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*Profª Ritíssima *

30

out
2013

A importância das HQs

Gostei muito e compartilho com vocês neste espaço!

 

 

LITERATURA

O incrível poder das histórias em quadrinhos

Mais do que um divertido passatempo, elas são um valioso instrumento para despertar o gosto pela leitura!

 

02/02/2012 13:07 
Texto Gisleine Carvalho

O cineasta Federico Fellini lia. O filósofo Umberto Eco é ávido consumidor e o artista plástico Roy Lichtenstein fez uso de balões com falas em algumas de suas obras. Esses artistas declararam que a leitura das histórias em quadrinhosserviu de inspiração e influenciou seus trabalhos. Há outros exemplos de personalidades que poderiam ser citadas, mas não é o propósito deste texto listar celebridades e fãs da também chamada arte sequencial. Trata-se só de uma curiosidade, já que houve um tempo em que psicólogos e educadores chegaram a afirmar que os gibis estimulavam a preguiça mental.

"Por muitas décadas, as histórias em quadrinhos foram vistas à margem do que se entende por leitura. Uma visão equivocada porque os quadrinhos são e sempre foram leitura igualmente válida", defende Paulo Ramos, professor da Unifesp e autor de vários livros sobre quadrinhos.

De fato, hoje não há mais dúvidas sobre o valor desse tipo de narrativa. Tanto que os quadrinhos são recomendados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais e reconhecidos como uma ferramenta de alfabetização. Na visão da professora Maria Angela Barbato, da Faculdade de Educação da PUC-SP, as histórias em quadrinhos acabam sendo também um instrumento no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita porque as crianças naturalmente gostam desse tipo de linguagem. "Existem crianças, inclusive, que desenvolvem a leitura com os gibis", diz ela.

Outro fator que torna os quadrinhos tão atraentes para as crianças é a ligação emocional que elas costumam desenvolver com os personagens. Um exemplo da força dessa conexão está na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2008 pelo Instituto Pró-Livro, na qual Mauricio de Sousa, o pai da Turma da Mônica, aparece em décimo lugar na lista dos escritores mais admirados pelos leitores, depois de Monteiro Lobato, Jorge Amado, Machado de Assis, entre outros. 

Ainda há que se ressaltar que, para a formação de um leitor competente, capaz de usar a linguagem em diferentes contextos e situações, é preciso dar a ele acesso a variados tipos de leitura. Como explica a professora Maria José da Nóbrega, assessora da Secretaria Municipal da Educação de São Paulo, "cada gênero de texto desenvolve habilidades específicas, por isso é importante que a criança tenha disponível diferentes fontes de leitura, como jornal, livros, revistas e histórias em quadrinhos. A família tem um papel vital nisso".

Oito motivos para incentivar seu filho a ler histórias em quadrinhos. 

 

Contribuem na pré-alfabetização

A sequência de imagens dos quadrinhos permite que a criança compreenda o sentido da história antes mesmo de aprender a ler. Ao fazer isso, ela organiza o pensamento, exercita a capacidade de observação e interpretação e desenvolve a criatividade. Na fase de pré-alfabetização, o contato com os gibis também ajuda a criança a se familiarizar com as letras.

Ajudam no processo de alfabetização

A ordem lógica dos quadrinhos serve de apoio para que a criança decifre o que está escrito e supere a dificuldade de fluência, típica de quem acabou de se alfabetizar. Outro fator positivo é que a letra maiúscula usada nos balões facilita a leitura. Para quem está aprendendo a ler, letras minúsculas podem ser mais difíceis de decodificar, principalmente aquelas que têm traçados semelhantes, como q, p, d e b.

Despertam facilmente o interesse das crianças

A leitura de gibis é uma atividade lúdica para as crianças, que naturalmente se identificam com a linguagem dos quadrinhos e, muitas vezes, estabelecem uma relação afetiva com seus personagens.

Estimulam o hábito da leitura

Um bom modo de estimular um hábito é enfatizando o seu lado prazeroso. No caso dos quadrinhos, os textos rápidos associados com imagens, os elementos gráficos e a identificação com os personagens são alguns dos elementos que tornam a leitura agradável. Isso pode encorajá-las a ler textos cada vez mais complexos. Alguns pesquisadores defendem que os leitores de quadrinhos também acabam se interessando por outros gêneros de texto.

Exercitam diferentes habilidades cognitivas

A leitura de histórias em quadrinhos é um processo bastante complexo. É preciso decodificar textos, imagens, balões, onomatopeias e, muitas vezes, recursos de metalinguagem. Além disso, induz a uma habilidade chamada inferência, que é a capacidade de concluir coisas que não estão escritas. Nas HQs, por exemplo, o leitor deduz a ação que é omitida entre um quadrinho e outro. Tudo isso demanda um trabalho intelectual.

Unem cultura e entretenimento

Histórias em quadrinhos podem transmitir um leque bem amplo de informações sobre contextos históricos, sociais ou políticos e ainda assim manter sua característica de entretenimento. Só para citar alguns exemplos bem conhecidos: as aventuras de Asterix trazem divertidas referências sobre história antiga, as histórias de Tintim são ricas em indicações geográficas e as tirinhas da questionadora Mafalda fazem crítica a questões político-sociais da Argentina. Já Joe Sacco, que é quadrinista e jornalista, desenhou histórias sobre a guerra da Bósnia e os conflitos entre Israel e Palestina.

 

São de fácil acesso e baixo custo

Os títulos mais populares podem facilmente ser adquiridos nas bancas de jornal por um preço bem acessível. Os gibis também são encontrados em bibliotecas e gibitecas. Outra opção são as trocas, prática que costuma ser incentivada pelas escolas e prefeituras.

 

São recomendadas pelos PCN, RCNEI, e PNBE

 

Algumas das razões para isso já foram descritas nos itens anteriores, mas vale ressaltar que tanto os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), como o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI) e o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) falam sobre a importância da criança interagir com diferentes tipos de texto. Além disso, a relação entre texto e imagem está cada vez presente em diferentes gêneros e é preciso ensinar como ler a imagem também.

 

Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/poder-historias-quadrinhos-676039.shtml

 

 

 

 

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22

out
2013

Exercicios de Regencia - Segundo EM

Olá, bonitinhos!

Esta lista é ótima para treino! Entrega sexta, dia 25/10, sem falta!

  1. Assinale a única alternativa que está de acordo com as normas de regência da língua culta.


    a) avisei-o de que não desejava substituí-Io na presidência, pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei a tal cargo;
    b) avisei-lhe de que não desejava substituí-lo na presidência, pois apesar de ter sempre servido a instituição, jamais aspirei a tal cargo;
    c) avisei-o de que não desejava substituir- lhe na presidência, pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei tal cargo;
    d) avisei-lhe de que não desejava substituir-lhe na presidência, pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei a tal cargo;
    e) avisei-o de que não desejava substituí-lo na presidência, pois apesar de ter sempre servido a instituição, jamais aspirei tal cargo.


    2. Assinale a opção em que o verbo chamar é empregado com o mesmo sentido que
    apresenta em ________ "No dia em que o chamaram de Ubirajara, Quaresma ficou reservado, taciturno e mudo":


    a) pelos seus feitos, chamaram-lhe o salvador da pátria;
    b) bateram à porta, chamando Rodrigo;
    c) naquele momento difícil, chamou por Deus e pelo Diabo;
    d) o chefe chamou-os para um diálogo franco;
    e) mandou chamar o médico com urgência.


    3. Assinale a opção em que o verbo assistir é empregado com o mesmo sentido que apresenta em "não direi que assisti às alvoradas do romantismo".


    a) não assiste a você o direito de me julgar;
    b) é dever do médico assistir a todos os enfermos;
    c) em sua administração, sempre foi assistido por bons conselheiros;
    d) não se pode assistir indiferente a um ato de injustiça;
    e) o padre lhe assistiu nos derradeiros momentos.


    4. Em todas as alternativas, o verbo grifado foi empregado com regência certa, EXCETO em:

    a) a vista de José Dias lembrou-me o que ele me dissera.
    b) estou deserto e noite, e aspiro sociedade e luz.
    c) custa-me dizer isto, mas antes peque por excesso;
    d) redobrou de intensidade, como se obedecesse a voz do mágico;
    e) quando ela morresse, eu lhe perdoaria os defeitos.


    5. O verbo chamar está com a regência INCORRETA em:

    a) chamo-o de burguês, pois você legitima a submissão das mulheres;
    b) como ninguém assumia, chamei-lhes de discriminadores;
    c) de repente, houve um nervosismo geral e chamaram-nas de feministas;
    d) apesar de a hora ter chegado, o chefe não chamou às feministas a sua seção;
    e) as mulheres foram para o local do movimento, que elas chamaram de maternidade.


    6. Assinale o exemplo, em que está bem empregada a construção com o verbo preferir:

    a) preferia ir ao cinema do que ficar vendo televisão;
    b) preferia sair a ficar em casa;
    c) preferia antes sair a ficar em casa;
    d) preferia mais sair do que ficar em casa;
    e) antes preferia sair do que ficar em casa.


    7. Assinale a opção em que o verbo lembrar está empregado de maneira inaceitável em relação à norma culta da língua:


    a) pediu-me que o lembrasse a meus familiares;
    b) é preciso lembrá-lo o compromisso que assumiu conosco;
    c) lembrou-se mais tarde que havia deixado as chaves em casa;
    d) não me lembrava de ter marcado médico para hoje;
    e) na hora das promoções, lembre-se de mim.


    8. O verbo sublinhado foi empregado corretamente, EXCETO em:

    a) aspiro à carreira militar desde criança;
    b) dado o sinal, procedemos à leitura do texto.
    c) a atitude tomada implicou descontentamento;
    d) prefiro estudar Português a estudar Matemática;
    e) àquela hora, custei a encontrar um táxi disponível.


    9. Em qual das opções abaixo" o uso da preposição acarreta mudança total no sentido do verbo?

    a) usei todos os ritmos da metrificação portuguesa. /usei de todos os ritmos da metrificação portuguesa
    b) cuidado, não bebas esta água./ cuidado, não bebas desta água;
    c) enraivecido, pegou a vara e bateu no animal./ enraivecido, pegou da vara e bateu no animal;
    d) precisou a quantia que gastaria nas férias./ precisou da quantia que gastaria nas férias;
    e) a enfermeira tratou a ferida com cuidado. / a enfermeira tratou da ferida com cuidado.


    10. Assinale o mau emprego o vocábulo "onde":

    a) todas as ocasiões onde nos vimos às voltas com problemas no trabalho, o superintendente nos ajudou;
    b) por toda parte, onde quer que fôssemos, encontrávamos colegas;
    c) não sei bem onde foi publicado o edital;
    d) onde encontraremos quem nos forneça as informações de que necessitamos;
    e) os processos onde podemos encontrar dados para o relatório estão arquivados


    11. Assinale o item que preenche convenientemente as lacunas na sentença:

    Não ____ conheço o suficiente para entender seus motivos, mas aviso ____ de que não ____ perdoo a traição.


    a) lhe, lhe, lhe;
    b) o, o, o;
    c) o, lhe, o;
    d) lhe, lhe, o;
    e) o, o, lhe.


    12. Assinale a frase em que há erro de regência verbal:


    a) a notícia carece de fundamento;
    b) o chefe procedeu ao levantamento das necessidades da seção;
    c) os médicos assistiram o simpósio e acharam-no muito interessante;
    d) é necessário que todos obedeçam às diretrizes estabelecidas;
    e) daqui posso ver-lhe o passo oblíquo e trôpego.


    13. Uma das opções apresenta erro quanto a regência verbal. Assinale-a:

    a) na sala do superintendente aspirava sempre fumaça de um legítimo havana.
    b) chegando na repartição, encontrou as portas cerradas;
    c) todos obedeceram às determinações superiores;
    d) informei-o de que no dia 15 não haverá expediente;
    e) o gerente visou todas as folhas do ofício.


    14. De acordo com a norma culta, a frase em que se teve o cuidado de obedecer à regência é:

    a) o Colégio São Geraldo, sito a Rua da União, encerrou suas atividades;
    b) o preço fixado tornou-se compatível de minhas posses;
    c) as regras do jogo não são passíveis por mudanças;
    d) sua decisão implica uma mudança radical;
    e) prefiro o cinema mais do que o teatro.

Mais alguns...

1)Assinale o erro de regência verbal.
a) Ele assistia com carinho os enfermos daquele hospital.
b) Não quero assistir esse espetáculo.
c) Carlos sempre assistiu em Belo Horizonte.
d) Não deixe de assistir àquele jogo.

2) Há erro de regência verbal na opção seguinte:
a) Aspirou profundamente o forte odor do café.
b) Ela não pode visar o passaporte.
c) Todos visam uma vida de paz.
d) Ali as pessoas aspiravam à fama.

3) Aponte a frase que apresenta incorreção de regência verbal.
a) Mário pagou o carro.
b) A moça perdoou a indiscrição do colega.
c) Antônio deixou de pagar o ajudante ontem.
d) Perdoemos aos que nos ofendem.

4) Marque o erro de regência verbal.
a) Prefiro estudar que trabalhar.
b) À cerveja prefiro o leite.
c) Prefiro leite a cerveja.
d) Prefiro este nome àquele que ele propôs.

5) Está perfeita a regência verbal na alternativa:
a) O professor procedeu a chamada.
b) Sua permanência implicará grande prejuízo a todos.
c) Devemos obedecer o regulamento.
d) Irei na sua casa logo mais.

6) Assinale a frase que não pode ser completada com o que vai nos parênteses.
a) Pagarei......alguns empregados hoje à noite. (a)
b) Naquela época, meu sobrinho assistia......Belo Horizonte. (em)
c) Não implique......o colega. (com)
d) Quando morava no campo, aspirava.......ar puro e sentia-se bem. (ao)

7) Está perfeita a regência verbal somente na seguinte alternativa:
a) A festa que ele compareceu foi ótima.
b) O livro que ele gosta muito desapareceu.
c) A empresa por que ele tanto se esforçou acabou falindo.
d) O cargo que tu aspiravas já foi preenchido.

8) Nas frases seguintes, todas com o pronome CUJO, há uma com erro de regência
verbal. Assinale-a.
a) Esta é a criança cujo pai deseja falar-nos.
b) Paulo, por cujas atitudes não me responsabilizo, deixou a firma.
c) Luís, contra cujas idéias sempre lutei, hoje é meu amigo.
d) Está lá fora o homem cujas ideias jamais acreditei.

9) Está correta a regência da frase:
a) O filme que assistimos é excelente.
b) O emprego que aspirávamos era apenas um sonho.
c) O documento que visei era falso.

10) Marque a alternativa em que ocorre erro na substituição por pronome átono.
a) Obedeci ao professor. / Obedeci-lhe.
b) Encontrei os animais na rua. / Encontrei-os na rua.
c) Toquei o seu braço. / Toquei-lhe o braço.
d) Visitou a amiga no hospital. / Visitou-lhe no hospital.

11) Só há erro de regência em:
a) Não sei onde ele será levado.
b) Ali está o comerciante a quem mandei a notificação.
c) Nós o trouxemos ontem.
d) Responda às questões seguintes.

12) Marque o erro de regência verbal.
a) Assistimos, extasiados, o espetáculo.
b) Alguém está assistindo o doente?
c) Aspirávamos o perfume das rosas.
d) Todos aspiram à paz.

13) Há erro de regência verbal em:
a) Eu lhe quero muito.
b) Eu o quero muito.
c) Paula namorava com alguém daquela família.
d) Todos perdoaram ao jovem.

14) Preencha as lacunas e anote a alternativa adequada.
Cientifico-.......de que a posse foi adiada.
Poucos.......entendem.
Meus irmãos.........obedecerão.
a) o - o - lhe
b) lhe - lhe - lhe
c) o - o - o
d) o - lhe - lhe

15) ( GAMA FILHO) Assinale a frase em que há erro de regência verbal.
a) O desmatamento implica destruição e fome.
b) Chegamos na cidade antes do anoitecer.
c) Jonas reside na Rua das Marrecas.
d) Avisei-o de que devia partir.
e) Os ambientalistas assistiram a uma conferência.

 

 

 

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22

out
2013

Terra de Gigantes

Pessoal do 1º E.M.!

Não esqueçam: leitura crítica e analítica da letra dessa música.  postura do eu lírico!

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14

out
2013

Os 10 maiores poemas brasileiros de todos os tempos

A Revista Bula fez uma pesquisa onde obteve os seguintes resultados:

40 poemas foram indicados, mas, destes, apenas 24 tiveram mais de três citações. São eles: "A Máquina do Mundo", "Procura da Poesia", "Áporo" e "Flor e a Náusea", de Carlos Drummond de Andrade; "O Cão Sem Plumas", "Tecendo a Manhã" e "Uma Faca Só Lâmina", de João Cabral de Melo Neto; "Invenção de Orfeu", de Jorge de Lima; "O Inferno de Wall Street", de Sousândrade; "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga; "Cobra Norato", de Raul Bopp; "O Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles; "Vozes d'África", de Castro Alves; "Vou-me Embora pra Pasárgada" e "O Cacto", de Manuel Bandeira; "Poema Sujo" e "Uma Fotografia Aérea", de Ferreira Gullar; "Via Láctea" e "De Volta do Baile", de Olavo Bilac; "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias; "As Cismas do Destino" e "Versos Íntimos", de Augusto dos Anjos; "As Pombas", de Raimundo Correia; "Soneto da Fi­delidade", de Vinícius de Moraes. Eis a lista baseada no número de citações. Por motivo de direitos autorais, alguns poemas tiveram apenas trechos publicados.

 


A Máquina do Mundo
(Carlos Drummond de Andrade)

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.

(Trecho de A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade).


Vou-me Embora pra Pasárgada
(Manuel Bandeira)

image

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
%u2014 Lá sou amigo do rei %u2014
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Poema Sujo
(Ferreira Gullar)

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos

menos que escuro
menos que mole e duro
menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma?
claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha
que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor
e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo
(não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era...
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia

(Trecho de Poema Sujo, de Ferreira Gullar).


Soneto da Fidelidade
(Vinícius de Moraes)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Via Láctea
(Olavo Bilac)

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


O Cão Sem Plumas
(João Cabral de Melo Neto)

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.


Canção do Exílio
(Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar %u2014 sozinho, à noite %u2014
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


As Cismas do Destino
(Augusto dos Anjos)

Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!

Na austera abóbada alta o fósforo alvo
Das estrelas luzia... O calçamento
Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um crânio calvo.

Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!

A noite fecundava o ovo dos vícios
Animais. Do carvão da treva imensa
Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios!

Tal uma horda feroz de cães famintos,
Atravessando uma estação deserta,
Uivava dentro do eu, com a boca aberta,
A matilha espantada dos instintos!

Era como se, na alma da cidade,
Profundamente lúbrica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.

E aprofundando o raciocínio obscuro,
Eu vi, então, à luz de áureos reflexos,
O trabalho genésico dos sexos,
Fazendo à noite os homens do Futuro.

(Trecho de As Cismas do Destino, de Augusto dos Anjos).


As Pombas
(Raimundo Correia)



Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada.

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.


Invenção de Orfeu
(Jorge de Lima)

1.
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.

Nobre apenas de memórias,
vai lembrando de seus dias,
dias que são as histórias,
histórias que são porfias
de passados e futuros,
naufrágios e outros apuros,
descobertas e alegrias.

Alegrias descobertas
ou mesmo achadas, lá vão
a todas as naus alertas
de vaia mastreação,
mastros que apoiam caminhos
a países de outros vinhos.
Está é a ébria embarcação.

Barão ébrio, mas barão,
de manchas condecorado;
entre o mar, o céu e o chão
fala sem ser escutado
a peixes, homens e aves,
bocas e bicos, com chaves,
e ele sem chaves na mão.

2.
A ilha ninguém achou
porque todos o sabíamos.
Mesmo nos olhos havia
uma clara geografia.

Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim,
mesmo sem terra e sem mim.

Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.

Nem achada e nem não vista
nem descrita nem viagem,
há aventuras de partidas
porém nunca acontecidas.

Chegados nunca chegamos
eu e a ilha movediça.
Móvel terra, céu incerto,
mundo jamais descoberto.

Indícios de canibais,
sinais de céu e sargaços,
aqui um mundo escondido
geme num búzio perdido.

Rosa-de-ventos na testa,
maré rasa, aljofre, pérolas,
domingos de pascoelas.
E esse veleiro sem velas!

Afinal: ilha de praias.
Quereis outros achamentos
além dessas ventanias
tão tristes, tão alegrias?

(Trecho de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima).

Disponível em: http://www.revistabula.com/438-os-10-maiores-poemas-brasileiros-de-todos-os-tempos/14/10/2013

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14

out
2013

Do risco de ser gentil em tempos grosseiros

André J. Gomes - professor e publicitário

"SOBE", grita o homem correndo para o elevador lotado, prestes a iniciar sua viagem rumo ao topo do prédio comercial de 20 andares. A essa hora da manhã, perder o elevador significa chegar atrasado ao trabalho, então ele corre mais rápido. Nenhuma das tantas pessoas já embarcadas faz qualquer esforço para ajudá-lo em sua empreitada. Ninguém segura a porta de aço, ninguém aperta o botão que retarda a partida da nave, ninguém sequer lhe dirige um olhar de solidariedade e torcida, "corre, pobre diabo, você vai conseguir, eu acredito em você". Nada. Ninguém.

Agora é ele e somente ele contra o tempo e as próprias forças. O elevador começa a fechar as portas, o homem corre ainda mais veloz e os passageiros do lado de dentro o assistem indiferentes, imóveis. Ele já prevê a si mesmo sozinho, do lado de fora, maldito excluído, marginal fracassado, enquanto seus colegas desconhecidos seguem impolutos rumo ao topo. Ferido no orgulho, ele tenta uma vez mais. Não, ele não será abatido assim tão fácil. Não sem luta. E num último impulso ele estica o braço e alcança a porta do elevador com as pontas dos dedos, no instante exato em que suas duas metades se encontrariam. Ele conseguiu! Parabéns, bravo homem! Você é um feliz passageiro do cubículo de aço e lâmpadas e botões que ganhará as alturas.

Seus colegas de viagem não conseguem esconder a frustração de vê-lo ali, vitorioso, impávido, prova viva e inconteste de que o esforço ainda é capaz de superar a indiferença e a idiotia. Ele diz "bom dia". Ninguém responde. Uma por uma, ele examina as caras dos cretinos cabisbaixos, macambúzios à sua frente. Repara suas expressões de pressa e autoimportância. Observa o jeito apático e previsível como transferem os olhos do chão para o teto, do teto para o chão.

Ele enxerga esses homens de terno e gravata insistindo em encontrar sinal no celular! Olha essa velha com expressão de bruxa má e rugas de quem apanhou da vida muito mais do que bateu. Olha essas moças de cabeleira escovada emanando perfume melado, o jeito cabreiro de presa e os gestos forçadamente defensivos de quem espera que todos ali estejam prestes a avançar sobre elas, rasgar suas roupinhas de grife compradas em vinte prestações no cartão e violar suas carcaças depiladas e acima do peso. Na ótica perversa e estrábica das donzelas, todos ali são tarados potenciais, inclusive a velha bruxa, esperando a hora de atacá-las. Coitadas, as moças mal sabem o quanto são tão pouco atraentes. Nem desconfiam de que para o mundo elas sequer existem.

Como também inexistem esses dois sujeitos fortões, apertados em suas camisetas de algodão, enamorados de si mesmos, paquerando seus próprios contornos no espelho ao fundo do elevador. Então ele repousa a vista sobre a grávida de ar amargurado, triste, sozinha, entrando decerto nos últimos dias de gestação. Ele espia de frente todas aquelas pessoas ali. Tão diferentes, tão iguais. Tão incapazes de mirá-lo de volta e dizer "oi" ou "bom dia" ou "tá olhando o quê?". Nem um olhar sequer.

Resignado, ele desiste e respira fundo. Mas que cheiro é esse? Que cheio horrível é esse surgido no momento exato em que ele inspira o ar com toda a vontade? Sim, é isso. Não bastassem o combustível tão caro, o aluguel que subiu de novo, o chefe que o espera irascível, a violência urbana e a estupidez coletiva, alguém ali tivera o desplante de piorar o desastre. Alguém acaba de liberar seus gases intestinais em pleno elevador. Quem foi o porco?

Teria sido a velha bruxa? Sim, foi ela, frouxa, as pregas sucumbidas ao massacre de existir. Ou foi um dos fortões? Decerto, entupiram o organismo de esteroides e vitaminas de cavalo até ventarolar a névoa do inferno. Desgraçados. E os executivos cínicos? Claro! Só pode ter sido um deles! Escondidos na pretensa polidez de suas gravatas, saem por aí com ar superior exalando seus fedores por baixo. Perversos. Mas e as moças de escova? Sim! Ele pensa em como se deixou enganar por elas. Foram elas! Tão dissimuladas ao ponto de orvalhar gotículas invisíveis de estrume no ar enquanto encaram as próprias unhas decoradas com esmaltes de nomes excêntricos.

O fedor sobe, recende, piora. Espalha-se por todo o cubículo prateado como uma praga das trevas. Um bodum intenso, torpe, saído das tripas de um lagarto gigante em estado terminal. Uma das moças leva a mão ao rosto e fecha as narinas com os dedos. Mas que bela mula, ele pensa. Na minguada cabeça dessa estúpida não entra o óbvio: ao fechar o nariz, ela se põe a inspirar a nuvem intestinal pela boca.

Aos poucos o ar se torna pesado, a caatinga persiste, perdura. E finalmente as pessoas se olham, se percebem. Inquisitórios, os desconhecidos se encaram em silêncio de tumba, enquanto se dirigem olhares de acusação recíproca. Quem foi? Quem foi o sujo? O culpado precisa aparecer. Então, traída pela sensibilidade de sua própria situação, a grávida sucumbe ao clima opressivo e se entrega sem dizer palavra. Em seu rosto redondo de gestante, a fraqueza se faz evidente e a autoria do flato, inegável. Foi ela!

Mas esperem. A infeliz não tem culpa! A essa altura da gravidez, segurar os próprios gases é uma tortura. Se pudesse, ele gritaria tal argumento para todos ali. Mas não. Ele pondera, repensa e, finalmente, compadecido da situação de sua colega gestante, é tocado por uma revelação. De súbito, ele se vê em meio ao instante que vai determinar o rumo de sua existência, a chance que poucas vezes na vida se dá a um sujeito banal e sem graça como ele. A oportunidade que não se pode jogar fora.

E num sensacional gesto de grandeza, o homem se coloca na linha de tiro entre a indefesa mulher prenhe e os olhares acusatórios que a fuzilam impiedosos: "FUI EU!".

A porta do elevador se abre, os passageiros fogem apressados, aliviados, para fora da câmara de gás. Todos de uma vez, como o estouro de uma boiada, escapam para longe do ambiente repulsivo. Todos para fora, menos ele. Ele permanece ali, no interior da máquina. Sozinho, parado, satisfeito por ter sido capaz de uma coisa grandiosa em sua vidinha ridícula de pagador de contas.

Do lado de fora, a mulher grávida olha para trás, segura a barriga, encara tímida o seu defensor e desabafa sincera: "SEU PORCO!".

 

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