(Imagem: Fotolia/Rithielle)
No mês de abril, foi dada a notícia de que cientistas haviam encontrado fósseis (registros preservados de espécies que existiram no passado) de organismos que teriam vivido no fundo de lagos, como, por exemplo, no Lago Torridon, na costa oeste da Escócia, "há pelo menos um bilhão de anos" (segundo a contagem evolucionista, extremamente antiga). A reportagem do jornal Daily Mail diz que, segundo os especialistas, os fósseis "marcam um importante momento na evolução das espécies, quando bactérias simples se tornaram conjuntos de células mais complexas, capazes de realizar fotossíntese e reprodução sexuada".
O professor Martin Brasier, da Universidade de Oxford, disse que os novos fósseis mostram que "o movimento em direção a complexas células começou muito antes do que se pensava". Charles Wellman, da Universidade de Sheffield, destaca ainda que "o estudo aponta que a vida na Terra, nesse momento, era mais abundante e complexa do que o previsto".
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Quinze dias antes, outra notícia se espalhou na internet: gravuras de dinossauros com seres humanos, feitas em rochas, foram encontradas na área de Kachina Bridge, em Utah, Estados Unidos. As figuras foram submetidas a uma análise de pesquisadores, que chegaram à conclusão de que elas são apenas "pintura manchada".
Os estudiosos analisaram quatro imagens do que "parecem ser dinossauros". Não satisfeitos com o que viam a olho nu, usaram binóculos, lentes especiais e iluminação direta e indireta do sol. "O dinossauro 1, apelidado de Sinclair, realmente se parece com um dino, se visto por olhos comuns. Mas um olho treinado pode, frequentemente, enxergar o que um não treinado vê", disse o paleontólogo Phil Senter, da Universidade Estadual Fayetteville, na Carolina do Norte. "Até nosso estudo, esta era a melhor gravura de dinossauros e a mais difícil de ser interpretada, porque se parece muito com um dinossauro", admitiu.
Segundo os estudiosos com "olhos treinados", a imagem dos dinossauros é ilusão de ótica, semelhante aos rostos e animais vistos nas nuvens e nas formações rochosas da Lua (com a diferença de que essas pinturas foram feitas por humanos e são palpáveis, inclusive).
Voltando à primeira notícia - a dos fósseis no fundo do lago escocês -, algumas considerações são necessárias: (1) Não existem "bactérias simples". Para elas existirem, é preciso que haja organelas especializadas, máquinas moleculares bastante complexas, membrana seletiva e informação genética. (2) Como essas "bactérias simples" se tornaram "conjuntos de células mais complexas", capazes de realizar fotossíntese e reprodução sexuada? Como elas foram capazes de duplicar a informação genética com precisão? A complexidade poderia se originar da simplicidade? Isso é científico? Fotossíntese e reprodução sexuada são mecanismos ultracomplexos que exigem o "surgimento/evolução" de muitas funções específicas de complexidade irredutível e, no caso dos sexos, distintas e perfeitamente compatíveis. Como surgiram? Mutações simultâneas e diferentes, em organismos diferentes, numa mesma época e mesmo local? (3) A admissão de que o "movimento em direção a complexas células começou muito antes do que se pensava" cria problemas para a teoria da evolução, já que cada vez mais o tempo do "surgimento" da vida complexa vai recuando no passado. Daqui a pouco, restará a pergunta: Haveria tempo suficiente para a evolução da vida nesse nível de complexidade? (4) O estudo aponta que "a vida na Terra neste momento era mais abundante e complexa do que o previsto". A surpresa é apenas dos darwinistas, já que os criacionistas têm como base que a complexidade está presente no planeta desde que a vida foi criada - e é exatamente isso o que se observa de alto a baixo na coluna geológica.
E quanto aos dinossauros de Utah? Curiosamente, os desenhos de mãos, pessoas e outros animais encontrados no mesmo local não "mancharam". Somente a imagem dos dinossauros ficou manchada, dando a impressão de ser apenas ilusão de ótica... Mas quem sou eu para contestar os especialistas? Não tenho "olho treinado".
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E o que um "olho treinado" vê, quando observa, por exemplo, um único dente fóssil? R.: uma criatura completa! O que um "olho treinado" vê, quando analisa camadas sedimentares plano-paralelas em grandes extensões e sem evidência de erosão entre elas? R.: bilhões de anos de sedimentação. O que um "olho treinado" vê, quando constata variações no tamanho do bico de aves da mesma espécie ou analisa bactérias que adquirem resistência a antibióticos, mas que continuam sendo bactérias? R.: a macroevolução de uma "célula primordial" que se desenvolve até um ser humano! O que um "olho treinado" vê, quando se dá conta da tremenda quantidade de informação complexa e específica no DNA? R.: acaso cego. O que um "olho treinado" vê, quando analisa tecidos moles e proteína identificável em fósseis de dinossauros? R.: milhões de anos de extinção, assim mesmo. O que um "olho treinado" vê, quando olha para o período Cambriano com sua "explosão" de vida complexa e se dá conta de que no Pré-Cambriano não existem ancestrais evolutivos desses animais? R.: mistério.
Na verdade, as pinturas em Kachina Bridge não são as únicas evidências de uma época de vivência paralela entre humanos e dinossauros. No capítulo "O que aconteceu com os dinossauros", do livro A História da Vida (em nova edição ampliada), são abordados esse e outros temas relacionados aos dinos. Há muito mais por trás dessa história, bem mais do que alguns pesquisadores e a mídia acham que esclareceram por meio de conclusões precipitadas.
Enfim, essas duas notícias mostram que mesmo um "olho treinado" não está livre das sugestões da cosmovisão (visão de mundo, filosofia). E é essa cosmovisão que influencia poderosamente os pesquisadores, fazendo com que eles adotem dois pesos e duas medidas, adaptando as evidências ao modelo teórico, e não o contrário.