Portal da Educao Adventista

*Profª Ritíssima *

21

nov
2010

Os tão ocupados e apressadinhos de Deus

Se há alguém no mundo com todos os motivos para estar sempre ocupado e apressado, certamente seria Deus, pela quantidade de pessoas que recorre a Ele, todos os dias e a todo instante, pelos mais variados motivos. Desde gente que pede para ganhar na mega-sena, até aqueles que pedem para tal candidato ser eleito, para chover, para fazer sol, para sair aquela promoção, para o chefe ser mandado embora, para a namorada ou namorado voltar, para o guarda rodoviário não usar o bafômetro, para o teste de gravidez dar negativo ou positivo... Uma loucura. Já perceberam o que ocorre nas partidas decisivas de futebol? No último segundo, o jogador vai cobrar um pênalti que dará o título ao time. De um lado, uma equipe se dá as mãos e, orando, pede a Deus para a bola ir para fora ou o goleiro defendê-la. Do outro, a equipe adversária, também de mãos dadas, reza e pede a Deus para a bola entrar. Ou seja, a divergente expectativa de todos, inclusive torcedores, é de que Deus pare de fazer tud o o que está realizando pelo mundo inteiro para fazer o atacante marcar o gol ou o goleiro pegar o chute. Pode? Essa introdução descontraída é para nos fazer lembrar daquele profissional que repete a todo instante:
- Agora não dá! Estou superocupado!
- Depois, depois! Agora não dá! Estou superatrasado!
Uma vez que esse profissional não é Deus - porque Ele sempre dá um jeito de atender todo mundo - conclui-se que o acelerado amigo não tem a menor ideia do que seja administração do tempo.
A exceção das disfunções comportamentais, certamente há quem aja assim por achar que tal postura passa a imagem de um sujeito muito trabalhador e indispensável à firma. Pelos muitos anos que convivi com o mundo corporativo, posso assegurar que metade das atividades que fazem aquele herói correr tanto e estar sempre ocupado, poderia ser facilmente delegada aos membros da equipe. Mas, fazer o que se o homem é centralizador? Estes parecem nunca ter ouvido ou lido nada também sobre delegação.
No frigir dos ovos, o primeiro prejudicado é o próprio, pois lhe falta tempo para participar de programas de integração com os pares e colegas e, sobretudo, de atualização - aliás, é característica sua nunca ter tempo para comparecer aos programas de treinamento e sempre chegar atrasado e bufando às reuniões. Nem na hora do almoço nosso elétrico profissional relaxa. Quando não come apressadamente um sanduíche na sua mesa de trabalho, ele corre ao refeitório e rápida e literalmente joga a comida mal mastigada na boca. Sem muita conversa, levanta-se e sai quase correndo, pois "tem muita coisa pra fazer e já está atrasado".
É provável que esse profissional alimente a fantasia de que a empresa parará se ele diminuir seu ritmo. Se este for o caso, trata-se de um candidato potencial a um trauma depressivo se um dia for demitido.
Nessas pessoas, preocupa-me muito o comprometimento da sua qualidade de vida. Um tempo precioso a ser curtido com a família e amigos está deixando de ser utilizado e no futuro é mais do que provável que isso traga sérias consequências afetivas, psicológicas e sociais. Claro que isso tem solução. Uma adequada reflexão, uma revisão do estilo de vida, um claro entendimento do que é urgente e do que é importante (nem sempre estas condições caminham juntas) poderiam ajudar o nosso amigo e estruturar melhor o uso do seu tempo, controlar sua ansiedade e ser mais feliz. Todos ganhariam com essa mudança, inclusive a própria empresa.
Pena que geralmente esse profissional não tem tempo para pensar nessas coisas - muito menos em Deus. Certamente ele nem lerá este artigo: afinal, como sempre, tem um monte de coisas à sua espera e ele já está muito atrasado...

Texto de Floriano Serra, diretor-executivo da SOMMA4 Gestão de Pessoas, autor de vários livros e inúmeros artigos sobre comportamento humano. Ex-diretor de Recursos Humanos de empresas nacionais e multinacionais.

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21

nov
2010

Dia de Jogo

Dia de jogo

Um dia meu filho chegou da escola contando algo que havia ocorrido: era época de copa do mundo, teve um jogo pela manhã que havia terminado durante o recreio e, ao reiniciar a aula, um dos alunos perguntou ao professor qual havia sido o placar. Diante de "tão absurda pergunta", ele teve um ataque de nervos e começou a gritar dizendo que aquela não era hora de saber resultado de jogo e sim de ter aula. Nem precisa dizer que houve um mal-estar por parte de todos e a classe se agitou mais ainda. Lembrei-me então que, em certa ocasião, alguns alunos também quiseram saber o resultado de um jogo durante a minha aula.
Naturalmente, eu abri a porta da sala e perguntei para o inspetor que estava no corredor qual havia sido o placar do jogo que havia terminado naqueles minutos.
O rapaz me respondeu e eu respondi aos alunos. Isso tudo deve ter levado dois minutos e a aula transcorreu tranquilamente. Parece um fato bobo, mas pequenas atitudes como esta fazem os jovens perceberem que são importantes, que seus anseios podem ser alcançados e suas dúvidas sanadas. Era só um resultado de jogo e certamente o aluno queria, com a sua pergunta, dar uma enrolada na aula; mas, se sabemos disso, por que não resolvermos o assunto com serenidade? E você acha que ele não percebe esse tipo de atitude? Não são os alunos que são as ovelhas negras e sim quem os criou, em casa e nas escolas. Eles são o nosso produto, eles são o resultado de uma "educação" dada por nós. Estão em plena formação e como poderiam ser tudo isso que dizemos que são? Marginais, vagabundos, sem educação, largados... Largados por nós mesmo, então!
Nunca fui de ler muita teoria sobre educação, porque acho que a educação vai além de qualquer teoria. Para ensinar História, Matemática e Português, precisamos seguir métodos e teorias. Mas o problema é que não adianta querermos ensinar a matéria sem pensar nos educandos como sendo seres que têm medos e ideais, sem vê-los como gente que são. A educação, em casa ou na escola, deve significar esse algo mais que entra pelo afeto, pelo respeito ao outro, pelo carinho. Aí vai tudo junto - Matemática, História, Geografia e Educação.
Geralmente, os professores tendem a pensar que sua obrigação é ensinar o que sabem de sua área e que não têm que aguentar as neuras que os alunos trazem de suas casas. Acabam tendo atitudes como aquele professor que gritou com o aluno que queria saber o resultado do jogo. Mas se nós formos pensar em obrigação, é bom refletirmos que temos a obrigação de saber o que nos levou a escolher a profissão. Temos a obrigação de olharmos para dentro de nós e vermos que somos todos seres humanos, cheios de vontades, medos e carências.
Se nós somos assim, por que nossos alunos têm que ser diferentes? Se queremos e precisamos de atenção e respeito, por que eles não desejariam a mesma coisa? Se dermos isso a eles, certamente é isso que vamos receber. Pude provar isso para mim mesma e para tantas outras pessoas durante os últimos dez anos de profissão. Dão-se "murros em ponta de faca" diariamente. Os resultados de toda essa pseudo-educação estão aí. Nossos jovens precisam "dar certo na vida" entrando nas melhores faculdades, precisam estar sempre correndo atrás de tudo como se o mundo fosse acabar amanhã. Qual a importância disso tudo se as próprias instituições não sabem mais o que fazer diante de tantos problemas? Nós mesmos nos enrolamos em nossa própria teia. Se um dia eu voltar para a sala de aula, vai ser somente pelos alunos e por achar que eu posso ajudá-los a encontrar algum caminho, algum carinho, alguma compreensão e, como consequência, eu ensino História a eles.

Texto de Patricia Pacini, professora de História para o ensino fundamental II e ensino médio.

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3

nov
2010

A Educação Financeira: de casa para a escola

 

Desde agosto deste ano, 450 escolas públicas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Tocantins e do Distrito Federal iniciaram aulas do projeto-piloto de educação financeira, que pretende chegar a mais de 200 mil instituições de ensino e combater o "analfabetismo financeiro" no País.
Com esse curso, os estudantes irão aprender mais sobre temas que interessam a todos, mas apavoram até mesmo os adultos pós-graduados, como orçamento doméstico, poupança, aposentadoria, seguros e financiamentos. Esse piloto vai envolver 15 mil estudantes do ensino médio nessa primeira etapa e será estendido às escolas do ensino fundamental no próximo ano. A partir de 2012, o programa didático deve ser aplicado nas 200 mil escolas da rede pública do País.
Uma vez que vivemos em uma sociedade com forte apelo consumista e sofisticadas estratégias de marketing, que nos bombardeiam constantemente, a escola e a família precisam ensinar fundamentos de responsabilidade financeira às crianças logo cedo, para evitar criar consumidores vorazes e irresponsáveis. Ocorre que a atual geração de pais demonstra dificuldade na orientação financeira de seus filhos, pois viveu o auge da hiperinflação no Brasil, período em que o ritmo de aumento de preços era frenético e a resposta a esse quadro era consumir tudo o que fosse possível o quanto antes; afinal, no dia seguinte, já custaria mais caro. Diante desse contexto, precisamos de um novo olhar sobre as relações de consumo e, sobretudo, criar estratégias de abordagem desse tema com nossos filhos. O autocontrole sobre as finanças deve ser praticado desde a infância, para que o jovem não chegue despreparado à fase adulta. Inevitavelmente, tem de haver planejamento, organização e disciplina, porque não existe mágica. Para alguns, isso pode soar como inatingível, mas essas habilidades no controle orçamentário podem ser conquistadas com ações simples e que estão ao alcance de todos.
Além das atividades em sala de aula, é importante que o assunto "dinheiro" seja conversado e discutido em família, sem tabus. Os limites do orçamento familiar precisam ficar claros e o envolvimento de todos é importante, assim como a definição de prioridades e dos grandes projetos familiares.
Um exercício prático é dar uma quantia fixa de dinheiro à criança, com uma periodicidade preestabelecida. O pequeno economista deve ser orientado sobre como administrar suas contas, incluindo hábitos como pesquisar preços - para entender o que é caro e barato - e poupar, definindo objetivos de curto e de longo prazo. Ele precisa ser responsável pelas escolhas que faz. Se, apesar das conversas, os filhos gastarem todo o dinheiro antes do prazo combinado e pedirem mais, os pais precisam ser firmes e dizer não.
Todavia, de nada adiantará o discurso se as crianças e adolescentes constatarem que seus pais consomem por impulso e sem planejamento. Dar o exemplo é uma das atitudes mais importantes, seguida pelo planejamento cuidadoso a respeito das estratégias para presentear os filhos, já que o excesso de mimos dificulta o entendimento prático das dificuldades que nossos filhos enfrentarão na vida adulta.

Texto de Marcus Mingoni, diretor de Operações da Divisão de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva.

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