Portal da Educao Adventista

*Profª Ritíssima *

5

mai
2014

Os 10 melhores poemas de Mário Quintana

Os dez melhores poemas de Mário Quintana

 segundo pesquisa da Revista Bula, disponível em: http://www.revistabula.com/2329-os-10-melhores-poemas-de-mario-quintana/

 

 

A Rua dos Cataventos

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Do amoroso esquecimento 

Eu agora %u2014 que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Segunda canção de muito longe

Havia um corredor que fazia cotovelo:
Um mistério encanando com outro mistério, no escuro...
Mas vamos fechar os olhos
E pensar numa outra cousa...

Vamos ouvir o ruído cantado, o ruído arrastado das correntes no algibe,
Puxando a água fresca e profunda.
Havia no arco do algibe trepadeiras trêmulas.
Nós nos debruçávamos à borda, gritando os nomes uns dos outros,
E lá dentro as palavras ressoavam fortes, cavernosas como vozes de leões.

Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu.
Havia os azulejos, o muro do quintal, que limitava o mundo,
Uma paineira enorme e, sempre e cada vez mais, os grilos e as estrelas...
Havia todos os ruídos, todas as vozes daqueles tempos...
As lindas e absurdas cantigas, tia Tula ralhando os cachorros,
O chiar das chaleiras...

Onde andará agora o pince-nez da tia Tula
Que ela não achava nunca?
A pobre não chegou a terminar o Toutinegra do Moinho,
Que saía em folhetim no Correio do Povo!...
A última vez que a vi, ela ia dobrando aquele corredor escuro.
Ia encolhida, pequenininha, humilde. Seus passos não faziam ruído.
E ela nem se voltou para trás!

Emergência

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo %u2014
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

Relógio

O mais feroz dos animais domésticos
é o relógio de parede:
conheço um que já devorou
três gerações da minha família.

Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E %u2014 ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
%u2014 Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
%u2014 O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.

Tic-tac

Esse tic-tac dos relógios
é a máquina de costura do Tempo
a fabricar mortalhas.

 

Gostaram?

 

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4

mai
2014

Lista 2EM parte 2

Pessoal, atenção! Segunda parte da lista para dia 16/05. Gabarito em classe.

(continuação)

 

16.   Classifique o VERBO quanto à predicação (VL - VI - VTD - VTI - VBT):

 

a) O herói deteve-o no palácio. (__________)

 

b) Todos ficaram admirados. (__________)

 

c) Telêmaco subiu para o quarto. (__________)

 

d) Numa manhã, Circe ofereceu flores a Ulisses. (__________)

 

e) Ulisses andava pela beira da praia. (__________)

 

f) Penélope não desistiu de Ulisses. (__________)

 

g) Garoava muito. (__________)

  

17.   (...) "Do Pantanal, corra até Bonito, onde um mundo de águas cristalinas faz tudo parecer um imenso aquário."

            ("O Estado de São Paulo")

           

Assinale a alternativa que apresenta a correta classificação dos verbos do período acima, quanto à sua predicação.

a) intransitivo - transitivo direto - de ligação   

b) transitivo indireto - transitivo direto - de ligação   

c) intransitivo - transitivo direto - transitivo direto   

d) transitivo indireto - transitivo direto - transitivo direto   

e) intransitivo - intransitivo - intransitivo   

  

18.   Relacione as colunas a seguir:

 

(1) verbo intransitivo

(2) verbo transitivo direto

(3) verbo transitivo indireto

a) (     ) Ela CHAMOU o médico.   

b) (     ) CONHECI um artista no restaurante.   

c) (     ) O pessoal CONFIA em nós.   

d) (     ) CREIO em pessoas honestas.   

e) (     ) O pássaro CANTAVA melodiosamente.   

  

19.   Localize o verbo e o classifique quanto à predicação (VTD - VTDI - VI - VL - VTI).

a) A família de Alexandre recebeu a notícia alegre.

b) Alexandre parecia cansado.

c) Seu relato terminou.

d) Velasco nomeou os tubarões pontuais.

e) Rufino morreu afogado.

  

20.   Classifique os verbos quanto à predicação em:

 

(1) transitivo direto

(2) transitivo indireto

(3) transitivo direto e indireto

(4) intransitivo

a) (     ) TOMO meu ônibus alegremente.   

b) (     ) Nunca SIMPATIZEI com sua amiga.   

c) (     ) OUÇO a voz do coração.   

d) (     ) Não CONFIO este segredo a ninguém.   

e) (     ) MORREU de fome.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

OS CÃES

 

            - Lutar. Podes escachá-los ou não; 1o essencial é que lutes. Vida é luta. Vida 2SEM LUTA é um mar morto no centro do organismo universal.

            DAÍ A POUCO demos COM UMA BRIGA 3de cães; fato que AOS OLHOS DE UM HOMEM VULGAR não teria valor. Quincas Borba fez-me parar e observar os cães. Eram dois. Notou que 4ao pé deles estava um osso, MOTIVO DA GUERRA, e não deixou de chamar a minha atenção para a circunstância de que o osso não tinha carne. Um simples osso nu. Os cães 1(6)mordiam-se, rosnavam, COM O FUROR NOS OLHOS... Quincas Borba meteu a bengala 5DEBAIXO DO BRAÇO, e parecia EM ÊXTASE.

            - Que belo que isto é! dizia ele de quando em quando.

            Quis arrancá-lo dali, mas não pude; ele estava arraigado AO CHÃO, e só continuou A ANDAR, quando a briga 2(7)cessou INTEIRAMENTE, e um dos cães, MORDIDO e vencido, foi levar a sua fome A OUTRA PARTE. Notei que ficara sinceramente ALEGRE, 6posto contivesse a ALEGRIA, segundo convinha a um grande filósofo. Fez-me observar a beleza do espetáculo, relembrou o objeto da luta, concluiu que os cães tinham fome; mas a privação do alimento era nada para os efeitos gerais da filosofia. Nem deixou de recordar que em algumas partes do globo o espetáculo é mais grandioso: as criaturas humanas é que 3(8)disputam aos cães os ossos e outros manjares menos APETECÍVEIS; luta que se complica muito, porque entra em ação a inteligência do homem, com todo o acúmulo de sagacidade que lhe deram os séculos etc.

 

 

21.   Quanto à predicação, os verbos "mordiam(1), cessou(2), disputam(3)", classificam-se, no texto, respectivamente, como:

a) t. direto e indireto, transitivo, t. direto.   

b) t. direto e indireto, intransitivo, t. direto.   

c) transitivo, ligação, t. direto e indireto.   

d) t. direto, intransitivo, t. direto e indireto.   

e) intransitivo, intransitivo, transitivo.   

 

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

SONETO DE SEPARAÇÃO

 

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

 

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente

 

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

                       

(Vinícius de Morais)  

 

 

22.   "E das bocas unidas fez-se a espuma". A partícula "se" é o:

a) sujeito   

b) índice da indeterminação do sujeito   

c) objeto direto   

d) objeto indireto   

e) pronome apassivador   

  

23.   "E das bocas unidas fez-se a espuma". Sujeito do verbo fazer:

a) bocas   

b) bocas unidas   

c) se   

d) espuma   

e) indeterminado   

  

24.   Assinale a opção que traz corretas classificações do sujeito e da predicação verbal.

a) "Houve... uma considerável quantidade" - sujeito inexistente; verbo transitivo direto.   

b) "que jamais hão-de ver país como este" - sujeito indeterminado; verbo transitivo indireto.   

c) "mas reflete a pulsação da inenarrável história de cada um" - sujeito simples; verbo transitivo direto e indireto.   

d) "que se recebe em herança" - sujeito indeterminado; verbo transitivo indireto.   

e) "a quem tutela" - sujeito simples; verbo intransitivo.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Iria morrer, quem sabe naquela noite mesmo? E que tinha ele feito de sua vida? Nada. Levara toda ela atrás da miragem de estudar a pátria, por amá-la e querê-la muito, no intuito de contribuir para a sua felicidade e prosperidade. Gastara a sua mocidade nisso, a sua virilidade também; e, agora que estava na velhice, como ela o recompensava, como ela o premiava, como ela o condecorava? Matando-o. E o que não deixara de ver, de gozar, de fruir, na sua vida? Tudo. Não brincara, não pandegara, não amara - todo esse lado da existência que parece fugir um pouco à sua tristeza necessária, ele não vira, ele não provara, ele não experimentara.

Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois se fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas causas de tupi, do folklore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!

           

Lima Barreto

 

 

 

25.   No período:

 

"Não brincara, não pandegara, não amara - todo esse lado da existência que parece fugir um pouco à sua tristeza necessária, ele não vira, ele não provara, ele não experimentara",

 

as últimas orações - "não vira", "não provara", "não experimentara", têm a mesma organização sintática, e seus predicados são:

a) verbais, formados por verbos transitivos diretos, complementados por um objeto direto explícito no período.   

b) verbais, formados por verbos intransitivos.   

c) verbais, formados por verbos transitivos indiretos, complementados por um objeto indireto não explícito no período.   

d) verbais, formados por verbos transitivos direto e indireto.   

e) verbo-nominais, formado por verbos e predicativos do sujeito.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

            "Vivemos numa época de tamanha insegurança externa e interna, e de tamanha carência de objetivos firmes, que a simples confissão de nossas convicções pode ser importante, mesmo que essas convicções, como todo julgamento de valor, não possam ser provadas por deduções lógicas.

            Surge imediatamente a pergunta: podemos considerar a busca da verdade - ou, para dizer mais modestamente, nossos esforços para compreender o universo cognoscível através do pensamento lógico construtivo - como um objeto autônomo de nosso trabalho? Ou nossa busca da verdade deve ser subordinada a algum outro objetivo, de caráter prático, por exemplo? Essa questão não pode ser resolvida em bases lógicas. A decisão, contudo, terá considerável influência sobre nosso pensamento e nosso julgamento moral, desde que se origine numa convicção profunda e inabalável. Permitam-me fazer uma confissão: para mim, o esforço no sentido de obter maior percepção e compreensão é um dos objetivos independentes sem os quais nenhum ser pensante é capaz de adotar uma atitude consciente e positiva ante a vida.

            Na própria essência de nosso esforço para compreender o fato de, por um lado, tentar englobar a grande e complexa variedade das experiências humanas, e de, por outro lado, procurar a simplicidade e a economia nas hipóteses básicas. A crença de que esses dois objetivos podem existir paralelamente é, devido ao estágio primitivo de nosso conhecimento científico, uma questão de fé. Sem essa fé eu não poderia ter uma convicção firme e inabalável acerca do valor independente do conhecimento.

            Essa atitude de certo modo religiosa de um homem engajado no trabalho científico tem influência sobre toda sua personalidade. Além do conhecimento proveniente da experiência acumulada, e além das regras do pensamento lógico, não existe, em princípio, nenhuma autoridade cujas confissões e declarações possam ser consideradas "Verdade " pelo cientista. Isso leva a uma situação paradoxal: uma pessoa que devota todo seu esforço a objetivos materiais se tornará, do ponto de vista social, alguém extremamente individualista, que, a princípio, só tem fé em seu próprio julgamento, e em nada mais. É possível afirmar que o individualismo intelectual e a sede de conhecimento científico apareceram simultaneamente na história e permaneceram inseparáveis desde então. "

(Einstein, In: O Pensamento Vivo de Einstein, p. 13 e 14, 5a. edição, Martin Claret Editores)

 

 

26.   Observe:

 

I. "Essa questão não pode ser resolvida em bases lógicas."

II. "A decisão, contudo, terá considerável influência sobre nosso pensamento e nosso julgamento moral, desde que se origine numa convicção profunda e inabalável."

 

As frases I e II estão, respectivamente, na voz

a) passiva analítica em I e ativa em II.   

b) passiva sintética em I e passiva analítica em II.   

c) ativa em I e ativa em II.   

d) ativa em I e passiva analítica em II.   

e) passiva analítica em I e passiva analítica em II.   

  

27.   Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada.

 

Transpondo da voz passiva para a voz ativa a frase "Os avisos terão sido dados pelo coordenador", obtém-se a forma verbal ...... .

a) deu   

b) dará   

c) terá dado   

d) terão dado   

e) foram dados   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

O IMPÉRIO DA LEI

 

1          O desfecho da crise política deu uma satisfação a um anseio fundamental dos brasileiros: o de que a lei seja respeitada por todos. Estamos, agora, diante da imperiosa necessidade de dar prosseguimento ao processo de regeneração dos costumes políticos e da restauração dos princípios éticos na vida pública, que nada mais é do que se conseguir em novas bases um consenso em torno da obediência civil.

2          Existem reformas pendentes nas áreas política e econômica, lacunas constitucionais a serem preenchidas, regulamentações não realizadas, aprimoramentos da Carta que deverão ocorrer em datas já definidas. Mas estas tarefas não esgotam a pauta de urgências da cidadania. É indispensável inculcar no cidadão comum o respeito à lei.

3          Esta aspiração é antiga no Brasil. Capistrano de Abreu já sonhava com uma Constituição com dois únicos artigos: 1 - A partir, desta data, todo brasileiro passa a ter vergonha na cara; 2 - Revogam-se as disposições em contrário. Num país que combina o furor legiferante à tradição de impunidade, o historiador compreendeu que o problema era menos a ausência de leis do que a generalizada e permanente tendência em desobedecê-las. Simplificar e cumprir foram suas palavras de ordem.

4          O sociólogo americano Phillip Schmitter se confessou abismado pela naturalidade com que os brasileiros transgridem as leis em vigor. É de se duvidar se uma Constituição como a de Capistrano "pegaria" no Brasil. Uma vez adotado o "cumpra-se a lei", as normas vigentes não seriam suficientes? Caso não fossem que mecanismos garantiriam o imediato cumprimento da nova lei? Mais: a desobediência à nova lei não aprofundaria ainda mais a desconfiança nas instituições? São questões que surgem espontaneamente num país cuja cidadania ainda não internalizou a lei.

Jornal do Brasil, 01/10/92, p.10

 

 

28.   Aponte a opção na qual o verbo em destaque deve ser classificado como intransitivo:

a) "EXISTEM reformas pendentes nas áreas política e econômica, (...)" (20.  parágrafo)   

b) "É indispensável INCULCAR no cidadão comum o respeito à lei." (20. parágrafo)   

c) "(...) Capistrano de Abreu já SONHAVA com uma Constituição com dois únicos artigos (...)" (30. parágrafo)   

d) "(...) as normas vigentes não SERIAM suficientes?" (40. parágrafo)   

e) "(...) que mecanismos GARANTIRIAM o imediato cumprimento da nova lei?" (40. parágrafo)   

  

29.   A transformação passiva da frase "A religião te inspirou esse anúncio." apresentará o seguinte resultado:

a) Tu te inspiraste na religião para esse anúncio.   

b) Esse anúncio inspirou-se na tua religião.   

c) Tu foste inspirado pela religião nesse anúncio.   

d) Esse anúncio te foi inspirado pela religião.   

e) Tua religião foi inspirada nesse anúncio.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

            Sou um ignorante, um pobre homem de cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro - e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais - mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua - não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas - mas na glória de seu crescimento, tal como o vi em uma noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento - e em outra madrugada parecia um galo cantando.

            Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas flores belas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.

(Dezembro, 1945. Rubem Braga)

 

 

 

30.   "... como o vi em uma noite de luar..."

 

a) Reescreva, na voz passiva, a oração transcrita, sem desprezar nenhum dos componentes sintáticos que lhe dão forma.

b) Indique a função sintática do pronome de 3a pessoa na frase original e na transformada.

 

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4

mai
2014

Lista de atividades 2EM parte1

Pessoal, só pude postar em duas partes! Por favor, Atenção. Entrega dia 16/05 . Gabarito em classe.

 

1.   Leia o seguinte texto.

 

A existência de todo grupo social pressupõe a obtenção de um equilíbrio relativo entre as suas necessidades e os recursos do meio físico, requerendo, da parte do grupo, soluções mais ou menos adequadas e completas, das quais depende a eficácia e a própria natureza daquele equilíbrio. As soluções, por sua vez, dependem da quantidade e qualidade das necessidades a serem satisfeitas. São estas, portanto, o verdadeiro ponto de partida, todas as vezes que o sociólogo aborda o problema das relações do grupo com o meio físico.

Com efeito, as necessidades têm um duplo caráter natural e social, pois se a sua manifestação primária são impulsos orgânicos, a satisfação destes se dá por meio de iniciativas humanas que vão-se complicando cada vez mais, e dependem do grupo para se configurar. Daí as próprias necessidades se complicarem e perderem em parte o caráter estritamente natural, para se tornarem produtos da sociedade. De tal modo a podermos dizer que as sociedades se caracterizam, antes de mais nada, pela natureza das necessidades de seus grupos, e os recursos de que dispõem para satisfazê-las.

O equilíbrio social depende em grande parte da correlação entre as necessidades e sua satisfação. E sob este ponto de vista, as situações de crise aparecem como dificuldade, ou impossibilidade de correlacioná-las.

 

Antonio Candido, "Os parceiros do Rio Bonito".

 

a) Segundo o texto, as necessidades dos grupos sociais têm um "duplo caráter". O que distingue um caráter do outro?

 

b) Atenda ao que se pede:

b1) O referente dos pronomes sublinhados em "satisfazê-las" e "correlacioná-las" é o mesmo? Explique.

b2) Reescreva a frase "todas as vezes que o sociólogo aborda o problema das relações do grupo com o meio físico", pondo o verbo na voz passiva.

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Os moradores do casarão

(...)

1          Consultando o relógio de parede, que bate as horas num gemer de ferros, ela chama uma das pretas, para que lhe traga a chaleira com água quente. Toma banho dentro da bacia no quarto, cujos tacos já estão podres. Demora-se sentada no banco de madeira com medo da corrente de ar, os cabelos soltos e os ombros protegidos pela toalha.

2          A única amiga que a visita diz que a vida dela dá um romance. O casarão. A posição social de outrora. A educação dela: o piano, a aula particular de francês, o curso de pintura com irmã Honorine. Tudo se foi acabando. Os mortos são retratos no alto das paredes. Galeria de retratos, o do pai, imponente, o cabelo partido ao meio, certa ironia nos olhos, ao tempo em que foi secretário de estado e diretor do grande hospital. Foi por esse tempo que ela se casou com o bacharel recente. As tias fizeram oposição forte. Aquelas tias magras, de nervuras nos pescoços, as blusas de colarinho de renda, os bandós. A mais renitente delas era tia Matilda. A sobrinha merecia coisa melhor, homem já projetado na vida, com carreira feita, que a família era nobre, quisessem ou não: vinha de boa cepa portuguesa, com barão na origem. O moço era filho de comerciante, com pequena loja de tecidos:

3          - E um menino! Em começo de vida.

4          Mas casaram. Foi decidido que ficassem no casarão, que dava para todos, e ninguém queria separar-se de Violeta, que tinha muitas mães, todas mandando nela. Violeta, governada, sem vontade própria, como se ainda fosse menina, ouvindo uma e outra:

5          - Estou bem com este vestido?

6          A nervura das tias:

7          - Horrível! Ponha o de organdi.

8          Ela voltava ao grande quarto, de forro alto, e mudava a roupa na frente do marido, marginalizado e em silêncio. Concessão maior só do pai, que era meio boêmio, apreciava uma roda de cerveja e de pôquer. O pai soltava gargalhada na cadeira de balanço e garantia ao genro que aquelas velhas, e a própria mulher dele, eram doidas.

9          A pressão. O 1reparo para qualquer deslize tolo ou gafe:

10        - Filho de comerciante.

11        E Violeta, que nunca teve filhos, engordava, lambia os dedos e os beiços untados de manteiga. Muita banha, preguiça de sair de casa, uma ou outra nota no piano de cauda, com o jarro de flores, onde as moscas dormiam e cagavam.

12        Veio o desquite. O marido mudou-se para São Paulo. Fez carreira brilhante, é advogado de prestígio e, faz muito tempo, vive com a outra. Mas fixou pensão para a mulher e escrevia-lhe, talvez por pena dela: a gordura disforme. Foram cartas que raramente recebeu, e uma ou outra que ela própria tivesse escrito, tia Matilda, a renitente, tomava do jardineiro, lia e rasgava.

13        Quando essa tia morreu, porque afinal todos morreram, Violeta encontrou no quarto dela dentro da gaveta da cômoda, lá no fundo, algumas dessas cartas do marido, amarradas com o fitilho. Trancou-se, leu-as à luz do abajur e chorou.

14        O casarão, com a torre, é ninho de morcegos, que voejam na tarde. Tudo é silêncio. O gradil do muro, enferrujado. Secou a fonte, onde o vento rodopia folhas mortas. De resistente apenas a hera, que sobe pelas velhas paredes, uma ou outra vez aguada por Seu Presidente vice-presidentente, jardineiro, ou pela preta mais nova, também cria da família.

15        A única amiga que a visita volta a assegurar que a vida dela dá um romance.

16        - Acho que sim.

17        E Violeta se levanta, pesada, envolvida no cachecol, para fechar a janela por onde vem a corrente de ar e já se aproxima a noite.

(MOREIRA CAMPOS, José Maria. Dizem que os cães veem coisas. Fortaleza: Edições UFC, 1987)

 

 

2.   Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta em relação ao valor sintático-semântico dos verbos destacados na frase abaixo.

 

Tia Matilda SENTIU1 o vento, OLHOU2 as folhas secas e CAMINHOU3 em silêncio.

a) 1ação / 2processo / 3processo   

b) 1processo / 2ação / 3estado   

c) 1processo / 2ação / 3ação   

d) 1estado / 2estado / 3processo   

e) 1estado / 2processo / 3ação   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Delírio de voar

 

            Nos dez primeiros anos deste século havia uma mania pop em Paris - voar. As formas estranhas dos aeroplanos experimentais invadiam as páginas dos jornais. Cada proeza dos aviadores era narrada em detalhe. Os parisienses acompanhavam fascinados as audácias dos aviadores, uma elite extravagante de jovens brilhantes, cultos e elegantes, realçada por vários milionários e pelo interesse das moças. Multidões lotavam o campo de provas de Issy-les-Molincaux. Os pilotos e os inventores eram reconhecidos nas ruas e homenageados em restaurantes. Todo dia algum biruta apresentava uma nova máquina, anunciava um plano mirabolante e desafiava a gravidade e a prudência.

            Paris virara a capital mundial da aviação desde a fundação do Aéro-Club de France, em 1898. Depois da difusão dos grandes balões, em 1880, e dos dirigíveis inflados a gás, em 1890 - os chamados "mais leves que o ar", chegara a hora dos aparelhos voadores práticos, menores e controláveis - os "mais pesados que o ar". Durante muito tempo eles foram descartados como impossíveis, mas agora as pré-condições haviam mudado. A tecnologia da aerodinâmica, da engenharia de estruturas, do desenho de motores e da química de combustíveis havia chegado a um estágio de evolução inédito. Combinadas, permitiam projetar máquinas inimaginadas.

            Simultaneamente, por caminhos paralelos, a fotografia dera um salto com a invenção dos filmes flexíveis, em 1889. Surgiram câmeras modernas, mais sensíveis à luz, mais velozes e fáceis de manejar. Em consequência, proliferaram os fotógrafos profissionais e amadores. Eles não só registraram cada passo da infância da aviação como também popularizaram-na. Transportados pelos jornais, os feitos dos pioneiros estimularam a vocação de muitos jovens candidatos a aviador. A mídia glamourizou a ousadia de voar.

.........................................................................................

            Inventar aviões era um ofício diletante e nada rendoso - ainda. Exigia recursos financeiros para construir aparelhos, contratar mecânicos, oficinas e hangares. Dinheiro nunca faltou ao brasileiro Alberto Santos-Dumont, filho de um rico fazendeiro mineiro, ou ao engenheiro e nobre francês marquês d'Ecquevilley-Montjustin. Voar era um ideal delirante e dândi. Uma glória para homens extraordinários.

 

SUPERINTERESSANTE, junho/99, p.36

 

 

3.   Marque as alternativas corretas, tendo em vista o emprego de verbos no texto.

01) O verbo usado em "As formas estranhas dos aeroplanos experimentais invadiam as páginas dos jornais" assumiria, na voz passiva, a fortuna "eram invadidas".   

02) Com o verbo na voz ativa, a frase "Cada proeza dos aviadores era narrada em detalhe" ficaria "Narrava-se em detalhe cada proeza dos aviadores".   

04) A forma verbal simples empregada em "Paris virara a capital mundial da aviação desde a fundação do Aéro-Club de France, em 1898", corresponde à forma composta "havia virado" ou "tinha virado".   

08) Em "Voar era um ideal delirante e dândi", "voar" está empregado em função substantiva.   

16) Em "Nos dez primeiros anos deste século havia uma mania pop em Paris - voar", o verbo haver foi empregado no pretérito perfeito do indicativo, com o sentido de existir.   

 

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

TEXTO I - ARTE DE AMAR

 

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.

A alma é que estraga o amor.

Só em Deus ela pode encontrar satisfação.

Não noutra alma.

Só em Deus - ou fora do mundo.

 

As almas são incomunicáveis.

 

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

 

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

 

(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974.)

 

 

TEXTO II - MINERAÇÃO DO OUTRO

 

Os cabelos ocultam a verdade.

Como saber, como gerir um corpo alheio?

Os dias consumidos em sua lavra

significam o mesmo que estar morto.

 

Não o decifras, não, ao peito oferto,

monstruário de fomes enredadas,

ávidas de agressão, dormindo em concha.

Um toque, e eis que a blandícia1 erra em tormento,

 

e cada abraço tece além do braço

a teia de problemas que existir

na pele do existente vai gravando.

 

Viver-não, viver-sem, como viver

sem conviver, na praça de convites?

 

Onde avanço, me dou, e o que é sugado

ao mim de mim, em ecos se desmembra;

nem resta mais que indício,

pelos ares lavados,

do que era amor e dor agora, é vício.

 

O corpo em si, mistério: o nu, cortina

de outro corpo, jamais apreendido,

assim como a palavra esconde outra

voz, prima e vera, ausente de sentido.

Amor é compromisso

com algo mais terrível do que amor?

- pergunta o amante curvo à noite cega,

e nada lhe responde, ante a magia:

arder a salamandra2 em chama fria.

 

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988.)

 

1blandícia - meiguice, brandura; afago, mimo, carícia

2salamandra - animal anfíbio que, segundo a mitologia, era capaz de viver no fogo sem ser consumido

 

 

4.   Releia os versos abaixo para responder à questão.

 

"ONDE AVANÇO, ME DOU, e O QUE É SUGADO

AO MIM DE MIM em ecos se desmembra;"

 

Classifique, quanto às vozes do verbo, as três construções em maiúsculo.

  

5.   Releia os versos abaixo para responder à questão.

 

"ONDE AVANÇO, ME DOU, e O QUE É SUGADO

AO MIM DE MIM em ecos se desmembra;"

 

A sequência das construções verbais em maiúsculo retrata uma mudança na participação do "eu" que se expressa no texto.

Descreva essa mudança.

  

6.   Quando lhe pedi que ela fosse comigo ao mercado, ela reagiu como se eu lhe tivesse feito uma proposta absurda.

 

1. Transcreva do texto a oração que exerce a função de um objeto direto

 

2. Transponha para a voz passiva a oração "como se lhe tivesse feito uma proposta absurda".

  

7.   A sala ficou vazia. Todos os homens se dirigiram para o curral. As mulheres foram depois. Os vaqueiros decidiram, como já era um pouco tarde, que os animais fossem montados de dois em dois.

 

Transcreva do texto:

1. uma oração sem sujeito.

2. uma oração na voz passiva.

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

            "Os moradores da cidade de São Paulo estão enlouquecendo - mas não sabem ainda até onde vai a loucura. Acuados pelo trânsito, violência e desemprego, eles se tornam arredios e anti-sociais. Confundem os limites entre justificável cautela e paranóia.

            Os sinais da histeria coletiva surgiram numa pesquisa (...), intitulada 'Razão e felicidade' (...). O título da pesquisa foi inspirado por um dos depoimentos: 'Eu ando tão estressada e tão cansada que prefiro perder a razão do que a felicidade'. (...)

            O medo vai transformando o espaço público em cenário não de convivência, mas de ameaça. Daí a busca constante de reclusão, afastando o contato humano, num constante ressentimento. (...)

            Os laços de solidariedade obviamente vão se perdendo, num círculo vicioso de individualismo. Impera, portanto, a ideologia do 'dane-se o resto'. Não é mais uma comunidade, mas um conglomerado de seres desconfiados."

(Gilberto Dimenstein, "Dane-se o resto". FOLHA DE S. PAULO, 8/março/98)

 

 

 

8.   Considere as afirmações abaixo.

 

I. Em "ACUADOS PELO TRÂNSITO, VIOLÊNCIA E DESEMPREGO, eles se tornam arredios", a oração em destaque estabelece a causa da oração seguinte.

II. Em "ando tão estressada e tão cansada que prefiro perder a razão do que a felicidade", registra-se um padrão de fala considerado erro em norma culta.

III. Em "O título da pesquisa foi inspirado por um dos depoimentos" ocorre erro de construção da voz passiva.

IV. No período "Impera, portanto, a ideologia do 'dane-se o resto' ", há relações de explicação articuladas ao período anterior.

 

Quanto a essas afirmações deve-se concluir que

a) apenas I e II estão corretas.   

b) apenas III e IV estão corretas.   

c) apenas I e IV estão corretas.   

d) apenas II e III estão corretas.   

e) apenas I e III estão corretas.   

  

9.   Reconheça as vozes verbais nas seguintes orações:

 

a) Ele se deu mal. (__________________________)

 

b) Ulisses fazia o plano. (__________________________)

 

c) Os navegantes se machucaram. (__________________________)

 

d) Ulisses se espalhou na embarcação. (__________________________)

 

e) Os pretendentes eram derrubados por Ulisses. (__________________________)

 

f) Penélope e Ulisses se olhavam carinhosamente. (__________________________)

 

g) A tripulação é descoberta pela deusa. (__________________________)

  

10.   Transforme voz passiva sintética em analítica:

 

1) Vendem-se discos.

2) Compram-se jornais velhos.

3) Consertam-se aparelhos domésticos.

4) Realizou-se o concurso.

5) Alugam-se apartamentos.

  

11.   Indique a voz em que se encontram as orações, conforme o código:

 

(1) ativa

(2) passiva

(3) reflexiva

a) (     ) Olhou-se fixamente no espelho.   

b) (     ) A vitória foi conquistada pelo Flamengo.   

c) (     ) Ouviram-se miados a noite toda.   

d) (     ) A mulher atravessou a rua distraída.   

e) (     ) Eu me feri com a tesoura.   

  

12.   Indique a voz em que se encontram as orações seguintes marcando:

 

(A) ativa

(B) passiva

 

1) (     ) O homem será dominado pela máquina.

2) (     ) A máquina dominará o homem.

3) (     ) Foi encontrado o verdadeiro culpado.

4) (     ) A televisão influencia as crianças.

5) (     ) As crianças são influenciadas pela televisão.

  

13.   Transforme a voz ativa em voz passiva analítica, se possível:

a) As sereias descobriram a tripulação.

b) Penélope espera Ulisses.

c) De manhãzinha, uma voz quebrou o silêncio.

d) Telêmaco tranquiliza a mãe.

e) O gigante separou algumas cabras e ovelhas.

  

14.   Indique a voz em que se encontram as orações seguintes marcando:

 

(A) passiva

(B) ativa

 

1) (     ) O professor elogiou a sua prova.

2) (     ) O pai tratava-os com ternura.

3) (     ) Este quadro foi pintado por mim.

4) (     ) Os piratas encontraram o tesouro.

5) (     ) O bandido era perseguido pelo mocinho.

  

15.   Relacione as colunas a seguir:

 

1) verbo intransitivo

2) verbo transitivo direto

3) verbo transitivo indireto

4) verbo de ligação

a) (     ) A menina GANHOU uma boneca.   

b) (     ) Ele É inteligente e bondoso.   

c) (     ) DESOBEDECERAM aos regulamentos.   

d) (     ) NASCI em Porto Alegre.   

e) (     ) A festa ESTAVA animada.   

  

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4

mai
2014

Lista 9 ano parte final

Caros alunos, só pude postar em duas partes... não esqueçam é para dia 22/05. Gabarito em sala.

(continuação)

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Quando a rede vira um vício

 

            Com o titulo "Preciso de ajuda", fez-se um desabafo aos integrantes da comunidade Viciados em Internet Anônimos: "Estou muito dependente da web, Não consigo mais viver normalmente. Isso é muito sério". Logo obteve resposta de um colega de rede. "Estou na mesma situação. Hoje, praticamente vivo em frente ao computador. Preciso de ajuda." Odiálogo dá a dimensão do tormento provocado pela dependência em Internet, um mal que começa a ganhar relevo estatístico, à medida que o uso da própria rede se dissemina. Segundo pesquisas recém-conduzidas pelo Centro de Recuperação para Dependência de Internet, nos Estados Unidos, a parcela de viciados representa, nos vários países estudados, de 5% (como no Brasil) a 10% dos que usam a web %u2014 com concentração na faixa dos 15 aos 29 anos. Os estragos são enormes. Como ocorre com um viciado em álcool ou em drogas, o doente desenvolve uma tolerância que, nesse caso, o faz ficar on-line por uma eternidade sem se dar conta do exagero. Ele também sofre de constantes crises de abstinência quando está desconectado, e seu desempenho nas tarefas de natureza intelectual despenca. Diante da tela do computador, vive, aí sim, momentos de rara euforia. Conclui uma psicóloga americana: "O viciado em internet vai, aos poucos, perdendo os elos com o mundo real até desembocar num universo paralelo %u2014 e completamente virtual".

            Não é fácil detectar o momento em que alguém deixa de fazer uso saudável e produtivo da rede para estabelecer com ela uma relação doentia, como a que se revela nas histórias relatadas ao longo desta reportagem. Em todos os casos, a internet era apenas "útil" ou "divertida" e foi ganhando um espaço central, a ponto de a vida longe da rede ser descrita agora como sem sentido. Mudança tão drástica se deu sem que os pais atentassem para a gravidade do que ocorria. "Como a internet faz parte do dia a dia dos adolescentes e o isolamento é um comportamento típico dessa fase da vida, a família raramente detecta o problema antes de ele ter fugido ao controle", diz um psiquiatra. A ciência, por sua vez, já tem bem mapeados os primeiros sintomas da doença. De saída, o tempo na internet aumenta %u2014 até culminar, pasme-se, numa rotina de catorze horas diárias, de acordo com o estudo americano. As situações vividas na rede passam, então, a habitar mais e mais as conversas. É típico o aparecimento de olheiras profundas e ainda um ganho de peso relevante, resultado da frequente troca de refeições por sanduíches %u2014 que prescindem de talheres e liberam uma das mãos para o teclado. Gradativamente, a vida social vai se extinguindo. Alerta outra psicóloga: "Se a pessoa começa a ter mais amigos na rede do que fora dela, é um sinal claro de que as coisas não vão bem".

            Os jovens são, de longe, os mais propensos a extrapolar o uso da internet. Há uma razão estatística para isso %u2014 eles respondem por até 90% dos que navegam na rede, a maior fatia %u2014, mas pesa também uma explicação de fundo mais psicológico, à qual uma recente pesquisa lança luz. Algo como 10% dos entrevistados (viciados ou não) chegam a atribuir à internet uma maneira de "aliviar os sentimentos negativos", tão típicos de uma etapa em que afloram tantas angústias e conflitos. Na rede, os adolescentes sentem-se ainda mais à vontade para expor suas ideias. Diz um outro psiquiatra: "Num momento em que a própria personalidade está por se definir, a internet proporciona um ambiente favorável para que eles se expressem livremente". No perfil daquela minoria que, mais tarde, resvala no vicio se vê, em geral, uma combinação de baixa autoestima com intolerância à frustração. Cerca de 50% deles, inclusive, sofrem de depressão, fobia social ou algum transtorno de ansiedade. É nesse cenário que os múltiplos usos da rede ganham um valor distorcido. Entre os que já têm o vicio, a maior adoração é pelas redes de relacionamento e pelos jogos on-line, sobretudo por aqueles em que não existe noção de começo,  meio ou fim.

            Desde 1996, quando se consolidou o primeiro estudo de relevo sobre o tema, nos Estados Unidos, a dependência em internet é reconhecida %u2014 e tratada %u2014 como uma doença. Surgiram grupos especializados por toda parte. "Muita gente que procura ajuda ainda resiste à ideia de que essa é uma doença", conta um psicólogo. O prognóstico é bom: em dezoito semanas de sessões individuais e em grupo, 80% voltam a niveis aceitáveis de uso da internet. Não seria factível, tampouco desejável, que se mantivessem totalmente distantes dela, como se espera, por exemplo, de um alcoólatra em relação à bebida. Com a rede, afinal, descortina-se uma nova dimensão de acesso às informações, à produção de conhecimento e ao próprio lazer, dos quais, em sociedades modernas, não faz sentido se privar. Toda a questão gira em torno da dose ideal, sobre a qual já existe um consenso acerca do razoável: até duas horas diárias, no caso de crianças e adolescentes. Quanto antes a ideia do limite for sedimentada, melhor. Na avaliação de uma das psicólogas, "Os pais não devem temer o computador, mas, sim, orientar os filhos sobre como usá-lo de forma útil e saudável". Desse modo, reduz-se drasticamente a possibilidade de que, no futuro, eles enfrentem o drama vivido hoje pelos jovens viciados.

 

Silvia Rogar e João Figueiredo,  Veja,  24 de março de 2010. Adaptado.

 

 

11.   Assinale a opção em que o conectivo interliga adequadamente as orações "Estou muito dependente da web. Não consigo mais viver normalmente". (1° parágrafo), mantendo o sentido expresso.

a) Logo.   

b) Porém.   

c) Consoante.   

d) Porquanto.   

e) Entretanto.   

 

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

Como prevenir a violência dos adolescentes

 

            "(...) Quando deparo com as notícias sobre crimes hediondos envolvendo adolescentes, como o ocorrido com Felipe Silva Caffé e Liana Friedenbach, fico profundamente triste e constrangida. Esse caso é consequência da baixa valorização da prevenção primária da violência por meio das estratégias cientificamente comprovadas, facilmente replicáveis e definitivamente muito mais baratas do que a recuperação de crianças e adolescentes que comentem atos infracionais graves contra a vida.

            Talvez seja porque a maioria da população não se deu conta e os que estão no poder nos três níveis não estejam conscientes de seu papel histórico e de sua responsabilidade legal de cuidar do que tem de mais importante à nação: as crianças e os adolescentes, que são o futuro do país e do mundo.

            A construção da paz e a prevenção da violência dependem de como promovemos o desenvolvimento físico, social, mental, espiritual e cognitivo das nossas crianças e adolescentes, dentro do seu contexto familiar e comunitário. Trata-se, portanto, de uma ação intersetorial, realizada de maneira sincronizada em cada comunidade, com a participação das famílias, mesmo que estejam incompletas ou desestruturadas (...)"

            "(...) Em relação às crianças e adolescentes que cometeram infrações leves ou moderadas - que deveriam ser mais bem expressas - seu tratamento para a cidadania deveria ser feito com instrumentos bem elaborados e colocados em prática, na família ou próxima dela, com acompanhamento multiprofissional, desobstruindo as penitenciárias, verdadeiras universidades do crime. (...)"

            "(...) A prevenção primária da violência inicia-se com a construção de um tecido social saudável e promissor, que começa antes do nascer, com um bom pré-natal, parto de qualidade, aleitamento materno exclusivo até seis meses e o complemento até mais de um ano, vacinação, vigilância nutricional, educação infantil, principalmente propiciando o desenvolvimento e o respeito à fala da criança, o canto, a oração, o brincar, o andar, o jogar; uma educação para a paz e a nãoviolência.

            A pastoral da criança, que em 2003 completa 20 anos, forma redes de ação para multiplicar o saber e a solidariedade junto às famílias pobres do país, por meio de mais de 230 mil voluntários, e acompanhou no terceiro trimestre deste ano cerca de 1,7 milhão de crianças menores de seis anos e 80 mil gestantes, de mais de 1,2 milhão de famílias, que moram em 34.784 comunidades de 3.696 municípios do país.

            O Brasil é o país que mais reduziu a mortalidade infantil nos últimos dez anos; isso, sem dúvida, é resultado da organização e universalização dos serviços de saúde pública, da melhoria da atenção primária, com todas as limitações que o SUS possa ainda possuir, da descentralização e municipalização dos recursos e dos serviços de saúde. A intensa luta contra a mortalidade infantil, a desnutrição e a violência intrafamiliar contou com a contribuição dessa enorme rede de

solidariedade da Pastoral da Criança. (...)"

            "(...) A segunda área da maior importância nessa prevenção primária da violência envolvendo crianças e adolescentes é a educação, a começar pelas creches, escolas infantis e de educação fundamental e de nível médio, que devem valorizar o desenvolvimento do raciocínio e a matemática, a música, a arte, o esporte e a prática da solidariedade humana.

            As escolas nas comunidades mais pobres deveriam ter dois turnos, para darem conta da educação integral das crianças e dos adolescentes; deveriam dispor de equipes multiprofissionais atualizadas e capacitadas a avaliar periodicamente os alunos. Urgente é incorporar os ministérios do Esporte e da Cultura às iniciativas da educação, com atividades em larga escala e simples, baratas, facilmente replicáveis e adaptáveis em todo o território nacional. (...)"

            "(...) Com relação à idade mínima para a maioridade penal, deve permanecer em 18 anos, prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e conforme orientações da ONU. Mas o tempo máximo de três anos de reclusão em regime fechado, quando a criança ou o adolescente comete crime hediondo, mesmo em locais apropriados e com tratamento multiprofissional, que urgentemente precisam ser disponibilizados, deve ser revisto. Três anos, em muitos casos, podem ser absolutamente insuficientes para tratar e preparar os adolescentes com graves distúrbios para a convivência cidadã. (...)"

 

Zilda Arns Neumann, 69, médica pediatra e sanitarista; foi fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança. (Folha de S Paulo, 26/11/2003.)

 

 

12.   Observe o nexo que a locução conjuntiva destacada estabelece no fragmento.

 

            "Trata-se, portanto, de uma ação intersetorial, realizada de maneira sincronizada em cada comunidade, com a participação das famílias, mesmo que estejam incompletas..." (3º parágrafo).

 

Todas as alternativas abaixo expressam uma correta correspondência entre esse nexo estabelecido pela locução conjuntiva do fragmento de texto acima, exceto:

a) Embora não entendendo a proposta, sorriu.   

b) Saiu da sala, ainda que a explanação da jovem não tivesse chegado ao fim.   

c) Receberam-na bem, posto que os telespectadores manifestassem insatisfação.   

d) Posto que não assistiram à participação da família, viajaram cedo.   

e) Evoluímos muito em nossas escolhas, ainda assim a comunidade surpreendeu-se com o resultado.   

  

13.   No período: "Urgente é incorporar os ministérios do Esporte e da Cultura às iniciativas da educação..." (9º parágrafo), temos, respectivamente.

a) uma relação de coordenação, com orações coordenadas assindética e sindética, respectivamente.   

b) uma relação de subordinação, com orações coordenadas.   

c) orações subordinadas, sendo uma principal e outra subordinada substantiva.   

d) orações subordinadas substantivas completivas nominais.   

e) orações subordinadas, sendo uma principal, outra subordinada adverbial.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Viver não dói

 

            Por que sofremos tanto por amor?

            (...)

           

            Porque automaticamente esquecemos

            o que foi desfrutado e passamos a sofrer

            pelas nossas projeções irrealizadas,

            por todas as cidades que gostaríamos

            de ter conhecido ao lado do nosso amor

            e não conhecemos,

            por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e

            não tivemos,

            por todos os shows e livros e silêncios

            que gostaríamos de ter compartilhado,

            e não compartilhamos.

            Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

            (...)

           

            Sofremos não porque nossa mãe é impaciente

            conosco, mas por todos os momentos em

            que poderíamos estar confidenciando a ela

            nossas mais profundas angústias

            se ela estivesse interessada em nos compreender.

            Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela

            euforia sufocada.

            (...)

           

            Como aliviar a dor do que não foi vivido?

            A resposta é simples como um verso:

            Se iludindo menos e vivendo mais!!

           

            A cada dia que vivo, mais me convenço de que o

            desperdício da vida está no amor que não damos, nas

            forças que não usamos, na prudência egoísta que nada

            arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos

            também a felicidade...

           

            A dor é inevitável.

            O sofrimento é opcional.

 

Carlos Drummond de Andrade

Fonte: www.carlosdrummond.com.br

 

 

14.   Como recurso de coesão textual, Carlos Drummond utiliza, reiteradamente, os conectivos: por e porque para responder à pergunta "Sofremos por quê?" E, com esse uso, o autor explicita coerência das ideias, gerando relações semânticas de:

a) causa ou medida, conformidade.   

b) causa ou motivo, instrumento.   

c) causa ou motivo, explicação.   

d) conformidade, modo ou substituição.   

e) medida, modo ou explicação.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Texto 1

 

Araçatuba promove semana contra violência da mulher

 

            Quebrando o Silêncio - Semana de Conscientização contra a Violência Doméstica irá acontecer pela quarta vez em Araçatuba. A ação é um projeto da Adra (Agência de Desenvolvimento de Recursos Assistenciais),órgão oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

            Neste ano, a semana irá ocorrer em parceria com a Secretaria Municipal de Segurança, Câmara Municipal e Delegacia de Defesa da Mulher. As atividades serão realizadas nos dias 13, 14 e 15, das 9h as 17h, no calçadão da Marechal.

 

Disponível em www.folhadaregiao.com.br em 11/10/2010

 

Texto 2

 

            Em 20 de novembro de 1959, foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos da Criança, com a intenção de garantir à criança uma infância feliz.

            O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8.069, art. 4º, esclarece que os direitos infantis precisam ser recordados todos os dias como o direito à vida, saúde, alimentação, educação, esporte, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito, liberdade e convivência familiar e comunitária.

 

Disponível em www.oecumene.radiovaticana.org em12/10/2010.

 

Texto 3

 

Violência em maternidades revela problemas na saúde pública

 

            Uma pesquisa apresentada à Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) revela que grávidas em trabalho de parto sofrem diversos maus tratos e desrespeitos por parte dos profissionais de saúde nas maternidades públicas. Segundo a análise, esse tipo de violência, além de apontar para os problemas estruturais da saúde pública, revela a "erosão" da qualidade ética das interações entre profissionais e pacientes, a banalização do sofrimento e uma cultura institucional marcada por estereótipos de classe e gênero.

 

Disponível em www.correiodobrasil.com.br (Ano XI - nº 3937) em 12/10/2010

 

 

15.   A respeito do conectivo que, em: "... esclareceu que os direitos infantis precisam ser recordados..."(texto 2), podemos dizer que o termo em evidência é classificado como :

a) pronome relativo e introduz uma oração subordinada adjetiva.   

b) pronome relativo e introduz oração subordinada substantiva.   

c) conjunção integrante e encabeça oração subordinada adverbial.   

d) conjunção integrante e encabeça oração subordinada substantiva.   

e) conjunção explicativa e introduz oração coordenada.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

O acendedor de lampiões e nós

 

Outro dia tive uma visão. Uma antevisão. Eu vi o futuro. O futuro estampado no passado. Como São João do Apocalipse, vi descortinar aos meus olhos o que vai acontecer, mas que já está acontecendo.

Havia acordado cedo e saí para passear com minha cachorrinha, a meiga Pixie, que volta e meia late de estranhamento sobre as transformações em curso. Pois estávamos perambulando pela vizinhança quando vi chegar o jornaleiro, aquele senhor com uma pilha de jornais, que ia depositando de porta em porta. Fiquei olhando. Ele lá ia cumprindo seu ritual, como antigamente se depositava o pão e o leite nas portas e janelas das casas.

Vou confessar: eu mesmo, menino, trabalhei entregando garrafas de leite aboletado na carroça do "seu" Gamaliel, lá em Juiz de Fora.

E pensei: estou assistindo ao fim de uma época. Daqui a pouco, não haverá mais jornaleiro distribuindo jornais de porta em porta. Esse entregador de jornais não sabe, mas é semelhante ao acendedor de lampiões, que existia antes de eu nascer. Meus pais falavam dessa figura que surgia no entardecer e acendia nos postes a luz movida a gás, e de manha vinha apagar a tal chama.

Esse tipo foi imortalizado no soneto que Jorge de Lima escreveu aos 17 anos e publicou em 1914:

 

O acendedor de lampiões

 

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

Este mesmo que vem infatigavelmente,

Parodiar o sol e associar-se à lua

Quando a sombra da noite enegrece o poente!

 

Um, dois, três lampiões, acende e continua

Outros mais a acender imperturbavelmente,

À medida que a noite aos poucos se acentua

E a palidez da lua apenas se pressente.

 

Triste ironia atroz o senso humano irrita:

Ele que doira a noite e ilumina a cidade,

Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

 

Tanta gente também nos outros insinua

Crenças, religiões, amor, felicidade,

Como este acendedor de lampiões da rua!

 

Os próprios jornais estão alardeando que os jornais vão acabar, ou seja, vão deixar de ser impressos para virar um produto eletrônico. Não vamos mais folhear o jornal, sentir o cheiro de papel, nem ir à banca. Vamos ter um aparelho receptor onde aparecerão texto e imagem do jornal.

E isso já começou. É irrefreável. Os mais velhos vão dizendo que preferem ler o livro em papel e não abrem mão do jornal antigo. Mas o jornal e o livro é que estão abrindo mão deles. Os mais jovens, como se constata, já nascem lendo na tela, eletronicamente. Como se dizia antigamente: resistir quem há de?

Tento me adaptar. Passei do mimeografo a álcool e do papel carbono à maquina elétrica e depois ao computador. Já tenho site, tenho blog e acabei de entrar no Twitter.

Claro que o livro impresso vai continuar como uma variante. Mas o entregador de jornais vai ser tipo histórico como o acendedor de lampiões. Assim caminha a humanidade, já dizia o filosofo James Dean. E, em relação a essas formidáveis e assustadoras mudanças, me vem aquela frase de Marshal McLuhan, enunciada há 50 anos - "Ao ver uma deslumbrante borboleta, a larva disse: 'Jamais me transformarei num monstro desses'. E, dito isso, se transformou".

 

SANT'ANNA, Affonso Romano de. Caderno Cultura. Estado de Minas, 22 agosto de 2010, p.8.

(texto com adaptações)

 

 

16.   O conectivo destacado não estabelece uma ideia de comparação em:

a) "Os mais jovens, como se constata, já nascem lendo na tela, eletronicamente".   

b) "Como São João do Apocalipse, vi descortinar aos meus olhos o que vai acontecer..."   

c) "Ele lá ia cumprindo seu ritual, como antigamente se depositava o pão e o leite nas portas e janelas das casas".   

d) "Tanta gente também nos outros insinua/ Crenças, religiões, amor, felicidade,/ Como este acendedor de lampiões da rua!"   

 

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

Bruxos, vampiros e avatares

Lya Luft

 

"A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo"

 

            19Cibernéticos e virtuais, 15nadamos num rio de novidades e nos consideramos moderníssimos. Um turbilhão de recursos trazidos pela ciência, pela tecnologia, nos atrai ou confunde. 13Se somos mais velhos, nos faz crer que jamais pegaremos esse bonde - embora ele seja para todos os que se dispuserem a nele subir, não necessariamente para ser campeões ou heróis.

            11A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo. O que mais vem por aí, quanto podemos lidar com essas novidades, sem saber direito quais são as positivas, quanto servem para promover progresso ou 16para nos exterminar ao toque do botão de algum demente no poder? Exageradamente entregues a esses jogos cada dia inovados, vamos nos perder da nossa natureza real, o instinto? 6Viramos homens e mulheres pós-modernos, sem saber o que isso significa; 1somos cibernéticos, somos twitteiros e blogueiros, mas não passamos disso. E, se não formos muito equilibrados, vamos nos transformar em hackers, e o mundo que exploda.

            14Sobre a sensação de onipotência que esse mundo novo nos confere, lembro a história deliciosa do aborígine que, contratado para guiar o cientista carregado de instrumentos refinados, disse-lhe: 20"Você e sua gente não são muito espertos, porque precisam de todas essas ferramentas simplesmente para andar no mato e observar os animais".

            9Não vamos regredir: a civilização anda segundo seu próprio arbítrio. Mas, como quase todas as coisas, 3seus produtos criam ambiguidade pelo excesso de aberturas 17e pelo receio diante do novo, que precisa ser domesticado, para se tornar nosso servo útil. As possibilidades do mundo virtual são quase infinitas. Sua sedução é intensa. 8Tão enganador quanto fascinante, no que tange à comunicação. 21Imenso, variado, assustador, rumoroso, ameaçador e frio, porque impessoal. 4Nesse mundo difuso, somos quase onipotentes, sem maior responsabilidade, pois cada ação nem sempre corresponde a uma consequência - e ainda podemos nos esconder no anonimato. Criam-se sérias questões morais e éticas não resolvidas nesse território: através da mesma ferramenta que nos abre universos e nos comunica com o outro, caluniamos e somos caluniados, ameaçamos e somos ameaçados, nos despersonalizamos, nos entregamos a atividades estranhas, algumas perversas; espiamos, espreitamos, maldizemos amigos e desconhecidos, odiamos celebridades, cortamos a cabeça de quem se destaca porque se torna objeto de inveja e ressentimento, escutamos mensagens sombrias e cumprimos, talvez, ordens sinistras.

            18Relacionamentos pessoais começam e terminam, bem ou mal, nesse campo virtual - não muito diferente do mundo dito real, dos bares, festas e trabalho, faculdade e escola. 12Para as crianças, esse universo extenso e invasivo pode ser uma grande escola, um mestre inesgotável, 5um salão de jogos divertido em que elas imediatamente se sentem à vontade, sem os limites dos adultos. Mas pode ser a estrada dos pedófilos, a alcova dos doentes, ou a passagem sobre o limite do natural e lúdico para o obsessivo e perverso.

            7Como quase tudo neste mundo nosso, duplo é o gume: comunicar-se é positivo, mas sinais feitos na sombra, sem verdadeiro nome nem rosto, podem acabar em fantasmáticas perseguições e males.

            Singularmente, mas de maneira muito significativa, enquanto 2estamos velozes e espertos no computador, criando mundos virtuais, e jogando jogos cada vez mais complexos, buscamos o nevoeiro desse anonimato e, na época das maiores inovações, curtimos voar com bruxos em suas vassouras, namorar vampiros e inventar avatares que vão de engraçados a sinistros.

            10Estimulante, múltiplo, tão rico, resta saber o que vamos fazer nesse novo mundo - ou o que ele vai fazer de nós. Quando soubermos, estaremos afixados nele como borboletas presas com alfinete debaixo da tampa de vidro ou vaga-lumes em potes de geleia vazios, naquelas noites de verão quando a infância era apenas aquela, inocente, que ainda espia sobre nossos ombros.

 

(Revista Veja, 17 de fevereiro de 2010)

 

 

17.   Assinale a alternativa em que a relação semântica apresentada nos parênteses não está presente no excerto analisado.

a) "...um salão de jogos divertido em que elas imediatamente se sentem à vontade..." (ref. 5) - (lugar)   

b) "Viramos homens e mulheres pós-modernos, sem saber o que isso significa ..." (ref.6)  - (oposição)   

c) "Como quase tudo neste mundo nosso, duplo é o gume..." (ref. 7) - (comparação)   

d) "Tão enganador quanto fascinante, no que tange à comunicação." (ref. 8) - (proporção)   

  

18.   Assinale a alternativa em que as modificações propostas não acarretam mudança no sentido original do texto e respeitam a norma padrão da língua.

a) "Para as crianças, esse universo extenso e invasivo pode ser uma grande escola, um mestre inesgotável, um salão de jogos divertido em que elas imediatamente se sentem à vontade..." (ref. 12)

    Esse universo extenso e invasivo pode ser para as crianças uma escola grande, um inesgotável mestre, um salão de jogos divertido aonde elas se sentem confortáveis imediatamente.   

b) "Se somos mais velhos, nos faz crer que jamais pegaremos esse bonde - embora ele seja para todos os que se dispuserem a nele subir..." (ref. 13)

    Quando somos mais velhos, nos faz crer que jamais vamos pegar este bonde, conquanto ele seja para todos aqueles que dispuserem-se a subir nele.   

c) "A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo." (ref. 11)

    A tecnologia abre territórios fascinantes, ameaçando nos controlar, entretanto vamos sentir medo, caso pensamos um pouco.   

d) "Sobre a sensação de onipotência que esse mundo novo nos confere, lembro a história deliciosa do aborígene..." (ref. 14)

    Sobre a sensação de onipotência que esse novo mundo confere a nós, lembro-me da deliciosa história do nativo.   

 

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:

A literatura da era digit@l

 

            A internet tem sido um veículo de extrema importância para a divulgação dos escritores das novas gerações, 4assim como dos autores de épocas em que os únicos meios de acesso à leitura eram o livro e os jornais. Hoje, com todo o advento da tecnologia, os leitores de diversas faixas etárias e de qualquer parte do mundo podem acessar e fazer o download gratuito de uma infinidade de livros, usando o site de buscas Google. 13Pesquisas recentes indicam que o número de obras literárias de poesia e ficção tem crescido consideravelmente dentro do espaço cibernético nos últimos anos. 9Vários escritores têm preferido publicar seus textos ou livros virtualmente a ter que enfrentar os critérios e a seleção, muitas vezes injusta, das editoras. 12Portanto, a internet tem se tornado um espaço facilitador que acaba por redimensionar a literatura em todo o mundo.

            O espaço cibernético proporcionou também a aproximação do escritor com seu leitor. 10Há menos de quinze anos, o escritor era um completo desconhecido. Comprávamos um livro e o líamos sem grandes possibilidades de contato com o autor. Hoje, ao lermos um livro impresso ou digitalizado, podemos encontrar sites e blogs que trazem mais informações sobre o autor e seus processos de escrita, entrevistas, curiosidades sobre personagens e todo tipo de informação que puder advir da obra em questão. Vários desses endereços virtuais disponibilizam 3até mesmo o e-mail do autor, de forma que seus leitores podem estabelecer contato com ele através de mensagens que muitas vezes são respondidas num tom cordial.

            O escritor atual está mais próximo de seu leitor. A geração literária brasileira que vem se destacando no mercado editorial da última década, como Luís Ruffato, Cíntia Moscovich, Marcelino Freire, Santiago Nazarian, Daniel Galera, Simone Campos, Nélson de Oliveira, e muitos outros, tem permitido que o leitor possa ingressar no "mundo do autor" e conhecer o dia a dia do escritor através de seus blogs e sites. 5Além disso, há sites e portais especializados em literatura, como o Portal Literal, Literatura e Arte, Cronópios, Rascunho, Releituras e outros, repletos de informações sobre literatura e entrevistas com uma ampla variedade de autores.

            6Nos dias atuais, não basta publicar a obra, é preciso também publicar o autor. E grande parte dessa acessibilidade à figura do escritor tem sido proporcionada pela internet.

            (...)

            Muitos questionamentos acerca da resistência dos livros em relação à internet são constantemente elaborados, tanto por leitores comuns quanto por especialistas de várias áreas. O que já sabemos é que 1mesmo com o desaparecimento do livro sendo alardeado há muitos anos, desde que obras digitalizadas começaram a aparecer na internet, as obras impressas não sumiram das editoras nem das livrarias. 11Pelo contrário, o número de editoras tem crescido consideravelmente no Brasil.

            As vantagens que o advento da internet ofereceu ao ressurgimento dos livros nessa era de tecnologia e modernização não são poucas. Contudo, não podemos afirmar que se lê menos hoje do que há décadas. É possível que se leia de forma diferente. Agora há mais informações, textos mais diversificados, o leitor pode escolher e selecionar o que realmente quer ler. Claro que há aqueles que não dispensam os livros, as páginas, o cheiro, a história no papel impresso. 8Não podemos negar que é excitante possuir um livro nas mãos e lê-lo. 7Mas também, 2por outro lado, não podemos duvidar que a internet nos possibilita a leitura de livros que não poderiam chegar às nossas mãos a não ser por ela.

 

(Revista Conhecimento Prático. Março/2010.p.24-28.)

 

 

19.   Leia com atenção o fragmento a seguir.

 

"Pesquisas recentes indicam que o número de obras literárias de poesia e ficção tem crescido consideravelmente dentro do espaço cibernético nos últimos anos." (ref. 13)

 

Sobre esse fragmento, só não se pode afirmar que

a) há duas orações e uma frase..   

b) ocorrem três circunstâncias adverbiais.   

c) trata-se de um período composto por coordenação e subordinação.   

d) há uma conjunção integrante.   

  

20.   Analise as assertivas abaixo e escreva (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas.

(     ) A expressão "mesmo com" (ref. 1) garante a progressão semântica do texto devido a seu valor aditivo.

(     ) O elemento coesivo "por outro lado" (ref. 2) introduz uma contraposição ao que foi afirmado anteriormente.

(     ) A expressão "até mesmo" (ref. 3) significa que a disponibilização do e-mail do autor é o ponto máximo da aproximação entre escritor e leitor.

(     ) O conectivo "assim" (ref. 4) introduz uma sequência que tem por objetivo explicitar, confirmar a informação precedente.

(     ) O elemento coesivo "Além disso" (ref. 5) introduz uma informação que é decisiva na argumentação.

 

A sequência correta é

a) V - F - V - F - V.    

b) F - F - V - V - V.    

c) F - V - V - F - V.    

d) V - V - F - V - F.   

  

21.   Assinale a alternativa em que não há uma oração subordinada reduzida de infinitivo.

a) "Nos dias atuais, não basta publicar a obra, é preciso também publicar o autor." (ref. 6)   

b) "Mas também, por outro lado, não podemos duvidar que a internet nos possibilita a leitura de livros..." (ref. 7)   

c) "Não podemos negar que é excitante possuir um livro nas mãos e lê-lo." (ref. 8)   

d) "Vários escritores têm preferido publicar seus textos ou livros virtualmente a ter que enfrentar os critérios e a seleção..." (ref. 9)   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Velho papel pode estar com os anos contados

 

            Já imaginou, daqui a algumas décadas, seu neto lhe perguntando o que era papel? Pois é, alguns pesquisadores já estão trabalhando para que esse dia chegue logo.

            A suposta ameaça 7à fibra natural não é o desajeitado e-book, mas o papel eletrônico, uma 'folha' que você carregaria dobrada no bolso.

            Ela seria capaz de mostrar o jornal do dia - com vídeos, fotos e notícias 8atualizadas -, o livro que você estivesse lendo ou qualquer informação antes impressa. Tudo ali.

            Desde os anos 70, está no ar a 5ideia de papel eletrônico, mas as últimas novidades são de duas semanas atrás. Cientistas holandeses anunciaram que estão perto de criar uma tela com 'quase todas' as propriedades do papel: 3leveza, flexibilidade, 4clareza, etc.

            A novidade que deixa o invento um pouco mais palpável está nos transistores. No papel do futuro, eles não serão de 6silício, mas de plástico - que é maleável e barato.

            Os holandeses dizem já ter um protótipo que mostra imagens em movimento em uma tela de duas polegadas, ainda que de qualidade 1'meia-boca'.

            2Mas não vá celebrando o fim do desmatamento e do peso na mochila. A expectativa é que um papel eletrônico mais ou menos convincente apareça só daqui a cinco anos.

 

Folha de S. Paulo, 17 dez. 2001.

Folhateen, p. 10.

 

 

22.   O primeiro período do texto é formado por

a) três orações coordenadas.    

b) duas orações coordenadas e uma subordinada.   

c) três orações com sujeito oculto.    

d) uma oração principal e duas subordinadas.   

e) uma oração com sujeito oculto e duas com sujeito indeterminado.   

  

23.   Classifique as orações adjetivas marcando:

 

R (restritiva)

E (explicativa)

a)  (     ) O garoto PARA QUEM ESCREVEREI A CARTA não me conhece.   

b)  (     ) O futebol, QUE É UM ESPORTE POPULAR, enlouquece as torcidas.   

c)  (     ) A dor QUE DISSIMULA dói mais.   

d)  (     ) Aqui vivem mais de mil pessoas, QUE PASSAM FOME.   

e)  (     ) A criança CUJO PAI NÃO FOI ENCONTRADO será recolhida pelo juiz.   

  

24.   Classifique as orações em maiúsculo de acordo com o seguinte código:

 

A - Adverbial Condicional

B - Adverbial Temporal

C - Adverbial Conformativa

D - Adverbial Comparativa

E - Adverbial Proporcional

a) (     ) SEGUNDO ME INFORMARAM, amanhã será feriado.   

b) (     ) LOGO QUE CHEGAMOS AO CINEMA, o filme começou.   

c) (     ) QUANTO MAIS ELE FALAVA, menos entendíamos.   

d) (     ) Comprarei o livro CASO TENHA DINHEIRO.   

e) (     ) Ele corria mais QUE UM AVESTRUZ.   

  

25.   Complete com as seguintes conjunções: segundo, tão... quanto, enquanto, a fim de, quanto menos... mais; e em seguida classifique as orações adverbiais:

 

1) __________ participamos, __________ perdemos.

 

2) O povo mobilizou-se __________ protestar.

 

3) Nossa História é __________ importante _____ nosso progresso.

 

4) __________ afirmam os médicos, fumar é prejudicial à saúde.

 

5) __________ não mudarem as leis, nada se resolverá.

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

A FUGA

 

            Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

            - Para com esse barulho, meu filho - falou, sem se voltar.

            Com três anos, já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, só estava empurrando uma cadeira.

            - Pois então para de empurrar a cadeira.

            - Eu vou embora - foi a resposta.

            Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano, era sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? a mãe mais tarde irá saber), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

            A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

            - Viu um menino saindo desta casa? - gritou para o operário que descansava diante da obra, do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

            - Saiu agora mesmo com uma trouxinha - informou ele.

            Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro.

            A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e - saíra de casa prevenido - uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o mas ele apertou o passinho e abriu a correr em direção à avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.

            - Meu filho, cuidado!

            O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto.

            O menino, assustado arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como um animalzinho:

            - Que susto você me passou, meu filho - e apertava-o contra o peito comovido.

            - Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

            Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

            - Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

            - Me larga. Eu quero ir embora.

            Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala - tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

            - Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

            - Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

            E o barulho recomeçou.

 

FERNANDO SABINO

 

 

 

26.   "Chamou-o, MAS ELE APERTOU O PASSINHO..." A oração em destaque tem como classificação sintática:

a) Subordinada Substantiva Adversativa.   

b) Subordinada Adjetiva Restritiva.   

c) Coordenada Sindética Objetiva Direta.   

d) Coordenada Sindética Adversativa.   

e) Coordenada Assindética Adversativa.   

 

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4

mai
2014

Lista 9 ano parte 1

Pessoal, lista para o dia 22/05... só a primeira parte!

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:

Você reconhece quando chega a felicidade?

 

Tenho uma forte antipatia pela obrigação de ser feliz que acompanha o Carnaval. 17Quem foge da folia ganha o rótulo de antissocial, depressivo ou chato. Nada contra o Carnaval. Apenas contra essa confusão de conceitos. Uma festa alegre não significa que você esteja plenamente feliz. E 18forçar uma situação de felicidade tem tudo para terminar em arrependimento e frustração.

8Aliás, você reconhece a felicidade quando ela chega? Sabe que está sendo feliz naquele momento? Espere um pouco antes de responder. Pense de novo. Estamos falando de felicidade! Não de uma alegria qualquer. E qual é a diferença? Bem, descrever a felicidade não é fácil. 1Ela é muito recatada. Não fica ali posando para foto, sabe? Mas um Manual de Reconhecimento da felicidade diria mais ou menos o seguinte: 9ela é mansa. Não faz barulho. Ao mesmo tempo é farta. 13Quando chega, ocupa um espaço danado. Apesar disso, você quase não repara que ela está ali. 10Se chamar a atenção, não é ela. É euforia. Alegria. 2A licenciosidade de uma noite de Carnaval. 3Ou um reles frenesi qualquer, disfarçado de felicidade.

A dita cuja é discreta. Discretíssima. E muito tranquila. Ela o faz dormir melhor. E olha, vou lhe contar 19uma coisa: a felicidade é inimiga da ansiedade. As duas não podem nem se ver. Essa é a melhor pista para o seu Manual de Reconhecimento da Felicidade. 11Se você se apaixonou e está naquela fase de pura ansiedade, mesmo que esteja superfeliz, não é felicidade. É excitação. Paixonite. Quando a ansiedade for embora, pode ser que a felicidade chegue. Mas ninguém garante.

20É temperamental a felicidade. Não vem por qualquer coisa. E para ficar então... hi, não conheço nenhum caso de alguém que a tenha tido por perto a vida inteira. Por isso é tão importante reconhecê-la quando ela chega. Entendeu agora por que a minha pergunta? Será que você sabe mesmo quando está feliz?

Ou será que você só consegue saber que foi feliz quando a felicidade já passou?

12Eu estudo muito a felicidade. Mas não consigo reconhecê-la. Talvez porque eu seja péssima fisionomista. Ou porque ela seja muito mais esperta do que eu. Mais sábia. Fato é que eu só sei que fui feliz depois. No futuro. Olho para o passado e reconheço: "16Nossa, como eu fui feliz naquela época!" Mas no presente ela sempre me dá uma rasteira. 14Ando por aí, feliz da vida e nem sei que estou nesse estado. Por isso aproveito menos do que poderia a graça que é ter assim, tão pertinho, a tal felicidade.

Nos últimos tempos, dei para fazer uma lista de momentos felizes. E aqui é importante deixar claro que esses momentos devem durar um certo período de tempo. 4Um episódio isolado feliz - como quatro dias de Carnaval, por exemplo - não significa felicidade. A felicidade, quando vem, não vem de passagem. 15Não dura para sempre, mas dura um tempinho. Gosta de uma certa estabilidade, [...] Sabendo quando você foi feliz, é mais fácil descobrir por que foi feliz. Para ser ainda mais funcional, é bom que a lista seja cronológica. 7Lendo a minha, constato que fico cada vez mais feliz e por mais tempo.

Será que ela está aqui agora? Não sei dizer. 6Mas a paz de que desfruto agora é um sintoma dela. E isso não tem nada a ver com a tal obrigação de ser feliz desfilando no Sambódromo. Continuo meus estudos. 5Já tenho certeza de que hoje sou mais amiga da felicidade do que jamais fui em qualquer tempo.

 

Ana Paula Padrão (adaptado)

Revista ISTOÉ 2206, de 22/02/2012.

 

 

1.   Marque a alternativa em que a reescrita mantém a correção gramatical e o sentido original da frase.

a) "Apesar disso, você quase não repara que ela está ali."

(Além disso, você quase não repara que ela está ali.)   

b) "Essa é a melhor pista para o seu Manual de Reconhecimento da Felicidade."

(Esta é a maior pista para o seu Manual de Reconhecimento da Felicidade.)   

c) "Por isso é tão importante reconhecê-la quando ela chega."

(Entretanto é muito importante reconhecê-la quando ela chega.)   

d) "Para ser ainda mais funcional, é bom que a lista seja cronológica."

(A fim de ser mais funcional, é bom que a lista seja cronológica.)   

  

2.   Todas as afirmativas estão corretas, EXCETO:

a) Em "Já tenho certeza de que hoje sou mais amiga da felicidade..." (ref. 5), observa-se um período composto por subordinação.   

b) Em "Mas a paz de que desfruto agora é um sintoma dela" (ref. 6), existe uma conjunção que inicia uma oração substantiva completiva nominal.   

c) Em "Lendo a minha, constato que fico cada vez mais feliz e por mais tempo." (ref. 7), tem-se o pronome possessivo que se refere ao vocábulo lista.   

d) Em "Aliás, você reconhece a felicidade quando ela chega?" (ref. 8), pode-se classificar as orações, respectivamente, como principal e como subordinada adverbial temporal.   

  

3.   A reescrita dos trechos abaixo provoca alteração sintática, mas mantém a ideia original do texto em

a) "[...] ela é mansa. Não faz barulho. Ao mesmo tempo é farta." (ref. 9)

Ela é mansa, mas não faz barulho e ao mesmo tempo é farta.   

b) "Se chamar a atenção, não é ela. É euforia. Alegria." (ref. 10)

Caso chame a atenção, não é ela, todavia é euforia como também alegria.   

c) "Se você se apaixonou e está naquela fase de pura ansiedade, mesmo que esteja superfeliz, não é felicidade." (ref. 11)

Quando você se apaixona, está naquela fase de pura ansiedade, embora estando superfeliz, não é felicidade.   

d) "Eu estudo muito a felicidade. Mas não consigo reconhecê-la. Talvez porque eu seja péssima fisionomista." (ref. 12)

Eu estudo muito a felicidade, todavia não consigo reconhecê-la, já que sou péssima fisionomista.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Sinal dos tempos

 

Na semana passada, os jornais do mundo inteiro noticiaram, com alarde, o lançamento de um novo aparelho celular, desses que fazem de tudo e mais um pouco. Nas redes sociais, o assunto "bombou", como se fosse um grande acontecimento. Os consumidores deslumbrados e os aficionados por tecnologia ficaram, é claro, ansiosos para comprar o brinquedinho - alçado (até que surja um modelo mais incrementado) a condição de preciosidade do ano.

Uma frase no Twitter, entretanto, chamou-me a atenção no meio de toda essa euforia. Dizia mais ou menos o seguinte: "quando as manchetes do mundo são o lançamento de um celular, algo está errado com o mundo". Concordo e assino embaixo. Não por ser contra o avanço tecnológico, muito pelo contrário.

O que me incomoda é, sim, a submissão neurótica das pessoas a essas novidades e a tudo o que recebe o rótulo de "último lançamento".

Não deixa de ser patético, por outro lado, o descompasso entre os lançamentos tecnológicos e os serviços prestados à sociedade para o uso dessas novidades, como ocorre no Brasil. Em matéria de telefonia e acesso à internet, por exemplo, sabemos que os preços daqui são de Primeiro Mundo, enquanto os serviços são de quinta categoria. Os aparelhos estão cada vez mais sofisticados e acessíveis, o consumo atinge mais e mais pessoas de diferentes extratos sociais, mas o serviço está cada vez pior e com preços cada vez mais abusivos. Histórias de pessoas que ficam dias sem acesso à internet, por falta de assistência das operadoras, multiplicam-se. Sinais que despencam durante ligações telefônicas tornaram-se recorrentes. Agora mesmo, escrevo sem internet em casa, por causa do descaso da operadora. Isso ocorreu duas vezes em menos de um mês. Na primeira, foram três dias sem sinal e sem assistência técnica. Na segunda, o jeito foi cancelar a linha e contratar o serviço de outra empresa. Enquanto não instalam a nova linha, a internet do celular tem quebrado o galho, apesar de o sinal cair a toda hora.

Um outro descompasso - este de ordem social - concerne as pessoas que não têm acesso às novas tecnologias e são obrigadas a usá-las a todo custo. É o caso de dona Geralda, que nasceu na roça e veio para a cidade trabalhar como faxineira. Hoje aposentada, vive com a irmã num bairro pobre e distante. Quando soube, no mês passado, que tinha direito a um benefício, a ser solicitado num órgão público, ela pegou dois ônibus e foi até lá. Depois de enfrentar a fila das prioridades, foi finalmente recebida pelo atendente que, em tom burocrático e ar displicente, lhe disse: "A senhora pode estar preenchendo o formulário na internet".

Confusa, dona Geralda disse que não tinha computador e nem sabia direito o que é internet. O rapaz insistiu: "É só pedir alguém para estar preenchendo para a senhora". "Mas quem? Só tenho a minha irmã, que não mexe com essas coisas", ela retrucou. "Então a senhora vai a um cybercafé, que lá eles fazem tudo. Tem um logo ali, na esquina." - foi a resposta. E ela: "Sambacafé? O que é isso?". O moço, então, despachou-a com impaciência, repetindo que o formulário tinha que ser preenchido pela internet e ponto final. A ele cabia a tarefa de fazer o cadastro, mas preferiu fazer andar a fila.

Sim, algo está errado com o mundo.

 

MACIEL, Maria Esther. Estado de Minas. Belo Horizonte, 18 set. 2012. Caderno Cultura. Disponível em: <http://impresso.em.com.br/>. Acesso em: 18.set.2012.

 

 

4.   "Em matéria de telefonia e acesso à internet, por exemplo, sabemos que os preços daqui são de Primeiro Mundo, enquanto os serviços são de quinta categoria".

 

O conectivo grifado estabelece uma relação sintático-semântica de

a) causa.   

b) contraste.   

c) conformidade.   

d) consequência.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Buscando a excelência

 

Lya Luft

 

Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina, assustadora, implacável e persistentemente. Autoridades, altos cargos, líderes, em boa parte desinformados, desinteressados, incultos, lamentáveis. Alunos que saem do ensino médio semianalfabetos e assim entram nas universidades, que aos poucos - refiro-me às públicas - vão se tornando reduto de pobreza intelectual.

 

As infelizes cotas, contras as quais tenho escrito e às quais me oponho desde sempre, servem magnificamente para alcançarmos este objetivo: a mediocrização também do ensino superior. Alunos que não conseguem raciocinar porque não lhes foi ensinado, numa educação de brincadeirinha. E, porque não sabem ler nem escrever direito e com naturalidade, não conseguem expor em letra ou fala seu pensamento truncado e pobre. [...] E as cotas roubam a dignidade daqueles que deveriam ter acesso ao ensino superior por mérito [...] Meu conceito serve para cotas raciais também: não é pela raça ou cor, sobretudo autodeclarada, que um jovem deve conseguir diploma superior, mas por seu esforço e capacidade. [...]

 

Em suma, parece que trabalhamos para facilitar as coisas aos jovens, em lugar de educá-los com e para o trabalho, zelo, esforço, busca de mérito, uso da própria capacidade e talento, já entre as crianças. O ensino nas últimas décadas aprimorou-se em fazer os pequenos aprender brincando. Isso pode ser bom para os bem pequenos, mas já na escola elementar, em seus primeiros anos, é bom alertar, com afeto e alegria, para o fato de que a vida não é só brincadeira, que lazer e divertimento são necessários até à saúde, mas que a escola é também preparação para uma vida profissional futura, na qual haverá disciplina e limites - que aliás deveriam existir em casa, ainda que amorosos.

 

Muitos dirão que não estou sendo simpática. Não escrevo para ser agradável, mas para partilhar com meus leitores preocupações sobre este país com suas maravilhas e suas mazelas, num momento fundamental em que, em meio a greves, justas ou desatinadas, [...] se delineia com grande inteligência e precisão a possibilidade de serem punidos aqueles que não apenas prejudicaram monetariamente o país, mas corroeram sua moral, e a dignidade de milhões de brasileiros. Está sendo um momento de excelência que nos devolve ânimo e esperança.

 

(Fonte: Revista Veja, de 26.09.2012. Adaptado). 

 

 

5.   [...] se delineia (...) a possibilidade de serem punidos aqueles que não apenas prejudicaram monetariamente o país, mas corroeram sua moral (...).

 

O uso combinado dos termos destacados produz o sentido de

a) contrariedade.   

b) temporalidade.   

c) causalidade.   

d) exceção.   

e) adição.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Leia o seguinte trecho de uma receita de cozinha.

 

1. Misture a manteiga com a farinha peneirada e junte sal. Incorpore depois o ovo e a gema.

2. Adicione o leite, aos poucos, mexendo sempre até obter um preparado uniforme.

(...)

4. Vire a panqueca para que cozinhe de ambos os lados. Retire e recheie com uma fatia de queijo e outra de presunto. Enrole, dobre as pontas e sirva.

 

 

6.   O trecho - Vire a panqueca para que cozinhe de ambos os lados. - apresenta duas orações ligadas pela locução conjuntiva para que, que sinaliza a função de

a) consequência.   

b) causa.   

c) proporção.   

d) finalidade.   

e) modo.   

 

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

TEXTO II


CLASSE MÉDIA NEGRA NO BRASIL: NEGROS EM ASCENSÃO SOCIAL
Rosângela Rosa Praxedes

 

1O estudo da mobilidade social ascendente da população brasileira, em particular o aumento apontado por diferentes estudos demográficos das classes médias em relação aos demais segmentos populacionais, leva-nos a uma reflexão sobre as desvantagens raciais relacionadas à ascensão social de não-brancos. (...)

3Embora a classe média tenha crescido em termos relativos e absolutos, entre a população negra, esse crescimento foi significativamente menor. Segundo dados do IPEA, a quantidade de negros pertencentes à classe média ainda é muito pequena. Apesar disso, a classe média negra das capitais brasileiras teve um crescimento relativo de 10% entre os anos de 1992 e 1999, chegando ao patamar de um terço da classe média brasileira. (...)

Para a população negra de classe média, a superação dos estereótipos vinculados à cor (admitindo-se que os negros se encontram muito frequentemente realizando atividades desprestigiadas socialmente) constitui-se um problema que podemos associar a uma redefinição da própria identidade negra. Como se não fossem suficientes as dificuldades de uma recente transição do país de economia agrícola para economia urbana industrial e de serviços, há, ainda, 2o peso da herança deixada pelo longo período de escravidão no país, que influencia o racismo a que os negros ainda são submetidos.

Nesse sentido é que os afrodescendentes se empenham para a aquisição de certos símbolos que garantam sua distinção em relação ao restante dos afrodescendentes pertencentes às camadas populares, como a posse de um diploma universitário, o exercício de um trabalho não manual e o cultivo de algumas práticas de consumo que envolve diferenças no tamanho das residências, no modelo e ano do automóvel adquirido, no número de empregados domésticos e no modo de vestir.

A ascensão social da população negra tem como maior obstáculo a discriminação racial existente em nossa sociedade. Ao incorporar uma representação do espaço social como um espaço em que é possível a ascensão social, os cidadãos negros de classe média muitas vezes relevam o fato de o racismo existente na sociedade brasileira tornar suas perspectivas de futuro frustradas, o que corresponde a reconhecermos que um conjunto de possibilidades teoricamente existentes, na prática, podem se tornar inviáveis para um negro no Brasil, limitando efetivamente o campo de suas possibilidades, já que nem sempre o capital cultural acumulado pelos negros pode ser convertido em uma posição social correspondente.


(Revista Espaço Acadêmico. Ano II, ND. 20, Janeiro/2003. Disponível em: http:llwww.espacoacademico.com.br/020/2orpraxedes.htm) 

 

 

7.   O pronome relativo é um conectivo muito importante na coesão textual, visto que evita a repetição desnecessária de palavras num texto. No trecho "(...) o peso da herança deixada pelo longo período de escravidão no país, que influencia o racismo a que os negros ainda são submetidos." (ref. 2), os termos representados pelos pronomes relativos destacados são, respectivamente: 

a) escravidão no país/ racismo.   

b) herança / país.    

c) o peso da herança / racismo.    

d) herança / escravidão.   

  

8.   "Embora a classe média tenha crescido em termos relativos e absolutos, entre a população negra, esse crescimento foi significativamente menor." (ref. 3)

 

Leia a reformulação do período acima nas opções a seguir e assinale aquela em que a construção coordenativa apresenta significação semelhante. 

a) Ainda que a classe média tenha crescido em termos relativos e absolutos, entre a população negra, esse crescimento foi significativamente menor.     

b) Malgrado o crescimento da classe média em termos relativos e absolutos, entre a população negra, esse crescimento foi significativamente menor.    

c) A classe média vem crescendo em termos relativos e absolutos, no entanto, entre a população negra, esse crescimento foi significativamente menor.    

d) A classe média vem crescendo em termos relativos e absolutos, portanto, entre a população negra, esse crescimento foi significativamente menor.   

 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Emoções na montanha-russa (fragmento)

 

Uma das sensações mais intensas e perturbadoras 4que se pode experimentar, neste nosso mundo atual, é um passeio na montanha-russa. Só não é nem um pouco recomendável para quem tenha problemas com os nervos ou com o coração, nem para aqueles com o sistema digestivo sensível. A própria decisão de entrar na brincadeira já requer alguma coragem, a gente sabe 1que a emoção pode ser forte até demais e 2que podem decorrer consequências imprevisíveis. Entra quem quer ou quem se atreve, mas sabe-se também 3que muita gente entra forçada por amigos e pessoas queridas, meio que contra a vontade, pressionada pela vergonha de manifestar sentimentos de prudência ou o puro medo. Mas, uma vez que se entra, 5que se aperta a trava de segurança e a geringonça se põe em movimento, a situação se torna irremediável. Bate um frio na barriga, o corpo endurece, as mãos cravam nas alças do banco, a respiração se torna cada vez mais difícil e forçada, o coração descompassa, um calor estranho arde no rosto e nas orelhas, ondas de arrepio descem do pescoço pela espinha abaixo.

 

Nicolau Sevcenko: A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa.

 

 

9.   Em relação ao objeto a que se refere, uma oração adjetiva restritiva atribui a esse objeto uma característica, de modo a torná-lo específico entre semelhantes, a torná-lo um ser em particular; individualiza-o, por fim, pois condiciona seu sentido apenas ao contexto referenciado. Essa propriedade relacional é o que se observa na oração

a) "que a emoção pode ser forte" (ref. 1).   

b) "que podem decorrer consequências imprevisíveis" (ref. 2).   

c) "que muita gente entra forçada por amigos e pessoas queridas" (ref. 3).   

d) "que se pode experimentar" (ref. 4).   

e) "que se aperta a trava" (ref. 5).   

  

10.   Relacione as colunas, com relação à coesão textual.

 

Coluna 1

 

(1) O conectivo empregado indica progressão.

(2) O conectivo empregado estabelece adição, soma, acréscimo.

(3) O conectivo empregado indica tempo.

(4) O conectivo empregado indica explicação.

(5) O conectivo empregado estabelece conclusão.

(6) O conectivo empregado estabelece contradição, oposição.

 

Coluna 2

 

(     ) "Desde que o programa foi implantado, ..." (ref.12)

(     ) "De uma historinha que muita gente já ouviu, mas que sempre vale a pena repetir." (ref.13)

(     ) "... o Post-It já rendeu uma fortuna para a 3M e pouco mudou:.." (ref.14)

(     ) "... aquela folhinha amarela que gruda mas não gruda." (ref.15)

(     ) "E azar das empresas que não aproveitam a força criativa de seus Fernandos." (ref.3)

(     ) Seu projeto foi recusado, porque as explicações não foram convincentes.

(     ) À medida que trabalhava, conquistava mais prestígio.

(     ) Meus amigos felicitaram-me quando fui aprovado no concurso.

(     ) Todos trabalharam muito, por isso foram promovidos.

(     ) Sempre teve boas ideias e boas intenções, dessa forma será bem sucedido no seu trabalho.

 

A alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo é:

a) 3, 4, 2, 6, 4, 5, 1, 3, 4, 4   

b) 1, 6, 3, 6, 2, 4, 1, 3, 5, 6   

c) 1, 6, 6, 6, 5, 2, 4, 1, 4, 5   

d) 3, 6, 2, 6, 2, 4, 1, 3, 4, 5   

e) 3, 5, 2, 5, 2, 4, 1, 3, 4, 3   

 

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