Portal da Educao Adventista

*Profª Ritíssima *

27

mai
2011

Da lousa, pela cópia, ao tablet

 

 

De acordo com estatísticas do Ministério da Educação (MEC), 17% dos jovens são universitários. O Plano Nacional de Educação (PNE) previa que, em 2010, esse número fosse de 30%. O novo PNE traçou por meta que 50% dos jovens entre 18 e 24 anos estejam cursando uma faculdade até 2020. Em resumo, temos que recuperar os 13% que perdemos e a esta taxa acrescentar mais 20%. Tal como nos cursos superiores, o problema não está mais na entrada, está na saída. E naturalmente na qualidade do que se ensina e se aprende. Apenas 50% dos estudantes do ensino médio se formam no período regular. A evasão continua alta.

As instituições de ensino superior já sentem a queda. Em 2009, a queda do número de alunos nos cursos presenciais foi de 11%. O sistema oferecia 2,8 milhões de vagas. Menos da metade foi preenchida.

Quadro-negro

Estatísticas não são dogmas e costumam ser manipuladas ao bel-prazer de quem acha que tudo vai mal e servem também para dizer que tudo vai bem. Não procede assim o ministro da Educação. Comentando os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) e os do Sistema de Avaliação de Educação Básica (Saeb), ele reconhece nas entrevistas que o Brasil permanece nos últimos lugares entre os 65 países avaliados, mas que foi o que mais melhorou na última década. No Pisa, o Brasil melhorou 33 pontos; o Chile, 37; e Luxemburgo, 38.

O que está acontecendo? De modo geral o sistema de ensino básico e médio não vai bem. No Saeb, por exemplo, os avanços na aprendizagem de matemática foram de apenas 3,4 pontos, passando de 271,3 em 2005 para 274,7, em 2009. Em língua portuguesa os avanços foram maiores. Passaram de 257,6 para 268,8, um crescimento de 11,2 pontos. Isto diz alguma coisa, mas talvez não diga o principal. Os mesmos exames constataram que as habilidades e competências dos alunos em língua portuguesa não aumentaram. Em resumo, leem e escrevem mal, muito aquém do esperado naquelas séries.

Várias universidades estão oferecendo cursos de nivelamento aos ingressantes, do contrário eles não conseguem acompanhar as matérias. A ênfase destes cursos é em língua portuguesa e matemática. Todos os que ensinam são testemunhas de que os docentes despendem recursos próprios para providenciar cópias, usando impressoras, cartuchos e papel comprados com o dinheiro de salários. ENSINO SUPERIOR

Cópias em papel vão aos poucos se transformando em retratos na parede. Elas substituíram as longas transcrições a giz no quadro-negro (depois o quadro tornou-se verde, mas predominou a antiga denominação). Mas também as cópias, nas escolas mais avançadas, estão aos poucos cedendo o lugar a computadores, notebooks e, mais recentemente, aos tablets. Registro como curiosidade que o tablet, conquanto eletrônico, é muito parecido, ao menos no tamanho, com a antiga lousa romana, não aquela afixada na parede, mas a outra, na qual os alunos escreviam. Designava também a lápide dos túmulos, onde eram escritos - ou melhor, inscritos - os epitáfios.

Manchas de excelência

Há muitas décadas, o Brasil não dá à educação os cuidados que ela faz por merecer na administração estratégica do país como nação. Esta deve ser uma pauta permanente no jornalismo brasileiro. Que soberania é essa se não dominarmos bem a norma culta da língua portuguesa, a principal identidade que temos? Como vamos aprender as outras matérias? De que nos adiantará o computador para cálculos complexos se não sabemos as quatro operações básicas da matemática? De nada adianta o sucessor dizer que o antecessor é quem fez pouco. É preciso que cada governo tome a tocha da educação, como nas Olimpíadas, e prossiga. Que acharia o distinto público do ato de alguém que, ao receber a tocha, não prosseguisse no caminho e passasse a criticar quem a trouxe até ali? A tocha jamais chegaria a tempo para as cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos.

Em educação estamos atrasados. Ninguém pode negar. Embora haja manchas de excelência por todo o país e os avanços alcançados em muitas áreas sejam notáveis, o ensino vai mal onde jamais poderia estar mal, porque, como suas próprias designações o dizem, é básico e é médio, isto é, são etapas indispensáveis ao acesso ao ensino superior.

Fonte: Gestão Universitária

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24

mai
2011

Concretismo

Características principais do Concretismo:

- Elaboração artística em busca da forma precisa;

- Ênfase na racionalidade, no raciocínio e na ciência;

- Uso de figuras abstratas nas artes plásticas.

- União entra a forma e o conteúdo na obra de arte;

- Na literatura, os poetas concretistas buscavam utilizar efeitos gráficos, aproximando a poesia da linguagem do design;

- Envolvimento com temas sociais (a partir da década de 1960);

 

Concretismo no Brasil

Na literatura brasileira, destacou-se Noigandres (revista fundada em 1952) que ra formado pelos poetas Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos entre outros.


Algumas obras da literatura concretista brasileira:

- Teoria da Poesia Concreta de Décio Pignatari (1965)

- Poetamenos (1953) e Pop-cretos (1964) de Augusto de Campos

- Galáxias (1963) de Haroldo de Campos 

O concretismo foi um movimento vanguardista que ocorreu nas artes plásticas, na música e na poesia. Surgiu na Europa, na década de 1950, e teve seu auge até a década de 1960. Os artistas precursores deste movimento foram: Max Bill (artes plásticas), Pierre Schaeffer (música) e Vladimir Mayakovsky (poesia).

 

 

 

 

 

 

 

 

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23

mai
2011

O ensino da biodiversidade nas escolas

 

Nunca os temas sobre o meio ambiente estiveram tão presentes. São assuntos atuais e necessários, em especial no Brasil, onde, em sua extensa área, são encontrados ricos biomas, que abrigam em torno de 13% de todas as espécies descritas pela Ciência; além disso, o País possui 40% das florestas tropicais remanescentes do planeta.

     Na biodiversidade brasileira são conhecidas em torno de 3 mil espécies de peixes, 1,8 mil aves, 800 anfíbios, 680 répteis e 530 mamíferos, sem citar a imensa diversidade de plantas, além de tantos outros seres ainda não identificados. Por outro lado, estudos recentes indicam que mais de 600 espécies da fauna conhecida estão em perigo de extinção.

     É fato que a presença do humano provocou alterações nos biomas. As aglomerações nas zonas urbanas provocaram profundos e irreversíveis danos e o distanciamento dos espaços naturais criou nas pessoas uma visão distorcida sobre o meio ambiente.

     É impossível que a escola seja indiferente diante desta realidade e inconcebível a exclusão de temas sobre meio ambiente de qualquer projeto político pedagógico. Mas, uma das questões com as quais mais nos deparamos ao visitar escolas e conversarmos com professores é sobre qual seria a melhor maneira de abordar o tema da biodiversidade no ensino fundamental.

     Vale lembrar que o professor das séries iniciais não é um especialista da área e não tem a obrigação de dominar tópicos muito específicos. Por outro lado, o que se espera do profissional é autonomia e dinamismo necessários para buscar informações e criar atividades didáticas diversificadas, para que os conhecimentos sejam apresentados de forma dinâmica e atrativa.

     Hoje estão disponíveis diversos materiais, como vídeos e publicações oficiais, que podem ser acessados em sites. E é certo que todos eles servem de suporte para que o tema seja abordado. Entretanto, embora os diversos recursos como textos, materiais audiovisuais e a tecnologia sejam importantes para trazer informações sobre a biodiversidade para dentro da sala de aula, acreditamos que sejam fundamentais as vivências práticas nos ambientes naturais ou alterados pelos humanos.

     Defendemos que o estudo do meio é uma boa opção para este fim. Diante das realidades onde as escolas estão inseridas, cada proposição deve ser direcionada especificamente, e é óbvio que têm vantagens aquelas localizadas próximas a ambientes naturais. Mas também é verdade que, mesmo em zonas densamente urbanizadas, é possível se observar belos exemplares da biodiversidade brasileira. Um exemplo clássico é a avifauna e a arborização das cidades, que podem ser exuberantes em parques e pequenas reservas. Estes locais, mais ou menos próximos das escolas, são ambientes fantásticos para uma aula de campo, com observação, identificação e posteriores pesquisas bibliográficas.

     Também é importante, nestas atividades, recorrer ao conhecimento popular dos moradores do entorno, com os quais é comum, na realização de entrevistas, obterem-se valiosas informações sobre a biodiversidade. Dessa forma, é possível valorizar a cultura popular e estabelecer uma reflexão sobre senso comum e conhecimento científico, ainda que de forma implícita para as séries iniciais.

     Conhecer as riquezas da biodiversidade com observações práticas in loco é um rico instrumento para aproximar o jovem do meio ambiente natural e resgatar as fundamentais ligações entre humanidade e natureza.

     Parafraseando Leonardo Boff em seu filosófico livro Saber cuidar, ética do humano, compaixão pela Terra: é essencial que o humano restabeleça seus laços com suas origens naturais; mas não basta conhecer, é preciso cultivar no humano a ética pelo cuidado. E isto só se faz com a vivência.

     Texto de Jairo José Matozinho Cubas, biólogo, mestre em Ciências da Saúde e professor de Educação Ambiental. É presidente da ONG ambiental Utágua e consultor pedagógico de Edições SM. E-mail: contato@campanhadabiodiversidade.com.br

 

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19

mai
2011

MEC descarta regra do "jeito certo" de falar desde 1997

 

A orientação para que as escolas não "consertem a fala de aluno para evitar que ele escreva errado" consta desde 1997 dos Parâmetros Curriculares Nacionais - ou seja, passou pelos governos FHC, Lula e Dilma. Os documentos servem como orientação a escolas, professores e editoras. Quando abordou nos PCNs o tema "qual fala cabe à escola ensinar", o Ministério da Educação já orientava que a escola "precisa livrar-se do mito de que existe uma única forma certa de falar". Mesmo assim, surgiu recentemente uma grande discussão sobre variações na linguagem oral em desacordo com a norma culta, motivada pelo livro didático "Por uma Vida Melhor".

Na semana passada, o site IG divulgou que o livro, ao tratar da diferença entre a língua oral e a escrita, afirma que é possível dizer, em determinados contextos, "os livro ilustrado mais interessante estão emprestado". A educadora Maria Cristina Ribeiro Pereira, uma das coordenadoras dos PCNs em 1997, diz que a inclusão do tema nos parâmetros teve como objetivo chamar a atenção da escola para preconceitos não visíveis.

"O preconceito em relação à fala acontece não apenas com jovens e adultos. É comum, por exemplo, quando uma criança sai de uma escola rural para uma urbana, sofrer preconceito pelo modo de falar." Ela não quis comentar o livro "Por uma Vida Melhor" por não tê-lo lido. Para o linguista e acadêmico da Academia Brasileira de Letras Evanildo Bechara, no entanto, a orientação dos PCNs foi um "erro de visão". "Há uma confusão entre o que se espera de um cientista e de um professor. O cientista estuda a realidade de um objeto para entendê-lo como ele é. Essa atitude não cabe em sala de aula. O indivíduo vai para a escola em busca de ascensão social", diz Bechara. Anteontem, a ABL divulgou nota oficial criticando o livro e o MEC. Marcos Bagno, autor do livro "Preconceito Linguístico", discorda.

"Discutir preconceito linguístico na escola é fundamental para que alunos que vêm de classes menos favorecidas não se sintam reprimidos ou amedrontados", diz. "A atitude normal da escola sempre foi zombar da fala dos alunos. Esse debate é fundamental para criar um ambiente mais acolhedor." Bagno critica os meios de comunicação por terem criado o que ele chama de falsa polêmica. "A discussão sobre preconceito linguístico ocupa apenas 2% do tempo de sala de aula. Nos outros 98%, o que se faz é ensinar as normas cultas de prestígio." Ele argumenta também que a língua é dinâmica. "Há 50 anos, dizer que alguém "poderia se mudar" era crime bárbaro, pois o certo seria poder-se-ia. Hoje, no entanto, quase todos os manuais de redação de jornais orientam a evitar a mesóclise.

Fonte: Folha de São Paulo

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18

mai
2011

O sabor do Saber

 

A era do conhecimento - que hoje vivenciamos - tem fulcro em dois marcos históricos: a Biblioteca de Alexandria e a imprensa de Gutemberg.

A Biblioteca de Alexandria estava muito próxima do que se entende hoje por universidade e reinou quase absoluta como centro da cultura mundial no período do séc. III a. C. ao séc. IV d. C.. Continha praticamente todo o saber da Antiguidade, em cerca de 700 mil rolos de papiros e pergaminhos. Seu lema era "adquirir um exemplar de cada manuscrito existente na face da Terra". No entanto, o manuseio de seus conteúdos era restrito aos mais conspícuos sábios, poetas e matemáticos. Sua destruição talvez tenha representado o maior crime contra a ciência e a cultura em toda a história da humanidade.

Até meados do séc. XV, a reprodução do conhecimento se fazia essencialmente por meio dos monges copistas, pontuados em algumas dezenas de mosteiros e universidades.

Em 1455, o ourives alemão Johann Gutenberg inventou a tipografia. Com a imprensa, o mundo sofreu uma vigorosa transformação que, de pronto, influiu extraordinariamente sobre o Renascimento. Tamanho foi o alcance e a influência do engenho de Gutenberg, que foi considerado a maior revolução tecnológica do milênio, pois propiciou a democratização do conhecimento, com impressão em escala de livros e jornais.

A Europa de então possuía cerca de 50 milhões de habitantes. Somente 15% sabiam ler, pois raramente conseguiam livros. O evento de Gutenberg se propagou de modo espantoso e fez dobrar em poucos anos o número de europeus alfabetizados. Em 1500, já circulava naquele continente meio milhão de livros.

Se vivemos hoje a era do conhecimento, é porque a alçamos sobre ombros de gigantes do passado, reiterando a afirmação de Isaac Newton. A cada geração, novos andares foram construídos sobre a antiga estrutura.

Com a internet, em nenhum momento da história, o acesso ao saber e à pesquisa foi tão democrático. Em poucos minutos boa parte da população mundial tem ao alcance um teclado e só o Google hospeda 1,5 trilhão de páginas de informações.

Hoje a web e outras multimídias tornam disponíveis conteúdos técnicos e pedagógicos precisos, com visual atraente, em movimento e até em 3D. Em contrapartida, metade de seus bites é desnecessário ou até pernicioso.

Fui estudante de 1.º e 2.º graus nos anos 60 e não havia tantas futilidades na comunicação escrita. Até porque todo o impresso era dispendioso. No entanto, os livros eram monocromáticos, sisudos, contidos nas ilustrações e pródigos nos textos densos.

Uma mesa e uma cadeira num ambiente silente são condições clássicas para uma efetiva assimilação dos estudos. Ou como verbalizava um provecto professor de Matemática, com graça e forte sotaque alemão: "o aprender entra "pelo bunda" e caminha para o cérebro".

Se temos hoje uma profusão de recursos tecnológicos, com ludicidade e didática, uma coisa não mudou: o aprendizado consistente e duradouro se faz com disciplina pessoal, esforço e solidão.

Para atingir os píncaros do saber, busquemos a analogia portuguesa do Cabo do Bojador, aquele lugar difícil de ser alcançado. Conforme ilustram os versos de Fernando Pessoa, "quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor". Mas tem enlevo. Tem conquista. E a dor se transforma em doce sabor. Sabor do saber.

Jacir J. Venturi, vice-presidente do Sinepe/PR

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