proíbe o pai ou a mãe de dar uma palmadinha no filho. Quem é que não levou uma palmadinha sequer? Pode até ser que um filho muito santinho nunca tenha levado. Mas é raro. O pai e a mãe conversam, explicam, argumentam desde que a criança começa a ter entendimentos. Mas um belo dia aquela criança indefesa vai e dá um soco no rosto de alguém, ou um ponta-pé. Pai e mãe conversam, explicam tudo na base do diálogo. Semana seguinte tudo se repete. Pai e mãe dizem que não vai ter sorvete, nem aquele passeio que a criança tanto queria. Ao que ela responde: ¨Não quero mais mesmo¨. Até que um belo dia o brinquedinho preferido é fazer um racha. Ou queimar um morador de rua. Ou esconder dinheiro na cueca.

Ninguém está falando de espancamentos e outras aberrações e assassinatos. Essa é outra situação que merece polícia e cadeia.

O ECA até hoje, desde sua aprovação enquanto Lei, não conseguiu cumprir com toda a sua proposição. Continuamos vivenciando cenas de exploração de menores, violência urbana com as crianças sendo colocadas à beira das esquinas para pedirem esmolas, exploração sexual de meninas, crianças fora da escola. Crianças que abandonam a escola porque estão famintas, foram espancadas ou queimadas a ferro, ou pela mãe, ou pelo pai, ou pelo padrasto ou madrasta. Ou ainda crianças que tiveram promoção automática até o final da 4.ª série e, chegam na 5.ª série sem ler e nem escrever. Ficam tão desanimadas ao longo da 5.ª, da 6.ª e acabam abandonando a escola. Estamos também falando de crianças que já em tenra idade têm que tomar conta de seus irmãos menores ainda para que a mãe possa ir trabalhar, ou ainda as próprias crianças têm que trazer o sustento da família.

Com tanto assunto importante de agenda para ser votado o Congresso cria uma lei polêmica trazendo para a pauta de discussão a proibição da palmada!! Vivemos um momento crítico onde predomina a impunidade, mesmo com fortes indicativos para a

punição. Presenciamos cenas alarmantes de descalabros, de brincadeiras violentas entre os jovens, de barbáries com crimes violentos. E o Congresso vem proibir mãe e pai de dar uma palmada! Talvez tenha é faltado palmada no Congresso.

Filho e filha têm que ficar com a educação dada pelos pais. Esses pais têm que ter tempo para dedicar-se a sua família. Não podem deixar para a escola nem para o governo a responsabilidade pela formação de seus filhos e filhas. Governo irá doutriná-los nas escolas de tempo integral. Se o pai e a mãe não têm autonomia para corrigir filho e filha a educação fica mais uma vez para a escola que de vez irá assumir o papel na formação do cidadão. Estamos chegando à situação seguinte: pai e mãe trabalham fora todos os dias; após o nascimento do bebê a licença maternidade dará à mãe o tempo de seis meses para ela cuide de seu bebê, depois ele será entregue para a creche que será responsável a partir de então pela educação das crianças. De noite, o pai e a mãe já muito cansados só querem colocar seus filhos para dormir. Resta o final de semana, feito de brincadeiras e passeios para agradar de todo o jeito os pimpolhos.

Logo que o ECA foi aprovado, como não houve um diálogo maior por parte das autoridades, as escolas principalmente, ficaram à mercê das agressividades dos alunos. Nada podia ser feito para um comportamento desmedido e agressivo de alunos e alunas. Os professores, equipe de direção só ouviam alunos e alunas dizendo: vou contar para meu pai e minha mãe que a escola me repreendeu, então eles irão denunciar vocês para o Ministério Público. A partir de então presenciamos alunos batendo em professores, em colegas, e vivemos um momento de completo desgaste emocional dos professores que em muitas situações têm medo de seus alunos e alunas. As crianças e adolescentes aprenderam muito rápido seus direitos mas não seus deveres.

No cenário atual iremos vivenciar situações onde filhos ou filhas se voltarão para pai e mãe, em qualquer situação de uma boa e necessária reprimenda, ameaçando-os de denúncias junto ao Poder Público.

Escola em tempo integral? Nâo sei não. Lugar da criança durante sua infância e início da adolescência é junto de sua família. É almoçar em casa, todos os dias, é conversar, contar sobre suas histórias e sonhos. É brincar em casa, criando suas próprias brincadeiras. Sentindo-se amados e protegidos para formarem uma couraça de proteção e de amor.

E o Congresso criando uma lei que não diz respeito a ele, mas sim apenas para o pai ou a mãe.

Fátima Chueire Hollanda é assessora pedagógica do Sinepe/PR.

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9

ago
2010

Resiliência e Educação

Resiliência e educação                                 

O medo do fracasso é um dos motivos pelos quais desenvolvemos resistência à aprendizagem. Adquirir um novo conhecimento exige persistência, dedicação e esforço; requer tempo, renúncia a várias formas mais imediatas de prazer, e, principalmente, abdicar do conforto oferecido pelas habilidades já dominadas. Aprender um novo idioma, por exemplo, demanda investimento financeiro e intelectual. Envolve frustração, insistência, leituras, conversas, testes, mais leituras, e, ao final, muita alegria e o descortinamento de novas possibilidades culturais e profissionais.
O maior problema parece ser a dificuldade de trilhar os árduos passos necessários para o aprendizado, pois estamos imersos em uma cultura na qual se deposita demasiada esperança na sorte, no jeitinho, nos milagres de loterias e "realities shows". A impressão generalizada é a de que o esforço pessoal, o zelo, o aprofundamento dos estudos de nada valem, pois o mundo é dos espertos e não dos dedicados. Boa parte dos heróis midiáticos parece ungida pela fortuna sem necessidade de perseverar em objetivos educacionais ou profissionais, bafejados por boa estrela em pontos de ônibus ou passeios em shoppings, sem vicissitudes existenciais, sem sofrimentos visíveis.
Não é bem assim, para cada pessoa que obteve sucesso instantâneo há milhares de outras que não o conseguiram; e mesmo os aparentes felizardos muitas vezes atingiram suas metas com sacrifícios, algum talento e muita sorte. Na vida real erramos, somos criticados e ficamos constrangidos.
Como superar o receio dos tropeços, a vergonha da exposição pública de insuficiências, das faltas, das ignorâncias? Alguns pais, e com as melhores intenções, cultivam excessivamente o desejo da vitória em seus filhos, esquecendo-se de pontuar o difícil caminho para obtê-la, e muitos desses filhos crescerão com a sensação de que o sucesso lhes é devido, por decreto e sem esforço. À primeira frustração correrão a buscar culpado externo, eventualmente sua escola, que não ensinou corretamente, ou seja, de forma fácil e sem atribulações, todo o necessário para evitar o malogro.
Nenhum professor ensina sem ter desenvolvido em longos anos de estudo suas habilidades e conhecimentos, ninguém aprende por magia ou mero compromisso apenas com o resultado. Obstáculos fazem parte do processo educacional, alguns fracassos ensinam mais que certos triunfos.
O ser humano desta nova era deve possuir resiliência. Resiliência, em Resistência dos Materiais, é a propriedade de um corpo se deformar quando submetido à determinada tensão e retomar sua forma original depois de cessada a aplicação da força que o deformara. Em termos educacionais é a qualidade de ser adaptável a novas situações e conhecimentos, sem perder a determinação original e os fundamentos éticos e cognitivos, já que o conteúdo vem antes da técnica. Afinal, comunicadas oralmente, escritas em pergaminho, impressas em papel, transmitidas pela internet, as palavras do pensador de mais de dois mil anos atrás têm maior importância que o meio em que são divulgadas: "conhece a ti mesmo". Autoconhecimento não é simples, e envolve muitos enganos. Precisamos ver nossos fracassos como outra forma de aprendizagem.

Texto de Wanda Camargo, coordenadora da Comissão do Processo Seletivo das Faculdades integradas do Brasil (UniBrasil).

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