24
mar
2012
IABC
Uma prática docente sustentável exige de nós a ousadia de somar e potencializar diferenças no ato de ensinar.
"Lançando sua capa para o lado, de um salto pôs-se em pé e dirigiu-se a Jesus." Marcos 10:50
Não consigo imaginar como é ser uma pessoa que não pode enxergar. Não ser capaz de ler, ver o por do sol, pássaros voando, o rosto das pessoas, o mar quebrando contra as rochas.
Helen Keller foi um grande exemplo pela maneira como lidou com a surdez e a cegueira. Certa vez, ela publicou numa revista um artigo intitulado: "Três dias para ver." No artigo, ela fala do que gostaria de ver, se lhe fossem dados três dias de visão. É um texto provocativo e inspirador.
No primeiro dia, Helen gostaria de ver os amigos. No segundo dia, ela gostaria de ser capaz de olhar a natureza ao redor. E no terceiro dia, ela gostaria de passar o tempo em sua cidade natal, Nova York, observando o movimento da cidade e a correria do pessoal. "Eu, que sou cega, posso dar uma dica para aqueles que veem: usem os olhos como se amanhã vocês fossem ficar totalmente cegos."
Ser portador de deficiência visual nos dias de Jesus era bem diferente de hoje. A cegueira significava que você estaria sujeito à pobreza e condenado a mendigar para sobreviver.
Naquele dia, em lugar de ouvir apenas o barulho normal dos transeuntes, o cego percebeu uma multidão que ia passando. Ao saber que Jesus ia passar por ali, decidiu fazer alguma coisa. E a atitude dele foi importante para conseguir a atenção do Salvador. Deixou de lado as repreensões e gozações dos transeuntes: "Ele tem coisas mais importantes do que dar atenção a um cego." Mas o homem aproveitou a oportunidade para mudar de vida.
A atitude decisiva dele era a de mudar as circunstâncias. "Quero jogar fora, deixar para trás minha vida de deficiente visual." Por isso, jogou a capa de lado. Acostumado a permanecer sentado, deu um salto.
Quantos de nós não necessitamos da misericórdia de Jesus, agora? Jesus vai Se deter para aqueles que O chamarem em fé. Jesus perguntou ao cego: "O que você quer que Eu lhe faça?" (v. 51).
Jesus está disposto a Se deter e nos ajudar. "Anime-se, levante-se! Ele o está chamando."
"A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira."
Provérbios 15:1
A arte de confrontar, e que ninguém inveja, de ir falar com o outro e dizer que ele não fez o que era correto, é uma habilidade rara. Há pessoas que, por natureza, gostam de confrontar. Dizem que se há um problema, temos que resolver logo. Mas no mínimo o que se pede nesses casos é que a comunicação seja feita corretamente e não no calor da emoção. Temos que pedir a Deus as palavras certas e que Ele nos ajude a expressar-nos de tal maneira que levemos cura à pessoa. E quanta sabedoria e cuidado devemos ter para que o corte do "bisturi" traga cura e não dano! E não apenas isso, a confrontação deve ser um momento de liberdade e crescimento, e não um momento de acertar e consertar as coisas.
Deus sabe perfeitamente quando é o melhor tempo para corrigir alguém. Vemos isso em Seu trato com Davi, depois do seu caso com Bate-Seba. Sabendo da situação na qual se encontrava Davi, Ele enviou Natã para visitá-lo.
Confrontar um amigo é uma coisa. Confrontar um liderado é diferente da confrontação de um superior. Mas confrontar o rei, não é tarefa que você faz sem perder várias noites de sono, antes e depois. Depois de marcar uma audiência com Davi, Natã começou sua conversa num tom amistoso. Ele usou uma parábola como preparação: "Majestade, é apenas uma questão civil e eu gostaria de ouvir o seu veredito. Dois homens, um rico e um pobre, moravam na mesma cidade. O que era rico tinha muitas ovelhas, e o que era pobre tinha apenas uma cordeira de estimação. Um dia, o homem rico recebeu um viajante com sua comitiva. Na hora de preparar a refeição, em lugar de pegar uma ovelha do seu rebanho, ele pegou a única cordeira que o pobre tinha. Eu gostaria, majestade, de ouvir o seu veredito sobre o assunto" (ver 2Sm 12:1-4).
E Davi, num ímpeto de raiva, disse: "O homem que fez isso merece a morte!" (v. 5).
Sem esperar nenhuma palavra mais, Natã respondeu: "Você é esse homem!" (v. 7).
Não podemos controlar a reação da outra pessoa, nem o que ela vai sentir ou pensar. Podemos mostrar a verdade, e levar conosco uma atitude de afeição, mas é o Espírito Santo que vai mudar o coração da pessoa.
No caso de Davi, a confrontação foi proveitosa. Ele não se defendeu nem tentou explicar seu erro. Aceitou a repreensão, e aí começou sua recuperação.
É sábio seguir o conselho bíblico: "Falando a verdade com espírito de amor, cresçamos em tudo até alcançarmos a altura espiritual de Cristo" (Ef 4:15, NTLH).
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