Portal da Educao Adventista

*Profª Ritíssima *

30

jun
2013

Ditado de produção de texto: coesão e coerência

A produção de texto com palavras do ditado - aprendendo coerência e coesão

O ditado é uma atividade muito freqüente em sala de aula. É importante para checar o vocabulário dos pupilos e, claro, a ortografia. 

Mas que tal aliar o ditado à produção de texto? 

O professor faz um ditado de seis palavras de grupos semânticos iguais e diferentes, por exemplo: cachorro, vizinho, pai, assustou, cadeira, sorriu. 

Imediatamente após o ditado, o professor irá corrigi-lo coletivamente. O próprio aluno irá fazer a auto-correção, de acordo com a do quadro. A auto-correção é muito interessante, pois a criança começa a ter percepção do erro cometido e, como a correção é feita logo após o ditado, o estudante consegue entender até mesmo o motivo que o levou ao erro: falta de atenção, pressa ao escrever, problemas na grafia. 

Em seguida, o professor irá propor a elaboração de um texto narrativo. Contudo, ao longo da narração, o estudante deverá incluir as palavras do ditado. 

Essa tarefa deverá ser feita em sala, para que o aluno não desvie a atenção para outros afazeres. A criatividade estará mais aguçada, já que enquanto escrevia as palavras ditadas, as imagens correspondentes aos vocábulos vinham à mente do aluno. 

O professor ultrapassará a expectativa pedagógica do ditado, quando o aliar à produção textual. Não serão apenas termos, mas desde já a criança estará trabalhando a coerência e a coesão mesmo que não perceba, pois deverá inserir as palavras do ditado de maneira que tenha sentido lógico para quem lê, além de clareza. 

Essa atividade auxilia na coordenação motora, na noção de tempo, na grafia, na percepção ortográfica, na introdução à coesão e coerência, no estímulo à criatividade e na interação professor-aluno. O ditado passará de uma tarefa complicada e difícil para uma atividade prazerosa em que o aluno se sentirá seguro da própria escrita e livre para a produção textual.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

 

comentários[0]

30

jun
2013

História em quadrinhos

A proposta de atividade a seguir é para alunos que já são alfabetizados e que iniciaram suas produções de texto. 

Os alunos tem, desde as fases iniciais, um encantamento pelos quadrinhos. As histórias tem ações rápidas, de fácil compreensão e provocam boas risadas nas crianças. 

O gosto pela leitura muitas vezes começa pelos quadrinhos, pois é um tipo de texto que torna o ato de ler divertido. Há determinadas histórias que foram lidas por muitas vezes pelo mesmo aluno, pois o infante identifica-se com as personagens e situações expostas. 

É importante que o professor aproveite essa fase dos quadrinhos, pois a tendência é que esse período passe, fato este necessário, uma vez que o aluno precisa ter contato com outros tipos de literatura. 

Primeiramente, o professor deve selecionar algumas revistas em quadrinho, de preferência as mais antigas, pois as crianças precisarão recortá-las. 

O educador distribui para cada aluno uma folha de papel A4 em branco, que deverá ser dobrada ao meio, de modo que fique com duas faces brancas. 

Após a entrega das folhas, para cada aluno o professor distribuirá uma revista em quadrinhos. E então, o educador terá três opções de atividades. Vejamos: 

Primeira: Pedir que os alunos escolham uma história e a reformule. Neste caso, os estudantes não poderão mudar a figura e a disposição das personagens em cada quadrinho. O único intuito nesta atividade é fazer com que eles criem novos diálogos ou até mesmo novas situações às personagens sem, contudo, modificar o ambiente, as personagens e os objetos de cada cena. Os alunos deverão recortar cada quadrinho e modificar apenas os diálogos das personagens para iniciarem a montagem da história em quadrinhos. 

Segunda: Solicitar que os alunos escolham as personagens e seus posicionamentos em cada quadrinho, os objetos de cada cena, a seqüência da história, etc. Depois, os infantes deverão escrever diálogos para cada quadrinho que montou. 

Terceira: Neste caso, além das solicitações da segunda opção, o professor deverá sugerir que os pupilos recortem diálogos aleatórios para sua colagem. Ou seja, o estudante não criará diálogos, mas deverá escolher ao longo das histórias dos quadrinhos falas compatíveis e mais coerentes possíveis com a cena montada. 

 

image

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É importante que o professor explique como o aluno deverá montar a história em quadrinhos na folha em branco e enfatize a necessidade da história ter um sentido lógico: começo, meio e fim. Além disso, o educador deverá explanar a importância da história em quadrinhos ter um objetivo: de entreter (cômico), de passar um moral (ensinamento), de fazer uma crítica (sátira), etc. 

Essa atividade desenvolve a escrita, o sentido de coerência pela associação da imagem (cena) com o diálogo, a coordenação, a criatividade, o gosto pela leitura e produção de texto, além da integração entre professor-aluno e aluno-aluno. 

Observação: O educador pode fazer os mesmo processos apontados com: a charge, o cartoon, as tirinhas, etc.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

 

comentários[0]

30

jun
2013

O espaço das profissões discutido por meio da Literatura

Discutir acerca do espaço das profissões com base na Literatura resulta numa importante proposta didática

Teatro das profissões

Eu sou um serralheiro,
Trabalho o dia inteiro,
Gosto muito do que faço,
Trabalho com solda e aço...

Eu sou um bombeiro,
Tenho ambulância e carros-pipas,
E sempre chego primeiro,
Combatendo o fogo e salvando vidas...

Eu sou um engenheiro,
E construo a cidades,
Projeto prédios inteiros,
Escolas, casas e maternidades...

Eu sou a médica,
Cuido dos doentes e machucados,
Dou remédios na dose certa,
Para que todos fiquem curados...

Eu sou a costureira,
Trabalho com linha e panos de algodão,
Faço roupa nova e faceira,
Mas também remendo furos e prego botão...

EU sou o marceneiro,
Faço móveis de todos os lugares,
Cozinha, sala, quarto e banheiro
Preenchendo todos os lares...


Eu sou o motorista,
E levo coisas que você ainda não viu,
No caminhão carga, no ônibus o turista,
Viajando pelas estradas do Brasil...

Eu sou a dentista,
E cuido bem do seu sorriso,
Cárie não aparece na minha vista,
Pois para tirá-la, faço o que for preciso...

Eu sou o eletricista,
Trabalho com eletricidade,
Levo luz para quem precisa,
Em qualquer lugar da cidade...

Eu sou a enfermeira,
E cuido dos dodóis dos doentes,
E dou vacinas certeiras,
Nos bumbuns de todas as gentes...

Eu sou o policial,
E patrulho todas as ruas,
Dia e noite, para mim é normal,
Para garantir a segurança sua...

Eu sou a professora,
Ensino matemática e ABC,
Para que tenhas uma vida promissora,
E assim, inteligente crescer...*

Marco Ramos

Aparentemente, em se tratando de propostas didáticas, o poema em questão parece não "casar" assim tão bem quando o assunto se refere, sobretudo, a um público cuja faixa etária se encontra num patamar mais elevado. No entanto, analisado sob outro prisma (deixando as adequações em segundo plano), ele parece se ajustar perfeitamente ao assunto que ora nos propomos a discutir, norteado, portanto, pela escolha da profissãopelo futuro profissional, por certo ainda tão 'incerto' nas muitas cabecinhas daqueles que ocupam, nem que seja por algumas horas, uma cadeira no ambiente escolar. Assim, ao contextualizarmos a fase demarcada pelo Ensino Médio, na qual se subentende que as prioridades já se encontram bem mais ajustadas que no Ensino Fundamental, a pertinência para algumas abordagens acerca do caso parece ganhar ainda mais relevância, mais notoriedade, haja vista que são somente três anos para a tão discutida decisão (na verdade, apenas dois, pois no último deles a opção já tem de estar definida).

Nesse ínterim, influências há de toda parte, ou seja, existe o pai que, por exercer esta ou aquela profissão, deseja incessantemente incutir nos filhos a importância (isso, segundo a concepção dele) de seguirem a mesma trajetória. Existe também aquele lado, digamos assim, "negro", que apenas dificulta a situação, quando não faltam pessoas para apontar acerca dos fracassos, sobretudo os financeiros, quese destinam a esta ou aquela profissão. Dessa forma, o(a) jovem acaba se perdendo, muitas vezes não vendo propósito algum em estar se preparando, fato esse que culmina nas constatadas evasões que atestam os muitos indícios de que já temos conhecimento.

Frente a essa realidade, estimado(a) educador(a), que essa prestigiada classe (dos professores) pode entrar com sua parcela de contribuição e promover um espaço para que esses aspectos sejam enfatizados e discutidos amplamente dentro de um ambiente que parece mais do que propício para tal. Dessa forma, aqui em caráter específico, direcionamos nosso olhar para o professor de Língua Portuguesa, o qual, dentre as oportunidades que lhe são concedidas para esse explorar, pode realizar um proveitoso trabalho com a Literatura.

Para tanto, elegemos "Futuro feito à mão", cuja autoria se refere à Giselda Laporta Nicolelis, entre outros autores, uma vez que se trata de uma reunião de contos, em que cada um deles assume uma autoria distinta. O enredo que a eles se atribui, ainda que de maneira fictícia, aborda acerca das escolhas profissionais, apontando "as pedras no caminho", desmitificando concepções, valorizando acerca da função social do trabalho, enfim, é uma obra para ser lida, discutida e explorada sob todos os níveis, sejam esses no aspecto linguístico, sejam no discursivo propriamente dito. Nesse sentido, apontando sobre essa função social que adquire o trabalho, a valorização de toda e qualquer profissão também entra em jogo, obviamente, e é assim que nada custa voltar ao poema em questão e propor algumas discussões acerca dele, antes, é claro, de partir para a leitura da obra.

Realizada tal proposta, seminários, debates, dramatizações, entre outras iniciativas, são sempre bem-vindas, mas para facilitar o seu trabalho, sobretudo porque formalizar por escrito também faz parte dos intentos pedagógicos, eis algumas sugestões:

1 - Ao lermos uma determinada obra literária, além de nos atentarmos ao enredo (história) propriamente dito, temos de estar cientes no que se refere a outros aspectos. Dessa forma, cite:

- Título da obra;

- Nome completo dos autores;

- Nome dos ilustradores;

- Nome da editora;

- Número da edição;

- Local onde o livro foi publicado;

- Ano em que a obra foi publicada.

2 - Giselda Laporta Nicolelis, juntamente aos demais autores, aborda acerca de uma questão bastante pertinente nos dias atuais: a escolha do futuro profissional. Nesse sentido, eis que uma pergunta se revela como primordial: você, nem que seja por alguns instantes, já se pegou pensando sobre isso? O que acha dessa ideia?

3 - "Zelar" pelo nosso futuro é, sem dúvida, dever de todos nós, buscando sempre aprimorar os conhecimentos, investir na capacitação profissional, entre outros aspectos. Dessa forma, o que você considera como o mais importante: o lado econômico, ou seja, aquela profissão mais bem remunerada, ou a realização profissional? Por quê?

4 - De acordo com as experiências conquistadas por meio da leitura que realizou, você pôde constatar que o enredo é todo constituído por contos, os quais falam sobre algumas profissões, de modo específico. Assim, no primeiro deles, intitulado "O fator humano", Élcio, um dos assessores do doutor Luiz Francisco, dirige-se à Samantha na intenção de perguntá-la se não ia bancar a madre Teresa de Calcutá, levando o dito-cujo para casa.

Relembrando, de quem ele estava falando? Qual foi a atitude que ela tomou ao perceber que não poderia contar com a ajuda de ninguém que trabalhava ali, na mesma empresa?

5 - Carpe Diem, outro conto da história, traz como protagonista a advogada Vanessa, recém-formada. Assim, advogando causas dos clientes, ganha de um deles um presente meio inusitado, diferente daqueles considerados "normais". Que presente foi esse e o que ela fez com o objeto?

6 - Sempre quando lemos uma obra, algumas passagens parecem mexer mais com nossos sentimentos do que outras - fato que não podemos negar ao lermos o conto "Olhar com o coração", não é verdade? Partindo dessa ideia, o Dr. Leonardo, médico entrevistado pela jornalista Sofia, disse-lhe algo bastante profundo, algo que nos conduz a uma reflexão constante, assim: "Há coisas na Medicina que não são compreendidas com o racional, com os olhos de uma repórter, mas apenas com o coração de uma pessoa que sente e enxerga além". Assim, qual a sua opinião sobre a atitude que teve esse grande profissional, ao dizer essas belas palavras?

7 - Dada a importância da temática trabalhada em todos os contos, podemos identificá-la em distintas circunstâncias comunicativas, inclusive na música. Nesse sentido, observe alguns fragmentos extraídos da canção "Quem sou eu", de autoria da banda Hori, na qual um dos integrantes é o filho do cantor Fábio Júnior - Fiuk:

[...]

Vou descobrir o que é melhor pra mim
Que profissão eu quero, futuro que eu espero
Vou encontrar o que me faz feliz
Sem saber o que vai ser (vai ser)
Sem saber o que vai ser

Se é pra eu tentar ser alguém bem melhor
Deixa eu tentar ser quem eu sou
Ganhar ou perder tanto faz
Não me importa
Eu quero é mais ser quem eu sou

[...]

Nota-se uma descoberta do próprio "eu" por parte da voz que expressa dentro da letra musical, concorda? Assim, você considera que é importante a pessoa se conhecer para fazer uma boa escolha profissional? Justifique sua resposta.

8 - A charge a seguir, apesar de explorar a linguagem não verbal, também enfatiza o assunto expresso na obra lida. Nesse sentido, tendo em vista que ao terminar a Educação Básica, a qual você se encontra cursando, logo irá ingressar numa universidade e fazer um curso de acordo com suas escolhas profissionais, interprete acerca do que você presencia na imagem a seguir, lembrando-se de que nem todo profissional, por um motivo ou outro, tem a sorte de ser bem-sucedido.

image


Charge de autoria do cartunista Daryl Cagle

9 - Ainda ressaltando acerca do conto "Olhar com o coração", na página 72, Sofia, ao constatar o ritmo acelerado em que vivia tanto o Dr. Leonardo quanto o Dr. Gilberto, acaba chegando a uma importante conclusão sobre a Medicina. Assim, você seria capaz de citá-la?

10- Após se inteirar do assunto expresso em todos os contos, você, que também pretende ser um(a) profissional futuramente, consegue se identificar com algumas das profissões neles abordadas? Caso sua pretensão não se refira a nenhuma delas, relate qual deseja seguir e justifique o porquê de sua escolha.

E é isso que vai fazer a diferença do seu trabalho, como é o que o que faz a diferença do meu.  Se fazemos com o coração, somos profundos, somos verdadeiros conosco mesmos e com os outros, e aí mostramos o quanto somos únicos e o quanto o que fazemos também é único.

(Palavras do Dr. Leonardo - personagem da história lida)


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

 

comentários[0]

30

jun
2013

Discorrendo acerca de práticas metodológicas

no âmbito da Literatura

 

A leitura literária revela distintas experiências, tanto pessoais quanto coletivas 


Dentre as muitas competências delegadas ao educador, mediante sua prática pedagógica, figura-se aquela de suma importância - o fato de ele ter de incutir o gosto pela leitura em uma grande parte do público com o qual compartilha suas experiências. Entretanto, como se sabe, formar leitores "apaixonados" se revela como sendo um grande desafio que permeia os ambientes escolares da atualidade. Partindo-se dessa prerrogativa, atém-se à questão de que a leitura sempre foi e continuará sendo um componente curricular, mas afinal, até que ponto tal prática estaria influenciando na conduta dos educandos, analisada sob todos os aspectos?

Sabe-se que no planejamento escolar há toda uma relação de livros literários, todos fazendo parte de um cronograma que deverá ser seguido à risca. Contudo, indícios parecem "entoar" a todo instante, revelando que muitas vezes essas leituras são simplesmente impostas apenas como um instrumento do qual se utiliza para mera "obtenção de nota". Assim, há aquele aluno que, por não se sentir motivado, recorre à internet para simplesmente ler o resumo, e há ainda aquele que no dia da avaliação recorre ao colega dizendo: "Fulano, será que dá para você me contar a história, pois nem ao menos procurei ir à biblioteca para reservar o livro e.... sei que não vou conseguir"... Indubitavelmente, toda essa situação é lastimável.

Diante do dinamismo pelo qual perpassa a sociedade contemporânea, onde a rapidez das informações e as novidades oriundas dos recursos tecnológicos tendem a seduzir cada vez mais os educandos, as aulas de Literatura parecem se tornar um tanto quanto enfadonhas, sem sentido. Sendo assim, no intuito de reverter a situação, cabe ao educador buscar mecanismos eficazes no sentido de obter êxito no que tange aos propósitos firmados.

A começar, torna-se relevante mencionar que a Literatura se configura como uma arte que muitas vezes representa a própria realidade e seus representantes foram influenciados pelo contexto histórico, social e político da época em que viveram, assim como somos influenciados pelos "ditames sociais", no que se refere ao modo de nos vestirmos, falarmos e agirmos como um todo. Deste modo, antes de propor uma leitura literária, é interessante que o professor discorra sobre todos esses elementos, podendo até promover um trabalho interdisciplinar com o professor de História.

Outro aspecto que também incide nesse processo é o fato de que cada um revela um olhar diferente a respeito da leitura feita, assim como nos revela o poeta Ferreira Gullar, dizendo: "Um mesmo livro nunca é o mesmo para duas pessoas". E, por assim dizer, por que não propor um seminário com vistas a "captar" a impressão obtida por todos, pois essa troca de experiências, ao mesmo tempo em que é individual, se torna também coletiva, construindo leitores reflexivos e críticos e, consequentemente, facilitando assim o aprendizado.

Entender como se processa a ironia presente em Machado de Assis, a versatilidade de Drummond, o romantismo de Camillo Castelo Branco ou até mesmo o morbidez de Cruz e Souza é, antes de tudo, "descortinar" o discurso nem sempre explícito, levando-se em consideração os recursos estilísticos utilizados por todas estas importantes figuras, uma vez que nada na linguagem literária é por acaso, tudo tem sim uma intencionalidade, por isso, entender o momento histórico é fundamentalmente importante.

Não esquecendo, pois, de que para encerrar a atividade literária, é sempre bom permitir com que os alunos revelem seu lado criativo ao demonstrarem suas habilidades. Nesse sentido, nada que uma mostra cultural não expresse sua eficácia, por meio de uma peça teatral que seja a representação da obra. Certamente tudo ficará na história! 


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

 

comentários[0]

30

jun
2013

A literatura como fonte de atuação crítica

Tendo em vista que a leitura se concebe como fonte de atuação crítica, várias são as possibilidades de explorá-la

A Literatura, uma vez concebida como a arte da palavra, caracteriza-se pela forma na qual o artista assume um determinando posicionamento frente à realidade que o cerca, frente a uma postura ideológica determinada segundo um dado contexto, levando em conta aspectos históricos, políticos, sociais e culturais que norteiam as relações sociais de uma forma geral.

Partindo dessa premissa, ao propor a leitura de uma dada obra, não basta apenas determiná-la e aproveitá-la como mero requisito para obtenção de notas, haja vista, numa primeira instância, a problemática enfrentada pelo educador acerca da aquisição do livro, bem como numa segunda instância, revelada pelo fato de os educandos se tornarem escravos dessa necessidade (de se obter a pontuação necessária). Dessa forma, o que se constata é que, ao fazer valer tais princípios, o enriquecimento cultural, enfim, os benefícios proporcionados mediante a leitura deixam de se tornar prioritários - fato esse cujas consequências podem ser desastrosas, amplamente refletidas na escrita propriamente dita.

Nesse sentido, diante de uma proposta de leitura, faz-se necessário que os alunos atentem, em primeiro plano, na biografia do (a) autor (a), levando em consideração a época em que a obra foi escrita. Em seguida, de forma a se mostrar hábeis para "ler nas entrelinhas" (processo esse que nem sempre é possível), imprescindível é conhecer as posturas ideológicas de quem a escreveu, de forma a analisar significativamente os motivos pelos quais o (a) levaram a adotar esse ou aquele posicionamento.

Assim, tratando-se de uma realidade pedagógica, digamos assim, nosso intento é levar até você, caro (a) educador (a), algumas propostas que porventura poderão surtir efeitos positivos, tendo como subsídio o livro "Heróis dos Gerais", cuja autoria é de Paula Saldanha.

O livro explora de uma forma bastante enfática o trabalho infantil, que, mesmo depois de passados tantos anos de um período que demarcou a história da humanidade, a Escravidão, ainda continua sendo atualíssimo, apesar das muitas conquistas hoje atribuídas ao trabalhador de uma forma geral. Assim, após se certificar de todo o enredo, um leque de possibilidades certamente irão se evidenciar, abrindo espaço para que a leitura da obra seja trabalhada de forma ampla. Algumas das propostas possíveis tornam-se materializadas por meio do artigo em pauta. Ei-las, portanto:

1- Ao lermos uma determinada obra literária, além de nos atentarmos ao enredo (história) propriamente dito, temos de estar cientes ao que se refere a outros aspectos. Dessa forma, cite:

- Título da obra;

- Nome completo do autor;

- Nome completo do (a) ilustrador (a);

- Nome da editora;

- Número da edição;

- Local onde o livro foi publicado;

- Ano em que a obra foi publicada

Agora que esses dados estão completos, faça um breve resumo da biografia da autora - Paula Saldanha.

2- A Lei Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990, dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências, entre elas, as expressas abaixo:

Art. 4º- É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Considerando a história de vida dos irmãos, Tião, Bira e Zeca, você acha que todos esses direitos foram assegurados a eles? Justifique sua resposta narrando de forma resumida a trajetória deles desde quando começaram a trabalhar na fazenda.

3- Ainda falando sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), vamos analisar o que diz o artigo que segue:

Art. 5º- Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Lendo-o, lembramo-nos de uma passagem expressa na página 10, a qual diz o seguinte:

"Nosso trabalho era botar formicida nas lavouras de soja e plantação de eucalipto. E os que ficaram lá, continuam até hoje fazendo isso.

Muita criança passa mal, vomita, fica com cólicas, dor de cabeça e tonturas. Mas o capataz da fazenda diz que isso é normal."

Comparando o que diz o artigo e a realidade na qual viviam os garotos, argumente e retrate sua opinião sobre tudo isso.

4- Cansados e revoltados de viver trabalhando que nem escravos, os três irmãos planejaram algo que lhes reservaria outro destino ou faria com que se livrassem de vez por todas daquela situação indigna. Assim, procure relatar que plano foi esse.

5- Na página 13, bem no final dela, Tião, o irmão mais velho, revela-nos qual era o grande sonho dele e dos outros dois irmãos: queriam ser advogados ou médicos. Você, que tem uma vida totalmente diferente dos três personagens da história, também cultiva um grande sonho no que se refere ao seu futuro profissional? Qual e quais foram os motivos de sua escolha?

6- Durante a viajem para Correntina, à procura de melhores condições de vida, os personagens viveram algumas aventuras, algumas boas, outras más. Dessa forma, relate o que houve quando encontraram a imensa caverna do Morro Furado.

7- No capítulo intitulado Um ano de Escravidão, Tião, mesmo sabendo que esse período que tanto marcou a história da humanidade já passou, constatou que ele se encontra muito presente nos dias de hoje. Nesse sentido, qual a sua opinião sobre essa triste realidade?

8 - Tendo em vista que toda narrativa se constitui de um desfecho, seja esse cômico, triste, trágico ou alegre, como terminou toda essa história dos três irmãos? Qual foi a sua impressão sobre o final de todo o enredo?


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

 

comentários[0]

calendário


Assinar RSS